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sábado, 30 de outubro de 2010

Um Depoimento


Olá irmãos de jornada e fé.

     Dezembro de 1935. Foi após o Natal. Andava triste e a pensar em ti. Sentia que a melancolia se apoderava de mim. Sozinho no mundo (assim pensava eu, tal o vácuo da minha alma), sem mãe para nortear-me os passos, como iria viver? Era, então um período difícil de minha mocidade. Tão só, que fazer? E, nesses momentos meu pensamento rasgava o espaço e ia em busca de ti. E, de tanto clamar pela tua presença, tive a impressão de que viestes até mim! Foram momentos rápidos, sublimados por uma torrente de lágrimas....Depois, recordações do passado. Era a nossa casa da cidade do Porto. Era a "Quinta das Andorinhas", era a casa dos "Quatro Caminhos". Enfim, recordações cheias de amargura e de tédio. Então via a tua imagem, as tuas lutas, as minhas e as peraltices de meus manos..... Mas, passados esses breves momentos, sou impulsionado a escrever-te uma longa carta, a qual denominei de "Confissão de um filho"...
E aqui está, com se fora uma confissão, esta página que encerra ensinamentos para todos.

*****
Passaram-se os tempos...
Mas, eis que a 26 de agosto de 1945 , como se fora uma recompensa do Céu, recebo com prêmio - a dádiva mais cara de toda a minha vida! Data abençoada, ditosa data! Noite bendita, noite feliz, porque de alegrias e emoções contagiantes. E´que o Pai misericordioso e bom, permitiu que viesses em Espírito e verdade ao encontro do teu filho amado!
Foram momentos indescritíveis.
Chegaste com a pertubação natural das mães que muito sofreram e amaram pedindo água e pedindo luz. Clamando pelo nome de teu filho: José!... Foi o clamor repentino  e inesperado que ressoou por toda a sala...E logo após: "José, meu filho! não me escutas ?! "Todo o ambiente se transformou e todos os olhares caíram sobre mim, e tu, incontinente, jogavas-te ao ao chão, e de joelhos erguendo os braços e enlançando-me como se fora um amplexo, clamaste ainda "dá-me água que tenho sede!
Dá-me luz, que estou no escuro "!...
Foi um momento dramático, inesperado, que explodia através da médium "Zoca". Era o fenômeno maravilhoso da mediunidade que extravasa magnificamente, confirmando a realidade dos fatos dentro de uma humilde choupana onde se reunia pequeno grupo para as práticas de Umbanda.
Foi, pois, num humilde terreiro de Umbanda que eu deveria receber esse prêmio de consolação. Esse prêmio que não há dinheiro que pague.
Benditas sejas, Umbanda!
A emoção contagiou a todos. Todos choravam de alegria pela dádiva que o Senhor dos mundo nos concedera. Como Deus é bom! E como lhe estamos agradecidos por tanta bondade! Rendamos graças ao Pai, que nunca esquece seus filhos, dando a cada um de acordo com o justo merecimento. Pedindo água e pedindo luz, mãe querida, revelavas o estado de pertubação em que te encontravas ainda, envolvido como estava o teu Espírito pelos fluidos pesados e o reflexo de 25 anos de lutas e sofrimentos através da imensidão do espaço, em busca de teus filhos queridos. A angústia, o desespero e a dor se multiplicaram, por certo, com a separação violenta e rápida de teus filhos, quando a ciência da terra foi impotente para livrar-te dos males físicos e morais.
Revelada e confirmada ficou sem dúvida, a nossa afinidade espiritual. Pudeste vir ao meu encontro pelos maravilhosos meios da mediunidade. Pudeste ouvir a voz do teu filho muito amado, que igualmente te procurava através das preces e dos pensamentos mais íntimos. E, partistes, após, mais confortada e esclarecida, pois o
PAI NÃO DÁ PEDRAS AO FILHO QUE LHE PEDE PÃO.
Mais passados 03 dias, em ambiente totalmente diferente do primeiro eis que tu voltas, já consciente de teu estado, livre dos fluidos pesados. E´que as preces fervorosas se transformaram em luz radiosa para o teu Espírito. E pudeste falar através da médium (a Irmã Itália), com o mesmo sotaque do idioma de nossa terra natal.
E os presentes à sessão de desenvolvimento agora na Liga Espírita do Brasil (hoje do Estado do Rio de Janeiro), puderam igualmente sentir as mesmas emoções dos nossos irmãos da Umbanda !
E assim, por acréscimo da misericórdia divina, posso relatar aos Irmãos daqui e de além-mar este fato, simples e natural como demonstra a Doutrina Espírita, mas de importância transcedental para as nossas vidas.
Graças, mil graças vos rendo - Pai Supremo, Criador e animador do Universo.
Benditas seja, ó mãe !

  
Um Saravá Amigo
Octavio



Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei


O Dia das Bruxas

O Halloween é uma festa comemorativa celebrada todo ano no dia 31 de outubro, véspera do dia de Todos os Santos. Ela é realizada em grande parte dos países ocidentais, porém é mais representativa nos Estados Unidos. Neste país, levada pelos imigrantes irlandeses, ela chegou em meados do século XIX.

Umbanda 

O dia das bruxas é comemorado também em alguns centros de Umbanda, são feitos trabalhos e giras nas defesas espirituais, comemora-se todos os Guias e Orixás nesta data.

História do Dia das Bruxas

A história desta data comemorativa tem mais de 2500 anos. Surgiu entre o povo celta, que acreditavam que no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saiam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam, nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros.
Por ser uma festa pagã foi condenada na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamada de Dia das Bruxas. Aqueles que comemoravam esta data eram perseguidos e condenados à fogueira pela Inquisição.
Com o objetivo de diminuir as influências pagãs na Europa Medieval, a Igreja cristianizou a festa, criando o Dia de Finados (2 de novembro).

Símbolos e Tradições

Esta festa, por estar relacionada em sua origem à morte, resgata elementos e figuras assustadoras. São símbolos comuns desta festa: fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos negros e até personagens como Drácula e Frankestein.
As crianças também participam desta festa. Com a ajuda dos pais, usam fantasias assustadoras e partem de porta em porta na vizinhança, onde soltam a frase “doçura ou travessura”. Felizes, terminam a noite do 31 de outubro, com sacos cheios de guloseimas, balas, chocolates e doces.

Halloween no Brasil

No Brasil a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a propagação da festa em território nacional, pois valorização e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.
Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado.
Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro).
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

A Magia Celta e Espiritualidade


Queridos irmãos, hoje aprenderemos um pouco sobre a Magia Celta, saber sobre ela é ter conhecimento do início das manipulações energéticas em rituais, todos deviam saber das origens  destes trabalhos, a sabedoria Celta é importante no aprendizado mediúnico de todo sacerdote espiritual.

A cultura celta se difundiu pela Europa e, na atualidade, é tida como referência no mundo mágico e espiritual. Em entrevista exclusiva, Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa fala sobre a magia e a sabedoria do povo celta.
Os povos celtas estiveram espalhados por quase todo o continente europeu. Não formaram um império, nem possuíam um governo centralizado. Não tinham um sistema de escrita e, portanto, a precisão cronológica sobre seu surgimento se baseia em escavações e em muitas pesquisas, datando de 1800 a 1500 a.C., na Europa Central e Ocidental.


Viviam em tribos e, apesar de não possuírem uma etnia homogênea, a língua e a religião representavam o elo entre eles. Sua cultura é repleta de magia, espiritualidade e culto à natureza. Acreditavam que as palavras registradas graficamente comprometiam a realidade e a energia dos fatos, podendo criar interpretações incorretas da verdade.

Para os celtas, o mundo estava em constante transformação, noção baseada na experiência de observação e de adoração da natureza; o importante é o presente, o momento, a harmonia e a saúde do corpo e do espírito.

Para falar sobre druidismo, a magia e a espiritualidade dos povos celtas, entrevistamos Ana Elisabeth Cavalcanti da Costa, autora de Sabedoria e Magia dos Celtas – Princípios do Druidismo, seu sétimo livro publicado pela Berkana Editora (dos demais: Runas, O Caminho da Vida; Bruxas de Verdade; Bruxas, Amor e Magia; Conselhos das Bruxas; Oráculo das Bruxas; Tarot Sem Mistério),

Ana Elizabeth se formou em História e Estudos Sociais e há anos vem pesquisando as religiões e a magia dentro dos ciclos da humanidade. Diz que foi atraída para a cultura celta pelo fato de que quando se fala em magia, principalmente no mundo ocidental, sempre existem referências a esses povos. Então, teve a idéia de escrever um livro com embasamento histórico e que contivesse as práticas e rituais de magia desse povo.

Fala-se muito a respeito da origem dos celtas, mas quase sempre com algumas contradições. Qual é, na verdade, a origem do povo celta! De onde eles vieram e onde se estabeleceram!.

Os celtas estiveram presentes em praticamente todo o continente europeu, que possui fragmentos de sua cultura. O seu habitat inicial era o sudoeste da Alemanha, Europa ocidental e central. Com o domínio da agricultura, tecnologia na cerâmica e no bronze, ao longo de séculos, eles invadiram França, Espanha, Tchecoslováquia, sula da Alemanha, Áustria e Grã-Bretanha. A sua história se estendeu por cerca de dois mil anos (de 1800 aC até o final do século 1 dC). A partir de 660 aC, invadiram a Península Ibérica e, até metade do século 2 aC, expandiram para Ucrânia, Grécia, Ásia Menor, Gália e grande parte da Itália. Quando se fala dos povos celtas, não se fala de um império celta, porque eles viviam em tribos independentes; o poder era dado ao rei, escolhido pelo grupo, e que cuidava do bem-estar da sua comunidade. Quando uma tribo atingia um número determinado de habitantes, ela se dividia. Uma parte para outro lugar a fim de organizar uma nova aldeia, seguindo o sinal que era fornecido pelas aves totêmicas, até chegarem às novas terras. Eles eram organizados política e socialmente em tribos independentes que, ao longo dos anos, foram se espalhando pela Europa. Não são considerados um povo com etnia homogênea, as possuíam a mesma língua e religião, que servia como um elo entre os membros das diversas tribos, dando-lhes a característica de “celta”.


Qual o papel da magia na sociedade celta ! Como a magia surgiu e se desenvolveu na sociedade celta !

Acredito que tudo foi se desenvolvendo de uma forma espontânea. Historicamente, foi através da observação da natureza que o homem criou a religião, passou a crer e a confiar em deuses, em energias superiores que pudessem protege-los em situações nas quais se sentia impotente.

O cotidiano celta era repleto de uma magia natural, que acontecia através da forma com que observavam o mundo. Para os celtas, os mundos físico e espiritual eram um único mundo; não havia separação entre o natural e o sobrenatural. Eles enalteciam o universo natural, reconheciam seu valor na sua energia. A sua mitologia e religião estavam centraliza, representando o amor, a morte, a sexualidade e a fertilidade.

O celta percebia que todo homem pertence à grande teia da natureza, e que a vida é uma sucessão de novas experiências e descobertas. Alguns lugares eram considerados sagrados por possuírem uma energia especial, da mesma forma que algumas épocas do ano (estações) eram festejadas com os famosos sabás.

Pode-se dizer que a magia sempre esteve presente no cotidiano celta e podia ser praticada por qualquer um, apesar da existência dos druidas, sacerdotes organizados num clero.

Alguns autores e pesquisadores se referem à sociedade celta como matriarcal; outros não concordam com esse ponto de vista. O que você pensa a esse respeito !

Acredito que talvez o melhor termo a ser empregado é a de que a sociedade celta era semipatriarcal. Você pode achar estranho o termo, mas não é. Perceba que o povo era dividido em tribos que tinham o seu rei, o seu druida, e que esse povo tinha suas crenças religiosas ligadas à natureza, à Mãe Terra. Para o celta, a mulher era especial, e muito, porque era associada à Mãe Terra.

As mulheres eram vistas como aspectos vivos da criação, porque vivenciavam todos os meses com o ciclo menstrual, o processo da vida, morte e renascimento, além do poder de gerar vidas. Vou dar um exemplo: Dergflaith era um dos nomes célticos dado à menstruação, e significava “soberania vermelha”. O vermelho representava soberania, poder, vida. Pense então nos mantos vermelhos dos reis. A menstruação tinha conotação de sagrado, porque acreditavam que a mulher se tornava ancorada e enraizada nesse período. Nos períodos de menstruação, as mulheres se isolavam numa cabana ou se dirigiam à floresta, compartilhavam sobre os problemas da tribo.

Outro ponto que pode ilustrar o poder feminino se refere ao ritual religioso e mágico hieròs-gámos (casamento sagrado), no qual uma mulher que tinha o poder mágico representava a Deusa e concedia aos reis e heróis grandes poderes.

Dentro da sociedade celta, a mulher dominava a religião. Podia ser uma guerreira e podia escolher o seu parceiro. Quando ela se casava, trazia para o casamento seus bens, e se eles fossem superiores aos do marido, ela se tornava chefe do casal. Há ainda uma coisa importante para se dizer com relação a concepção de união eterna e fidelidade, nem de traição. No casamento, previlegiava-se o amor, ao mesmo tempo em que o casamento era visto como um contrato que poderia ser rompido, pois existia o divórcio. São concepções interessantes para uma época tão distante porque, na verdade, a mulher celta era tudo o que a mulher de hoje “briga” muito por ser.

Como os celtas se relacionam com os elementos da natureza ! É uma religião xamãnica!

A primeira grande lição que os celtas nos dão é a da observação e do respeito pela natureza. Levavam sempre em consideração a Roda do Ano (estações), os elementos da natureza, os pontos cardeais, o Sol, a Lua, e valorizavam a energia de tudo o que os rodeava. Eles reconheciam a energia dos elementos da natureza. A terra, o ar, o fogo, e a água são representações e formas diferentes de energia, e a partir desses elementos todas as coisas são formadas. É o que chamamos de energia elemental, seres do mundo espiritual cuja tarefa é dirigir o poder divino para as formas da natureza.

As pedras, por exemplo, eram consideradas como as energias espirituais mais antigas da Terra, e guardavam ensinamentos profundos, que eram revelados quando eram reverenciadas. Toda a Bretanha, Irlanda e Grã-Bretanha possuem pedras verticais espalhadas por diversas regiões, com tamanhos diversos. Os celtas se relacionavam com os elementos e com os seres elementais em seu cotidiano e em rituais de magia. A própria mitologia celta nos dá provas disso quando relata histórias nas quais os heróis se perdem no Outro Mundo, repleto de seres elementais.

A religião celta possui algumas características xamãnicas, pois estava sempre em contato com a natureza e os seus espíritos. Para eles, por exemplo, os animais possuem dons especiais para a cura e sempre nos dão grandes lições de vida. Animais totêmicos representavam a tribo e serviam como proteção. O ogham, alfabeto celta utilizado pelos druidas, é conhecido como alfabeto da árvore, no qual cada letra representa uma árvore com energia e características específicas. Os druidas, como os xamãs, recebiam revelações por sua interação com o Outro Mundo, praticavam a adivinhação e faziam o uso do tambor, da dança e do cogumelo amanita buscaria em seus rituais.

Qual a relação entre o druidismo e a religião celta em geral com a Wicca, se é que ela existe !

Existe uma forte relação. Podemos dizer que as raízes da Wicca estão na antiga religião celta e, por conseqüência, no druidismo. Sua essência básica é centrada na Grande Mãe, a figura do Divino Feminino, mas a tradição Wicca possui uma grande carga de elementos que não faziam parte da religião celta. Esses elementos vêm da Magia Ritual, Cabala, tradições da maçonaria e até mesmo da Golden Dawn. Existem boatos de que Crowley, famoso ocultista do século 20, teria “encomendado” ao seu amigo Gardner a criação da Wicca para popularizar a religião Thelêmica, e sabemos que foi através das obras de Gardner que o paganismo foi ressuscitado.

O pentagrama, por exemplo, surge como símbolo de paganismo moderno, e não é um símbolo de origem celta. Ele era usado na Mesopotâmia por volta de 3.500 a.C. e, através da cultura judaica da cabala, acabou fazendo parte dos rituais da tradição Wicca. Outro exemplo que posso citar é o uso do athame ou punhal nos rituais wiccanos, como canalizadores de energia, fato desconhecido na religião celta.

Para o celta, a religião e a magia eram algo muito natural, fazia parte do seu cotidiano. A Wicca, embora tenha raízes celtas, é muito ritualística, especialmente hoje em dia. Em muitos segmentos wiccanos, percebe-se atualmente, como em outras religiões, um apego muito grande aos rituais e até mesmo um certo grau de fanatismo, e isso não é saudável em nenhuma crença. O ideal é fazer dos ensinamentos uma base para se ter uma vida saudável e feliz.

Como esses conhecimentos antigos da espiritualidade dos celtas se relacionam com a sociedade atual ! Em que e de que forma eles podem nos ajudar !

Em todos os conceitos celtas encontramos grande lições que podem nos auxiliar a viver melhor. Um de seus mais sábios conceitos é o de que o tempo está e estará a nosso favor, no oferecendo oportunidades que, muitas vezes, devem ser compreendidas em alguns segundos, mas que podem transformar qualquer coisa.

A filosofia de vida celta era muito simples: observar as grandes lições da Mãe Natureza, o que é uma grande dificuldade para o homem moderno. Para eles, a vida era um eterno movimento cíclico de transformação permanente: nascemos, crescemos, morremos e renascemos. Há o momento certo para cada coisa: arar a terra, semear, colher. As estações do ano são a prova da Natureza de que sempre, após um inverno rigoroso, há a chegada da primavera. Eles nos mostram que é preciso aprender a perder para ganhar depois.

Cada problema ou situação difícil, cada “doença” contém uma bênção para a cura e liberdade. Os celtas acreditavam que podemos, com responsabilidade e respeito, acionar os planos superiores, o Outro Mundo. Para, eles, o Outro Mundo, com sua graça de mistérios, está em nosso interior. Toda pessoa possui dentro de si uma chama, uma fogueira tranqüila, uma alma. É preciso perceber a sua alma, realizar uma ligação com a sua chama interior, mostrando que é preciso estar sempre ligado à sua própria essência.

Outra coisa muito bonita e importante nos ensinamentos celtas é o valor que eles davam à amizade, coisa rara nas sociedades modernas em que as pessoas sempre se esquivam das outras, por medo de serem “sugadas”. Para esse povo, uma amizade ultrapassava qualquer fronteira, qualquer plano. Existe a expressão gaélica que retrata muito o valor que davam à amizade, anam cara (amigo da alma), que O’Donohue retratou de uma forma encantadora em sua obra. O conceito de amizade deu aos celtas a idéia de companherismo, solidariedade, fidelidade, amizade profunda e especial. Além de seus conceitos sobre a vida, o universo mágico celta pode nos auxiliar a adquirir mais equilíbrio, tranqüilidade, vigor, prosperidade, coragem, amor em nosso dia-a-dia, através de suas antigas práticas de magia com elementos da natureza. A natureza está aí: é só acionar a sua energia.

O caminho da espiritualidade ou religiosidade celta pode ser seguido, hoje em dia, individualmente, ou ele necessita um mestre, um facilitador !

A espiritualidade e sua religiosidade podem ser seguidos por qualquer um. Existe muita gente com “espírito celta”, e nem sabe disso. São aquelas pessoas que respeitam a natureza, compreendem os processos e ciclos da vida e possuem amigos.

Eu acredito que aquele que se interessar por sua religião, rituais e práticas de magia podem faze-lo sem medo, porque estará fazendo algo com boas intenções. O interessante é tentar fazer da magia algo natural em sua vida, da mesma forma que os celtas a viviam. Concordo com Scott Cunnigham, que afirmou que as práticas de magia podem ser vivenciadas de forma solitária e individual.

Hoje, existem muitas formas de se obter informações sobre as práticas de rituais de diversas tradições. Cada um deve saber escolher o seu caminho. Alguns podem trilha-lo solitariamente, outros podem ter um mestre ou um facilitador. Entretanto, acho importante dizer que mesmo que você queira ter um mestre, é preciso procurar pelo conhecimento também em outras fontes.

Aconselhamos àqueles que tem curiosidade e gostam do tema, que procurem ler e se informar muito antes de participar de qualquer grupo.

Extraído da revista Sexto Sentido 44; 34-39
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei 


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Oração aos Orixas


Que Yemanjá limpe todas suas Magoas
Que Oxúm te cubra com seu Manto de Amor
Que Xangô te livre das Injustiças do Mundo
Que Ogum te Proteja e lhe Encaminhe
Que Iansã te dê Clareza para separar o Joio do Trigo
Que Obaluaiê te dê sempre a Saúde
Que Ibeji te proporcione Alegrias Puras e Inocentes
Que Nanã lhe traga Sabedoria
Que Oxumarê provenha Fartura e Riquezas
Que Oxóssi lhe dê Conhecimento e Vida
E que Pai Oxalá te abençoe e lhe de Paz!
Que Assim Seja!
Postada no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Simpatias

Quem está à procura de um trabalho deve usar a força desta simpatia a seu favor.

Prepare um chá com folhas de louro, deixando 7 folhas de louro em infusão em meio litro de água durante alguns minutos (podem ser usadas folhas secas compradas no supermercado). Após seu banho normal, despeje esse chá sobre seu corpo. Faça esse banho principalmente quando você for fazer algo relacionado à busca do emprego, como uma entrevista, entrega de currículo ou concurso.
_____________________________________________
Este ritual deve ser inciado durante a Lua Crescente para atrair abundância e espantar para longe toda falta de dinheiro.



Pegue uma rosa amarela e tire suas pétalas. 


Em seguida, pegue uma nota de dinheiro, de qualquer valor. Coloque as pétalas sobre a nota e enrole-a, formando um tubinho ou dobrando-a em várias partes, de modo que as pétalas fiquem dentro dela. 


Amarre com uma fita amarela ou dourada e guarde no armário de sua casa.


Repita esse procedimento durante três Luas Crescentes consecutivas. Na quarta Lua, pegue o dinheiro e compre pão para você e sua família.


Ferva as pétalas de rosas como se estivesse preparando um chá e tome um banho com essa infusão, despejando-a em seu corpo, do pescoço para baixo.

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei –

O Sonho do Religioso


Conta-se que, certa feita, um renomado líder religioso teve um sonho.
Sonhou que se achava nos umbrais dos tabernáculos eternos.
Ali, um anjo montava guarda.
O religioso lhe indagou se no céu se encontravam os protestantes.
O anjo respondeu que no local não havia sequer um protestante.
Surpreso, o religioso questionou:
Os protestantes não alcançaram a salvação mediante o sangue de Cristo?
O anjo repetiu: Aqui não há protestantes.
Desconcertado, o líder prosseguiu no interrogatório:
Será que no céu estão os católicos romanos?
O representante celeste afirmou que naquele ambiente nem se conheciam os membros da Igreja Romana.
O religioso indagou, então, se lá se faziam presentes os partidários de Maomé ou de Buda.
O interlocutor asseverou que no céu não se encontravam nem uns, nem outros.
Intrigado, o religioso inquiriu:
Estará o paraíso desabitado?
O anjo respondeu que tal não acontecia.
Disse serem incontáveis os habitantes da Casa do Pai, a ocuparem todas as Suas múltiplas moradas.
Muito curioso, o ministro desejou saber quem eram os que se salvavam e a que religião pertenciam na Terra.
O guardião da entrada das celestes moradas esclareceu:
A todas e a nenhuma.
Aqui não se pensa em denominações ou dogmas.
Salvam-se os que visitam as viúvas e os órfãos em suas aflições.
Os que se guardam isentos da corrupção do século.
Salvam-se os que procuram aperfeiçoar-se, corrigindo-se de seus defeitos.
Os que renascem todos os dias para uma vida melhor.
Redimem-se os que amam o próximo.
Os que renunciam ao mundo, com suas fascinações.
Os que andam pelo caminho estreito: o caminho do dever.
Purificam-se os que obedecem a voz da consciência, não os reclamos do interesse.
Conquistam a Divina graça os que trabalham pela causa da justiça e da verdade.
Salvam-se os que buscam o bem comum e a felicidade coletiva.
O discurso do anjo se alongava, mas o religioso o interrompeu.
Afirmou que precisava voltar urgente ao cenário terreno, para modificar os rumos que imprimia em sua Igreja.

*   *   *

Essa lição é por demais preciosa.
Os homens costumam buscar o caminho mais fácil.
Não raro, buscam se convencer de que estão em boa senda apenas porque cumprem algumas formalidades religiosas.
Ou então se sentem puros e especiais porque se abstêm de alguns prazeres.
Entretanto, Jesus disse: A cada um segundo suas obras.
Para conquistar a plenitude, é preciso trabalhar com afinco para que a bondade e a pureza se implantem no mundo.
Tudo o mais é supérfluo.
Pense nisso.



Redação do Momento Espírita, com base no cap. VIII, do
 livro Nas pegadas do Mestre, de Vinícius (Pedro de Camargo), ed. Feb.
Em 26.10.2010.

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei – http://br.groups.yahoo.com/group/boiadeirorei

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Espíritos


Uma pessoa da cultura disse-me um dia: "gostei muito da Umbanda. Lá todos são deuses, ou seja, todos têm condição de fazer o milagre."
O Caboclo Junco Verde é, talvez, a entidade mais radical que trabalho. Não admite erros ou desrespeitos dentro da umbanda. Prega a alegria como base do amor, e a obediência como ato de humildade e respeito, e deixa bem claro seu machismo, talvez para cultuar a tradição do índio brasileiro. Na mensagem não deixou nada de fora. Reuniu, com muita simplicidade, toda Umbanda.
A Umbanda é magia
Magia do marafo. Magia da fumaça
Magia do som. Magia do movimento
O marafo atrai. A fumaça defuma
O som harmoniza. E o movimento vibra
Umbanda é magia
Magia da guia. Magia do ponto riscado. Magia do ponteiro.
A guia protege. A pemba ordena. O ponteiro firma.
Umbanda é magia.
Magia da Oxalá. Magia de Ogum.
Magia de Oxossi. Magia de Xangô.
Oxalá é amor. Ogum é a força.
Oxossi é a vida. Xangô é o equilíbrio, a justiça
Umbanda é magia
Magia de Iemanjá. Magia de Oxum.
Magia de Iansã. Iemanjá é a criação.
Oxum é o equilíbrio. Iansã é a guerreira.
Umbanda é magia
Magia do terreiro. Magia da hierarquia. Magia da corrente.
O terreiro é a casa. A hierarquia é a ordem. A corrente a força.
Umbanda é magia
Magia do caboclo. Magia do preto-velho. Magia da criança.
O caboclo é a força. O preto-velho é a humildade. A criança a inocência.
Umbanda é magia
Magia do exu. Exu é o equilíbrio de tudo
Saravá a magia da umbanda!
A umbanda é magia: magia não é privilégio de ninguém. Magia é a arte de manipular a natureza criando campos de força. E é exatamente isso que fazem os Orixás nos terreiros de Umbanda. Juntam elementos para criar desde um simples patuá até uma enorme energia positiva para destruir outra da mesma intensidade criada por espíritos malignos. Magia é botar um imã dentro de um coité com água junto com uma guia para absorver as energias negativas desta guia.
É falar com as salamandras para esfriarem o fogo, permitindo tocá-lo sem se queimar. Ir no morro e ouvir o som do vento e falar com Iansã. Ou saber onde se esconde o duende. Magia não tem receituário nem dicionário. Magia é magia. Quem agüenta mandinga manipula patuá. Já vi um médium de 55 quilos, incorporado, carregar nas costas um homem de 140 quilos. Já vi espírito acender charuto com pemba. Sentar em cacos de vidro. Acender uma vela, apertar contra a parede e ela ficar pregada, acesa e sem queimar a frágil madeira. Vi muita coisa ao longo das minhas atividades espirituais. Apenas lamento o mau uso do termo magia. Todas as pessoas que trabalham na Umbanda são pequenos magos.
Uns conscientes e outros inconscientes, mas, direta ou indiretamente, praticam a magia. Por burrice tem gente matando cabritos, comendo carne crua e alguns, pasmem, praticando a magia do sexo, esta a mais burra e inexistente magia. São pessoas desorientadas e pervertidas usando o nome da magia para saciar seus instintos grotescos. Um conselho: não queiram entender a magia. Deixem isso para as entidades. Abaixo explico os termos usados pelo Caboclo Junco Verde na mensagem acima:
  • Magia do marafo
A cachaça tem dupla função. Serve para amortecer o médium permitindo ao espírito melhor domínio de seu mental, além de ser manipulado no plano espiritual para fins que fogem completamente à nossa compreensão. Espírito não vem no terreiro para beber. O grande exu Tranca Ruas das Almas, inquirido sobre a necessidade do espírito beber respondeu: ?- se quisesse beber não viria nos terreiros. Iria freqüentar os bares onde vivem os alcoólatras e lá arranjaria um copo-vivo – termo usado àqueles que são dominados por espíritos viciados em bebida.
Aqui vale um ensinamento. No mundo espiritual existe o principio da lei dos semelhantes, ou seja, o semelhante atrai o semelhante. Todo homem embriagado quase sempre está acompanhado de um espírito semelhante. O grande problema é que, como o espírito não pode ingerir a bebida, ele aspira, para sua satisfação, o cheiro do álcool, razão pela qual o bêbado (copo-vivo), ingere enormes quantidades de bebida. Uma parte para ele e outra para o espírito. Interessante que esses espíritos protegem o seu doador, bem como nós fazemos com o copo que nos serve para beber água. Quando comecei a trabalhar na umbanda, o Caboclo Junco Verde bebeu uma gar rafa inteira de uma cachaça chamada Velho Barreiro. Dose para me mandar ao hospital em coma, pois sou avesso a bebidas alcoólicas e fico tonto com pequena dose de licor. Fiquei assustado. Pedi ao caboclo mudar a bebida, sob pena de não mais querer trabalhar com ele. Fui atendido. Hoje bebe um pouco de cerveja. Isto é magia.
  • Magia da fumaça
Todas as religiões do mundo usam a fumaça como depurador das energias. A defumação é sagrada e consagrada pelo mundo inteiro, desde os monges tibetanos até os padres católicos. O turíbulo do orixá é o charuto. Faz parte da cultura indígena e por extensão da umbanda. Não devemos confundir a fumaça do charuto com a defumação através de ervas ou bastões cheirosos. Ambos têm funções importantes na religião, mas são usados de forma diferente. Não devemos esquecer os vários tipos de fumaça usadas pelos espíritos. Além do charuto, o palheiro ou cachimbo do preto-velho, o cigarro comum das pombas-gira, também produzem o mesmo efeito. Uma forma também eficiente e forte para defumar é pano na brasa. Vejam, existem várias formas, mas todas produzem fumaça, mas também o cheiro. O fumo às vezes serve para as entidades nos darem lições. O Pai Luiz, preto-velho com quem trabalho, pediu para seu cigarro de palha fumo em corda. Entretanto, exigiu fosse eu quem cortasse e preparasse para ele o fumo. Indagado por que, disse: "enquanto corta, vai se lembrar de mim..."
  • Magia do som e do movimento
A música foi feita para as pessoas se amarem. O som mexe nossos sentimentos. E também fazia parte da cultura dos índios. É um mantra. Mas não é só isso. O som repercute no éter. Ele vibra. A fala mansa domina e a fala grosseira ir rita . Ele tem um equilíbrio, regulando nossas emoções. Quando ouvimos uma música forte, sentimos força interior. Ficamos mansos e dóceis ao som de uma música suave.
Quem não se lembra da suavidade das canções de ninar docemente cantadas por nossas mães? E quem não se lembra dos sustos e medos passados na infância por gritos histéricos de alguém? Imaginem estarmos sentados à beira de um rio, olhos fechados, ouvindo o gostoso barulho da água formando pequenas marolas, ainda premiado com o canto de um sabiá e outros pássaros e uma pequena brisa nos refrescando. É um sentimento ligado ao som e movimento.
Agora estamos voltando para casa. Os carros em sentido contrário fazendo o ruído na janela, a buzina dos apressados motoristas tentando a ultrapassagem com o som ligado em volume máximo, tocando um pagode imoral desses conjuntos comerciais ou as barulhentas guitarras dessas bandas histéricas. Nossas emoções, com certeza, serão diferentes. O movimento tem o mesmo efeito do som. Reparem que um andar seguro, calmo e firme transmite uma personalidade segura. Um andar desordenado e atabalhoado agita as energias em sua volta. Vejam um exército marchando. O garbo dos soldados emociona a todos. Falei do andar. E a dança! Quantos efeitos ela causa. Quando se fala em espiritualidade nosso parâmetro é Jesus Cristo. Na minha cabeça Jesus era um homem sereno, de andar firme, gestos harmoniosos e voz suave, pausada e clara, o que em absoluto me faz pensar fosse um homem triste. Ao contrário, imagino tenha sido um homem levando sempre um sorriso a todos, mas nunca deve ter dado uma gargalhada.
Nas suas caminhadas não devia cansar, pois seus passos deveriam ser firmes e uniformes, sem jamais correr. Se alguém me perguntasse qual o movimento mais equilibrado que pudesse conceber, responderia, sem hesitação: o levantar do braço de Jesus Cristo acompanhado de sua firme voz.
  • Magia da guia
Uma vez perguntei ao pai Maneco o que poderia ser tirado do ritual da umbanda. Respondeu: vou dizer o que não se pode tirar: as guias, os elementos, os mantras e a quimbanda. Na verdade, pela resposta, sobrou muito pouco. Mas voltemos às guias. A guia é o elemento de ligação entre o médium e o espírito. Imanta-se um campo de força nela centralizado, criando uma eficiente proteção contra eventuais energias negativas. Sempre carrego uma guia de miçanga pequena com a cor de meu Orixá. Tempos atrás no encerramento de um trabalho de praia, uma médium não estava bem.
O trabalho tinha começado às 20:00 horas. Eram quase 5:00 horas da madrugada. A última coisa que queria era perder tempo para o encerramento. Quis ser rápido. Não hesitei. Agarrei as mãos da médium e puxei aquela energia ruim. Em mim, saberia o que fazer. Deu certo, mas, além da indesejável vibração, atrasei catando na areia as contas da minha guia rompida no instante da passagem energética. Descobri ser ela um pára-raios, ou melhor, um pára-energias. A guia deve ser feita de acordo com a vontade do espírito. Guia não é colar e, muito menos, enfeite. Existem vários tipos de guia. A guia do orixá cósmico é feita com pedras da cor cultuada pelo dirigente do terreiro. São pedras de cristal e suas miçangas podem ser distribuídas com bom gosto. Mas jamais exageradas ou grande.
Deve ser usada pendurada no pescoço e nunca atravessada no ombro. Guia de caboclo é feita com sementes de capiá, também conhecida como lágrimas-de-Nossa-Senhora, outras sementes como coronha (olho-de-boi), dentes, pedaços de ossos, bambus, conchas e outros elementos marítimos e até penas coloridas, tudo de acordo com a solicitação da entidade e conforme a sua origem. Os pretos-velhos são mais simplórios em suas guias. Gostam de muita simplicidade e preferem a guia inteira de sementes de capiá e poucos elementos.
Fiz uma guia para o Pai Joaquim, meu padrinho. Caprichei. Fiz toda cheia de elementos compatíveis com a sua força. Capiá intermediado com dentes, olho-de-cabra e outras coisas mais. Entreguei-lhe orgulhoso. Ele agradeceu muito. Só que na primeira consulta deu de presente ao consulente. Fiz outra. Arrebentou. Fiz outra mais suave, com menos elementos. Arrebentou. Fiz outra mais suave ainda. Arrebentou. Fiz outra só de sementes de capiá. Até hoje ele usa. Onde errei? Subestimei sua humildade. O Pai Tobias disse-me querer em sua guia um guizo de cobra. Fiz-lhe a guia, como queria, mas sem o tal guizo. Entreguei-lhe. Ficou alegre e eu também. Afinal não tinha reclamado a falta do elemento. Fez a mesma coisa que o Pai Joaquim. Deu de presente. Fiz outra, claro, com o guizo. Não presenteou mais. Guia não é nossa. Pertence à entidade, para nossa proteção.
  • Magia do ponto riscado
A sagrada grafia dos orixás serve para identificar o espírito comunicante, para chamar falanges e construir campos de força. Vejam esta passagem: a gira era de quimbanda. O exu Tranca Ruas das Almas havia armado um trabalho no centro do terreiro. Era para uma família necessitada. As entidades trabalhavam nele. Já passava da meia-noite quando a poderosa entidade comunicou sua intenção de fazer a entrega do trabalho na calunga pequena –cemitério. Alguns minutos depois disse não precisar mais ir ao cemitério, mas queria ficar no terreiro até o sol nascer. Para alívio geral, logo em seguida, levantou o trabalho, mandou descarregar e determinou o encerramento da gira. Espírito não brinca, principalmente uma entidade do cepo do exu Tranca Ruas das Almas.
A explicação veio de fora. O Exu Gira Mundo, incorporado em eficiente pai-de-santo, confidenciava estar maravilhado com o trabalho por ter o povo da calunga, segundo suas palavras, vindo no terreiro aceitar o trabalho solicitado. Quando o exu Tranca Ruas das Almas riscou o ponto (grafia do orixá), havia solicitado auxílio aos espíritos trabalhadores com a energia do cemitério. Disse fazer a entrega naquele local, por ser lá onde eles receberiam o trabalho. Com certeza ele recebeu uma mensagem tipo: ? deixe que nós vamos lá?; foi quando disse não precisar mais ir no cemitério, mas teria que ficar esperando por eles no terreiro- o que aconteceria ?até o sol nascer?. Vieram antes, receberam e aceitaram o trabalho, permitindo o encerramento da gira. Isto é uma das tantas magias do ponto riscado. Pai-de-santo experiente identifica o espírito pelo seu ponto riscado.
  • Magia do ponteiro
Os antigos magistas já usavam a espada como elemento de grande importância em seus trabalhos de magia. Na verdade a ponta do aço é usada para explodir campos negativos de forças. Quando fincado, ele firma a magia, ou seja, ?firma o ponto?. Todos os espíritos na umbanda fazem uso do ponteiro. É difícil identificar suas intenções quando "batem os ponteiros". Mas batem, e batem muito bem.
  • Magia do terreiro
O terreiro é a casa santa dos umbandistas. Nele se concentram todas as energias dos espíritos. Suas firmezas, o congá, a roncó, a casa dos exus, o respeito dos freqüentadores. É o lugar onde cultuamos e desenvolvemos nossa espiritualidade através do emocionante encontro com o mundo dos espíritos, o outro lado da vida, a nossa aruanda.
  • Magia da hierarquia
Uma pessoa da cultura disse-me um dia: "gostei muito da Umbanda. Lá todos são deuses, ou seja, todos têm condição de fazer o milagre." A hierarquia na umbanda é respeitada por todos os participantes. O pai ou mãe-de-santo dita as regras e a filosofia da casa, as mães e pais-pequenos são seus auxiliares diretos, os capitães cuidam da gira e dos médiuns e os ogans cuidam da engoma, o conjunto de instrumentos usados no terreiro. Sobre a obediência à hierarquia o Caboclo Akuan disse: ?quem não sabe obedecer, jamais poderá mandar.? Este conjunto de respeito forma a união e a integridade mágica da casa dos espíritos.
  • Magia da corrente
Li e usei: ?ninguém é tão forte como todos nós juntos.? A corrente é a grande força do terreiro. Uma vez alguém perguntou ao Pai Maneco a importância de um terreiro bonito e confortável. Meu filho, se esta casa cair, referindo-se a parte material, pois batia na parede de alvenaria, vocês vão se reunir lá fora, olhando para o céu estrelado, e vão continuar trabalhando. Mas se a corrente se dissolver, o terreiro, mesmo bel o e sólido, vai fechar. Na verdade, acho a corrente mais merecedora de cuidados que estas paredes frias. Nunca trabalhei sozinho, só com a corrente. Quem trabalha sozinho, um dia ou outro, vai se complicar. É inevitável o desastre. A corrente, como diz a mensagem, é a força do terreiro. Tudo gira em torno dela. São meus pequenos deuses. Que Oxalá abençoe a todos eles.
  • Magia do Caboclo
A presença do índio brasileiro na umbanda é a prova incontestável de sua nacionalidade. Mesmo nas outras linhas a sua cultura está sempre presente. Ele representa a força. Nem poderia ser diferente, partindo de um povo morador nas matas e dentro das florestas e conhecedor de todos seus segredos, inclusive os espirituais.
  • Magia da Criança
Imaginem uma criança com menos de sete anos, possuindo a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozando a imunidade própria dos inocentes. Esta é a entidade conhecida na umbanda por erê. Fazem tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas, ou seja, o refrigerante e tratam a todos como tio e vô. Não sei. Às vezes fico atrapalhado. Acho que tem a ver com minha idade esta manifesta ir rita ção. Por outro lado, algumas vezes fico deslumbrado com a eficiência de seus trabalhos. Uma vez telefonou-me um fazendeiro assustado pelas mortes de seu gado. Achava ser trabalho feito. Ele foi no terreiro, tendo sido atendido normalmente. No final do trabalho uma criança incorporada chamou-o e, com uma pemba, fez um desenho no chão como se fosse um mapa todo recortado. No meio desenhou três corações e desenhou um risco, como um rio, fazendo um encontro com outro. Tio, falou. Os corações simbolizam seus três filhos.
O homem confirmou. Mostrando o mapa, disse ser a sua casa, construída com vários pedaços. O homem explicou ser sua fazenda constituída de várias áreas. Apontando exatamente no encontro dos riscos, disse estar ali o problema, estando a água cheia de veneno e onde os bichinhos do tio estavam morrendo. Mais tarde o fazendeiro telefonou-me dizendo estar a água do rio realmente envenenada por agro-tóxico. Outra vez, no encerramento do trabalho uma experiente médium deu sinais de incorporação de criança. Claro, disse-lhe não permitir a incorporação, afinal estávamos encerrando a gira. Mas não deu. Ela incorporou e batendo palmas e bunda no chão, veio ao meu encontro pedindo um dólar. Um dólar? Respondi. O que você vai fazer com um dólar? Ela insistiu: quero um dólar. Achamos graça.
A cena foi alegre e descontraída. Alguém tem um dólar para a criança? perguntei ironicamente. Da assistência uma moça fez sinal afirmativo. Fiquei perplexo. Somente eu conhecia o seu problema. Tinha câncer maligno nas cordas vocais e tinha cirurgia marcada. Da ironia à seriedade, convidei a moça para entrar no terreiro e fazer a entrega do dólar ao erê. A entidade fez festa ao dólar, deixou-o de lado e agarrou-se na garganta da moça fazendo-lhe leves passes magnéticos. Ela fez a cirurgia na terra, mas está curada. Os erês são, via de regra, responsáveis pela limpeza espiritual do terreiro. A incorporação da criança é típica. Sempre andam se arrastando e dificilmente ficam em pé. Perguntaram ao Pai Maneco por que a incorporação se dá desta forma. ?se não for assim, ninguém conseguirá controlar a gira?, respondeu lacônico.
  • Magia do preto-velho
O preto-velho é o feiticeiro, apesar de suas mensagens serem baseadas no evangelho. É o fala mansa, humilde, mas intransigente. É ele quem nos dá os puxões de orelha. Na magia, além dos segredos de origem africana, conhecem a cultura dos pajés indígenas. Eles que organizam os trabalhos para o exu, aliás, seu subalterno direto.
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Coroa do Médium


Queridos irmãos, embora há algum tempo na Umbanda, sempre tive por instinto não deixar ninguém colocar a mão em minha coroa, para quem não sabe, é o topo da cabeça, de onde acredita que são onde os orixás incorporam e depositam ali sua essência. Por isso o nome (Ori – Centro da Cabeça; Axé ou Xá – Força)

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O mesmo esse meu mesmo sentimento de negação ocorre quando os filhos realizam suas obrigações na casa, mas como sempre, gosto de polemizar e pesquisar os fatos, vou muito além das crenças e crendices que percorreram séculos.
Como sou um estudioso, não me limito apenas ao estudo da Umbanda, e tenho como ideologia  espiritual a caridade e auxílio ao próximo, pq em minha opinião em termos de caridade e amor ao próximo, na realização prática e não teórica, nenhuma religião no mundo se iguala. A espírita em geral é a abnegação de tempo, de fluídos e até de entretenimento, pois sabemos que temos que seguir certos rituais que precedem os trabalhos.
Mas voltando, a coroa é onde toda a sua energia é liberada, é onde também recebemos as cargas sutis provenientes do Universo, é no topo da cabeça que está nossa ligação com o Divino, no HInduísmo, quando atingimos a ascensão cósmica, o estranho Brahman abrimos esse chakra do topo da cabeça e somos diretamente ligados ao Plano Divino. Nos ensinamentos de Buda, através das meditações alcançamos o Nirvana, onde você se torna receptivo aos Ensinamentos Divinos e Universais.
Questionamos: Uma região tão poderosa de nosso corpo pode ser ofuscada pela mão de um terrícola, de um habitante na Terra? Alguns babalaos dizem que quando uma pessoa mal intencionada coloca a mão sobre sua cabeça, desgraças podem ocorrer!
Irmãos, vale lembrar que todo conhecimento Antigo tem um valor inestimável, irrefutavelmente os conhecimentos que descendem dos Antigos Ensinamentos são inquestionáveis de de valores sísmicos, em minha opiniao, é na antiguidade que resite o verdadeiro conhecimento e onde está o verdadeiro caminho para evolução, mas vale lembrar que quando todo conhecimento torna-se popular, gradativamente ele se degrada e muitas das vezes morre a sua essência, pois ele se torna obsoleto e sensível de acordo com a interpretação de cada pessoa que o transmite para a posteridade, portanto, até concordo que tenha um certo fundamento as pessoas não colocarem a mão em nossa cabeça, mas precisa de muita falta de firmeza do adepto e muito poder acumulado daquele que toca para transformar isso em verdade.
Devemos passar isso a todos.
Infelizmente temos que acreditar que o mal existe, e graças a essa atuação, nos colocamos sempre em guarda, já nos defendemos antes de sermos atacados, não confiamos em ninguém, mas lembrem-se:
O Dono do seu destino é você e o sucesso dele depende da força que você emprega em seus pensamentos e seu caráter, magia, patuá nenhum ditará seu destino se você manter a cabeça sempre forte na Divina Proteção e nos espíritos amparadores.
A Coroa é sua, mas tire de sua mente que uma mão mal intencionada pode prejudicar-lhe, pois você é um espírito livre e poderoso, só que ainda não se deu conta disso.
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.