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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Uma outra visão…


Axé… Puxa, que gostoso receber o carinho de todos vocês, fiquei muito feliz com cada mensagem, comentário e claro, torcida. Estou na maior adrenalina com o TCC que irá para banca examinadora semana que vem junto com o fechamento do JUCA (o nosso Jornal Umbanda Carismática). Ufa… Só por Ogum, ou melhor, SÓ COM OGUM!!!

Falando em Ogum, lembrei que dias atrás, durante a aula de mediunidade que ministro aqui no terreiro falei sobre a importância da função de cada um dentro de uma gira, falei que todos são importantes, que cada ponto da Casa, como a cantina, a porta, tem um valor singular e que os trabalhos religiosos do qual participamos, independente da posição que exercemos, são momentos únicos, que além de recebermos tantas bênçãos, podemos refazer nossas vidas passadas, “pagar” nossas dívidas e propiciar o bem a qualquer pessoa, a qualquer espírito, independente de interesses ou necessidades.

Com essa linha de raciocínio propus uma reflexão sobre nossas vidas passadas e o reconhecimento de que somos espíritos ainda em evolução e portanto todos nós falhamos em alguns momentos e aspectos de nossas vidas, seja nas vidas anteriores ou nessa, afirmei então que, consequentemente temos nas giras de Umbanda, com todo seu imenso trabalho espiritual assistencial, uma possibilidade incomensurável para sanar nossas “dividas” passadas independente da função ou capacidade mediúnica. Ou seja, não somente o médium de incorporação está sendo favorecido pela espiritualidade superior, mas todos. Portanto, podemos pensar, por exemplo, que a função do porteiro no terreiro não é apenas de estar na porta, mas sim abrir as portas de uma casa santa, abrir as possibilidades para o espírito, abrir o Sagrado. É propiciar melhoras a desconhecidos, é propiciar a ação da espiritualidade, é propiciar a ‘abertura de vida’ a pessoas que talvez, em vidas passadas, tiveram sua vida fechada pelo próprio médium que agora tenta corrigir seus erros, da mesma forma podemos pensar na condição do médium que fica na cantina servindo lanches. Esse médium não apenas serve lanche, esse médium alimenta, serve, sorri, ações e situações que talvez retratem momentos de vidas passadas desse médium que, por algum motivo, propiciou a fome, a sede, a avareza, enfim…

Logo, só posso entender como Sagrado cada ponto de meu Terreiro, como belíssimas oportunidades cada momento que estou dentro do Terreiro, como grandioso cada posição e cada situação que vivencio dentro do Terreiro.

Faço essas afirmativas pois muitos médiuns, por muitas vezes, reclamam de suas posições dentro do terreiro, acham que o bom, que o importante é estar incorporado, e que de antes disso, ou até isso acontecer, o terreiro e o trabalho que realiza não tem muito valor. Aliás, têm pessoas, médiuns e consulentes, que pensam que o trabalho espiritual só acontece dentro do congá, com a gira aberta e no momento em que se está em frente da Entidade espiritual, o que é um grande engano!

Sei que essas atitudes e pensamentos acontecem por falta de orientação, portanto, vou transcrever um trecho do livro “RECANTO DE LUZ” inspirado pelo espírito Eusébio ao médium Luis Carlos Rapparini, que apresenta com clareza um pouco da grandiosa dimensão que a espiritualidade trabalha.

Aliás, assim como fiz no dia de aula, recomendo a leitura desse livro que, de forma simples e objetiva, narra a história de um espírito aprendiz da doutrina kardecista, que cheio de ‘conceito próprio’, é designado estagiar num centro de Umbanda, uma tarefa difícil, mas que devido a paciência e bondade das Entidades Espirituais, esse espírito começa a enxergar a grandeza dos trabalhos que acontecem dentro de um Terreiro.

Dessa forma, lendo esse livro vocês terão belíssimas explicações de como acontece, como funciona, como agem os Guias da Umbanda e os Terreiros quando vistos do Alto.

Claro que para nós, aqui embaixo, essa leitura propiciará uma outra visão sobre as ações e nos remeterá a uma responsabilidade muito maior, afinal o Saber exige atitude, não é mesmo?

Portanto, EU RECOMENDO!

Recanto de Luz
Obra mediúnica inspirada pelo espírito Eusébio
ao médium Luis Carlos Rapparini
-

Faltavam dez minutos para as vinte horas, quando um estranho alarido chamou-nos a atenção. Granjearam entrada para inúmeras entidades de aspecto sofredor e fisionomias amarguradas. Parecia que tinham recolhido todos os mendigos, abandonados e desfavorecidos de toda a sorte daquelas redondezas. Eles deixavam-se conduzir sem qualquer percepção do cuidado e carinho de que eram cercados; eram incapazes de reconhecer o local em que estavam entrando; suas mentes estariam, certamente, fixadas nas reminiscências desagradáveis que aquele estado tão desgraçado havia provocado.

A atmosfera balsamizante, que eu tanto havia admirado momentos antes, não os afetou de nenhuma forma. Confusos, deprecantes, lamurientos, todos eles foram mantidos em local apropriado, limitados por largas faixas de barreiras magnéticas. Pouquíssimos, notando a existência dessas barreiras, exclamavam-se presos e rogavam por liberdade. As entidades tutelares que os acompanhavam, de semblante austero e lábios silenciosos, assumiram posição de vigilância, confundindo-nos quanto à sua intenção: se era evitar a saída de algum deles ou a entrada de outras entidades naquele local.

Até então os demais quatro espaços permaneceram vazios.

- É mínimo o número de visitantes encarnados, você não acha? Já está quase na hora de começar e vemos tão somente aquelas duas jovens senhoras – retruquei ao meu parceiro.

- Sim, Eusébio. Também noto alguma displicência no grupo de médiuns, pois daqui podemos ver aqueles outros quatro irmãos lá fora em jocosa conversação. Ah, se os “vivos” pudessem perceber a extensão dos trabalhos “neste lado”. Decerto ficariam envergonhados com tal procedimento se pudessem ver-nos. Como encarariam saber que as suas sessões, nem bem iniciadas, já contam com o esforço e a dedicação de mais de vinte entidades do nosso plano? Como agiriam sabendo que dezenas de sofredores e mais outros tantos aprendizes, como nós mesmos, hoje estão a observar-lhes as atitudes, exprobrando-lhes ou vangloriando-lhes os méritos? Pensam eles que o único trabalho levado a efeito é o da incorporação?

Os questionamentos de Cláudio têm razão de ser: a organização, a estrutura, os esforços e a dedicação de tantos espíritos esclarecidos demonstram que a Doutrina Espírita deve ser compreendida e praticada muito além do exercício de fenômenos e habilidades mediúnicos.

Nosso orientador, o assistente Jerônimo, repete-nos perseverantemente a importância de buscar e oferecer a renovação interior dos homens, para a construção de um mundo mais ditoso. Em última análise (e até sob certo ponto de vista uma análise egoísta) será nossa própria herança em reencarnações futuras.

Pontualmente às vinte horas, aquela que nos parecera ser a médium dirigente dos trabalhos rogou a atenção dos presentes – ao todo, quatorze médiuns, oito visitantes encarnados e mais de quarenta desencarnados – para a leitura de um texto do admirável Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. Enfim, sentíamos a expectativa do início de um importante estudo, cujos objetivos, ainda incógnitos, pressentíamos que seriam inesquecíveis. E jamais poderemos olvidar nossa relutância em superar pequenos dois degraus.

-

Ééé… Como vimos os trabalhos não acontecem somente dentro do congá, com a gira aberta ou na frente do Guia; como vimos os consulentes de um Terreiro não são apenas os encarnados; como vimos uma gira não é algo simples. Só mesmo com muito respeito, orientação, determinação e boa conduta para se manter firme e forte na Umbanda.

Só mesmo com muito Axé e Disciplina.

Axé é força pulsante, energia vibrante e quente; Disciplina é atributo da ordem, da conduta e da retidão, portanto, Só por Ogum, ou melhor, SÓ COM OGUM!!!

Axéééé…

Escrito por Monica Caraccio

Fonte: Minha Umbanda

domingo, 8 de maio de 2011

Cambono




CAMBONO
Jefferson Ibiapino




O Início

Geralmente, nas maiorias dos casos, o cambono inicia a sua vida espiritual em um terreiro, visitando, indo tomar um passe, ou porque algum conhecido vai no terreiro e este começa a ir também.
Ele será assistido por alguma entidade e esta entidade o informará que tem mediunidade e que a sua missão nesta vida é a de trabalhar (desenvolver) a sua espiritualidade.
No começo, pânico total. É a coisa mais comum para as pessoas iniciantes na religião sentir pânico quando a mesma fica sabendo que tem o dom da mediunidade e que está nesta encarnação com a missão de trabalhar a espiritualidade e ajudar tantas pessoas que necessitam. É comum ao certo, que quando a pessoa vai em um terreiro de Umbanda a primeira vez vai sem saber o que ali acontecerá. A maioria já pensa nas matanças de animais e no sangue jorrando, já pensa nas imagens de exu tão comum com chifres e outros adereços, ou seja, só pensam em bobagens do folclore brasileiro. “Eu me lembro a primeira vez que minha irmã de sangue, atualmente uma exemplar mãe de santo e yabasse, me disse que ela estava frequentando um terreiro e o preto-velho havia dito a ela que era para eu ir no terreiro que ele queria conversar comigo, na hora eu estava dirigindo e estávamos parado em um semáforo e por coincidência tinha um senhor negro no portão de uma empresa trabalhando de segurança com seus novos cabelos brancos e eu perguntei a minha irmã se podia ser aquele “preto-velho” ou tinha que ser o outro mesmo, ela riu, eu também ri e continuamos.” Isso é para ilustrar que a dúvida, a falta de crença e a ingenuidade da nossa formação pode nos levar a quaisquer caminhos que sejam. O pior acontece quando se chega no terreiro pela primeira vez e não se entende e tenta-se adivinhar o que esta acontecendo naquele local.
Na maioria das vezes tem uma cortina que separa a assistência do congá e é aí que se começa a questionar o que se passa lá dentro. Ah, é agora que contam os meus problemas para a pessoa que irá me atender para ela poder me enganar depois? Ah eles fazem isso para poder trocar as informações que os outros “guias” já passaram?
Ou seja, novamente só bobagem. Não estou dizendo que acontece com um ou com outro. Isso acontece com todos.
Todos que estão pela primeira vez onde se transcende o real para o sagrado, o profano para o divino, a insegurança pela caridade, isso acontece com todos que pisam em um terreiro de Umbanda pela primeira vez, aconteceu comigo, aconteceu com meus familiares, meus amigos, meus desconhecidos, ou seja, até cair a ficha o do porque você esta aqui, passa muita coisa na sua cabeça. Será que a polícia vai chegar e irá todo mundo preso ? Não isso nunca irá acontecer nesta bendita terra chamada Brasil, nosso direito de expressar a nossa religião e nossa fé está declarada na Constituição Brasileira. Em nossa Carta Magna, no Titulo II, artigo 5º, parágrafo VI, diz: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”, ou seja, a polícia está aqui para nos defender e não nos agredir.
O inicio na religião normalmente é um romper de barreiras.
Na maioria dos casos o neófito vem de outra religião e em sua vida social é muito complicado se declarar Umbandista. Quando a pessoa se declara Umbandista em seu ambiente familiar ou em seu ambiente profissional ela logo será tachada de macumbeira, de feiticeira, de pai ou mãe de santo e tudo isso da forma mais pejorativa que significa. Não saberá e nem estará atento ao verdadeiro significado da palavra ou da religião Umbandística. É natural então que o iniciado se sinta sozinho e perdido no meio de tanta informação nova e que parece ser de certa forma proibida. A nossa cultura e a nossa tradição tende a ser muito preconceituosa no que diz respeito ao tratamento com os espíritos, tudo isso parece ser muito oculto e proibido.
Fico me lembrando das perguntas que fiz, das duvidas e dos medos a qual passei em minha iniciação. Tudo era muito estranho, sempre fui um convencido ateu, humanista por princípio, e de repente estava deparado com o sagrado da forma mais ampla possível. Era difícil entender o processo da incorporação ou até mesmo conversar com o ser incorporado. Era difícil distinguir médium de entidade, entidades de entidades, santos de Orixás, lembro uma vez que perguntei ao meu cunhado, hoje meu pai de santo, porque Oxossi havia morrido todo flechado amarrado em uma árvore (me referindo a estátua de São Sebastião santo católico sincretizado). E ele me explicou sobre o sincretismo religioso, que aquela imagem se referia a um santo católico o qual a religião afro-descendente adotou como ilustração para o seu Orixá Oxossi. Esta passagem é para ilustrar um pouco o inicio da vida como cambono ou cambone. A pessoa vai pedir ajuda, ou por curiosidade, chega em um terreiro de Umbanda. O guia incorporado, o que já é estranho, diz que ela tem mediunidade (o que é isso ? será que ele diz isso a todas as pessoas ? ), e esta é convidada a começar a desenvolver os seus guias, e após um tempo de desenvolvimento esta é chamada para entrar na gira, entrar no terreiro, vestir branco, servir o santo ou simplesmente virar um cambono. E aí? O que fazer?
O que é ser um cambono?
O começo na vida de um cambono deve ser levado como um marco em sua história na religião. O que vestir no primeiro dia? Como será dançar no ritual? Com quem irei ficar nos trabalhos? Como devo me proceder com os pais ou mães de santo? Como devo me proceder com os guias chefes da casa? São tantas as dúvidas que giram na cabeça de um cambono que as vezes o cambono se esquece qual é o verdadeiro papel dele na religião, o real porque dele estar ali. Tentarei explicar do inicio o como fazer, o porque fazer e quando se deve fazer. As experiências aqui descritas foram me ensinadas pelas entidades a quem servi e se referem as regras dos templos que eu trabalhei. Elas podem variar de casa para casa e não tem a intenção de ser a verdade em hipótese alguma e sim apenas uma referencia para o neófito no cumprimento de sua missão.
Como se inicia na religião como cambono ?
Provavelmente o neófito é atendido por uma entidade e esta entidade o chamou para a vida do sacerdócio de cambono.
Sim, ser cambono é um sacerdócio. A partir do momento que você se torna um cambono você esta se dispondo a ouvir os problemas dos outros, ajudar os necessitados e acima de tudo, guardar segredo dos problemas alheios.
Entre o atendimento prestado pela entidade até o chamado para o iniciado se tornar um cambono, pode decorrer dias, meses ou anos e pode neste tempo o mesmo ser chamado para já desenvolver as suas entidades ou não variando isso de terreiro para terreiro.
Em alguns casos a pessoa iniciada tem o privilégio de no primeiro dia que pisar em um terreiro ser chamada para trabalhar como cambono, isso é raro, mas acontece.
Lembrando que o cambono é geralmente o primeiro estágio que um médium passa dentro de um terreiro.
Ou em alguns casos o cambono pode ser parente do pai/mãe de santo e este é teoricamente obrigado a trabalhar como cambono no terreiro.
O cambono é o primeiro estagio que passa o neófito dentro de um terreiro de Umbanda com responsabilidades dentro da casa, com as entidades e os consulentes. A roupa que o cambono deve utilizar nos trabalhos varia de casa para casa, mas o básico é a roupa branca. Em alguns terreiros é necessário fazer uma roupa que a própria casa fornece ao novo cambono. Em outros terreiros a roupa deve ser branca e observando a cor do guia do trabalho. A melhor coisa a fazer é tentar se informar com a direção da casa qual a melhor roupa para utilizar nos trabalhos.
Um outro ponto que o cambono se preocupa é com quem ele irá ficar dentro da gira. Geralmente o cambono ajudará as próprias entidades que o trouxeram para dentro da corrente. Em alguns casos para o cambono será determinado auxiliar outras entidades que este então não conhecia, tudo depende dos guias chefes da casa, mas qualquer que seja a opção o cambono deve respeitar e aceitar a sua vida como um cambono.
Ser cambono é um estágio na sua vida espiritual. Quase todos os grandes médiuns primeiro aprenderam a ser cambonos para depois serem médiuns. Sempre ouvi que um bom cambono será um bom médium. Acho que isso resume a vida de cambono. Quanto melhor você for, mais você se dedicar, mais você estiver atento, mais você servir, mais preparado você se tornará um médium de passe, um médium de atendimento. Salvo em alguns casos que o neófito tem que passar por outros estágios para se tornar um médium de passe. A hora da dança, abertura da gira de algumas casas, também é um grande tormento na cabeça do novo cambono, mas tudo isso é detalhe que se aprende com a duplicação e com a repetição do movimento. É muito comum não entender o que esta acontecendo na gira, no padê, na defumação, nos pontos, no bate-cabeça e outros detalhes que o cambono executa, mas sem saber o porque disso ou daquilo. A melhor opção é relaxar e dar tempo ao tempo. Tentar identificar quem na corrente tem o conhecimento que necessita e ir atrás, buscar o conhecimento. Um bom começo é conhecer o Estatuto Social que rege o terreiro ao qual você irá ou já estará fazendo parte. Este estatuto trás as normas e as diretrizes que a casa segue sob as orientações dos guias chefes da casa. É muito importante conhecer tais normas e ficar por dentro da conduta certa que se deve ter em cada terreiro.
Uma coisa importante que o neófito tem que entender é que por mais que o terreiro seja uma casa filantrópica sem fins lucrativos o mesmo precisa de recursos financeiros para se manter. Aluguéis, despesas com manutenção, papelaria, documentos, contador e demais despesas tem que ser pagas como qualquer empresa que busca lucro mesmo o terreiro não buscando o lucro. As pessoas confundem lucro com subsistência. A entidade filantrópica a qual você fará ou já faz parte depende de dinheiro para continuar a funcionar e ajudar cada vez mais e normalmente o novo cambono deverá assumir a sua contribuição mensal com o terreiro a qual estiver fazendo parte.
Um outro ponto importante é o novo cambono tentar entender qual a hierarquia material e espiritual que o terreiro esta sujeito. Buscar conhecer os Pais e Mães de Santo (Babalorixá e Yalorixá), os Pais-pequenos e Mães-pequenas (Babaquequere e Yaquequere), os Ogãn do Terreiro, os dirigentes espirituais do terreiro, os dirigentes materiais do terreiro, a respeito das contribuições que o cambono deverá assumir, não só em espécie (dinheiro) mas também em material de limpeza, velas, defumadores, bebidas, comidas, a limpeza do terreiro (geralmente cada casa tem uma escala de limpeza a ser cumprida) e outros detalhes que o neófito geralmente não esta atento quando entra para uma gira de um terreiro. É importante saber que a comunidade do terreiro está lá para se ajudar em tudo o que diz respeito a manutenção do templo. Entender o seguinte: - Geralmente o terreiro é formado por um local que será dedicado ao culto, este terreiro é dirigido por um Pai ou Mãe de Santo o qual tem como missão ajudar as pessoas necessitadas, você como um cambono necessita de um espaço para estar recebendo os seus guias, desenvolver a sua espiritualidade e cumprir a sua missão.
Então entenda que o terreiro também será seu local sagrado de orações e devoções e por isso você deve zelar por ele e também colaborar com a manutenção da casa.








Um saravá amigo.


Octavio








quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mãos dos Ogãs e Cambonas como devem agir estes servidores sagrados

Umbanda:O Reino da Paz



No ritual dos Templos Espíritas, existem  tarefas que são fundamentais para o bom andamento das funções do santo; Ogãs e Ekédis (dentro da Umbanda são as cambonas).

       São considerados pelo próprio santo como servos sagrados, tendo a função de observar os trabalhos enquanto o Zelador ou Zeladora encontra-se incorporado por uma das entidades chefes da casa.

      Abaixo falaremos um pouco dessas duas funções, cuja a importância é necessária e em algumas situações são eles que impedem problemas dentro da casa do santo.


O G Ã S


        São eles que tem como uma das principais funções o toque dos atabaques (Rum- o maior, Rumpi-o médio e Lé-o pequeno) para a chegada das entidades a casa de santo.

         São eles que são os detentores dos toques e cantigas específicas para cada situação característica, sendo a função do Ogã imprescindível por exemplo numa sessão de descarrego. Não possuem dentro do santo o Pai de Santo ou a Mãe de Santo. Dentro da casa são filhos diretos de alguma entidade chefe. O ritual do Ogã começa com a suspensão dentro da casa de santo, ritual cuja alguma entidade da Mãe ou Pai de Santo o sus pende, e o apresenta a todos como Ogã e futuro filho dentro do Axé.

          Esse ogã passa a ser respeitado dentro da casa de santo, por ter sido confirmado e fica prometida a futura obrigação para feitura. A obrigação do ogã passa a ser questão de alguns meses. Na obrigação o ogã não é feito pelo Pai ou pela Mãe de Santo e sim por  aquela entidade que o suspendeu a tempos atrás. Dentro do santo, os ogãs são a forma encontrada  pelo  próprio  santo  de  fazer  com que o pai ou mãe de santo possa pedir  abenção as suas próprias entidades, visto que o Ogã é filho de alguma entidade chefe.

          Dentro  do  axé  são  os  únicos  cuja  mãe  ou  pai  de  santo  tomam  abenção,  justamente para caracterizar o pedido de abenção a sua própria entidade.

          Tem voz ativa dentro da casa do axé, podendo em certas situações designar  obrigações e ordenar funções.

          Existem os ogãs Alabês (cuja função principal é cantar e tocar) e os ogãs Axoguns (cuja função seria além de um Alabê, aquele que tem a mão de Obé, ou seja, tem a mão de faca, podendo cortar para os Orixás da casa. Em algumas linhas existe também o Ogã com mão de Ofá (podendo colher somente ele, ervas sagradas).

           O ogã não é simplesmente um tocador de atabaques e um cantador de pontos, são homens cuja a função é também deter segredos e rituais cujo conhecimento só é revelado para o Zelador(a) e para o ogã.

E K É D I S (Cambonas ou Cambonos)

            Em geral a função é pertencente as mulheres, cuja função é de suma importância, sendo elas as ordenanças da casa do santo, escutam o recado e transmitem as ordens.

            Diferente dos ogãs, não são suspensas e são verdadeiramente filhas do Pai ou da Mãe de Santo. Em geral são as tradutoras da linguagem usada pelo santo. São quase sempre responsáveis por zelar pelos Axés dentro da casa. São detentoras, como os ogãs, de segredos necessários para a feitura e manutenção das energias (Axés) dentro da casa de santo.

             O respeito as Ekédis é uma característica bem marcante, sendo elas bem res peitadas e algumas vezes até autoritárias (as vezes é necessário pela função que ocupam).

             Os cambonos, quando necessário, tem a permissão do santo para atuarem como ogãs, podendo tocar e cantar.

              Em muitas casas de santo, são elas as cozinheiras do Axé; acabam sendo as responsáveis pela comida do santo e em algumas vezes atuando como mães criadeiras, permanecendo junto com os Iaôs ou Abiâs durante o processo de feitura ou Boris.

               Como os ogãs são exímias batedoras de ebós, sendo algumas vezes mais nece ssárias que os próprios Ogãs.

OGÃS E CAMBONAS, OS SERVOS SAGRADOS!!!

Práticas que devem ser observadas pelos Ogãs e Cambonas


  1. Colocar primeiro as vestes do templo.
  2. Lavar as mãos antes de tocar qualquer objeto sagrado, (agua corrente com alfazema)
  3. Cumprimentar as entidades e Orixás da casa.
  4. Reverenciar os objetos a serem tocados.
  5. Pedir permissão ao Orixá de cabeça.
  6. Revisar os objetos sagrados.
  7. Efetuar o toque que convier para afinação dos instrumentos.
  8. Efetuar o toque de saudação a todos Orixãs
  9. Ao fim dos trabalhos conferir os objetos sagrados
  10. Agradecer e reverenciar os tambores.

Nota: não permitir o uso dos objetos sagrados por outras pessoas, quando em ensinamento pedir autorização ao chefe da casa e principalmente aos Orixás.

Neste blog você poderá conhecer um pouco sobre os Tambores e o quanto são sagrados dentro dos Templos, por isso amigo somente pessoas autorizadas podem tocar estes instrumentos sagrados.
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.