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domingo, 15 de maio de 2011

Entrevista dada por Rubens Saraceni, Revista Istoé, 27 de Março de 2002, Nº1695.


Capa Istoé

Magia contra as trevas

Por Luiza Pastor e Mário Chimanovitch


Um número cada vez maior de pessoas busca ajuda dos magos para dar fim aos problemas e angústias dos tempos atuais

Na véspera do vestibular, o adolescente A.L. fez tudo como manda a cartilha da boa prova: deixou os livros de lado, pegou um cinema com os amigos, optou pela água-de-coco no lugar do chope e foi para casa dormir cedo para estar descansado no dia seguinte. Antes de deitar, porém, A. foi convencido pela mãe a entrar num círculo de giz traçado no chão do quintal onde, à luz de algumas velas coloridas, passou por um ritual de limpeza de todas as energias negativas que pudessem perturbar-lhe a concentração necessária à prova tão temida. “Eu sabia que estava bem preparado, havia estudado o ano inteiro, mas tanta gente estuda tanto quanto eu e na hora vem o branco, que não custava nada dar uma forcinha extra para a sorte”, conta A., que prefere não dar o nome “para não pagar mico na faculdade”. A mãe de A., a dona-de-casa C., de classe média alta e católica de formação, “mas afastada da Igreja há anos”, diz que usou a magia como aliada ao esforço do filho. E que lança mão de suas velas e mandalas sempre que algo começa a fugir do controle na rotina familiar. “Os problemas ainda surgem, mas os enfrentamos com mais serenidade e as soluções parecem mais fáceis”, garante.
Rubens Isto-é
C. fez o curso do Colégio de Tradição de Magia Divina, fundado em 1999 pelo escritor e Mago da Luz, Rubens Saraceni, que vem atraindo um número cada vez maior de interessados em um assunto que, até pouco tempo atrás, era visto como superstição de gente ignorante: a prática da magia.
Restrita ao longo dos séculos às sociedades secretas e escolas iniciáticas, privilégio de poucos e quase sempre associada pelo imaginário popular à prática de bruxarias, a magia começa agora a abrir suas portas e mistérios ao comum dos mortais. Uma abertura, dizem os iniciados, que ocorre como consequência dos tempos sombrios em que vivemos, nos quais a violência, a corrupção e o egoísmo parecem estar levando vantagem no embate tão velho quanto a própria magia, o do Bem contra o Mal. Centenas de pessoas têm acorrido nos últimos três anos a uns poucos núcleos de magia, como são chamados, para mergulhar no aprendizado que até pouco tempo era reservado a raros, ricos e poderosos.
Revista Magia Rubens
Respostas – O que as leva em busca desse aprendizado oscila entre a mera curiosidade, o desejo de adquirir novos conhecimentos ou então de encontrar novas e mais eficazes formas de lidar com velhos problemas, como a angústia gerada pela insegurança, o medo de sortilégios ou a cura de doenças. Quase todos os que foram ouvidos por ISTOÉ admitiram estar cansados de serem explorados por falsos curandeiros, adivinhos da sorte ou fabricantes de horóscopos, e acreditam ter encontrado na prática da magia a resposta para muitos dos males que as afligiam.
Os empresários Luís Antônio Baptista e Adriano Camargo, sócios da New World Computadores e Sistemas, refletem perfeitamente esse novo perfil. Especialistas em tecnologia da informação, uma área profissional voltada para a alta tecnologia e, como explica Baptista, “totalmente fundamentada na lógica”, adotam a magia que aprenderam no colégio não só em suas vidas privadas, mas no dia-a-dia do trabalho. “Claro que não se trata de acender vela na hora em que um computador pifa”, comenta, com bom humor, o empresário. Ele explica que, muitas vezes, uma pessoa carregada de energias negativas, de preocupações e problemas em sua vida particular, não consegue enxergar os problemas que estão à sua frente. “Ao limparmos essa carga da pessoa, com ações sutis de magia que às vezes ela nem percebe, é como se as coisas ficassem mais claras e as soluções vêm mais rápido”, explica. Os clientes, acrescenta o sócio Camargo, percebem que há alguma diferença: “Como sua escala de valores muda quando você começa a praticar a magia, todo mundo percebe que há algo em você mais confortável, mais confiável, e isso se reflete nos resultados.”
O fato de a magia, nos moldes atuais, poder ser praticada sem espalhafato tem sido um dos seus principais atrativos, em um mundo dominado pela razão e o ceticismo. Segundo explicou o mago Saraceni a ISTOÉ, “a magia, ao contrário da crença geral, não necessita de locais especiais ou aparatos suntuosos para ser praticada. O mago pode exercê-la no interior de sua casa, de seu trabalho ou na residência de alguma pessoa que esteja necessitando de sua atuação. Também ao contrário do que se imagina, não são necessários instrumentos complicados para a sua prática, mas sim determinadas pedras, giz mineral, eventualmente o azeite virgem, flores, velas, em suma, objetos muito fáceis de ser encontrados. Ela pode ser praticada também ao ar livre, nas margens de rios, matas, mar e montanhas, e não utiliza nem sacrifica animais.”
Austeridade – O Colégio de Tradição de Magia Divina, o mais procurado e respeitado desses núcleos, funciona num local discreto e sem nenhuma placa que o identifique no velho bairro operário do Belenzinho, na zona leste de São Paulo. Entre as velhas casas do bairro, um prédio acinzentado de dois andares abriga a escola. Trata-se de um local austero, sem nada que demonstre suas reais finalidades. O colégio é dirigido por Saraceni, 50 anos, que se dedica ao estudo da magia desde o início da década de 80. Pessoa discreta e afável, Saraceni recebeu
a reportagem com receio, confessando temer publicidade sensacionalista sobre algo tão complexo de se abordar. Ele explicou que o colégio, ou núcleo de magia, reúne semanalmente pessoas de todos os níveis sociais e categorias profissionais que se encontram para trocar informações, novas descobertas e também para se auxiliar mutuamente diante do desconhecido. “Trata-se de uma nova forma de lidar com os velhos problemas que afligem as pessoas, tais como obsessões, magias negras, fobias e até doenças que a medicina convencional tem dificuldade em abordar”, explica Saraceni, que conta já ter formado mais de dois mil magos.
Os cursos duram em média quatro meses e abrangem 21 áreas diferentes, tais como a Magia do Fogo, a Magia das Pedras, a Magia da Água, dos Vegetais, dos Gênios, da Espada, entre outras. O primeiro curso, o de Magia Divina das Sete Chamas, é fundamentado no elemento fogo e é praticado com velas que funcionam como condensadores ou irradiadores da chamada energia da chama. A Magia das Pedras trabalha com cristais e outros minerais no mesmo processo de condensação de energias. A Magia dos Vegetais cuida da regeneração e cura do espírito e a dos Gênios opera com os chamados elementais ou seres da natureza para combater forças do mal. Já a da Espada serve como elemento de ruptura das chamadas energias negativas. Ela rompe cordões invisíveis que estariam ligando o ser humano a essas energias ruins.
Carga pesada – O professor de educação física Gilberto Sérgio Munhoz é outro mago formado por Saraceni, que adota o que aprendeu nos cursos na rotina de seu negócio, uma loja de material esportivo. “Não dá para separar as coisas, quando você começa a sentir que alguém que entrou na sua loja chega com uma carga pesada, ruim, automaticamente você já começa a invocar uma limpeza, que o ajuda e também a essa outra pessoa”, explica. Ele conta que nunca foi muito ligado às coisas do espírito, mas que a magia “é diferente”: “Sou e sempre fui muito cético, não sou do tipo que acha que tudo o que acontece na vida tem causa espiritual, mas a magia me conquistou porque é essencialmente simples, ela lida com energias, reequilibra a mim e as pessoas ao meu redor. Isso é incontestável, é algo que você sente.”
Essa atração de pessoas nem sempre religiosas pelo universo da magia é considerada normal por Saraceni, que faz questão de lembrar que a magia “nasceu antes das religiões, antes que as religiões se apossassem do domínio dos mistérios e dele fizessem instrumento de poder”. “Há uma curiosidade natural no homem de aprender, é algo típico do ser humano e de suas necessidades: pessoas que têm problemas de fundo espiritual, pessoas que sofrem perseguições de espíritos do passado, outras que sofrem projeções mentais de seus desafetos, enfim, pessoas que têm medo ou insegurança em razão do próprio momento em que vivemos, que é de muitas transformações, e muitos não conseguem acompanhá-las. Tudo isso, associado à situação da violência, ao desemprego, à insegurança em relação ao amanhã, leva as pessoas à magia, para
se defenderem.”
Saraceni acredita que é justamente o mundo moderno como ele é que tem levado as pessoas a procurar a magia, sem medo de serem ridicularizadas: “Se você vai ao cinema, lá está a magia. Você entra na internet e acessa sites que falam de coisas extraterrestres. A literatura está quase toda recheada de magia. Veja o fenômeno atual do Harry Potter. Você entra nos games das crianças e vê seres fantásticos, seres dotados de superpoderes, os comics mais vendidos são aqueles dos super-heróis. Na verdade, estamos vivendo um tempo mágico, em que a magia está no ar envolvendo toda a humanidade. É um fato mundial. E nos deparamos também com os absurdos, as ordens negras voltadas para o Mal, para o culto de forças desconhecidas da humanidade
Ele defende que a magia vai se universalizar dentro em breve, deixando de ser hermética para se tornar algo comum a toda a humanidade. “Quem quiser praticar a magia só precisará se iniciar. Nós a mantemos controlada para que não aconteça a ela o que ocorreu com outras através dos tempos, ou seja, acabaram se desvirtuando e perdendo sua pureza e simplicidade, tornando-se complexa e ao mesmo tempo distorcida”, conclui.
RECEITAS SIMPLES E EFICAZES
Magia para auxiliar nos casos de doença
- Acenda no chão sete velas coloridas, em círculo e nesta ordem: branca, azul-clara, verde, rosa, roxa, violeta e lilás.
2º - Coloque o nome ou uma fotografia da pessoa enferma dentro do círculo de velas, já acesas.
3º - Ajoelhe-se, concentre-se em Deus e em seus Divinos Tronos
e faça a oração evocativa abaixo:
Eu evoco Deus, evoco seus Divinos Tronos, evoco a sua Lei Maior e a sua Justiça Divina, assim como evoco seus Tronos Medicinais e peço que auxiliem na cama da doença de (nome da pessoa doente), sempre de acordo com o seu merecimento. Peço também que, caso seja necessário o auxílio de algum profissional (médico, etc.), então que este seja inspirado para o maior benefício deste (a) meu (minha) irmão (a). Amém.
Magia para anular o negativismo ou a antipatia de alguém que não tem afinidade conosco
- Risque no solo, com giz, uma estrela de seis pontas
(estrela-de-davi).
2º - Coloque sobre ela um prato de louça ou vidro.
- Coloque dentro dele num papel o nome do desafeto.
- Cubra o papel com o nome com azeite virgem de oliva.
5º - Acenda uma vela vermelha de sete dias e a coloque sobre
o nome do papel
- Faça a seguinte evocação:
Eu evoco Deus, evoco seus Divinos Tronos, evoco sua Lei Maior e sua Justiça Divina, assim como evoco seu Trono da Justiça aqui firmado nesta vela e peço que sejam anulados todos os sentimentos negativos vibrados contra mim por esta pessoa, e os meus, vibrados por ela, pois só assim deixaremos de nos odiar. Mas, caso não seja possível, no momento, a nossa harmonização, então que ela seja afastada de minha vida até que isto seja possível. Amém.
Magia para tirar a energia ruim de casas ou ambientes de trabalho
- Pegue um prato de louça ou de vidro e derrame dentro dele cerca de um centímetro de azeite virgem de oliva.
2º - Acenda uma vela branca de sete dias e, após consagrá-la ao Trono da Fé, coloque-a dentro do prato com azeite.
3º - Faça a evocação:
Eu evoco Deus, evoco seus Divinos Tronos, evoco sua Lei Maior e sua Justiça Divina e evoco o Trono da Fé aqui firmado e peço que todas as energias negativas acumuladas dentro desta casa ou deste ambiente sejam absorvidas pela chama desta vela consagrada e sejam anuladas neste azeite. Amém.
Obs: Você pode repetir esta magia sempre que desejar

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

terça-feira, 3 de maio de 2011

Para quem gosta de Estudar - O Principe das Trevas


Para quem gosta de estudar e aprecia a obra de Rubens Saraceni.
Por meio dos romances identificamos tramas de espíritos,
Que se desdobram por meio de várias encarnações.
E assuntos que são abordados de muitos ângulos
Diferentes. Um destes assuntos é sobre o
“Principe das Trevas”

O Principe das Trevas - Na Obra de Rubens Saraceni
Organizado e Comentado por Alexandre Cumino


Lúcifer, Satã, Satanás, Capeta, Demônio, Belzebu, Tinhoso, Chifrudo, Coisa Ruim, Principe das Trevas etc...
O que seria isto à Luz da Umbanda?

A Umbanda não crê em “demônio”, da forma como foi idealizado no Cristianismo e mais especificamente no Catolicismo ou no Islã, no entanto muitas vezes nos deparamos com “Mistérios Negativos” ou “Mistérios Divinos” assentados em faixas negativas, a que nós chamamos trevas, que outros identificam com a palavra católica ou popular “inferno”, e nos questionamos acerca de nossa ignorância sobre os mesmos. Afinal Inferno não é um estado de espírito, ou região astral criada pelo psiquismo dos que estão mentalmente nesta condição? No entanto me parece que algumas regiões negativas foram criadas antes que ali chegasse o primeiro ser infernal, ou melhor trevoso, bem me desculpe apenas um ser (filho de Deus) negativado. Não é fácil avaliar quem desce as trevas, afinal muito amor deve ter a mãe ou o pai que vai visitar ou resgatar um filho na cadeia, numa zona de meretrício ou numa “cracolândia”. Mas nem sempre esta mãe ou pai, por mais amor que tenha pode ir desprotegida (o) demosntrando sua fragilidade e mesmo porque para entrar em certos lugares não se pode ser frágil.
Lendo a obra psicografada por Rubens Saraceni nos deparamos muitas vezes com mistérios da criação em suas realidades negativas que em outras obras nem de perto nos foram apresentados e muito menos de tal forma.

Em A Evolução dos Espíritos tomamos conhecimento de um Avatar, um Demiurgo, que em uma era desconhecida para nós, Era Cristalina, talvez a mítica Atlântida, que encarnou e chamou a si todos os filhos de Deus negativados para recolherem-se com ele nas faixas negativas do astral.

Esta seria uma forma de entender o mítico Lúcifer-yê, um mistério assentado nas Trevas para recolher os que ficam pelo caminho.

No Cavaleiro da Estrela Guia nos deparamos com “O Próprio Ser Infernal” que invade a “Assembléia Sinistra” com o objetivo específico de levar consigo o Cavaleiro, que mergulha na dor e nas trevas.

Nas palavras do Cavaleiro da Estrela da Guia:

O que me aconteceu? O horror, o pavor, o medo, a angústia, a aflição, o desespero, a loucura, o remorso, a tentação, a luxúria, o desejo, e muitos outros mistérios das trevas da ignorância se fizeram vivos no meu mental: tanto superior quanto inferior. Todo o meu ser imortal foi violado e violentado. O horror de me ver sendo levado pelo próprio senhor dos horrores. O medo do que me aconteceria. A angustia por não saber se voltaria à Luz. A aflição por meu estado enérgico que se enfraquecia a cada instante. O desespero pelas dores horríveis que sentia ao ser torturado cruelmente. A loucura pelas visões horrendas que tive. O remorso ao ter, diante de meus olhos, todos os meus fracassos diante da lei na execução de determinadas tarefas. A tentação, ao ter meu mental inferior ativado ao máximo por aquele que tem a chave de acesso a ele. A luxúria ao dar vazão a tentação, ampliada em muito na sua intensidade. O desejo ao ver, ainda que ilusório, o ser dos meus encantos e desejos.
A tudo eu ouvia, via ou reagia com uma observação apenas: eu sou você e você é parte de mim...
[...] Então, em um último esforço, criei em meu mental o vazio absoluto...
A voz do silêncio... eu tornei a ouvi-la, no meu vazio absoluto, dizendo: “Se você morrer por mim, eu, o seu Criador, irei revivê-lo em mim, pois só eu sou a Vida, o resto é apenas um meio de vida  da Vida. Eu sou a Vida, e quem vive em mim, por mim e para mim, jamais morrerá...
[...] Minha prova havia terminado. Um dia meu ancestral místico me havia dito: “Um dia eu testarei seu amor por mim”. Este havia sido o dia... E foi este amor que me resgatou da queda nas trevas do mental inferior...

No Guardião da Meia Noite a mesma história se passa por outro prisma, no qual é ressaltado o compromisso que todos os guardiões assumem, após a queda do Cavaleiro e sua posterior reencarnação.

No título Guardiões dos Sete Portais, Lúcifer-yê aparece muitas vezes como o mistério da ilusão, aquele que abençoa amaldiçoando e que amaldiçoa abençoando, pois se apresenta invertido na criação. Acompanhamos uma luta milenar travada entre o Cavaleiro da Estrela da Guia junto aos Guardiões, contra Lúcifer-yê e os caídos nas trevas humanas. Fica claro, no entanto, que tem uma importância maior a presença de Lúcifer-yê e seu mistério nas faixas negativas.

No Guardião das Sete Encruzilhadas podemos ler as palavras de Lúcifer-yê, em desabafo dirigido ao Criador, a quem ele diz amar, adorar e venerar. Abaixo coloco apenas uma parte de seu “desabafo” de forma editada:

-Por que, meu Senhor? Por que tinhas de me enviar até este abismo da perdição humana?
Por que logo eu, que tanto vos amo, adoro e venero, tinha de ser o escolhido para ser o catalizador, absorvedor e acumulador das energias geradas por todos os espíritos humanos viciados? Por que, meu Senhor? Não vedes que eles, os humanos nunca vão aprender...
[...] Senhor meu, eu vos amo, respeito, adoro e venero, e, no entanto sou tão incompreendido pelos servos do meu irmão do alto! Eles não entendem que se sou como sou é porque assim são os semelhantes deles que não vos amam, veneram, adoram e respeitam, e que por vós são enviados ao meu reino sem luz com todos os vícios humanos, os quais tornam meus domínios depósitos da escória humana. Eles não sabem que só odeio quem vos despreza; só persigo quem se afasta de voz...
[...] Por que vosso servo do alto não diz a eles como realmente sou, quem eu sou e por que sou como sou?

Logo esta representação de Lucifer-yê está distante da tradicional representação católica de “Lucifer” (“O Anjo Caido”, aquele que desafiou Deus, por vaidade, ego e eorgulho).

E agora, quase dez anos depois, com a publicação do recém lançado Cavaleiro do Arco Íris, temos uma conclusão com relação a este mistério na criação, que se revela num diálogo travado entre o Cavaleiro e o “Príncipe das Trevas”, como vemos abaixo:

- Descobriu quem sou eu, Mago da Vida?
- Se não estou enganado, é aquele que chamo de Príncipe das Trevas. Estou certo?
- É assim que me concebe, mago da Vida?
- É assim que o idealizo e concebo, já que reina absoluto nos domínios sóbrios da face escura do Senhor das Trevas.
- Não acha melhor uma concepção menos humana, Mago da Vida?
- Nem pense nisso, Príncipe das Trevas.
- Por que não? Uns me concebem e idealizam como um cão infernal, outros me imaginam como uma hidra ou um dragão, ambos assustadores. Já me idealizaram e conceberam de tantas formas que só a criativa imaginação humana é capaz de tanto, sabe?
- Sei, sim. Por isso o idealizo e o concebo como príncipe, Príncipe das Trevas!
- Tem certeza de que não me prefere como a tenebrosa, assustadora e maldita serpente das trevas , à qual você vinha combatendo desde que se humanizou e idealizou-me e concebeu-me como a traiçoeira e peçonhenta serpente das trevas?
- Nem pense nisso, príncipe! Já chega de combater serpentes.
- Mas foi você mesmo que semeou essa minha concepção no meio humano, Mago da Vida!
- Eu fiz isso?
- Fez, sim.
- Essa não! Deve ter sido por causa dos meus ancestrais irmãos venenosos e traiçoeiros, sabe?
- Eu sei?
- Não sabe?
- Eu deveria saber, Mago da Vida? Afinal, venenosos e traiçoeiros são seus asquerosos irmãos ancestrais, não eu, que só tenho recolhido-os em meus domínios e contido suas iras e fúrias com os tormentos que eles criaram para si mesmos.
- Essa não! Só agora você me revela isso, irmão Príncipe das Trevas?
- O que foi que eu revelei, irmão Mago da Vida?
- Que você assume a condição com a qual o distinguimos em nossa imaginação, e depois plasma o tormento que é em si mesmo, já segundo nossa concepção e idealização. E daí em diante se nos mostra tão tormentoso e assustador como imaginamos que deva ser, oras!
- Você não sabia que eu era, e sou assim?
- Agora sei, irmão Príncipe das Trevas.
- Que Mago da Vida estúpido que você era, não?
- Sem ofensas, príncipe. Não vamos baixar o nível de nossa conversa, certo?
- Tudo bem, Mago. Mas que você foi um estúpido em comparar-me aos seus venenosos e traiçoeiros irmãos ancestrais, isso foi, certo?
- Ponto para você, príncipe. Eu real-mente fui um estúpido quando acreditei que aqueles safados eram você. Mas ago-ra não me enganarão mais, sabe?
- Porque acha que eles não o enganarão, se são uns enganados enganadores?
- Bom, eu já o idealizei e concebi como o Príncipe das Trevas, que aos meus olhos só se mostrará como escuridão, nunca como uma aparência desumana. Portanto se alguma sombra mover-se no meio da escuridão, com certeza não será você porque é ela em si mesmo, e não o que se move dentro dela.
- Que sábia descoberta, Mago da Vida. Já estou deixando de vê-lo como um estúpido e achando-o um sábio.
- Eu, um sábio? Nem pense isso, príncipe. Sou só um modesto aprendiz dos vastos mistérios da Criação. Agora, você sim, é um sábio que tem muito o que me ensinar sobre seus domínios ocultos pela escuridão do seu mistério, que é você em si mesmo.
- Você está me idealizando como um sábio, Mago da Vida?
- Já o idealizei como sapientíssimo Príncipe das Trevas, que certamente me instruirá em como devo proceder com meus astutos, traiçoeiros e venenosos ir-mãos ancestrais que se ocultaram na sua escuridão. Com certeza de agora em diante eles não ficarão invisíveis aos meus olhos porque os diferenciarei de você mesmo, já que você é a escuridão e eles são as sombras ou as formas desumanas que vivem, habitam e se movem em seus domínios. Com certeza caso eu venha a ser confundido por eles, você imediata-mente me alertará e instruirá sobre como proceder em seus domínios e como anular as ações intentadas por eles.
- Essa não, Mago da Vida!!!
- Esse sim, Príncipe das Trevas...
[...] Você disse que me ama e estima, respeita e confia e até me tem na conta de um nobre príncipe!
-  É isso mesmo. Eu descobri sua razão de existir como parte do todo e encontro nobreza no seu modo de atuar, pois não atua de outro modo e forma que não a desejada por quem o idealiza, concebe e concretiza. Só um nobre é tão generoso, e só um concede o que dele desejam, ou estão aptos adquirirem, assumirem e sustentarem. Um nobre não nega algo se o que lhe foi pedido é justo, e não impõe nada a ninguém se for violentar sua natureza ou contraria seus desejos mais íntimos, sabe?
- Agora sei, Mago da Vida. Já estou me sentindo um nobre príncipe regente dos vastos domínios escuros do Senhor da Trevas. E, para ser sincero, até estou me sentindo melhor nessa sua nova idealização e concepção humana do que eu me senti na concepção anterior, quando você me idealizou como uma asquerosa e traiçoeira, venenosa e ardilosa serpente, sabe?
- Agora sei, Príncipe das Trevas!...
[...] - É isso, Mago esclarecido. Eu não tenho a iniciativa em nenhum campo. A mim compete unicamente a reação a todas as iniciativas incorretas. Se uma religião disser que um determinado procedimento é um pecado, quem proceder segundo ela indicou estará pecando e provocará uma reação de minha parte. E se a reação é ir para o purgatório, o pecador irá para o purgatório. Se indicar que deve ir para o inferno, então irá para o inferno. E assim por diante.
Eu sou um mistério que só adquiro existência a partir das ações contrárias à vida. Mas, quando cessam as ações e as causas delas, cessa minha atuação na vida de quem me ativou em sua existência.
- Acho isso tudo de uma lógica e grandeza única, nobre e esclarecedor Príncipe das Trevas.

Este desfecho para as aparições do “Príncipe das Trevas” na obra de Rubens Saraceni, revela algo muito especial no que diz respeito à compreensão dos mistérios, no caso deste em específico e de outros que seguem o mesmo modelo. Creio que algo semelhante se dá com o Mistério Exu, por exemplo, pois quando se concebe Exu como algo positivo ele se mostra de forma positiva, ao concebê-lo de forma negativa ele se mostra de forma negativa. Muitos crêem que Exu deve ser agressivo, falar impropérios e expor as pessoas ao ridículo, o resultado é que muitas entidades assumem esta carapaça para se enquadrar na expectativa de quem o evoca. É claro que nem sempre quem responde a este chamado são as entidades de Lei.
Pelo que entendemos aqui o “Príncipe das Trevas” está muito longe da concepção e idealização do “demônio” católico ou evangélico, portanto que cada um fique com os “demônios” que criaram para si e para suas religiões. Pois o único e verdadeiro demônio em nossas vidas somos nós mesmos quando caminhamos movidos pelo Ego.

No Catolicismo “Lucifer” é o Anjo Caído porque quis ser como Deus, No judaísmo não há um anjo com o nome “Lucifer”, que é latino, uma tradução do romano “Phósforos”, uma divindade, “O Portador da Luz”. No judaísmo Anjo não tem livre arbítrio ele cumpre a vontade de Deus, logo é inconcebível o mesmo se “revoltar”. No Velho Testamento vemos “O Opositor” (Satanás) dialogando com Deus, como velhos amigos a cerca de Jó e o “tentador” cria situações para desviar Jó, tão querido a Deus. Esta é uma das poucas passagens do Antigo Testamento em que aparece “o opositor”, pois nesta realidade pré-cristã Deus faz o bem e faz o mau, se é para matar os Egípcios Ele mesmo mata... mas por meio do “Anjo da Morte” é claro, que não é nenhum demônio apenas está a serviço de Deus.

E voltando ao Anjo Caido, enquanto umbandista me parece uma história bem mal contada, um Anjo, o mais belo, ter sua queda por vaidade? Difícil de crer, mais fácil entender que é mais um mito e tabu católico para evitar de explicar um mistério teológico. No islã “Shaitan”, segundo o Corão teve sua queda por se recusar a abaixar a cabeça para o homem feito de barro, já que ele era um anjo feito do fogo. No mesmo Islã há também os Gênios (djin) que podem ser bons, maus e neutros.

Afinal quem é o demônio em nossas vidas que não nossas vontades e vícios?
Quanto a espíritos obsessores, são o que são, apenas espíritos.

Já “Tronos Opostos” são outro mistério do Criador, não confundir com Orixás Cósmicos, os quais de asentam no embaixo exatamente nos pólos opostos aos 14 Orixás exatamente para absorver nossos vícios nos sete sentidos da vida:

Fanatismo e Ilusão, Ciúmes e Ódio, Soberba e Ignorância, Preconceituosidade (Mediocridade) e Injustiça, Arrogância e Desordem, Imobilidade (acomodação) e Involução, Apatia e Morte.

Somos nós que geramos o vicio e o oposto das virtudes (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração) e a função dos Tronos Opostos é atrair os seres “pesados” que carregam seus vícios e absorver os mesmos. São eles O Trono Oposto da Fé, do Amor... e claro Masculino e Feminino. No Livro Orixás Ancestrais considera Lucifer e Lilith como os Tronos Opostos à Oxalá e Logunan (Oyá-Tempo), o que deve ser interpretado também e não levado ao pé da letra, são opostos mas não deixam de ser “Mistérios do Criador”.

Sei que não é fácil entender alguns conceitos, mas temos a eternidade para compreendê-los não é?

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.