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sábado, 4 de junho de 2011

Junho é o mês de Xangô

Divindade do fogo e do trovão e da justiça. Rei de Oyó. Tem grande importância nos segmentos do candomblé com origem em terras Yorubá, importância esta representada pelo seu instrumento sagrado chamado Xére - que é tratado e visto com grande respeito por qualquer aborixá (adorador de orixá).

XANGÔ é um Orixá temido e respeitado, é viril e violento, porém justiceiro, e muito vaidoso. Xangô era muito atrevido e violento, porém, grande justiceiro, sempre castigando os ladrões e malfeitores. Por este motivo diz-se que quem teve morte por raio, ou sua casa, ou negócio queimado pelo fogo, foi vítima da ira ou cólera de Xangô.

Seu símbolo principal é a machada de dois gumes ou dupla (Oxê). Tudo que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a Xangô, Rei de Oyó, marido de Oyá, Oxum e Oba. Sua saudação é Caô Cabiecilê!

Os filhos de Xangô são extremamente enérgicos, autoritários, gostam de exercer influência nas pessoas e dominar a todos, são líderes por natureza, justos honestos e equilibrados, porém quando contrariados, ficam possuídos de ira violenta e incontrolável. Os filhos de Xangô são tidos como grandes conquistadores, são fortemente atraídos pelo sexo oposto e a conquista sexual assume papel importante em sua vida.
XANGÔ — Orixá dos Raios e Trovões !!!
Odùdùa, um guerreiro que vinha de uma cidade do Leste, invadiu com seu exército a capital do povo chamado Ifé. Esta cidade depois se chamou Ifé, quando Odùdùa se tornou seu governante.


Odùdùa tinha um filho chamado Acambi e Acambi teve sete filhos e seus filhos ou netos foram reis de cidades importantes. A primeira filha deu-lhe um neto que governou Egbá, a segunda foi mãe do Alaketo, o rei de Keto, o terceiro filho foi coroado rei da cidade de Benim, o quarto foi Orungã, que veio a ser rei de Ilê Ifé, o quinto filho foi soberano de Xabes, o sexto, rei de Popôs, e o sétimo foi Oraniã, que foi rei de Oyó.

Esses príncipes eram vassalos do rei de Ilê Ifé, que então se transformou no centro de um grande império, cujo nome era Oyó. Odùdùa era o grande rei de Oyó. Ele unificou as mais importantes cidades daquela região, mais tarde conhecida como sendo a terra dos yorubás. Em cada cidade ele pôs no trono um parente seu.

Ele foi o grande soberano dos reinos yorubás. Ele foi chamado o primeiro Alafim, o rei de Oyó. Quando Odùdùa morreu, os príncipes fizeram a partilha dos bens do rei entre si e Acambi ficou como regente do império até sua morte, nunca tendo sido, contudo, coroado rei do império. Nunca lhe foi atribuído o título de Alafim.

Com a morte de Acambi, foi feito rei Oraniã, o mais jovem dos príncipes do império, que tinha se tornado um homem rico e poderoso. A ancestral Ilé Ifé era a capital dessa vasta região conhecida como Oyó. O Alafim Oraniã foi um grande conquistador e solidificou o poderio de Oyó.

Um dia Oraniã levou seus exércitos para combater o povo que habitava uma região a leste de seu império. Era uma guerra muito difícil, mas, antes de ganhar a guerra, o oráculo o aconselhou a estacionar com os seus homens, pois ali ele haveria de muito prosperar. Assim foi feito e aquele acampamento a leste de Ilé Ifé tornou-se uma cidade poderosa.

Essa próspera povoação foi chamada cidade de Oyó e veio a ser a grande capital do império fundado por Odùdùa. Com a morte de Oraniã, seu filho Ajacá foi coroado terceiro Alafim de Oyó. Ajacá, que tinha o apelido de Dadá por causa de seu cabelo encaracolado, era um homem pacato e sensível, com pouca habilidade e nenhum tino para governar.

Dadá-Ajacá tinha um irmão que fora criado na terra dos nupes, um povo vizinho dos yorubás, filho de Oraniã com a princesa Iamassê, embora haja quem diga que a mãe dele foi Torossi, filha de Elempê, o rei dos nupes, também chamados tapas. Esse filho de Oraniã era Xangô, grande guerreiro, que fundara uma pequena cidade chamada Cossô, nas cercanias da capital Oyó.

Xangô, que era o rei de Cossô, uma cidade tributária de Oyó, um dia destronou o irmão Ajacá-Dadá, e o exilou como rei de uma pequena cidade, onde usava uma pequena coroa de búzios, chamada coroa de Baiani. Xangô foi assim coroado o quarto Alafim de Oyó, governando o império de Odùdùa e Oraniã por sete anos.

Egunitá é o Orixá feminino da Justiça Divina


SAGRADA MÃE EGUNITÁ (Orixá Cósmico- Trono Feminino da Justiça)

Egunitá é o Orixá Cósmico aplicador da Justiça Divina na vida dos seres racionalmente desequilibrados

Fogo, eis o mistério de nossa amada mãe Egunitá, regente cósmica do Fogo e da Justiça Divina que purifica os excessos emocionais dos seres desequilibrados, desvirtuados e viciados. Os hindus nos legaram uma divindade cósmica do fogo, punidora das falhas, dos erros e das paixões humanas por excelência. Kali, no panteão hindu, é uma divindade temida e evitada por todos os que desconhecem seu mistério e o porquê de sua existência em oposição à de Agni, o Senhor do Fogo Divino, do fogo da Fé?

O fato é que todas as irradiações divinas, enquanto são apenas essências, são neutras. Mas quando se condensam e dão origem aos elementos, ai se polarizam em todos os sentidos e assumem naturezas bem distintas. Pois aí, no fogo, surgem Agni e Kali. Ele é o fogo em seu aspecto positivo e ela o é em seu aspecto negativo, ou o fogo da purificação das ilusões humanas. Agni é o fogo da fé e Kali é o fogo das paixões humanas. Agni é pólo masculino e Kali é pólo feminino. Agni é passivo e irradiante e Kali é ativa e atratora. Agni ilumina o ser e Kali o toma rubro. Agni é o raio dourado e Kali é o raio rubro. Agni é a serpente flamigea da Fé e Kali é a serpente rubra da paixão. Agni é a chama que aquece e Kali é o braseiro que queima.

Esperamos que tenham entendido que, se recorremos às divindades hindus Agni e Kali, foi para mostrar como um mesmo elemento possui dois pólos, duas naturezas, duas formas de nos alcançar e de nos estimular ou de nos paralisar; de acelerar ou paralisar nossa evolução; de estimular nossa fé ou de esgotar nossos emocionais desequilibrados.

Agora, coloquem no lugar de Agni o nosso amado orixá Xangô e no lugar de Kali a nossa amada mãe Egunitá e teremos os mesmos aspectos divinos, mas irradiados por divindades humanizadas em solo africano. Teremos a linha pura do fogo elemental, cujas energias incandescentes e flamejantes tanto consomem os vícios quanto estimulam o sentimento de justiça, que são as qualidades, atributos e atribuições de Xangô e Egunitá: aplicar a Justiça Divina em todos os sentidos da vida!

Afinal, ou entendemos as divindades a partir da ciência ou até o ano 3000 d.C. ainda estaremos adorando-as somente através dos fenômenos da natureza. E não é isto que elas desejam de nós, e não foi para isto que deram inicio à sua renovação através da Umbanda, certo? Nossa mãe Egunitá é fogo puro e suas irradiações cósmicas absorvem o ar pois seu magnetismo é negativo e atrai este elemento, com o qual se energiza e se irradia até onde houver ar para dar-lhe esta sustentação energética e elemental.

Como Egunitá (fogo) é feminina, ela se polariza com Ogum (ar), que é masculino e lhe dá a sustentação do elemento que precisa, mas de forma passiva e ordenada. Só assim suas irradiações acontecem de forma ordenada e alcançam apenas o objetivo que ela identificou. Se ela polarizasse com Iansã, suas energias não seriam irradiadas porque aconteceria uma propagação delas na forma de labaredas, já que as duas são de magnetismo e elemento feminino. Eis ai a chave das polarizações, que obedecem a uma ordenação das irradiações através dos magnetismos.

O inverso acontece com Ogum, que é passivo e só se torna ativo em seu segundo elemento, que é o fogo que o alimenta, aquecendo-o e energizando suas irradiações. Ogum, enquanto aplicador da Lei, atua nos campos da justiça como aplicador das sentenças.

Logo, se Ogum absorver o fogo de Xangô, que também é passivo em seu magnetismo, este fogo só irá consumir o ar de Ogum e não irá gerar a energia ígnea que fluiria como calor através das irradiações retas do seu magnetismo, que é passivo. Ogum é passivo no magnetismo eólico e ativo em seu segundo elemento, que é o fogo que energiza (aquece) o ar. Ogum irradia em linha reta (irradiação continua). Xangô irradia em linha reta (irradiação continua). Iansã irradia em espirais (irradiação circular). Egunitá irradia por propagação (irradiação propagada). Xangô polariza com Iansã, e suas irradiações passivas se tornam ativas no ar (raios); Egunitá polariza com Ogum, e suas irradiações por propagação magnética assumem a forma de fachos flamejantes.

Observem que Lei e Justiça são inseparáveis e para comentarmos Egunitá temos de envolver Ogum, Xangô e Iansã, que são os outros três orixás que também se polarizam e criam campos específicos de duas das Sete Linhas de Umbanda. Ela é cósmica (negativa) e seu primeiro elemento é o fogo, que se polariza com seu segundo elemento que é o ar. Portanto, como o fogo é o elemento da linha da Justiça, ela é uma divindade que aplica a Justiça Divina na vida dos seres.

E, porque o ar é o seu segundo elemento, que a alimenta e energiza e é o elemento da linha da Lei, ela é uma divindade que aplica a justiça como agente ativa da Lei e consome os vícios emocionais e os desequilíbrios mentais dos seres.

Os vícios emocionais tornam os seres insensíveis à dor alheia. Os desequilíbrios mentais transformam os seres em tormentos para seus semelhantes. As divindades têm uma função a realizar e nós sempre seremos beneficiários de sua atuação. Quando nos paralisam, também estão nos ajudando, pois estão evitando que continuemos trilhando um caminho que nos conduzirá a um ponto sem retorno. Ela é a executora da Justiça Divina nos campos da Lei, regidos por Ogum no pólo positivo da linha pura da Lei.

Umbanda e o amor a São Francisco

 



Esta oração esta para nós Umbandistas, como uma lição de um homem que buscou servir a todos e também a humanidade, aprendemos com ela todos os dias em busca do amor e da fraternidade, por isso amamos este servo de Deus.

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz !
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado
compreender que ser compreendido
amar que ser amado

Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a VIDA ETERNA !

O Cântico do Irmão Sol

São Francisco compôs o Cântico do Irmão Sol.
Até o fim da vida, queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus.

No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.

A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em julho de 1226, no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de outubro de 1226.

A oração do santo diante do crucifixo de São Damião e o Cântico do Sol são as únicas obras de São Francisco escritas em italiano antigo e, por isso, são dos mais importantes documentos literários da linguagem popular. Foi nesta língua que ele, certamente, ditou a maioria dos seus escritos, antes que os irmãos versados em letras os traduzissem para a língua comum da época, o latim.

O Cântico do Irmão Sol

Altíssimo, onipotente, bom Senhor
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.

Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar

Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia E com sua luz nos alumia.

E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste as claras
E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é muito útil e humilde
E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite,
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,

Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!

Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.

A Benção de São Francisco

"O Senhor te abençoe e te proteja. Mostre a sua face e se compadeça de ti. Volva a ti o seu rosto e te dê a paz"

Saudação à Mãe de Deus

Salve, ó senhora, Rainha santa, Mãe santa de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita Igreja, e escolhida pelo santíssimo Pai celestial, que vos consagrou com seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito! Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem! Salve, ó palácio do Senhor! Salve, ó tabernáculo do Senhor! Salve, ó morada do Senhor! Salve, ó manto do Senhor! Salve, ó serva do Senhor! Salve, ó Mãe do Senhor, e salve vós todas, ó santas virtudes derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em (servos) fiéis de Deus

REZA REZANDO, REZADOR! Tua Fé é teu Agir!

 
Axé turma! A oração que quero compartilhar com vocês hoje é muito significativa para mim pois entendo que as palavras mencionadas ao verbalizá-la sejam a perfeita expressão do que é “Ser Médium”.
Aliás, em um momento em que uma boa parcela dos médiuns estão ‘vestindo seus brancos’ pensando em recompensas materiais ou emocionais, em barganhar seus dons, em estipular condições e esperando estar com vontade ou disposição para cumprir suas missões, acredito que essa oração seja o maior e o melhor ensinamento sobre o que É Ser Médium.
Mesmo porque ser médium não é apenas incorporar.
Ser médium é fazer o Bem verdadeiramente e plenamente. Ser médium é ser Bom verdadeiramente e plenamente. É ser Verdadeiro e Pleno com o Bem e com o Bom.
Ser médium é estar onde se precisa, é consolar, compreender, amar e perdoar.
Ser médium é ser um instrumento de Paz, um mensageiro do Alto, um exemplo de Fé e um guerreiro a favor da CRENÇA.
Enfim, Ser Médium é entender a vida eterna em qualquer lugar, a qualquer momento, através de qualquer cor e independente de qualquer condição e por esse entender Fazer e Viver.
Espero que todos aproveitem bem e que reflitam sobre suas verdadeiras missões mantendo as frases dessa oração interiorizada em vossos íntimos e manifestada diariamente em qualquer lugar, qualquer hora e em qualquer situação.

Oração São Francisco

Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver despero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,fazei que eu procure mais,
Consolar,que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a Vida Eterna.

Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A IDENTIFICAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO

 




A IDENTIFICAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO
NOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS:

Senhoras e Senhores,


Vamos tratar de um assunto bem complicado que implica conhecimentos da história da Igreja no Brasil, dos cultos afro-brasileiros e das tradições orais oriundas de Portugal. De antemão, peço desculpas pela inevitável simplificação em algumas partes.


1. Olhamos um pouco Santo Antônio na religiosidade popular brasileira. Entre as muitas manifestações de devoção antoniana nos limitamos principalmente àquelas necessárias para entender o Santo Antônio identificado nos cultos afro-brasileiros.

2. Depois vamos tratar de alguns elementos da história dos 500 anos da evangelização no Brasil. Concordamos com o teólogo José Comblin que não foi por padres e missionários que o povo brasileiro se tornou católico.

3. Em seguida, destacamos a devoção de Santo Antônio nas tradições dos negros bantos: no jongo, no caxambu, no congado.

4. A parte mais típica será: A identificação de Santo Antônio no tambor-de-mina, no xangô, na umbanda, no candomblé e no batuque.

5. Tentamos definir a identificação. E para isso refletimos um pouco sobre imposição e integração.

6. No fim apresentamos algumas pistas para a reflexão: A presença de um santo na vida dos pobres; Inculturação, um processo de baixo para cima, isto é, a partir do próprio negro; O valor da mitologia; Igreja, uma nova união na diversidade.

7. Conclusão.




O cristianismo que nos chegou de Portugal era guerreiro. Justamente em 1500, quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, deu-se na península ibérica a última batalha contra os mouros na reconquista de Granada pela qual os cristãos puseram fim a sete séculos de dominação árabe. Até hoje, as lutas entre cristãos e mouros estão presentes na cultura popular brasileira de muitos modos. Além disso, o cristianismo de toda a Europa era guerreiro por causa das cruzadas. Havia santos guerreiros: São Sebastião, São Jorge, Nossa Senhora da Conceição. Santo Antônio ainda é conhecido no Brasil como Santo Antônio militar. A ele são atribuídas vitórias milagrosas contra os invasores calvinistas holandeses e contra os huguenotes franceses em Salvador(1595), contra os franceses no Rio de Janeiro(1567 e 1710) ou contra os espanhóis na Colônia de Sacramento(1703). Sua imagem no andor era levada pelo exército aos campos de batalha, bem assim como os judeus carregavam a arca da aliança na conquista de Jericó e de toda a Terra Santa. Em lugares diferentes recebeu títulos militares, de soldado raso a coronel do Exército brasileiro e nos respectivos santuários recebia também seu soldo, por exemplo Santo Antônio do Relento. Trata-se da imagem(1621) de Santo Antônio de Lisboa, do convento franciscano no Largo do Carioca, no Rio de Janeiro. Quando, em 1710, os franceses invadiram a cidade, a imagem do taumaturgo foi colocada à frente da igreja no relento com o bastão de general na mão e com o rosto virado para o combate. A vitória sobre os franceses foi atribuída ao santo protetor das armas portuguesas. No dia 18 de setembro de 1710, Santo Antônio do Relento ganhou a patente de Capitão de Infantaria em um dos Terços da Guarnição do Rio de Janeiro, com o soldo de 40 cruzados mensais. Mais tarde foi promovido por D.João VI a Sargento-mor da Infantaria(1810) e a Tenente-Coronel(1814).

Além da memória de Santo Antônio militar, santo da corte e do exército de Portugal, existem no Brasil: o pão de Sto.Antônio, a devoção mensal nos dias treze, as preces para encontrar objetos perdidos, as cartinhas para Santo Antônio e os recados do Santo para nós, as promessas a Santo Antônio Casamenteiro, a alegria das festas juninas e vários santuários.

Fato é que os colonizadores com seu cristianismo guerreiro não admitiam nenhuma religião, nenhuma devoção que não fosse a dos portugueses. Antes de serem embarcados para o Brasil, os escravos negros eram marcados com ferro em brasa, prova do pagamento do imposto real, e batizados com o sinal da cruz . As relações entre a Igreja e o Estado era regidas pelo sistema do Padroado como veremos mais logo. Havia poucos padres no Brasil e seu trabalho era principalmente na corte, nas universidades e na organização das infra-estruturas da própria igreja. A maioria dos portugueses viviam um cristianismo de tradição oral. Além das festas natalinas, a Semana Santa e as festas dos padroeiros, havia os autos, folias, procissões, benditos, benzeções, provérbios. Era uma religião integrada à vida cotidiana, sem o moralismo da Igreja da Contra-reforma que estava nascendo e se fortalecendo na Europa onde estas tradições populares já estavam sendo marginalizadas. Importante é observar que existia uma certa semelhança entre negros, caboclos e brancos pobres nas suas religiões quando não separavam vida e religião. Exatamente isso causaria aproximação e integração.

O Santo Antônio da tradição dos pobres até hoje ajuda os vaqueiros para conduzir o gado. Contam que o próprio santo era amansador de burro bravo. Manoel Ferreira dos Santos explica: Santo Antônio, no tempo que ele era homem, ele andava no mundo como nós mesmo. O emprego dele foi amansar burro. Ele era amansador de burro bravo, ele era peão. E por isso, ficou a oração dele.

Ele amansa também os homens. Tem a oração para apartar uma briga:

Santo Antônio de Guiné,/ Amansador de todo brabo./ Amansais fulano./ Que tá brabo, como o diabo.//

Ele é protetor contra o inimigo da alma pela tradicional bênção de Santo Antônio "Fugi partes contrárias. Venceu o Leão de Judá!" O santo guerreiro do exército português, protege o pobre contra a polícia, contra ladrão e assaltante. Há pessoas que cortam a pele no braço ou nas costas para costurar dentro da carne um minúsculo Santo Antoninho de metal para obter sua proteção contra os inimigos e fechar o corpo para nenhum mal entrar. Dizem: Fulano tem Santo Antônio enterrado no corpo. Em algumas ocasiões, a faca de ponta é chamada "espinho de Santo Antônio". Uma oração contra arma de fogo diz:

Hoje faz noventa dias/ Que eu rezei a Salve Rainha./ Entre o cão e a espoleta(peças da arma)/ Está sentado Santo Antônio e a Virgem Maria.//

As orações contra os inimigos e para fechar o corpo não são exclusividade de Santo Antônio. Há outras dirigidas a Maria, aos doze apóstolos, a São João Batista, São Jorge, Santa Catarina, São Manso e São Marco, São Sebastião e à Virgem Santa Clotilde. São rezados o Salmo 90 e o Credo em cruz. Nestas orações encontramos expressões como: Jesus adiante e paz na guia; o sangue de Jesus (ou: o leite de Nossa Senhora) derramado sobre mim; a cruz de Jesus sobre mim; coberto com as 5 chagas; trancado com a chave do sacrário; coberto com o manto de nossa Sra; fechado no ventre de N.Sra ou na barquinha de Noé.

Santo Antônio resolve muitos problemas. Tem histórias que contam que o Santo livrou da forca o seu pai inocente. O mesmo consta em um dos benditos de S.Antônio:

Socorro Antônio socorro/ Socorro no continente/ Vem tirar seu pai da forca/ Que ele vai morrer inocente.// - Levanta corpo morto/ Pelo um Deus que nos criou/ Diga por sua boca/ Se este homem me matou.// Este homem não me matou/ Nem por mim ele pecou/ Antes na hora da minha morte/ Ele me ajudou.// Me diga padre mestre/ Onde é sua morada/ Mesmo que não posso ir lá/ Mas mando lhe visitar.// Sinto muito de meu pai/ De não ser meu conhecido/ Me chamo Antônio Fernandes/ Que de vós eu fui nascido.// De meu pai não quero nada/ Só quero a vossa bênção/ Vou me embora pra Itália/ Terminar com meu sermão.//


Às vezes, ele entra na vida das pessoas disfarçado como um menino ou um velho. Ajuda os pobres e prejudica o rico. Mas é preciso ter cuidado com ele. Ninguém engana Sto.Antônio! Ele é malino. Pode dar um namorado, mas depois faz o casal brigar. Ele faz cobrança das promessas feitas pelos seus devotos. Disso fala a história do Castigo de Cisalpino:

Cisalpino morava em Araçuaí. Certa ocasião ele começou a trabalhar na lavra(mineiração de pedras preciosas) e estava tendo sucesso. Então para o negócio melhorar mais, ele fez uma promessa com Santo Antônio que, se daquela vez ele tirasse bastante pedras, partiria a metade com ele. Deu tudo certo. Ele tirou um balaio de pedras e tratou logo de ir embora.

Chegando aqui ele foi parar na igreja. Chegou, ajoelhou-se diante da imagem do santo.Dizem que ele foi falando em voz alta, e pessoas que estavam por lá estranharam o caso: "Ó Santo Antônio! Essa vez eu num dou vós não. Numa outra eu dou. Ah! o senhor não come e nem nada..."Voltou pra casa todo feliz.

Num foi nada não. As pedras importavam em 60 contos naquele tempo e ele mandou o sócio dele vender as pedras fora. Até hoje ele não voltou. Foi homem e balaio com pedras para sempre, sem glória, amém.

Cisalpino adoeceu e ficou impressionado com essas pedras até que Deus o chamou.



HISTÓRIA DOS 500 ANOS
DA EVANGELIZAÇÃO NO BRASIL

O cristianismo que veio da Europa foi imposto aos brasileiros, tanto no tempo da Colônia, pela cristandade portuguesa, como no tempo da Independência e da República, pelo sistema tridentino da romanização. Vejamos:

A partir do séc.XIII, existia na península ibérica o Padroado que é um sistema de alianças entre o Estado e a Igreja. Incorporado às três ordens militares de Cristo, Santiago e São Bento de Aviz, o rei era o chefe dos assuntos religiosos no seu reino pela bula "Praeclara Charissimi"(Papa Júlio III,1551). Especificamente pelo título de Grão-mestre da Ordem de Cristo, os reis de Portugal passaram a exercer nas colônias o pleno domínio político e religioso, mesmo no período da Independência. Por causa disso, a Igreja não tinha autonomia. Por exemplo: o rei tinha o direito de nomear e transferir bispos e padres. Aprovava ou não os documentos vindos de Roma. Portugal era um país sem protestantes e as reformas tridentinas não interessavam aos portugueses. Havia pouquíssimas paróquias e o clero local não tinha poder. No Brasil surgiu uma igreja organizada por irmandades de leigos brancos e negros em que o padre era capelão. As tradições orais eram importantes. As irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos compravam a liberdade de seus associados e garantiam uma relativa independência também cultural. Com o fim da monarquia, no século passado, acabou o padroado no País. Fato é que, para os índios e para os negros, a religião e a colonização chegaram juntas.

A Constituição Republicana separou Igreja e Estado e obrigou a Igreja a ser uma igreja de "poder espiritual". Foi então que trouxeram e copiaram a igreja católica da Contra-reforma num Brasil onde não houve a Reforma(protestante). A nova Igreja era baseada no sistema de paróquias com o poder centralizado na mão dos padres e impôs ao povo brasileiro a cultura católica da Europa. O sistema eclesial baseado na atuação dos leigos nas irmandades foi eliminado. Este episódio é chamado de "romanização". O negro para ser cristão havia de deixar de ser negro simplesmente. Não havia lugar para a memória da África nem da escravidão. Os tambores passaram a ser proibidos no recinto da igreja e os reinados de Nossa Senhora do Rosário eram considerados uma brincadeira de mau gosto. Sobretudo a experiência religiosa dos ex-escravos não tinha vez. Estas coisas se tornam mais absurdas quando lembramos que quase a metade da população brasileira é negra.

Depois do Concílio Vat.II, surgiu um clima diferente que através das reuniões dos bispos latino-americanos em Medellim, Puebla e Santo Domingos veio chamar a nossa atenção pela pobreza do povo, pela religiosidade popular e pela inculturação.


A DEVOÇÃO DE SANTO ANTÔNIO
NAS TRADIÇÕES BANTOS DO BRASIL

As manifestações culturais dos negros bantos(originárias das colônias portuguesas de Congo, Guiné, Angola e Moçambique) são bem parecidas com o cristianismo e facilitaram a aproximação:

No caxambu, jongo, susa, sairé, Santo Antônio é festejado nas fogueiras das festas juninas. Naquele momento, juntam-se danças, cantos, tambores de origem africana a elementos religiosos da tradição oral portuguesa.

No congado, nas festas e nos reinados de Nossa Senhora do Rosário em maio, agosto e outubro, notamos a presença da devoção antoniana em alguns cantos. O senhor Waldomiro Gomes de Almeida, vice-presidente da Federação dos Congados de Nossa Senhora do Rosário, do Estado de Minas Gerais(1995) declara que, dentro da devoção ao rosário de Nossa Senhora, todos os santos são homenageados. Lembra até a existência em Belo Horizonte(MG) de uma guarda de Santo Antônio de Lisboa, no bairro Floramar fundada pelo saudoso Rei-Congo do Estado de MG, Raimundo Nonato. Também em Cordisburgo(MG), há uma Guarda de Marujos de Santo Antônio da Lagoa. Em diversas parte do interior de Minas Gerais as guardas levantam a bandeira de Santo Antônio. Além disso, há pessoas que fazem a promessa de ser rei de Santo Antônio. Também pode tratar-se do Santo Preto, Antônio de Catigeró, às vezes confundido com Sto.Antônio de Lisboa. Também as taieiras no Estado de Sergipe, reverenciam Santo Antônio.

Constatamos que os grupos acima de negros de cultura banto não se autodenominam de "cultos". Nas suas festas, Santo Antônio é celebrado, mas aparentemente não se verifica propriamente uma identificação do santo com alguma entidade religiosa banto.



Existem no Brasil manifestações diversas de cultura negra nagô/ioruba/jeje, originárias das regiões do Sudão, da Nigéria e de Daomé. Seus cultos conhecem mitologias elaboradas nas quais os orixás são uma espécie de divindades. Santo Antônio é identificado com vários orixás.

A cidade de Salvador(BA) foi a primeira capital do Brasil-Colônia. Afrânio Peixoto escreve sobre os sant'antônios da Bahia: "É o maior de todos os santos, portanto o maior dos portugueses e brasileiros. Particularmente honrado na Bahia. Temos Santo Antônio da Barra: fortaleza e energia. Temos Santo Antônio da Mouraria. Temos Santo Antônio de Além do Carmo. Na capital; no interior, tantos! No espaço; no tempo, Santo Antônio de Arguím, com a sua lenda." Santo Antônio "de Arguím", por ter destroçado uma armada francesa que veio para atacar a cidade no fim do século XVI, já foi padroeiro da Bahia. No candomblé nagô em Salvador(BA), Santo Antônio é identificado com o orixá Ogun que é filho de Oduduá, rei de Ifé. Ogun é um guerreiro poderoso e destemido. Seu símbolo é a espada. Ele vence as demandas. Seus rituais são realizados nas terças-feiras(!). A saudação típica, pronunciada pelos adeptos é "Ogunhê!" O filho de Ogun usa ao pescoço um colar de contas azuis. As roupas usadas pelo filho-de-santo em transe são a calça e saia azuis, a couraça, o capacete e a espada. Sua dança ritual parece um duelo de espada. Para vencer os obstáculos da vida, as pessoas buscam nele a força de quem molda o ferro. O "otá", a pedra onde foi assentado a força mística do orixá Ogun, é uma pedra de minério, ou pedaço de ferro. Abençoa principalmente os ferreiros e os que lidam com armas e ferramentas, os guerreiros e os agricultores. Seu fetiche é uma penca de instrumentos da lavoura em ferro. Ogun é o orixá que julga uma situação e fornece elementos para Xangô executar a justiça. É também chamado Ogun de Ronda. Como Senhor das Estradas, protege os viajantes. Tem grande afinidade com Exu com quem se encontra nas encruzilhadas. Algumas das comidas oferecidas a Ogun são a feijoada e inhame assado. (No candomblé Ketu: figado, coração e bofe de boi.) Animais sacrificados são o bode, o galo, o conquém. Muitos terreiros possuem uma bonita imagem de Santo Antônio. - Um exemplo de como se dá esta identificação dentro da igreja acontece todas as terças-feiras em Salvador na Bahia, no convento de Sto.Antônio. A este assunto voltaremos mais tarde quando falamos da identificação.

Nos terreiros iorubá do culto xangô no Estado de Pernambuco, Santo Antônio(com o livro na mão igual São Jerônimo) é identificado com Xangô, orixá do raio e da justiça, e com Aniflaquete, uma espécie de orixá(exu?) que chama os orixás da África para o Brasil.


No batuque do Rio Grande do Sul, é identificado com Exu, o anjo/mensageiro entre os Deuses e os homens. Exu abre caminhos e é encontrado nas encruzilhadas. Diversas orações tradicionais de Santo Antônio dizem: "Ele nos guia no bom caminho". Exu leva recados e dá recados, como Santo Antônio. Traz as respostas da adivinhação no jogo de Ifá. Sem Exu nada se pode fazer. Tanto protege como castiga, quando as pessoas não cumprem as obrigações. Isto nos lembra o Santo Antônio malino da fé dos pobres. Há outros cultos em que Exu, com sua roupa preta e vermelha e com seu tridente na mão, é identificado com o demônio, o anjo mau.

A umbanda é um conjunto de cultos que misturam elementos africanos dos nagôs e dos bantos, porque os negros trazidos da África não conseguiram reencontrar os companheiros das nações de origem.

Na umbanda, no Rio de Janeiro, Santo Antônio é identificado com Bará, um dos títulos de Exu ligado ao destino individual, e com Verequete, orixá do raio e que abre caminhos para os deuses do seu grupo. Há um ponto(canto) de abertura(próprio de Exu):

Santo Antônio é de ouro fino/ suspende a bandeira/ e vamos trabalhar.

Na umbanda de orientação espírita(desde 1930), distinguem-se sete linhas, cada uma dividida em 6 ou 7 falanges de espíritos iluminados. Santo Antônio faz parte da primeira linha que é de Oxalá(Jesus Cristo). Os chefes-guia de suas falanges são: Sto.Antônio, São Cosme e Damião, Sta.Rita, Sta.Catarina, Sto.Expedito, São Benedito o Preto e São Francisco de Assis. Os santos da linha de Oxalá, penetram nas linhas de quimbanda(magia negra) para desmanchar "trabalhos" feitos para prejudicar as pessoas. Isto fica claro num ponto(canto) de umbanda:

Ó viva Deus(3x), meu maior amigo é Deus./ Pisei na pedra, a pedra balançou./ O mundo estava torto,/ Santo Antônio endireitou.//

Existem na umbanda vários pontos de amarração. Por exemplo:

Santo Antônio é o Santo Maior/ Quem pode com ele é o Filho de Zâmbi/ Amarra e amarra, ó Santo Antônio/ Quem pode com ele é o Filho de Zâmbi.//

Outro ponto de amarração:

Caboclo da encruzilhada/ Santo Antônio ele é/ Amarrador de feiticeiro/ Com o cordão de sua fé.//

Os cantos de amarração podem indicar alguma magia do amor, do outro lado sugerem o estilo das rezas obrigativas e bravas da Quimbanda(magia negra).

Segundo alguns autores, Santo Antônio é identificado com Erekê, em cultos bantos de Guiné e Loanda.

E finalmente, na Casa das Minas em São Luiz no Estado do Maranhão, existia antigamente no dia 13 de junho uma festa para Toi-poliboji, vodu da falecida mãe Andresa. Toi-poliboji é identificado com Santo Antônio. Em outras casas, provavelmente não por acaso, Toi-poliboji é identificado com o demônio.

Observação:

É interessante observar que Ogun, em candomblés não-baianos e na umbanda, é identificado com São Jorge.

O orixá Xangô, na maior parte das vezes, é identificado com São Jerônimo.

Há grupos que identificam Exu-bara com São Pedro que com suas chaves abre as portas do destino. A umbanda costuma identificar Exu com o demônio.




A Bênção de Santo Antônio virou tradição especial em Salvador(BA) na igreja de São Francisco, no Terreiro(=Praça) de Jesus. Todas as terças-feiras, no final da missa, os frades dão a bênção com água benta e fazem uma distribuição de pão para os pobres nas escadarias da igreja. Entre os fiéis encontram-se muitos filhos-de-Ogun(do Candomblé) que com muita fé participam da solenidade. Depois, descem a Ladeira do Pelourinho, para começar a diversão noturna na praça. Há diversos frades que percebem a situação. Não gostam, mas não sabem que atitude tomar.

Também em Salvador(BA), realiza-se em janeiro a festa do Senhor do Bonfim(Jesus crucificado) num grande santuário(séc.XVIII), administrado pelos padres diocesanos. A festa demora dez dias e reúne seguramente umas 100 mil pessoas. O povo, vestido de branco(cor do orixá Oxalá), anda 10 km em procissão. As atividades religiosas podem ser compreendidas em três fases: lavagem das escadarias e do adro da Igreja pelas "baianas"(muitas são sacerdotisas no candomblé); culto ao Senhor do Bonfim por muitos identificado com Oxalá; festanças populares no Porto da Ribeira. Dependendo do bispo, a igreja tem se pronunciado contra a festa. Os redentoristas criticam o uso da roupas brancas nas missas e pedem o povo para não misturar as coisas. Nos movimentos negros modernos também encontramos lideranças que desejam separar candomblé e igreja e voltar às coisas como eram na África.

Para entender o cristianismo dos negros no Brasil e especialmente a identificação, temos de deter-nos um pouco no tema: imposição e integração.

Há dois aspectos nesta questão:

Quando os negros foram obrigados a confessar a religião dos portugueses, os santos da Igreja e do Governo foram colocados no lugar dos orixás para enganar as autoridades e celebrar os cultos proibidos.

Do outro lado, deu-se uma espécie de integração entre orixás e santos populares no livre encontro entre os pobres negros e brancos nas casas de tambor-de-mina, candomblé, xangô, batuque e umbanda. Afinal, o culto é lugar da liberdade. É o último reduto onde os escravos diante de seus Deuses guardavam a memória da África e da escravidão e os símbolos de dignidade e resistência: coroas, cetros, espadas, machados, arcos e flechas.

Esta liberdade é o elemento importante para entender a identificação como algo positivo. No Brasil, não somente os negros integraram elementos da cultura e da religião dos portugueses. Também a religião luso-brasileira integrou elementos africanos. Em outras palavras, há adeptos dos cultos que rezam nas igrejas e muitos católicos "praticantes" freqüentam as casas dos cultos afro-brasileiros.

Na identificação, não se trata simplesmente de trocar um santo por um orixá/vodu ou vice versa. O processo é bem mais complicado. É difícil distinguir qual é o santo popular e qual é o orixá. Nem sempre um orixá corresponde a um santo apenas. Por ex.: O orixá Xangô, rei de Oyó, senhor da justiça, e poderoso e violento dono dos raio e trovões, é identificado em março com São José, em junho com São João Batista e em setembro com São Jerônimo. Isto é, nos terreiros de umbanda. Além disso, nas casas do candomblé, um mesmo orixá pode apresentar-se com homem e como mulher, como acontece com Oxalá que é identificado com o Senhor Bom Jesus. Também pode chegar como um jovem ou como um velho. É o caso de Ogun Xoroquê, entidade que é Ogun durante seis meses do ano, e Exu(anjo mensageiro) nos outros seis meses.

Outro fator que deve ser levado em conta, é a figura do santo na religião católica dos pobres, no Brasil. Diferente da hagiografia moralista dos santos oficiais, o povo admira o santo pela sua esperteza, sua beleza e outras qualidades. Bem assim como faz a Bíblia, quando fala do patriarca Abraão na negociata com Javé antes do extermínio de Sodoma e Gomorra. Sua esperteza era motivo de orgulho para o judeu. Também a história do rei Davi que na sua idade avançada dormia com uma moça jovem é bonita. Ouçamos uma história do nosso Seráfico Pai São Francisco: Um dia estava São Francisco na sua casa comendo um pão. Aí ele sentiu a vontade de fazer as necessidades. Com pouco estava São Francisco no mato atrás de uma moita. Comia o pão, rezava, porque era santo, e ... cagava. O demônio viu tudo e resolveu fazer uma tentação ao santo. Chegou perto dele e disse: "Mas o senhor está fazendo muita coisa ao mesmo tempo. 'tá comendo, 'tá rezando e ..." - "Já sei!", disse São Francisco. "Mas o que tem? Estou comendo - é para mim. Estou rezando - é para Deus. Estou cagando - é para você!" Dizem que o demônio nunca mais voltou para atentar São Francisco. Outras histórias assim existem de Santo Antônio.

Portanto, na identificação, não se trata simplesmente de um santo oficial trocado por engano ou para escapar da imposição da religião oficial.

Talvez vale fazer uma comparação. No século IV, colocaram na festa romana do Sol Invicto no dia 25 de dezembro, o dia do Nascimento de Jesus Cristo, a Luz do Mundo. Será que houve uma identificação? Será que houve gente que integrou à revelação divina pelo Sol Invicto(romana) a revelação divina em Jesus (judaica). Afinal, para muitos o dia do sol (Sunday, Zondag, Sonntag) tornou-se o dia do Senhor.



Em meio à celebração histórica de Santo Antônio, somos confrontados com o Santo Antônio do mito. Tanto na religiosidade popular de origem portuguesa e vivida pelos pobres no Brasil, como nos cultos afro-brasileiros, encontramos um Santo Antônio que corresponde às necessidades atuais do povo mas que nem sempre coincide com o santo da história.

Em plena era de secularização, encontramos um santo presente na vida do pobre. Ele realiza milagres e castigos, abre caminhos, defende o povo contra os inimigos e tem a ver com justiça. Ele lida com o burro bravo e as vacas, e cuida da felicidade no casamento. Acha objetos perdidos e leva cartas a seu destino. Parece que a presença do santo na vida do branco português e a presença dos orixás e mesmo dos antepassados na vida do negro não são tão diferentes assim. Enquanto na igreja oficial a presença de Deus e do santo está em crise(nós mais falamos sobre Deus), o pobre fala com Deus e a linguagem dos cantos e das rezas é de encontrar, descer, baixar, vir com força.

A identificação de Santo Antônio com diversos orixás dos cultos afro-brasileiros nos desafia a refletir sobre assuntos como sincretismo e inculturação. O negro há de ser cristão sem deixar de ser negro. E nem Roma, nem tampouco o branco pode criar esta maneira própria de viver a religião. As comunidades negras são os protagonistas legítimos da busca desta nova fé cristã, a partir da experiência religiosa atual do negro e dos seus antepassados.

As maneiras diferentes de celebrar e pensar entre pobres e ricos, entre brancos e negros nos obrigam a imaginar a vivência da união na diversidade do povo de Deus; Há teólogos que propõem o termo "macro-ecumenismo"(não entre igrejas, mas entre culturas).

Motivos de crítica à igreja oficial são a hagiografia moralista, e a permanência de uma uniformidade cultural na liturgia, catequese e teologia. - Causas da distância entre o cristianismo oficial e outras religiões são o abandono dos nossos antepassados(as almas), a quase ausência do rosto feminino de Deus. Além disso, para nós, a revelação divina através da natureza(florestas, rios, pedras)ficou bastante esquecida, lembramo-nos principalmente da revelação através de Jesus Cristo. Todas estas coisas causam preconceitos e dificultam a compreensão.




Santo Antônio, guerreiro do tempo colonial, e principalmente na sua forma popular de companheiro dos pobres na luta pela sobrevivência, é identificado com o orixá guerreiro Ogun no candomblé da Bahia.

Santo Antônio que tirou seu pai da forca e defende os pobre contra os inimigos, é identificado com Xangô, orixá da justiça e do raio, nos terreiros do Estado de Pernambuco.

Santo Antônio, o mensageiro que, segundo a tradição oral, nos guia no bom caminho, é identificado com Exu, Senhor do destino e das encruzilhadas.


Palestra de Frei Francisco van der Poel ofm,
no Oitavo Centenário do Nascimento de Santo Antônio
21 de outubro de 1995 - Pádua, Itália.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Oxossi

Oxossi



Divindade da caça que vive nas florestas. Seus principais símbolos são o arco e flecha, chamado Ofá, e um rabo de boi chamado Eruexim. Em algumas lendas aparece como irmão de Ogum e de Exú.
Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá, ou, nos mitos, filho de Apaoka (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por Oxum.
Oxossi vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição, e caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras. Um solitário solteirão, depois que foi abandonado por Iansã e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois são nefastas à caça.
Está estreitamente ligado a Ogum, de quem recebeu suas armas de caçador. Ossãe apaixonou-se pela beleza de Oxossi e prendeu-o na floresta. Ogum consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele esta associado, ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.
Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa ou de azul e vermelho. Leva um elegante chapéu de abas largas enfeitados de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, um arco, uma flecha de metal dourado. Sua dança sumula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslizando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé.
Orixá das matas, seu habitat é a mata fechada, rei da floresta e da caça, sendo caçador domina a fauna e a flora, gera progresso e riqueza ao homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em abundância, o Orixá Oxossi está associado ao Orixá Ossaê, que é a divindade das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda.
Irmão de Ogum, habitualmente associa-se à figura de um caçador, passando a seus filhos algumas das principais características necessárias a essa atividade ao ar livre: concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.
Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante que Ogum.
No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
Segundo Pierre Verger, o culto a Oxossi é bastante difundido no Brasil mas praticamente esquecido na África. A hipótese do pesquisador francês é que Oxossi foi cultuado basicamente no Keto, onde chegou a receber o título de rei. Essa nação, porém foi praticamente destruída no século XIX pelas tropas do então rei do Daomé. Os filhos consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. Já no Brasil, o Orixá tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos.
O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.
Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxossi o identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um Índio.
Oxossi é o que basta a si mesmo. A ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Oxum, com quem teria mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual, coisa importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador, mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a ostentação, ele é a austeridade e o despojamento.

Características

CorVerde (No Candomblé: Azul Celeste Claro)
Fio de ContasVerde Leitosas (Azul Turquesa, Azul Claro)
ErvasAlecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Peregum (verde), Taioba, Espinheira Santa, Jurema, Jureminha, Mangueira, Desata Nó. (Erva de Oxossi, Erva da Jurema, Alfavaca, Caiçara, Eucalipto)
SímboloOfá (arco e flecha).
Pontos da NaturezaMatas
FloresFlores do campo
EssênciasAlecrim
PedrasEsmeralda, Amazonita. (Turquesa, Quartzo Verde, Calcita Verde)
MetalBronze (Latão)
SaúdeAparelho Respiratório
PlanetaVênus
Dia da SemanaQuinta-feira
ElementoTerra
ChakraEsplênico
SaudaçãoOkê Arô (Odé Kokê Maior)
BebidaVinho tinto (água de coco, caldo de cana, aluá)
AnimaisTatu, Veado, Javali. (qualquer tipo de caça)
ComidasAxoxô – milho com fatias de coco, Frutas.(Carne de caça, Taioba, Ewa - feijão fradinho torrado na panela de barro, papa de coco e frutas.)
Numero6
Data Comemorativa20 janeiro
Sincretismo:S. Sebastião.
Incompatibilidades:Mel, Cabeça de bicho (nos sacrifícios e alimentos), Ovo
Qualidades:Êboalama, Orè, Inlé ou Erinlè, Fayemi, Ondun, Asunara, Apala, Agbandada, Owala, Kusi, Ibuanun, Olumeye, Akanbi, Alapade, Mutalambo
Atribuições

Oxossi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.

As Características Dos Filhos De Oxossi




O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.
Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.
Fisicamente, os filhos de Oxossi, tendem a ser relativamente magros, um pou co nervosos, mas controlados. São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.
No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos.
Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.
Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo , é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.
Os filhos de Oxossi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Oxossi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. Os filhos de Oxossi, compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá.
Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de amigos. É portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra.
São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.
O tipo psicológico, do filho de Oxossi é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como "complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.
Cozinha ritualística

Axoxô
É a comida mais comum de Oxossi. Cozinha-se milho vermelho somente em água, depois deixa-se esfriar, coloca-se numa Gamela e enfeita-se por cima com fatias de coco. (pode-se cozinhar junto com o milho, um pouco de amendoim).
Quibebe
Descasca-se e corta-se 1kg de abóbora em pedaços. Numa panela, faz-se um refogado com 2 colheres de manteiga e 1 cebola média picadinha, até que esta fique transparente ou levemente corada. Acrescenta-se 2 ou 3 tomates cortados em pedaços miúdos, 1 pimenta malagueta socada, e a abóbora picada. Põe-se um pouco de água, sal e açúcar. Tampa-se a panela e cozinha-se em fogo lento até que a abóbora esteja bem macia. Ao arrumar na travessa que vai à mesa, amassa-se um pouco.
Pamonha de milho verde
Rala-se 24 espigas de milho verde não muito fino. Escorre-se o caldo e mistura-se o bagaço com 1 coco ralado(sem tirar o leite do coco), tempera-se com sal e açúcar.
Enrola-se pequenas porções em palha de milho e amarra-se bem. Cozinha-se numa panela grande, em água a ferver com sal, até que desprenda um bom cheiro de milho verde.

Lendas De Oxossi

Como Oxossi Virou Orixá

Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem antes consultar o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois de algum tempo andando na floresta, encontrou uma serpente: era Oxumaré em sua forma terrestre. A cobra falou que Odé não devia matá-la; mas ele não se importou, matou-a, cortou-a em pedaços e levou para casa, onde a cozinhou e comeu; depois foi dormir. No outro dia, sua esposa Oxum encontrou-o morto, com um rastro de cobra saindo de seu corpo e indo para a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá o fez renascer como Orixá, com o nome de Oxossi.

Orixá da Caça e da Fartura !!!


Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura. De repente, um grande pássaro, pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando farpas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as feiticeiras Ìyamì Òsóróngà. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha. Sua mãe, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, uma vez que três dos melhores caçadores
falharam em suas tentativas. Ela foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Os Babalaôs disseram para ela preparar oferendas com ekùjébú (grão muito duro), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas), èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). A mãe de Òsotokànsosó fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda". Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua guarda recebendo a oferenda ofertada pela mãe do caçador, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: "Oxossi! Oxossi!" (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pomba Gira Rainha


Vamos falar sobre a Pomba-Gira Rainha, não quero especificar o espírito pois há várias pomba-giras que usam o nome de rainha, como por exemplo, Pomba-Gira Rainha do Cemitério, Rainha dos Sete Portais, Rainha das Sete Encruzilhadas e assim por diante, então em homenagem a Uma Pomba-Gira Rainha que conheço a postagem de hoje é sobre a falange destes Espíritos:


O termo Pomba Gira Rainha refere-se a uma falange, embora algumas Pombas Giras de outras falanges, utilizem-no como complementação simbólica, fazendo uma referência a alguma de suas encarnações.
A falange Pomba Gira Rainha foi formada originalmente por espíritos que viveram como mulheres inseridas nas camadas da nobreza e burguesia européia, especialmente a francesa e a espanhola, entre os séculos 12 e 19
Essas mulheres eram rainhas,imperatrizes, princesas, condessas, duquesas, baronesas, marquesas, viscondessas.
Muitas dessas entidades usam em sua forma perispiritual, a aparência que tinham nessa encarnação, com todos os aparatos e vestuários da época. Mas o fato de usarem a roupagem fluídica de nobres desse período da história, não quer dizer que tenham encarnado apenas nessas circunstâncias, e que nessa falange não existam espíritos com histórias anteriores e posteriores a esse período.
Apresentam-se nobres, altivas, educadas, requintadas e elegantes, sendo muito vaidosas. Além disso são muito agradáveis, cultas, alegres, leves e excelentes facilitadoras da vida de seus médiuns.
Os espíritos que pertencem a essa falange, costumam ter em comum, as experiências encarnatórias com histórias de luxo, poder, sensualidade. O que os torna atípicos, quando se pensa as Pombas Giras como espíritos de mulheres que viveram sem recursos materiais e que tiveram que lutar para sobreviver ( o que de fato se deu com a maioria).
As Pombas Giras Rainhas são ótimas auxiliadoras e conselheiras, embora o termo Rainha possa indicar superioridade, arrogância ou frivolidade. São como todos os espíritos de Pombas Giras, sem nenhum grau de superioridade ou inferioridade em relação aos demais. São seres humanos desencarnados, com qualidades e deficiências, trabalhando para crescerem e em busca da paz, alcançada somente pelos justos.
ALGUMAS POMBAS GIRAS RAINHAS:
Pomba Gira Rainha dos Sete Portais
Pomba Gira Rainha da Encruzilhada
Pomba Gira Rainha das Sete Encruzilhadas
Pomba Gira Rainha da Calunga
Pomba Gira Rainha do Cruzeiro
Pomba Gira Rainha das Almas
Pomba Gira Rainha da Lira
Pomba Gira Rainha do Cruzeiro das Almas
Pomba Gira Rainha do Oriente
Pomba Gira Rainha do Cabaré
Pomba Gira Rainha da Praia

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Postagens populares

“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.