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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A SEGUNDA MORTE



Entre os espíritas, o termo “Segunda Morte” frequentemente surge. Na verdade, é um termo onde não se colocou melhor significado, já que quem abraça as verdades espiritualistas, não acredita numa verdadeira morte.
O Fluido Universal especializado, que vivifica as células que constituem um ser vivo, em algum momento volta a sua origem, em conseqüência da morte física. Cada um vem como que com um “selo de validade”, para durar um determinado tempo. Este pode ser prolongado ou abreviado , devido ao próprio arbítrio e que uso faz do corpo físico, como pode ocorrer que este tempo seja também modificado por Ordem Maior, caso o indivíduo tiver se superado em sua Missão na Terra, ou se tiver se complicado de tal maneira que perca a proteção que o Bem fornece a cada um, e se enredar nas teias do “Outro lado da Força”. Uma coisa é certa. Ilude-se quem acha que está no “mundo real”, se aborrece e briga por coisas que acham de infinito valor, no campo da matéria. As verdadeiras lutas, as verdadeiras decisões, a verdadeira Vida, não se encontra aqui.
Mas há um outro tipo de Energia Vital (ou Fluido Universal), que seria parte indestrutível do espírito, ou da personalidade-alma, como se referem alguns místicos. È uma parcela do Todo, e esta, com certeza é indestrutível e inalienável, imortal.
Na verdade, é difícil para nós, tanto aceitar os conceitos de morte, como também a própria imortalidade. Cada um deveria utilizar parte de seu tempo livre tentando achar sua interpretação particular sobre estes aspectos.
Há duas visões onde se reflete sobre a Segunda Morte. A que tem sido mais comentada é aquela onde o espírito pouco a pouco foi deteriorando seu perispírito, através de maus pensamentos, más intenções sobre o outro, pensamentos que se materializam, de ódios, vinganças, ressentimentos, desamor, ou pensamentos autodestrutivos, que foram se cristalizando até que ocorre alguma forma direta ou indireta de suicídio.
O perispírito é o envoltório do corpo físico, também chamado de corpo etérico, e que se liga ao espírito e o acompanha após o rompimento do cordão de prata, determinando o término da existência física. O perispírito é um verdadeiro molde do organismo físico, tendo a aparência do ente encarnado, mas feito de uma matéria plástica, quintessenciada, que pode ser modificada de acordo com o comando da mente que pertence àquele espírito específico.
O perispírito acompanha o espírito no desencarne, quando se rompe o cordão de prata. Quando esta mente emite continuamente pensamentos desagregadores, destrutivos, ligados às desventuras do ser desencarnado, o perispírito pode ir perdendo sua vitalidade, por descuido próprio, ou pelo assédio dos numerosos vampiros astrais que se aproximam onde houver restos de vitalidade desprotegida. A desproteção é resultado de perda do contato do espírito desencarnado com seus guias e protetores, porque perdeu a conexão vibracional. Seus pensamentos abaixaram tanto o diapasão vibracional que os espíritos amigos e protetores não mais o alcançam e assim fica à mercê dos delinqüentes do mundo astral.
A situação pode atingir tal estágio, que desagrega a estrutura molecular quintessenciada do perispírito e o mesmo vai por um trajeto de involução que acaba na chamada Segunda Morte, onde se tem apenas ovóides, numa situação de doloroso e prolongado resgate.
O espírito que está enclausurado no perispírito involuído, capturado por suas próprias formações mentais destrutivas e sombrias, acaba perdendo também o raciocínio e mesmo o arbítrio, ficando à mercê, se não for resgatado rapidamente, de entidades malévolas que usam Magia para o mal, através dos mesmos. Isto já foi comentado por André Luiz através de Chico Xavier, por Ângelo Ignacio através de Robson Pinheiro, Ramatis através de Norberto Peixoto, Adamastor através de Gilberto Freire, entre outros.
Mas, espiritualistas ligados ao Oriente, e à Fraternidade Branca, e também no livro chamado “Ícaro Redimido”, pelo acima citado Adamastor, através da mediunidade do médico homeopata mineiro Gilberto Freire, chamam também de Segunda Morte outra situação. Seria no caminho oposto, quando o espírito vai cumprindo sua missão de trabalho e resgate no Mundo Maior, adquirindo cada vez mais benesses através de trabalho profícuo no Bem, no Caridade e no Amor, adquirindo concomitantemente Sabedoria e Conhecimento, chega num ponto de evolução, em que as vestes espirituais fornecidas pelo perispírito não mais são adequadas, e estes vestígios de matéria, se bem que muito fluidas e invisíveis para nós, tornam-se densa e pesada bagagem para este espírito que ruma sua ascensão. E aí ocorre que ele perde a forma o molde, e entra no que se chama “Segunda Morte”. Na verdade este espírito passa a ser LUZ.
Temos que sempre pensar de acordo com o que nos deixou o brilhante Einstein. Tudo é relativo. Os degraus da grande escada evolutiva são infinitos e fogem à nossa percepção. A Luz tem matizes incontáveis, e quando o médium vê clarões de Luz, pode ter tido a benção de ver um espírito em sua forma mais evoluída, numa rara viagem aos patamares Superiores do Mundo Espiritual. Também estes espíritos podem chegar até nós, de acordo com sua vontade, mas na maioria das vezes eles usam recursos, como projeção mental de formas, ou utilizam-se, sem nos esgotar da energia para moldar formas, imagens, sons. È sofrido para eles voltar à nossa ambiência pesada, que deve ser como um charco cheio de miasmas para a sua qualidade vibratória.
Acrescente esse pensamento, quando imaginar o espírito de Jesus, durante trinta e três anos convivendo conosco sobre crosta terrestre, que dificuldades, e quantas vezes as escrituras relatam que ele precisava se retirar e ficar absolutamente só, provavelmente para se reorganizar e ter forças para continuar. Pensemos ainda como ficou o Mundo Maior com sua ausência durante este período, embora eles não tenham o tempo como algo pontual como a gente, mas na verdade a sua vinda equivaleu a morte do lado de lá, quando veio para nosso Planeta. Algo que podemos entender, se lemos o “Pequeno Principe”, de Exupery, quando jovens.
Deveríamos então, a partir destas considerações, viver a Vida como uma grande Missão de construção e aprendizado, esperando “passar de ano” ao se esgotar nosso tempo de validade, e todos comemorarem com cores e o branco, e não o negro do luto, pois a saída desta Vida, para quem a soube fazer valer, corresponde na verdade a um grande renascimento do lado de lá.
Estejam Todos em Paz, Saravá Irmãos!

Texto de Alex de Oxóssi


Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

A INICIAÇÃO NO ORIXÁ



Se iniciar na magia do Orixá é possibilitar através de rituais próprios que o lado divino da criatura transpareça; é libertar o Deus Interior que existe em cada ser humano, permitindo-lhe vir a tona e provocar impulso irresistível capaz de conduzir a individualidade à realização pessoal, estabelecendo dessa maneira a mais perfeita comunhão possível com o Universo, com a Natureza.
Corpo físico, mente e alma, teoricamente, passam a agir em plenitude. Condições propícias são estabelecidas para que possa se estabelecer uma unidade com a Natureza como um todo. A memória ancestral possa florescer inconsciente no ser humano. A iniciação representa o nascimento do indivíduo para a espiritualidade, isso o torna mais forte, e completo.

Desde sua origem o ser humano anseia pelo encontro com o Infinito. Essa busca incansável frequentemente provoca verdadeiras batalhas que são travadas no interior do indivíduo, acompanhadas por sentimentos de angústia, ansiedade, inconformismo ou até mesmo desespero frente ao desconhecido ou ao irremediável: as fatalidades e incertezas do amanhã, o ciclo da vida, a morte. Todo esse processo destina-se a criação de ambiente propício ao tão sonhado encontro.
A história da humanidade espelha essa incansável busca de respostas aos enigmas da vida: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? A felicidade é perseguida por todos, sendo muitas vezes um desejo alimentado pela incerteza: “Quero ser feliz, mas não sei bem o que é felicidade”.

Há milhares de anos, o nativo do continente africano já tinha os mesmos anseios: conhecer seu Deus, os mistérios do Universo, a origem da Vida. Olodumárè ( o Deus Primordial), em sua Graça e Poder infinitos, permitiu-lhes conhecer a sabedoria do IFA (a revelação) e o conhecimento dos Òrixás e da espiritualidade individual.
Desenvolveram-se rituais iniciáticos para os mistérios dos Òrixás como forma de realizar o sagrado em si mesmo, ou seja, permitir que o Deus Interior, desperte em cada indivíduo e estabeleça a ponte com o Cosmos.
A compreensão clara de que destino é possibilidade e não fatalidade é a base dessa realização. O conhecimento das forças que regem o Universo e a Vida nas suas mais variadas formas e meios de manifestação, bem como dos princípios que regulam essa interação é o caminho da Iniciação.
O momento do chamado é diferente para cada pessoa.. Para alguns, uma doença difícil de ser curada: outros, as dificuldades do próprio caminho; outros ainda, buscam fugir às religiões tradicionais por concluírem que muitas delas estão tão voltadas para o dia a dia dos homens e seus interesses imediatos que acabam fugindo à sua real finalidade: promover o encontro do ser com a Divindade, ampará-lo em suas dificuldades espirituais e consequentemente, também as materiais.

Alguns ainda são provenientes de outras religiões ou filosofias espiritualistas; finalmente, existem aqueles que simplesmente são tocados pelo Orixá, nos recessos da própria alma.
Muitos são descendentes de africanos, mas não é regra. Na África o culto está realmente ligado às famílias, mas no Brasil, principalmente a miscigenação, trouxe para toda a população a denominação afro-descendente.
A iniciação (feitura) propriamente dita acontece num período de reclusão que varia de sete a dezessete dias (embora alguns lugares adotem 21). Essa reclusão (recolhimento) ocorre nos Templos Religiosos conhecidos como Casas de Candomblé, em aposentos próprios para tal finalidade. Esse período é comparável a gestação na barriga da mãe; nesse aspecto, o aposento sagrado representa o ventre da própria mãe natureza. O neófito aprende os mistérios básicos das divindades e da Criação; os costumes da comunidade e os princípios que regulam as relações da família religiosa (hierarquia sacerdotal); as formas adequadas de comportamento nas cerimônias públicas e restritas. Conhecimentos acerca de seu próprio Òrìsà lhe são ministrados: a maneira adequada de cultuá-lo, suas proibições (ewò), as virtudes que deverão ser cultivadas e os vícios que deverão ser evitados para atrair influências benéficas e uma relação harmoniosa com a divindade pessoal.

Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico. Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa, fornecendo a essa forma as energias necessárias para que o feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original. Assim surge o ELEDÁ desse novo ser encarnado, que é a força energética primária e atuante do nascimento.
Nesse período, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso.

Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio. A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido de manter-lhe a existência.


Muitas pessoas sentem isso, e algumas sentem um sono muito grande.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam. Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções. Além dos espíritos amigos que se empenham em nossa vigilância e auxílio morais, contamos com um espírito da natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso “arquétipo”.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, “Chefe de Cabeça”, “Pai ou Mãe de Cabeça”, ou o nome esotérico “ELEDÁ”. A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e características emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.

Orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado.
Nosso Orixá é nossa única ponte com Olodumare (deus primordial), nosso Ekuru é nossa ponte com nosso Orixá.
 
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

Espiritualismo


Amigos,
Tenho sido, talvez, um pouco mais ativo que o necessário e isso tem me dado grandes recompensas. E grandes chateações também.
Recompensas porque tenho visto e ouvido coisas maravilhosas nesses anos, o contato com os guias tem sido maravilhoso, todos eles, desde o Exu Zé (Gira Mundo) que foi quem me deu uma ótima primeira impressão, o que me levou a retornar em busca de conhecer melhor as coisas; o paizão Seu Flecha Dourada da Mata Virgem, Cabocla do Sol, Cobra Coral, Exu Pimenta, Juanita e Juan, Seu Veludo, Seu Ventania, vovó Luzia do Engenho das Almas, Serginho, Seu Sete Pontas, Caçadora dos Sete Lagos, Cigana Rainha da Noite, a inesquecível Marianinha, Seu João de Deus, Exu Guerreiro, Guardião, João Marinheiro e tantos outros que me deram o prazer da companhia e da instrução na vida e na mediunidade.
Chateações porque tenho visto muita coisa errada, e não estou me referindo a metodologias dentro do campo santo e sim de comportamentos fora dele. E a situação está me perturbando tanto a ponto de me levar a fazer esse manifesto, não como forma de dizer o certo e o errado, mas de dizer como eu,  vejo a situação.
A Umbanda não é uma religião, é uma realidade, presente a todos em todos os momentos da vida, seja médium desenvolvido ou não, dentro e fora do campo santo. Portanto é obrigação de todos os que aceitaram essa missão, essa condição, essa realidade, se portarem dignamente em todos os momentos da vida, dando o exemplo e educando; não com pregações, sermões, ameaças ou punições, mas com a própria conduta; as pessoas que estão a sua volta.
O bem gera o bem. O mal gera o mal.
A Umbanda é universal e respeita as limitações individuais, sociais e culturais, pois como pais compreensivos, os guias entendem as condições de seus filhos e como tal, falam a eles da maneira que possam entender. Ninguém que ache que só sua maneira de fazer as coisas é a única correta pode se dizer umbandista, pois falta, sobre tudo, com a humildade de perceber que não é detentor de todo o conhecimento universal. Falta também com a caridade de compreender seu próximo com suas limitações e condições evolutivas.
A Umbanda agrega, não segrega.
Os Orixás são, em essência, manifestações puras de energias naturais, não homens mortos ou deuses (do grego, homem morto) embora algumas pessoas ícones possam ter sido influenciadas por tais energias. Oxalá não é Jesus, embora Jesus tenha sido influenciado por sua força, assim como um filho pode ter Oxalá na coroa e não há mal nenhum em explicitar o sincretismo, desde que isso seja consciente. As energias variam em seus nomes. Ogum, por exemplo pode ser a energia terrena, ígnea, eólica ou marinha, não faz diferença, desde que se respeite a conduta moral individual e as normas da casa, normas essas que devem ser levadas como formas organizacionais, não verdades absolutas.
Respeite o próximo em sua compreensão.
Guias são pessoas como eu e você, pessoas que encarnaram, desencarnaram, amaram, sofreram, choraram, sorriram e aprenderam com tudo isso tendo, portanto, sua própria linha evolutiva e histórias de vida. Isso inclui os guias à esquerda. Os espíritos se reúnem em “falanges” por afinidade energética e assumem o nome de tal falange como identificação, pois no mundo espiritual os nomes não são importantes como aqui e, para evitar preconceitos ou idéias erradas, abandonar o nome carnal é a melhor solução.Logo, não adianta procurar a história do guia que trabalha com você ou que você goste pois, mesmo que encontre, essa pode não ser a verdadeira história da vida dele.
Respeite a individualidade dos amigos espirituais.
Os Exus e Pomba Giras são guias como os outros que escolheram, por afinidade e caridade, trabalhar em esferas mais baixas da criação. Suas roupagens fluídicas são escolhidas de modo a ajudarem a esconder sua luz própria para não ferir os espíritos presos a essas camadas mais tenebrosas da realidade. Afinal, no inferno, seja um demônio (Pomba Gira Cigana Rainha da Noite). Não é qualquer espírito desencarnado que pode assumir essa tarefa e não é qualquer espírito confuso que chega em um terreiro que se tornará um Exu ou Pomba Gira. Mas se você assim pensar se afinará com espíritos que agirão dessa forma, influenciando seu mental e trabalhando da maneira que lhes convier.
Respeite os Exus e Pomba Giras como irmãos que aceitaram a mais difícil de todas as missões.
Pomba Giras não são e nem foram, necessariamente, prostitutas, dançarinas de Cabaré ou coisas do gênero. Na esfera onde elas se encontram o encanto é sua maior arma e elas fazem uso disso sem serem promíscuas. As atitudes baixas de médiuns incorporados tem muito mais a ver com seu próprio mental do que com a incorporação do guia em si. Se pensares que Pomba Gira são mulheres promíscuas, se afinará a espíritos que se dirão Pomba Giras e assim se mostrarão a você. Outra coisa: Pomba Giras não atuam contra as leis divinas de livre arbítrio, pois entendem que isso acarretará em karmas pesadíssimos.
Respeite ao lugar sagrado: Não dê vazão a suas fantasias durante a gira.
O que acontece em sua vida nem sempre é culpa do guia espiritual, na verdade raramente é. Os guias são só amor, então eles não aplicariam castigos atrozes. Mas se assim você acredita, se afinará com espíritos que assim agem. E mesmo que haja o castigo, a culpa é sua por dar motivos para isso, então seja humilde e assuma as conseqüências de seus atos.
Sua vida é responsabilidade sua. Assuma-a.
Assessórios não são essenciais para uma gira, embora seu uso não seja proibido. Alguns guias sugerem a utilização de cocares, por exemplo, para que o médium abra seu campo mediúnico mais facilmente, por sugestão. O uso excessivo, no entanto, deve ser desencorajado, pois pode caracterizar muito mais a vaidade exacerbada do médium do que uma necessidade do guia trabalhador. O mesmo se aplica aos colares de contas (guias, voltas ou brajás) que são um assunto ainda mais sério por serem objetos mágicos preparados para absorverem ou repelirem energias e vibrações. O uso de muitos colares indica força e proteção, mas também indica que o médium tem que pensar menos em si próprio. Dar assistência aos outros e trabalhar pelos outros é o mínimo que os guias esperam de quem usa muitas voltas de colar.
O terreiro não é um teatro, respeite os objetos rituais.
A umbanda não faz diferença entre crenças ou religiões. Se uma pessoa segue Jesus, tudo bem. Se segue Buda, tudo bem. Se segue Zambi, tudo bem. O umbandista entende os exemplos como exemplos e não é extremista a ponto de renegá-los só porque são líderes espirituais de outras seitas ou doutrinas. Adicionar elementos dessas outras doutrinas também é válido, pois o umbandista entende que todos procuram a evolução e líderes são necessários para isso. Fechar os olhos para outros conhecimentos é prepotência e é uma forma de estacionamento evolutivo.
Tudo evolui de diferentes formas, inclusive a Umbanda.
A umbanda não é uma doutrina africana. Nem brasileira. É universal. Ela utiliza-se do título “Orixá” assim como utiliza ervas e conhecimentos pagés (nativos brasileiros), de manipulação energética (conhecimento de vários povos orientais), conhecimentos astrais (civilizações antigas da Europa e América Central) e outros conhecimentos agregados. Para os espíritos não existem fronteiras geográficas e nem povos melhores ou piores. Afinal, que diferença faria para a caridade saber a origem da Umbanda?
O umbandista combate o orgulho e o inútil.
O umbandista deve sempre procurar evoluir e o caminho mais certo para isso é a sinceridade e a humildade. Olhar para si com olhos críticos e honestos, avaliar sua conduta e assumir, se necessário, que é hora de mudar faz parte do dia-a-dia do médium umbandista. O estudo para o suprimento de suas faltas também. Assumir que se é indelicado por ser “filho de Ogum” e não fazer nada para mudar é impensável como conduta pessoal.
A evolução também acontece nas pequenas coisas do dia-a-dia.
Essa crítica também deve se estender ao terreiro (centro, tenda…) que freqüenta: Se você não se sente bem, não reclame: resolva. Busque descobrir o que te incomoda, converse com os líderes materiais da casa (zeladores, pais-pequenos, dirigente) estude, aprenda. Se ainda assim não resolver, então mude de casa. Mas lembre-se que não existem lugares perfeitos, pois são feitas por pessoas e pessoas são imperfeitas. A vida em sociedade também faz parte do aprendizado individual.
Ninguém além de você sabe o que é melhor para você.
Seu corpo é propriedade sua e de mais ninguém. Cuide dele, pois ele é seu único veículo nessa terra. Para os guias se apresentarem não são necessários shows de malabarismos, danças ou contorcionismos. Entendemos que às vezes a vontade existe e é saudável sua externação, desde que haja limites e respeite seus próximos, evitando colisões, safanões, pisões e coisas do gênero.
Respeite-se e respeite o próximo.
———-
Quero só lembrar que isso não são regras, não é como você tem que pensar. Isso é só a forma como eu, Nino e a Julia Guerrero pensamos a Umbanda. Assim como está escrito aí em cima, não nos importa se você pense diferente, desde que sempre faça as coisas com amor e despredimento, colocando o seu próximo acima de seus objetivos.

Nino Denani

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

Sobre as Histórias de Guias


Amigos,
Nós, assim como vários outros blogs de Umbanda pela internet, temos percebido uma série de questões do tipo “gostaria de saber a história”, perguntando sobre Caboclo X, ou do Exu Y, ou da Cigana W. Isso tem sido um problema, pois é como tentar saber a história da vida de uma pessoa que você encontra na rua, perguntando para uma outra pessoa que nunca a viu. E faço essas afirmações com base em algumas pesquisas. Por exemplo; Alex de Oxossi, no blog Povo de Aruanda, teceu um texto sobre o caso que diz:

Eu estou na internet desde de 1998, mas tem aproximadamente 5 anos que venho tentando falar de Umbanda na internet, mas logo assim que eu comecei procurava feito um louco, história do cigano que eu trabalho, do Exú e do Caboclo, nada encontrei e um dia o cigano que trabalho, falou que a história dele estava começando naquele exato momento e seria aquela que eu teria que aprender, seria aquela que eu teria que propagar, dentro das Leis da Umbanda.
(…)
Exemplo:
Eu posso trabalhar com Tranca Ruas das Almas e você também, podemos até ter os mesmos Pais e Mães de cabeça, mas o Tranca Ruas das Almas que você trabalha, não é e nunca será o mesmo que eu trabalho, mas ambos chegam na mesma vibração, na mesma energia, são das mesmas Falanges.
Visto isso, podemos concluir algumas coisas básicas, que devem fazer parte da bagagem cultural de cada um, principalmente de quem está começando na Umbanda:
Primeiramente, cada espírito é um espírito com vida própria e linha evolutiva própria.
Segundo, os nomes que ostentam são, na verdade, identificações das linhas de trabalho e das forças que carregam, e não seus nomes quando encarnados. É como se o exército do general Silveira assumisse o nome “Silveira” para diferenciá-los dos soldados de outros exércitos.
Terceiro, um guia não se apresenta, necessariamente, com a sua última forma encarnada. Um preto velho não foi necessariamente nem negro e nem velho. Um caboclo não foi necessariamente um índio, até porque a palavra “caboclo” não diz respeito aos índios, e sim ao mestiço de branco e índio. E um erê não desencarnou, necessariamente, durante a infância. Acontece que o espírito, quando é agraciado devido ao seu esforço próprio, com a condição de trabalhador junto aos médiuns, tende a se afinar a certas linhas devido sua influência energética. Daí, para que nós, encarnados, compreendamos sua forma de trabalho, eles assumem tais nomes. Um mesmo espírito pode se apresentar, por exemplo, num centro kardecista como médico, num terreiro de Umbanda como caboclo, num de candomblé como Orixá e ainda auxiliar trabalhos energéticos como o Reiki, sem se apresentar em absoluto.
Visto todas essas condições, podemos concluir que, mesmo que uma pessoa encontre na internet ou em livros a história da vida da Cabocla Jurema, para citar somente um exemplo, essa história poderá não concordar com a história pessoal da cabocla com a qual você trabalha. E isso acontece, também, com as formas de incorporação.
A incorporação obedece, primeiramente, ao alinhamento entra as energias vibratórias do médium e do guia. O primeiro tem que subir (afinar) sua vibração e o segundo tem que descer (densificar) a sua, para que as duas comunguem em uma mesma faixa e consigam se corresponder. Esse é o motivo da concentração que o médium necessita para o ato. E esse é também o motivo para que a incorporação não queira dizer que o espírito de um dá licença para o outro espírito assumir o corpo.
Depois existe um mecanismo de proteção para a consciência do encarnado, ao qual damos o nome de “Animismo”. É uma função assumida pela inconsciência, que junta várias informações recorrentes para recriar uma nova forma de agir. Isso é saudável e não condenável, ao contrário do que alguns pensam. Então o modo que uma pessoa incorpora um guia é único e pessoal, não dando para assumir regras aqui. Ficar procurando pela internet, ou em livros, que o guia X incorpora de uma maneira X só pode ser prejudicial, no ponto que influencia o animismo do neófito, e causa insegurança a partir do momento que o neófito percebe que não faz da mesma maneira.
Aumentar o animismo: A pessoa lê uma descrição de que o Caboclo Y não fuma charuto, quando o incorpora fica com aquilo na cabeça, assim, mesmo que o Caboclo queira pedir um charuto, pode encontrar dificuldades de romper esta barreira anímica criada pelo médium.
Causar Insegurança: O médium lê que o Exu Z quando incorpora ajoelha no chão, aí pensa, “nossa o que eu incorporo não ajoelha!!!” e começa a se sentir inseguro quanto a manifestação do seu guia, podendo com isso atrapalhar o seu desenvolvimento.”
Portanto, estou bem seguro em afirmar que a história do guia é uma coisa maravilhosa de se saber, até porque o guia tem uma forma singular de apontar os erros e dar lições, mas só quem pode saber a história do seu guia é ele mesmo e só quem pode saber a maneira de incorporá-lo, a maneira como ele age, é você, deixando o pensamento livre para que ele se manifeste à vontade. Umbanda é amor e não conheço quem não ame seus guias, por isso mesmo devemos tratá-los como tratamos nossos amigos, nossos irmãos, como seres únicos e completos e não como seres presos a conceitos únicos, presos a uma única vida.

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

Sobre os nomes e histórias de guias

mediunidade
Amigos,
Quero escrever a vocês agora sobre um tema muito procurado aqui , e que é algo que tem que ser avaliado constantemente. As histórias e informações de guias.
Muita gente nos escreve solicitando isso de alguma entidade específica: queria saber a história da Pomba Gira Maria Quitéria, do Exu do Lodo, da Cabocla Iariassú. Na maioria das vezes nós sempre aconselhamos a ler um famoso texto nosso, “Sobre História de Guias”, que está como post fixo na página “Espiritualismo" que, aliás, aconselho todos a lerem para nos entender um pouco melhor. De qualquer forma, lá está um primeiro rascunho, escrito quase um ano atrás, sobre o que será este texto.
Mas por que, afinal, nós não colocamos aqui as histórias e diversas lendas sobre os guias?
Simplesmente porque existe uma gama gigantesca de espíritos que utilizam o mesmo nome para se apresentar e, por isso mesmo, a história que eu conheço da Maria Padilha provavelmente não será a da Maria Padilha que você conhece. E isso acontece porque, apesar de usarem o mesmo nome, são espíritos diferentes, como eu e você.
Funciona mais ou menos como alguém pedir a você que contasse a história do José. Eu conheço pelo menos uns quatro Josés e, não é porque ostentam o mesmo nome que terão a mesma história. Mas então você pergunta: Maria Padilha não é nome e sobrenome?
Não. Padilha quer dizer Pomba Gira, nesse caso, o nome é Maria Pomba Gira. Mas ainda assim: Quantos Josés da Silva podem existir?
Precisamos entender como funciona pelo menos esse cadinho da espiritualidade. Existiriam muitas complicações se um espírito decidisse usar o nome que usava quando encarnado. Mesmo nas mesas kardecistas os espíritos que se apresentam tendem a usar um pseudônimo para evitar qualquer tipo de confusão. Vocês precisam lembrar que nós também já fomos viventes em outras épocas e a lembrança de um nome que nos causou dor, mesmo que essa lembrança esteja calcada longe em nosso subconsciente, poderia nos fazer pescar uma série de empecilhos para nós mesmos, bloqueando a ajuda de um espírito amigo que pode não ter sido tão amigo em outra ocasião. Para evitar isso, os espíritos que trabalham na seara do bem tendem a usar cognomes, assim passam incólumes a essa questão, podendo trabalhar para o bem sem serem bloqueados. Nas mesas kardecista, temos nomes usuais: André Luiz, Emmanuel, Pedro. E temos aqueles espíritos que trabalham sob influência de um outro, como é o caso da corrente de cura do Dr. Bezerra de Menezes. Muitos dos espíritos que se apresentam como tal são, na verdade, espíritos que se especializaram na cura das enfermidades, como ele, e trabalham sob seu escopo, assim como um médico mais jovem trabalha sob influência de um mais antigo, que se torna seu mestre. De tão honrado que tal jovem se sente, acaba usando o nome do mestre para trabalhar e inspirar a confiança de quem será curado, então temos uma “falange” ou um agrupamento de espíritos todos trabalhando com o mesmo nome, do chefe do agrupamento, do espírito mais evoluído, que muitas vezes já está em um plano puramente mental da existência, mas que continua vibrando amor e seu conhecimento até nós.
O mesmo acontece na Umbanda, com uma sutil diferença que advém do público que a Umbanda pretende alcançar: os humildes. No kardecismo, muita importância se dá ao estudo científico da espiritualidade e sua aplicação, sua relação conosco. São desenvolvidas teorias, cursos demorados são necessários, um vocabulário cheio de floreios para falarem com quem, certamente, inspira nosso respeito. Mas então um outro espírito viu que essa interação também deveria ser levada a quem trabalhava nas lides físicas diariamente e chegava em casa fustigado, com suas parcas moedas no bolso, sem tempo nem disposição para isso tudo. As pessoas que dormiriam de exaustão caso fossem levados a ouvir a música tranqüila de uma Ave Maria totalmente instrumental, ou com uma soprano ao fundo, entoando alguns versos.
Para isso, a espiritualidade entendeu que, assim como Jesus fizera, teria que usar de metáforas para passar sua mensagem com mais entendimento. Então enviou um espírito que se fez de uma antiga figura brasileira, um antigo míster de sabedoria popular: um velho. Mas dentro de uma localidade não muito abastada do Rio de Janeiro, a figura tinha que ser de alguém com quem muitas pessoas se identificassem, não podia ser simplesmente um velho, um ancião de conhecimento vasto e linguajar conciso, precisava ser alguém do próprio povo, para que o povo se identificasse. Um velho sim, pois aí reside a sabedoria, na idade avançada, mas um velho que representasse o povo de então, o humilde: o preto velho, envolto em seus mistérios da mescla da sabedoria ancestral africana, com a devoção católica. Alguém que entendesse da terra, pois da terra vivera sempre.  Mas isso não quer dizer que o espírito fora negro e morrera velho, só que ele achou por bem, junto aos seus superiores (porque espíritos também tem uma cadeia de comando como nós aqui) que usasse tal figura para se expressar. E para abrir o caminho frente às dificuldades, a espiritualidade acho de usar outro estereótipo, tão forte para o povo quanto o primeiro, uma mistura cujas lembranças vêm de séculos atrás, datando da primeira vinda dos barcos negreiros ao novo continente: o caboclo, mistura do negro e do índio, vivaz, forte, jovem,muitas vezes impetuoso pela sua condição de filho de escravo misturado. Eram arquétipos muito fortes para não serem utilizados. E então surge o Caboclo das Sete Encruzilhadas para falar aos caboclos do Rio de Janeiro.
Os nomes, portanto, são uma mera extensão disso. Claro que temos, agora, um outro desdobramento, a Umbanda evoluí de acordo com o povo que a cerca, pois ela é feita para ele. As crianças vieram para representar a inocência e a amabilidade que o ser tem que mostrar durante sua vida, o baiano veio para identificar outra massa crescente de pessoas humildes em suas posses, o boiadeiro, caboclo de couro, pela a simplicidade da gente do campo, o marinheiro pela sua identificação com os trabalhadores ribeirinhos e assim vai.
Usando-se de nomes chaves dentro da mitologia de cada uma dessas linhas, os espíritos superiores acabaram por criar divisões separadas pelas forças que trabalham. Então, vemos que um Sete Espadas, por exemplo, em sua maioria das vezes é um caboclo da linha de Ogum, ou seja, trabalha sob essa energia em primeiro lugar, agregando as outras seis, claro, mas primordialmente sob a linha de Ogum. Não quer dizer que há muito tempo atrás existiu um caboclo chamado Sete Espadas, até porque nem os índios, nem os negros brasileiros têm costume de dar nomes como esse a seus filhos. E também, muitos espíritos que se agregam a essa mesma energia tendem a usar de um mesmo nome, até como forma de homenagear os seus superiores, muito caros para eles. Então vemos um sem número de espíritos subordinados a uma mesma energia, usando de um mesmo nome, mas espíritos diferentes e que, nenhum deles, teve esse nome quando em Terra.
Claro que podem, também, existir espíritos que realmente, quando encarnados, usaram tal nome e, depois de desencarnados, acabaram galgando degraus em sua evolução, conseguindo liderar toda uma falange espiritual, batizada com seu último nome em Terra. Eu não acredito muito nisso, acho que não é útil para nós mantermos nosso nome terreno, mas também é uma possibilidade (e aí, muitos de vocês se lembraram do Zé Pilintra, amplamente documentado).
Bom, são especulações. Diz-se da história da primeira Mulambo. Diz-se da história do primeiro Marabô, do primeiro Zé Pilintra. Mas, sinceramente? Como vamos verificar tal história? Não há maneiras de comprovarmos que a pessoa que morreu lá atrás é mesmo o Zé Pilintra. Nem registrado nesse nome ele foi, então como fazer? Como ter a certeza que não é só um médium querendo validar sua incorporação de alguma forma?
Eu, particularmente, não acredito nisso também. Por tal motivo nunca publicamos histórias de guias, a não ser as que, metaforicamente, nos traga algum ensinamento válido para a nossa própria vida.
Bom, é isso o que eu tenho a dizer. E você? Ainda quer conhecer a história de seu guia? Trabalhe com ele. Viva ao seus conselhos e ensinamentos. E então, a história dele se fundirá a sua a ponto de serem amigos tão íntimos, que ele mesmo acabará te mostrando. A espiritualidade possui diversos aparelhos para lhe dar a mais vívida impressão enquanto escuta o que o guia lhe contará. E, desta forma, a experiência de conhecer melhor seu guia será tão intensa que nunca mais sairá de seu coração.

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

140 perguntas sobre o passe

Amigos,
esse texto, na verdade um jogo de perguntas e respostas, eu peguei em outro site que pegou em outro site e sua autoria se perdeu no tempo.  Devo avisar que esse texto foi escrito a princípio para a cúpula kardecista, mas nós podemos, muito tranquilamente, adpatá-lo para os diferentes trabalhos realizados nos terreiros também. Tenham paciência, leiam com calma e aproveitem. Quero ouvir opiniões de todos!
1. O que é energia?
A energia de um corpo é a capacidade que este tem de gerar qualquer ação. Como há várias formas de energia, pode haver várias formas de ação possíveis. À energia calorífica, uma ação possível seria o aquecimento. À energia elétrica, uma ação possível seria a geração de corrente. À energia magnética, uma ação possível seria a magnetização de outro corpo. Em geral os corpos têm vários tipos de energia, e, por conseguinte, podem atuar no meio no qual estão inseridos de várias formas. Por exemplo: o corpo humano é capaz de aquecer o ambiente – nesse caso é utilizada a energia calorífica; é capaz de movimentar objetos – nesse caso é utilizada a energia mecânica; é capaz realizar o processo da digestão – nesse caso, dentre outras, utiliza a energia química; e assim por diante. No passe, os do passista e da equipe de Espíritos, reunidos, formam a energia espiritual que atua no paciente e diretamente nos fluidos, que são energia magnética, dando- lhe características necessárias ao paciente. Assim, podemos dizer que a energia relacionada ao passe é capaz de atuar diretamente no paciente. (Veja questão 114)
2. O que é fluido?
Fluido é substância sutil, maleável, imponderável, energética, que pode ser manipulada pelo pensamento de Espíritos encarnados e desencarnados, que imprimem nele características positivas ou negativas, conforme o teor do pensamento. No passe, utiliza- se o pensamento do Espírito que coordena a tarefa, assim como do passista, de forma a impressionar positivamente os fluidos que serão doados ao paciente. O fluido, em sua mais simples expressão, é chamado de fluido cósmico universal, que representa a simplificação máxima da matéria, que, manipulada pelo pensamento do Espírito, imprime- lhe variações de onde se originam os diversos tipos de elementos hoje conhecidos. (Veja questões 4 e 5)
3. O que é transubstanciação?
Transubstanciação é o efeito de se alterar uma ou mais qualidades que caracterizam determinada substância. No passe, quando se altera diversas características dos fluidos, afim de doá-los ao paciente, diz- se que os fluidos foram transubstanciados. (Veja questão 98)
4. O que é fluido animal?
Fluido animal ou magnetismo animal é a parcela de energia vital doada pelo ser encarnado, passista, no momento do passe. Tal fluido é inerente apenas a seres encarnados, sendo uma das razões pelas quais que companheiros encarnados participam de tarefas aparentemente de cunho apenas espiritual, tal como reuniões de “desobsessão”. (Veja questões 2 e 114)
5. O que é fluido vegetal?
Fluido energético exalado pelos seres vivos do reino vegetal. (Veja questão 2)
6. O que é perispírito?
É o corpo intermediário entre o corpo físico e o Espírito, necessário à relação entre estes dois últimos. É o laço que liga o corpo ao Espírito. Nos processos de reencarnação, é o molde determinante das características do corpo físico do Espírito que renasce. (Veja questões 8 e 123)
7. O que é duplo etérico?
O duplo etérico pode ser considerado um corpo físico menos denso, energético, de onde dimanam as doações fluídicas animais (fluido animal) que o passista realiza durante a tarefa do passe. (Veja questões 14, 15, 25, 26 e 123)
8. O que é centro vital?
Centro vital, ou centro de força, é um ponto de convergência de energias captadas pelo perispírito, posteriormente redistribuídas a todos os órgãos deste, assim como aos corpos “inferiores” , tais como o físico e o duplo. Em geral estuda- se sete centros vitais, que se vinculam, no corpo físico, a sete importantes centros do organismo humano: centro genésico ou básico, situado próximo à região genésica; centro gástrico, situado próximo ao estômago; centro esplênico, situado próximo ao baço; centro cardíaco, situado próximo ao coração; centro laríngeo, situado próximo à laringe; centro frontal, situado entre os dois olhos e centro coronário, situado próximo à glândula pineal (ou epífise), no cérebro. (Veja questões 16 a 24)
9. O que é receituário mediúnico?
É que um médium recebe por via mediúnica, geralmente pela psicografia, direcionada ao solicitante. A grosso modo, tais contêm orientações para tratamento ou uso de remédios homeopáticos. Recomenda- se que toda e qualquer receita mediúnica seja analisada racionalmente, pois submeter- se às orientações recebidas é decisão que só cabe ao paciente, sendo portanto dele quaisquer responsabilidades posteriores. (Veja questões 62, 64, 88 e 91)
10. O que é passe?
Passe é transmissão de fluidos de uma pessoa (encarnada ou não) a outra, ou a objetos. O passista imprime aos fluidos doados, pelo pensamento, características positivas ou negativas conforme a sua vontade e o seu merecimento. (Veja questões 113 a 126)
11. O que é a câmara do passe?
Local utilizado pela casa espírita para a tarefa do passe. (Veja questões 68 a 73)
12. O que é sugestão mental?
Sugestão mental é o ato de incutir- se determinada idéia na mente de uma pessoa, que venha a se manifestar através de alterações comportamentais ou mesmo orgânicas. Em geral, os processos de sugestão mental envolvem a influenciação de uma pessoa pelo conjunto de idéias de outra. No entanto, observamos também a existência da auto- sugestão, caso em que o próprio sugestionado cria idéias para si, passando então a se comportar como se tais idéias fossem verdade absoluta. Os casos de falsa podem ser classificados como sendo de sugestão mental. (Veja questão 128)
13. O que é placebo?
Substância sem efeito que uma pessoa absorve crendo que o efeito existe. É comum encontrarmos, em hospitais, pacientes tomando água pura pensando que estão tomando remédio. Neste caso, a água está sendo usada como placebo. (Veja questão 118)
14. O que é aura?
De forma geral, todo corpo emite energias. A emissão de tais energias se chama radiação. Aura é o conjunto das radiações emitidas por determinado corpo, que o envolvem. A grosso modo, podemos dizer que há duas auras bem características em cada indivíduo: a aura do perispírito, cuja composição varia em função das aquisições milenárias do Espírito, e a aura do duplo etérico, também conhecida como aura da saúde, cuja composição, forma e coloração apresentam considerável variação mesmo ao longo dos minutos, pois reflete, quase que imediatamente, as alterações psíquicas e orgânicas ocorridas no ser. (Veja questão 25)
15. O que é fotografia Kirlian?
Método de sensibilização de uma chapa fotográfica através da radiação emitida pelo corpo duplo, ou duplo etérico. Muito utilizada para a realização de diagnósticos de saúde. (Veja questões 25 e 118)

CENTROS VITAIS, AURAS E CORPOS

16. O que é centro coronário?
Representado no corpo pela epífise. Supervisiona todos os demais centros de força, pois é ela que recebe, em primeiro lugar, os estímulos do Espírito encarnado. (Veja questão 135)
17. O que é centro frontal?
Relacionado com os lobos frontais do cérebro e a hipófise. Exerce influência decisiva sobre os demais centros de força, sendo responsável pelo funcionamento do Sistema Nervoso Central e dos centros superiores do processo intelectivo. (Veja questão 135)
18. O que é centro laríngeo?
Relacionado ao plexo cervical. Regula os fenômenos vocais, bem como as funções do timo e da tireóide.
19. O que é centro cardíaco?
Relacionado com o plexo cardíaco, no corpo físico; é responsável pelo funcionamento do aparelho circulatório e pelo controle da emotividade.
20. O que é centro esplênico?
Relacionado com o plexo mesentérico e o baço. Regula a distribuição e a circulação dos recursos vitais, bem como a formação e a reposição das defesas orgânicas através do sangue.
21. O que é centro gástrico?
Relacionado com o plexo solar, responsável pelo funcionamento do aparelho digestivo, pela assimilação de elementos nutritivos e reposição energética no organismo.
22. O que é centro genésico?
Relacionado aos plexos hipogástrico e sacral. Responsável pelo funcionamento dos órgãos de reprodução, bem como das emoções sexuais e energias criativas.
23. Os centros vitais funcionam em conjunto?
Sim. Da mesma forma que os órgãos do corpo físico funcionam em conjunto.
24. Para quê estudar os centros vitais?
No passe misto, o pensamento do passista desempenha papel importante, qual seja o de imprimir as características que deseja aos fluidos que doa, em trabalho conjunto com a Espiritualidade. Pelo conhecimento do funcionamento dos centros vitais, o passista pode direcionar de forma mais adequada seus pensamentos, para que os fluidos atuem mais propriamente em um ou outro centro de força do paciente, com base nas intuições que recebe. (Veja questão 47)
25. Temos várias auras?
Sim. Costuma- se encontrar na literatura espírita dois tipos distintos de aura, residentes no perispírito e no duplo etérico, respectivamente. A aura do duplo etérico, também conhecida como “aura da saúde”, pode ser visualizada pela fotografia Kirlian, ou kirliangrafia, ao passo que a aura do perispírito, em situações normais, pode ser visualizada pela faculdade de clarividência. (Veja questão 15)
26. Temos vários corpos?
Sim. Os corpos mais amplamente tratados na literatura espírita são o físico, o duplo etérico, e o perispírito. Os dois primeiros são ditos corpos materiais, pois são reciclados a cada reencarnação, ao passo que o perispírito, também dito corpo espiritual, é classificado como semi- material, apresentando- se como corpo de transição entre o físico e o Espírito, que, por não ter forma, não o consideramos como um corpo propriamente dito. Além disso, encontramos raramente referências a outros corpos, que necessitam de mais amplo estudo e entendimento, dentre os quais destaca- se o corpo mental. No entanto, para se abordar a problemática do passe, cremos ser suficiente o conjunto de corpos físico, duplo e espiritual, além – é – do Espírito. (Veja questão 123)

O PASSISTA E O PASSE

27. A higiene pessoal influencia no passe?
Sim. Podemos destacar duas razões básicas: (1) os desequilíbrios a que submetemos o corpo físico são refletidos nos outros corpos do indivíduo, contribuindo para a piora dos fluidos que formam tais corpos. Sendo esses fluidos doados no momento do passe, é natural esperarmos que tal parcela deletéria seja também transferida ao paciente. (2) Tanto o passista quanto o paciente necessitam de concentração mental para que se alcance maior eficácia no passe. A falta de higiene provoca muitas vezes odores fétidos que desarticulam a capacidade de concentração, afetando inclusive quem esteja localizado no mesmo ambiente físico, prejudicando a todos.
28. O vestuário do passista influencia na tarefa?
Sim. A grande maioria das pessoas encarnadas ainda enfrenta problemas relacionados à área sexual. Nesse sentido, muitas vezes o uso de roupas mais curtas e justas funciona como catalisador de pensamentos abusivos que destoam completamente da serenidade requerida na câmara do passe. Tendo em vista esse problema comum, não só o passista ou o paciente, mas qualquer um de nós deverá observar com cautela o vestuário a ser utilizado no dia a dia, lembrando sempre que “o equilíbrio está no meio”. (Veja questões 94 e 99)
29. Para ser passista preciso ser vegetariano?
Não. Conforme a questão 723 de O dos Espíritos, “permitido é ao homem alimentar- se de tudo o que lhe não prejudique a saúde”. (Veja questão 32)
29. O passista precisa fazer tratamento de desobsessão antes de ingressar na tarefa?
Não. Freqüentemente a falta de trabalho em benefício do semelhante é o ponto de apoio de variada gama de processos obsessivos. Em relação ao passista, apenas os casos de subjugação (Livro dos Médiuns, item 240, cap. 23) deverão merecer tratamento antecipado.
30. Estou fazendo uso de remédios. Posso ser passista?
Depende. Há medicamentos que podem ser ditos “simples”, tais como remédios para dor de cabeça, cólica, azia, resfriado e coisas afins. Sabemos ser provável que parcela sutilizada do remédio venha a se agrupar aos fluidos do passista, vindo parte desta ser posteriormente transferida para o paciente. Há casos raros na literatura espírita relacionada aos passes que acusem esses fatos. No entanto,
mesmo que a transferência ocorra, cremos que para os remédios ditos “simples” a parcela transferida chega a ser desprezível. O único problema aqui encontrado é a classificação exata de um remédio como sendo “simples” ou não. Na dúvida, talvez o melhor seja abster- se de participar da tarefa pelo período de uso do remédio. No rol dos medicamentos impeditivos da participação na tarefa, caso o passista os use, estão enquadrados todos aqueles que afetem o Sistema Nervoso Central. (Veja questão 31)
31. E se o passista estiver doente?
Em geral um organismo adoentado apresenta maior dispêndio de energia para sua manutenção e/ ou maior dificuldade em absorção desta. Excetuando- se os casos em que as observações acima não se verifiquem, tal como ocorre em algumas doenças que acompanham o indivíduo durante toda a vida, o passista deverá se afastar da tarefa até o restabelecimento adequado. (Veja questão 30)
32. A ingestão de carne influencia na tarefa do passe?
Sim. Embora o passista não deva ser obrigatoriamente vegetariano, encarando o passe como recurso terapêutico físico e espiritual, geralmente utilizado quando apresentamos indisposições de variada ordem, é útil abstermo-nos de alimentos mais pesados, tal qual fazemos quando em tratamentos médicos convencionais. A alimentação do passista afeta os fluidos que este doará no momento do passe. Conforme aprendemos na questão 724 de O Livro dos Espíritos, a abstinência de carne será meritória se a praticarmos em benefício dos outros. Tendo em mente o benefício do próximo, compre-nos preferir a alimentação vegetariana pelo menos no dia exato da tarefa. (Veja questão 33)
33. Posso dar passe de estômago cheio?
Via de regra, quanto menor a atividade orgânica, melhor possibilidade de contato com o plano espiritual encontrará o Espírito. Tanto quanto possível, apresentar-se-ão à tarefa, passista e paciente, apenas levemente alimentados.
34. Estou cheio de preocupações. Posso dar o passe assim mesmo?
Se o passista já aprendeu que amparar o semelhante é a melhor forma de auxiliar a si mesmo, compreenderá que principalmente nesses casos sua presença se faz mais útil.
35. Sou fumante. Posso ser passista?
O ideal é que ninguém seja fumante. No entanto, o bom não poderá ser inimigo do ótimo. Pessoas que ainda se utilizem do cigarro, mas estejam se esforçando continuamente para abolir o vício, encontrarão na aquisição de responsabilidade como passistas maior motivação para absterem- se do fumo, desde que – enquanto ainda fumem – procurem não fazer uso do cigarro pelo menos 3 a 4 horas antes da tarefa. Aos companheiros que não estão interessados no combate às próprias deficiências, preferível é que se esforcem primeiramente por convencer a si mesmos do imperativo da mudança de hábito.
36. Faço uso de bebidas alcoólicas. Posso ser passista?
Relativamente às bebidas alcoólicas, deverá o passista esforçar- se por discernir adequadamente entre o uso e o abuso. Em caso de abuso, recomenda- se que o passista não participe da tarefa do passe nos próximos 4 ou 5 dias, de forma a alijar o máximo possível os fluidos deletérios contraídos pelo excesso praticado. Em situações normais, recomenda- se que particularmente no dia da tarefa o passista não faça uso de qualquer tipo de bebida alcoólica.
37. Faço uso de tóxicos. Posso ser passista?
Não. O usuário de tóxicos não deverá participar de tarefas de doação de fluidos.
38. Qual o número máximo de passes que posso dar em cada tarefa?
Esta questão tem causado muita polêmica. À guisa de sugestão, vamos analisar as duas colocações a seguir: (1) o passe misto, também chamado de passe espírita, praticado na maioria das casas espíritas, leva em conta a doação de energia tanto por parte do Espírito responsável pelo passe, como do passista. Assim, o desgaste energético por parte do passista não pode ser desprezado. (2) É sempre importante criarmos oportunidades de trabalho para os interessados, dentro da casa espírita. Assim, se há número de passistas maior que o recomendado para a tarefa, é interessante que haja um rodízio destes, para que todos trabalhem. Com base nessas duas considerações, cremos ser de responsabilidade do coordenador da tarefa dimensionar o número de passes por passista, de forma que todos participem igualmente, evitando a sobrecarga. Em casos excepcionais que requeiram a participação intensa do passista em uma ou outra oportunidade, devemos recordar a assertiva de Emmanuel: “a necessidade está acima da razão”, sem contudo utilizarmo-nos dessa frase para justificar qualquer tipo de abuso de nossa parte, mesmo em se tratando de auxílio ao semelhante. O passe misto, necessariamente, envolve gasto de energia por parte do passista. E gasto, obviamente, requer reposição. (Veja questões 39 e 41)
39. Quantas vezes por semana posso participar da tarefa do passe?
Recomenda- se que o passista intercale um dia de atividade na tarefa de doação de fluidos com um dia de descanso para a reposição natural de fluidos. Nesse particular, as reuniões mediúnicas são também considerados eventos de doação fluídica.
40. Sou médium ostensivo e participo de reuniões mediúnicas. Posso dar passes?
Sim, desde que observados os períodos de descanso para reposições fluídicas. No entanto, como a tarefa do passe não exige qualquer tipo de mediunidade ostensiva, é sempre um gesto de amor dar preferência a tarefeiros que não apresentem os requisitos para o mediunato. (Veja questão 48)
41. Minha vida é muito corrida e agitada. Posso ser passista?
Há muitas pessoas que, mesmo com propósitos nobres, abarcam mais responsabilidades do que podem dar conta. A tarefa do passe, como outras, exige presença assídua de seus colaboradores, assim como dedicação – sempre que possível – aos estudos para melhoramento individual do passista. Normalmente é preferível não contar com um passista, do que contar com ele apenas raramente. A disciplina é a alavanca do progresso. (Veja questão 38)
42. Para ser passista, qual é o sexo mais adequado?
Para a tarefa do passe, não há diferenciação entre os sexos.
43. A vida sexual do passista influencia em seu desempenho na tarefa?
Sim, principalmente a vida sexual a nível mental, pois o pensamento atrai energias positivas ou não, conforme o que se pensa. Assim, o que gravita em nosso redor invariavelmente se combina com nossos fluidos com base na lei de afinidade. Esses mesmos fluidos são transferidos posteriormente ao paciente. A grosso modo, recomenda- se que principalmente no dia da tarefa o passista procure manter sua “casa mental” adequadamente limpa e organizada. (Veja questão 46)
44. Qual é a conduta ideal do passista?
À medida que o passista avança na compreensão da importância da tarefa do passe, ele percebe que o seu bem- estar físico e espiritual não mais representa benefício para si próprio, mas também para todos os companheiros que se utilizam desse recurso terapêutico na casa espírita. Naturalmente, a conduta ideal de qualquer um de nós está descrita no Evangelho de Jesus, cuja interpretação cristalina encontramos atualmente na Doutrina Espírita. (Veja questões 45 e 100)
45. Quero ser passista. Preciso ser “santo”?
Não. O passe é tarefa de amor, recurso terapêutico para as almas. Assim como o lavrador é o primeiro a recolher os benefícios da colheita, o passista pode ser encarado como o indivíduo que mais recebe na tarefa. (Veja questão 44)
46. O passista precisa se preparar ao longo do dia para dar o passe?
Podemos comparar o passista a um cirurgião. O cirurgião, antes do trabalho, deverá apresentar- se o mais higienizado possível para o desempenho adequado de sua tarefa sem a infecção do paciente. O passista deverá higienizar sua “casa mental” para evitar a contaminação de seus próprios fluidos que serão transferidos ao paciente. Tal higienização só poderá ocorrer com o esforço de se evitar pensamentos incorretos de qualquer tipo, a leitura de publicações inadequadas, a conversa de temas inferiores, e absorção de qualquer tipo de idéia nociva aos princípios cristãos. (Veja questão 43)
47. O passista deve estudar sempre?
Sempre que possível, o passista deverá melhorar sua compreensão dos mecanismos do passe pelo estudo e observação. No entanto, o bom desempenho na tarefa do passe não se vincula exclusivamente ao aspecto intelectual, mas principalmente ao amor com que se participa da tarefa. (Veja questões 24 e 126)
48. O passista é médium?
Nas casas espíritas geralmente pratica- se o passe misto. Nesse tipo de passe, o passista atua como mediador entre o Espírito responsável pelo passe e o paciente. Dessa forma, o passista pode ser considerado médium, ou melhor, médium passista. (Veja questão 40)
49. O passista absorve os fluidos negativos dos pacientes?
Na tarefa de passe realizada dentro da casa espírita, com a observância dos critérios de segurança e disciplina conhecidos, a coordenação da tarefa ocorre a nível espiritual, embora se tenha sempre um coordenador encarnado. Assim, é lícito pensar- se que a Espiritualidade procura sempre resguardar os tarefeiros durante o trabalho. (Veja questão 116)
50. Posso dar passe fora do centro espírita?
Há casas espíritas que possuem equipes de passistas que vão à casa do paciente ou a hospitais. Essas equipes sempre trabalham sob condições de disciplina e ordem para se garantir a segurança adequada ao desempenho da tarefa. O passista, sozinho, nunca deverá assumir responsabilidades por qualquer tipo de trabalho fora do âmbito da casa que freqüenta, embora, a título de beneficência, em visita a companheiro adoentado, poderá orar por ele – o que na verdade é também um passe -, chegando mesmo a aplicar- lhe um passe (com as gesticulações tradicionais), somente nos casos em que o próprio doente manifeste o interesse pela aplicação. Mesmo nesses casos, deverá o passista agir com extrema cautela afim de se evitar inconvenientes tais como manifestações mediúnicas de qualquer parte. Atendimentos a companheiros vinculados a processos obsessivos que envolvam manifestação mediúnica e que se encontrem impossibilitados de se dirigir à casa espírita nunca deverão ser realizados pessoalmente por qualquer indivíduo, mas apenas por equipe especializada da própria casa espírita. (Veja questão 89)

O PACIENTE E O PASSE

51. Estou cheio de preocupações. Posso tomar o passe mesmo assim?
O passe é terapia que atinge tanto o físico como o espiritual. Embora o passe não vá resolver seus problemas, ele pode atuar como elemento motivador para a solução. No momento do passe, o paciente está mais apto a receber impressões e intuições de seus benfeitores espirituais. O passe definitivamente não é aconselhado para os casos em que a pessoa não apresenta qualquer tipo de problema. Tomar passe simplesmente por tomar, como se fosse uma mania, é erro comum no qual incorre boa parte das pessoas.
52. O paciente que está em tratamento de desobsessão pode tomar passe?
Sim, e muitas vezes até mesmo a Espiritualidade recomenda que tal pessoa receba passes durante um determinado período, embora não haja qualquer regra. Há processos obsessivos em que o obsediado apresenta tamanho grau de afinidade com o obsessor (ou obsessores) que chega, algumas vezes, a perder momentaneamente o controle de si mesmo. Pacientes que possam ser enquadrados em tais casos, ditos de “subjugação”, devem necessariamente informar com discrição ao coordenador da tarefa, para que o passe seja aplicado com restrições, de forma a se evitar o máximo possível a manifestação mediúnica dentro da câmara de passes, ou mesmo seja aplicado em equipe, quando o coordenador julgar conveniente.
53. O paciente que está fazendo uso de remédios pode tomar passe?
Sim. Pelo que temos observado e aprendido, a fluidoterapia é um excelente coadjuvante para quaisquer tipos de tratamento pelos quais o paciente possa estar passando.
54. O paciente que está doente pode tomar passe?
Sim. Aliás, o objetivo principal do passe é o auxílio às pessoas necessitadas. (Veja questões 51, 52 e 65)
55. O paciente pode comer carne no dia do passe?
Muitas vezes durante tratamentos de saúde convencionais o médico recomenda- nos utilizar alimentação mais leve, afim de não aumentar a carga de trabalho do organismo. Com o passe ocorre o mesmo. O problema de ingestão de carne no dia da tarefa do passe não tem qualquer aspecto místico ou esotérico. O paciente necessita entender que a tarefa do passe é também um tratamento, para o qual deverá preparar seu organismo (físico e espiritual) convenientemente para a recepção dos fluidos benéficos que há de receber. Assim, recomenda- se que nesse dia, o paciente se esforce para não ingerir quantidades excessivas de carne, e caso não consiga abster- se totalmente da alimentação carnívora, pelo menos faça uso de alimentação mais “leve”, tal como carne de frango ou peixe. (Veja questão 63)
56. O paciente pode se alimentar antes de receber o passe?
Sim. Porém o excesso de alimentação traz uma série de inconvenientes que devem ser evitados para maior integração do paciente à tarefa, tais como a sonolência, a falta de ar, gases intestinais, dentre outros. Um erro muito comum reside no fato de as pessoas acreditarem que a eficácia do passe depende apenas do passista. Naturalmente, em um tratamento médico, se o paciente não seguir com disciplina as prescrições do profissional de saúde, por melhor que este seja, o tratamento não terá sucesso. Com o passe ocorre o mesmo. (Veja questão 63)
57. O paciente pode fumar no dia de receber o passe?
Seja qual for a situação, a melhor opção é não fumar. No entanto, até mesmo o desequilíbrio pelo qual esteja passando determinado paciente faz com que este apele para o cigarro. De forma geral, recomenda- se que o paciente evite fumar o maior intervalo de tempo possível, tanto antes quanto depois do passe. (Veja questão 67)
58. O paciente pode usar bebidas alcoólicas no dia de receber o passe?
Da mesma forma que o fumo, recomenda- se que o paciente abstenha- se de usar o álcool o maior intervalo de tempo possível, tanto antes quanto depois do passe. É um erro acreditar- se que após a tarefa o paciente poderá fazer “qualquer coisa”. Seria o mesmo que começar a ingerir bebidas alcoólicas após a ingestão de um antibiótico. Qualquer tipo de medicamento, após ingerido, tem o seu tempo de ação no organismo. Com os fluidos recebidos durante o passe ocorre o mesmo. (Veja questão 67)
59. E se o paciente usar tóxicos?
O paciente usuário de tóxicos, fora do estado de desequilíbrio mental causado pelo uso, poderá também se servir da terapêutica de passes, se possível, acompanhado de orientação moral e evangélica adequada. (Veja questão 67)
60. Gestante por tomar passe?
Sim. Não há qualquer tipo de impedimento neste caso. Conforme relatos espirituais, nestes casos mesmo a criança que vai renascer recebe os benefícios fluídicos. Apenas, como em todos os casos, deve- se avaliar a necessidade do passe, que não deve ser ministrado simplesmente pelo fato de uma pessoa estar grávida.
61. Criança pode tomar passe?
Naturalmente, como qualquer outra pessoa. Pelo que temos observado, muitas vezes a criança entra na câmara de passes amedrontada. Há passistas que durante a tarefa, por questão pessoal, franzem a testa ou apresentam fisionomia fechada, extremamente séria, como se isso representasse algo de útil. Geralmente conseguem apenas amedrontar mais ainda os pequeninos, fazendo com que estes bloqueiem sua capacidade de recepção. O bom passista deverá se esforçar, principalmente no caso das crianças, em expressar uma fisionomia mais “risonha”, ou que pelo menos não cause estranheza, afim de se conseguir maior abertura psíquica do paciente e por conseguinte melhor desempenho.
62. Qual o número máximo de passes que o paciente deverá tomar?
Não há regra. Em geral, deve- se analisar a orientação do receituário mediúnico, caso exista, e com base na interpretação segura, seguir ou não suas diretrizes. O que não deve ocorrer é o paciente submeter- se à fluidoterapia apenas porque “não tinha nada pra fazer antes de começar a reunião”. Mesmo que a câmara de passes esteja vazia, tomar o passe simplesmente por tomar é falta de caridade para com a equipe de passistas, pois estes estarão doando de si o que o paciente absolutamente não precisa. (Veja questões 9, 64 e 103)
63. O paciente precisa se preparar para tomar o passe?
Sim. Na verdade, conforme os ensinamentos do Cristo, devemos estar continuamente nos preparando, “vigiando” para que nossas deficiências estejam cada vez menos ativas, e “orando” para que possamos captar a influenciação benéfica do Alto, orientando nossa vida para o bem. Embora tais diretivas sejam ideais, cumpre recordar que na maioria dos casos o paciente é companheiro que encontra- se em dificuldade, e por isso mesmo, merecedor principal de nosso respeito e consideração. (Veja questões 55 e 56)
64. O paciente pode tomar passe mais de uma vez por semana?
Exceto nos casos provenientes de receituário mediúnico que foi devidamente analisado, a maioria das pessoas não tem necessidade de tomar mais de um passe por semana. Abusar da bondade dos irmãos tarefeiros é falta de caridade e desrespeito à tarefa. (Veja questões 9 e 62)
65. Deve haver motivo para se tomar passe?
Sim. Muitas vezes o indivíduo chega à casa espírita e sente necessidade de tomar um passe, pelas vias da intuição. Tal fato pode ocorrer e é muito natural. O problema está em se tomar passes todas as vezes que se visite a casa espírita, deliberadamente. Para se tomar um passe, deve necessariamente haver uma causa que o justifique, da mesma forma que não se deve tomar remédios sem o conhecimento e o endosso de um médico. (Veja questão 54)
66. Se o paciente for médium ostensivo ele poderá tomar o passe?
Sim. Nos casos em que a mediunidade ainda não foi devidamente educada ou o processo educativo está em curso, o paciente deverá informar tal fato ao coordenador da tarefa, antes de receber o passe, para que este tome as precauções necessárias, caso julgue conveniente. Sendo os fluidos a base do fenômeno mediúnico, companheiros que tenham mediunidade ostensiva sem capacidade de contenção têm boas chances de experimentar uma manifestação no momento da tarefa. O passista, desde que consciente da situação, pode fazer o máximo para evitar o acontecimento. (Veja questão 137)
66. A fé do paciente na eficácia do passe é importante?
Sim. Simplificando, entendemos fé como estado de receptividade aos fluidos. Caso um paciente tenha muita fé na ação do passe, podemos dizer que ele está totalmente receptivo aos fluidos que receberá. Caso o paciente não tenha fé, certamente suas defesas psíquicas atuam contra a invasão de qualquer tipo de fluido em seu cosmo orgânico. Se pudéssemos fazer um paralelo, mesmo que irreal, apenas para ilustração, diríamos que “a falta de fé”, em relação aos medicamentos comuns, representa uma substância qualquer dentro do organismo do paciente que anula quase por completo o efeito do remédio. Deve- se ressaltar, mais uma vez, que tal exemplo é apenas uma comparação. (Veja questão 105)
67. Qual é a conduta ideal do paciente?
O paciente deverá considerar a fluidoterapia como recurso sagrado, não ignorando os benefícios espirituais que recebe a cada passe, devendo portanto se esforçar cada vez mais por apresentar conduta que o torne digno da continuidade do tratamento que recebe da Misericórdia Divina por intermédio dos colaboradores da casa espírita. O passe não cura, mas age como alívio e alimento da alma para que ela cure a si mesma. (Veja questões 57 a 59)

A CÂMARA DO PASSE

68.Deverá haver um local destinado exclusivamente ao passe na casa espírita?
Sim. Deverá haver local apropriado para a aplicação de passes na casa espírita. Esse espaço, se possível, deverá servir apenas a esse fim, evitando- se ao máximo o tráfego de pessoas ou o depósito de objetos não relacionados à tarefa. A maioria das casas espíritas não pode se servir de um local exclusivamente para tal fim. Neste caso, deve-se escolher o recinto que mais se aproxime das condições adequadas à câmara do passe. (Veja questões 69 a 74)
69.Qual é o tamanho ideal da câmara do passe?
Não há regra. Deve- se sim dimensionar o número de passistas trabalhando ao mesmo tempo em função do tamanho da câmara. Para tanto, recomenda- se observar a distância mínima de aproximadamente 50 centímetros entre cada assento ou posição
destinada ao paciente, afim de evitar- se colisões entre passistas e/ ou pacientes, assim como facilitar a ventilação do ambiente. (Veja questão 81)
70.Qual é a luminosidade ideal da câmara do passe?
Os fluidos doados durante o passe são afetados pela luz branca. Por esse motivo, recomenda- se que a câmara do passe não seja excessivamente clara, nem excessivamente escura. No primeiro caso, anular- se- ia boa parte dos fluidos doados pelo passista, e no segundo causar- se- ia mal estar no paciente, naturalmente receoso de adentrar em um local totalmente escuro. É comum encontrarmos nas casas espíritas câmaras fracamente iluminadas por lâmpadas de 10 a 20 W (watts) nas cores azul ou vermelha.
71.Deve haver ventilação na câmara do passe?
Sim. Deve- se evitar qualquer situação que provoque mal estar tanto no paciente quanto no passista. A falta de ventilação, em geral, é um dos maiores causadores de indisposição, de forma que se deve, sempre que possível, manter circulação de ar adequada na câmara do passe. Muitas câmaras apresentam janelas direcionadas para a rua, e que por esse motivo não deverão permanecer abertas. Nesse caso, recomenda-se seja utilizado aparelho de ventilação o mais silencioso possível, para que a concentração de passistas e pacientes não seja perturbada.
72.Podemos usar aparelhos elétricos na câmara do passe?
Depende da finalidade. Aparelhos que utilizem ou incensos não deverão ser utilizados, pelo simples fato de que não se deve admitir nas casas espíritas a introdução de quaisquer hábitos que não estejam amparados pela Codificação. Os aparelhos mais comuns que encontramos são o circulador de ar, que deve ser usado dentro da necessidade, e desde que seja silencioso e o aparelho de som para a reprodução mecânica, em baixo volume, de músicas suaves e que remetam pacientes e passistas a temas espiritualizantes. (veja questões 71, 73 e 85)
73.Podemos usar “perfumes” ou incensos na câmara do passe?
Não. O Espiritismo não endossa em seu corpo doutrinário quaisquer manifestações de caráter exterior ou místico.

A TAREFA DO PASSE

74. A tarefa do passe deve ter horário fixo?
Sim. Entre os encarnados, a tarefa do passe é apenas uma pequena parte da tarefa que ocorre a nível espiritual. Certamente os benfeitores espirituais têm também sua programação, que se vincula à nossa. Não raro, durante todo o dia, a Espiritualidade prepara o ambiente da casa espírita para o recebimento da vasta gama de espíritos sofredores que vêm receber o lenitivo do passe. Em todas as tarefas da casa espírita, a ordem e a disciplina presidem o progresso. (Veja questão 68)
75. A tarefa do passe precisa de um coordenador?
O Espiritismo não endossa qualquer tipo de hierarquia. Pelo contrário, sabe- se que de acordo com a Doutrina, o indivíduo que está investido da maior autoridade é necessariamente aquele que mais doa de si próprio. No entanto, a tarefa deve ter um coordenador, que represente para os passistas a fonte segura de orientação respaldada na experiência, e para os pacientes seja a fonte de referência segura para o esclarecimento. Conforme temos aprendido, o coordenador será o indivíduo que controla a entrada de pessoas na câmara de passes, e que toma as decisões cabíveis nas eventualidades que venham a ocorrer. Além disso, é também tarefa do coordenador esclarecer os pacientes quanto à importância do passe e à necessidade de empenho na reforma íntima de cada qual, como elemento único para a cura definitiva do Espírito.
76. O grupo de passistas deve orar em conjunto antes do início da tarefa?
Sim. A prece em conjunto antes do início da tarefa facilita a integração de todos no propósito único de servir ao próximo, além de elevar o passista a estado mental mais próprio à afinização com os Espíritos responsáveis pelo passe.
77. Os passistas devem fazer a prece final em conjunto?
Sim, no sentido de agradecer a oportunidade de participarem de mais uma tarefa em nome do Cristo.
78. Durante cada “rodada” de passes, alguém deverá fazer a prece em voz alta?
Não. Embora tal prática seja utilizada por várias casas espíritas, recomenda- se que cada passista faça suas preces individualmente e em silêncio, propiciando maior concentração e maior integração com o paciente ao qual está servindo. A prece em voz alta tende a atrapalhar pacientes e passistas que preferem fazer suas próprias preces, assim como muitas vezes faz com que paciente e passista pensem que não devem se concentrar mentalmente, pois alguém já está fazendo isso por eles.
79. O passista precisa tomar passe antes da tarefa?
Não há necessidade. A própria Espiritualidade, durante todo o dia, auxilia na preparação do passista para a tarefa. É particularmente importante que, ao acordar, o passista não deixe de fazer suas preces, procurando desde cedo a sintonia mental com os benfeitores espirituais, e participe da prece de início dos trabalhos, pela qual estabelece- se em definitivo a ligação Espírito- passista para a execução da tarefa, ligação esta que deve ser mantida, por parte do passista, através da prece contínua durante toda a tarefa.
80. A tarefa do passe pode se desenvolver paralelamente à exposição doutrinária?
De forma ideal, a tarefa do passe deve ser realizada antes do início ou após o término da exposição doutrinária, para se evitar a quebra do raciocínio nos espectadores, através da intervenção necessária para se tomar o passe. O mesmo acontece em relação aos passistas, que muitas vezes adentram a câmara do passe insatisfeitos por não poderem assistir à palestra da ocasião. Atualmente, observamos que na maioria das casas espíritas a administração do passe antes da exposição doutrinária é praticamente inviável, devido ao elevado número de pacientes, pois número considerável de pessoas acostumou- se – erroneamente – a enxergar a tarefa do passe como um serviço adicional que a casa espírita presta aos ouvintes da preleção da noite, e não como um serviço especializado, cujo uso deve ser baseado na necessidade. (Veja questões 81 e 82)
81. Qual é o número ideal de passistas trabalhando simultaneamente?
Esse número dependerá de três fatores: tamanho da câmara de passes, quantidade de trabalhadores disponíveis e número de pacientes a serem atendidos. (Veja questão 69)
82. Há necessidade de passista reserva?
Sim. É um fato comum eventualmente um dos passistas da equipe estar impossibilitado de comparecer à tarefa. Para se evitar que o trabalho seja desestruturado em função da ausência de um companheiro, recomenda- se que a equipe de passe tenha pelo menos um passista reserva. O passista reserva também estará disponível para substituir qualquer passista que apresente indisposição durante o tarefa ou para trabalhar juntamente com os outros caso no dia da tarefa o número de pacientes ultrapasse a quantidade costumeira, além, é claro, de proporcionar um rodízio dos tarefeiros, criando maiores facilidades para todos. (Veja questão 83)
83. Pode- se fazer rodízio de passistas?
Sim. Tal prática é recomendável pois possibilita que os tarefeiros possam se alternar na tarefa, usufruindo das exposições doutrinárias e outras atividades que, normalmente, não teriam condição de participar, facilitando o aspecto de integração dos componentes da casa espírita como um todo. Além disso, como cada qual tem suas peculiaridades fluídicas, o rodízio permite que haja maior variação fluídica a cada tarefa, propiciando atendimento mais amplo por parte da equipe espiritual. Onde todos trabalham mais, cada um, individualmente, trabalha menos.
84. O passista deve posicionar- se à frente ou atrás do paciente?
Não há regra. Mesmo à frente do paciente, o passista pode posicionar- se mentalmente atrás dele.
85. Pode- se usar música mecânica durante a tarefa do passe?
Sim. A música auxilia a criação de pensamentos nobres, desde que sejam reproduzidas faixas com temas espiritualizantes, e em baixo volume. (Veja questão 72)
86. Pode- se usar música ao vivo durante a tarefa do passe?
Sim. Deve- se, porém, evitar a formação de coros em momento indevido, restringindo a manifestação artística ao grupo ou à pessoa responsável. Além disso, as músicas devem naturalmente estar baseadas em mensagens positivas. (Veja questão 87)
87. Pode- se cantar durante a tarefa do passe?
Em geral, a cantoria durante a tarefa do passe mais atrapalha do que ajuda, pois cada um controla a intensidade de sua voz deliberadamente, e algumas pessoas chegam a cantar muito alto, vindo a atrapalhar a concentração de passistas e pacientes. (Veja questão 86)
88. Quando o passe deve ser em equipe?
Nos casos em que o coordenador da tarefa, pela sua experiência, julgar conveniente. Freqüentemente, tais passes são aplicados em companheiros que estejam vivenciando processos obsessivos ao nível da subjugação ou em casos que o paciente necessite de tipos de fluidos diferentes. Nesses casos, a aplicação do passe em equipe tanto fornece mais vasta gama de elementos para o trabalho da Espiritualidade, como proporciona a todos maior segurança, em virtude da possibilidade de haver manifestação mediúnica sem controle por parte do paciente. (Veja questão 9)
89. A tarefa do passe deve funcionar exclusivamente dentro da casa espírita?
Muitas casas espíritas mantêm equipes de passistas que atendem aos irmãos necessitados em suas residências ou em hospitais, quando estes encontram- se impedidos de locomoção por algum motivo. Neste caso, a tarefa é dirigida pela própria casa espírita como se fosse uma tarefa interna. O que não deve ocorrer é um passista, deliberadamente, assumir a responsabilidade de dar passes fora do controle e do âmbito da casa espírita a que esteja vinculado. A tarefa do passe é completamente vinculada às questões da mediunidade, e naturalmente, deve ser trabalhada com segurança, afim de se evitar os escolhos comumente encontrados nos casos de mediunismo mal direcionado. (Veja questão 50)

O PASSISTA DURANTE A TAREFA

90. Devo dar conselhos durante a aplicação do passe?
Não. A tarefa é de aplicação de passes, e não de sugestões e conselhos. Não que os conselhos e as sugestões embasadas na vivência do Evangelho sejam incorretas, mas no momento da tarefa do passe, tal prática não deve ser permitida, por melhor que seja a intenção. Em algumas casas espíritas observamos a tendência à conversação durante a aplicação do passe, estando o passista muitas vezes mediunizado. Embora tal prática seja adotada nas respeitáveis religiões africanistas, ela não encontra suporte na Doutrina dos Espíritos. O passe misto, praticado nas casas espíritas, exige concentração tanto do paciente como do passista, e intercâmbio de idéias apenas a nível mental, e não verbal.
91. Devo receitar durante a tarefa do passe?
Não. A tarefa do passe não é receituário mediúnico, mas apenas ministração, por via fluídica, de elementos terapêuticos extremamente sutis ao paciente, que atuam diretamente no perispírito, atuando à semelhança dos compostos homeopáticos, fazendo repercutir seus benefícios inclusive no corpo físico. Tal prática difere completamente do receituário mediúnico, que aliás que deve ser utilizado somente com o amplo entendimento das responsabilidades, tanto físicas quanto espirituais, que seu exercício acarreta. (Veja questão 9)
92. Posso prometer cura a alguém?
Não. Aprendemos com Jesus que a cura somente pertence ao próprio doente que, mercê de Deus, aproveita as oportunidades de progresso espiritual. A promessa de cura, sobretudo endereçada a pessoa realmente doente, excita demasiadamente o psiquismo desta, podendo levá-la a estados muito piores se a melhora não se verifica conforme o prometido. Assim, por mais segura seja a fé do passista em relação à eficácia do tratamento fluidoterápico, devemos relembrar o mestre lionês, quando diz que “fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face”. (Veja questão 117)
93. Posso dar passe mediunizado?
Não. Se todos os companheiros das casas espíritas trabalhassem apenas mediunizados, muito provavelmente os Espíritos não precisariam de nosso concurso inteligente. O estado de consciência plena do passista durante o passe indica que este também participa ativamente do processo de doação, através de seu raciocínio e seu sentimento, doando não somente os fluidos animais necessários ao transporte e à absorção dos elementos por parte do paciente, mas também sua ideação nobre que irá impressionar positivamente os fluidos a serem transmitidos. (Veja questões 40 e 138)
94. Posso dar o passe com qualquer roupa?
Não há regra. Entretanto, recomenda- se que o passista vista- se de forma confortável, para que não venha a sentir incômodo durante a tarefa, podendo atingir seu término com tranqüilidade. Deve- se evitar o uso de roupas espalhafatosas, o que poderá ocasionar pensamentos de estranheza em uns, assim como de crítica em outros, desviando os pensamentos do campo nobre de ilações que a tarefa exige. Essencial também não abusar de decotes, roupas muito justas, curtas e coisas afins que, naturalmente, possam gerar pensamentos libidinosos nas outras pessoas. De maneira geral, todos nós ainda temos vinculações no campo da sexualidade mal direcionada. E por fim, como grande parte dos companheiros movimenta os braços durante a aplicação do passe, conforme a técnica preferida, sugerimos que os passistas não façam uso de colares, pulseiras ou qualquer outro objeto que faça barulho durante a tarefa, para evitar- se desviar a atenção dos outros co- participantes. (Veja questão 28)
95. Posso tocar no paciente?
Não. O toque denota, essencialmente, intimidade. Por mais bela e pura que seja a relação entre passista e paciente, deve- se evitar o toque dentro do ambiente da casa espírita, como forma de respeito aos outros companheiros, em relação à unidade de trabalho que deve haver dentro da casa espírita. Quando participamos de qualquer tarefa dessa , não podemos agir da maneira que queremos, mas submeter- nos às orientações da casa. Nunca é pouco ressaltar que a ordem e a disciplina presidem o progresso. No que diz respeito ao toque em pessoa que não se conhece, a situação se complica ainda mais. É possível que o paciente se assuste, e com maior intensidade se este for do sexo feminino. Em qualquer trabalho, principalmente com o público, o cuidado deve ser redobrado. Imagine a seguinte situação: determinado companheiro vai ao centro espírita pela primeira vez; encontra- se amedrontado; indicam- lhe a câmara de passes; ele observa a escuridão, o silêncio, e estes lhe causam estranheza maior; na sua vez, senta- se de olhos arregalados, enxergando com deficiência; subitamente o passista à sua frente põe a mão em seus ombros; talvez este companheiro não volte àquela ou qualquer outra casa espírita, ou talvez saia correndo. Embora o caráter cômico da narrativa, observamos que tal fato já ocorreu mais de uma vez. Não é demérito algum para o Espiritismo reconhecermos que, em virtude da ignorância, muitas pessoas ainda se amedrontam quando passam em frente a uma casa espírita. (Veja questão 94)
96. Os olhos devem ficar abertos ou fechados?
Em geral, abertos. Particularmente os passistas que se servem de movimentos para a aplicação do passe não poderão agir de olhos fechados, sob pena de virem a colidir com outro passista também em movimento, ou até mesmo com o próprio paciente. Além, é claro, dos inconvenientes trazidos pelo toque indesejado. (Veja questão 136)
97. Senti tonturas durante a aplicação do passe. O que aconteceu?
Os fluidos são a base da manifestação mediúnica. Determinados companheiros que tenham ostensividade mediúnica podem tender para o estado sonambúlico em ambientes com grande reserva fluídica. A tontura, muitas vezes, indica o limiar entre os estados de vigília e sonambúlico. Sendo fenômeno natural, pode ser coibido pelo passista com a devida educação da mediunidade. Quando ocorrer, deve- se, sem alarde, informar ao coordenador da tarefa, para que, se possível, substitua- se o passista em questão, até o restabelecimento adequado, que geralmente ocorre em poucos minutos. Costuma- se recomendar que o passista tome um pouco de ar, procure relaxar e orar rogando aos benfeitores espirituais que o auxiliem. Tal fato não é, definitivamente, motivo para que qualquer companheiro se afaste da tarefa do passe. (Veja questão 140)
98. O que o passista deve pensar na hora do passe?
O passista deverá orar continuamente durante a tarefa. O pensamento bem direcionado é essencial para o desempenho da tarefa. Assim, quanto mais se estuda os mecanismos do passe, maior capacidade de orientação de sua força mental terá o passista. Embora não haja regra sobre “o que pensar”, observamos que muitos companheiros mais afinizados com o estudo imaginam correntes magnéticas luminosas entrando e saindo pelos centros vitais do paciente, outros projetam na tela mental a de Jesus, e ainda outros imaginam descargas enormes de fluidos saindo das pontas de seus dedos, dos olhos, ou de todo o corpo. Seja qual for a ideação, esta sempre deverá ser nobre, além de ser alimentada pela crença profunda do passista na eficácia da aplicação, embora, como já dissemos, o passista não tenha autoridade suficiente para garantir cura a qualquer pessoa. (Veja questões 3 e 136)
99. Devo dar passe descalço?
Não há regra. Porém, dentro da casa espírita, preferível é apresentar- se convencionalmente, ou seja, com vestuário adequado e sapatos confortáveis, que não causarão incômodos durante a tarefa. Dar passes descalços traz sérios inconvenientes, que variam da estranheza de se ver uma pessoa descalça dentro da câmara de passes, até o desconforto nasal que os companheiros possam vir a sentir. Além disso, o passista não é mais eficaz por estar descalço. (Veja questão 28)
100. Tenho problemas com o paciente que acabou de se sentar à minha frente. Devo dar o passe?
Sim. Devemos entender tal fato como oportunidade que Deus oferece ao passista de renovar suas concepções com base no perdão e na amizade. Nesse particular, devemos entender que um “inimigo” é sempre um amigo perdido, de forma que tal amizade é sempre passível de ser recuperada. (Veja questão 44)

O PACIENTE DURANTE A TAREFA

101. Devo usar roupa apropriada para o passe?
Não há regra. Há pessoas que se sentem bem usando roupas de cor lilás, amarela, branca, dentre outras, assim como há casas espíritas que sugerem ao paciente, que está submetido a tratamento fluidoterápico mais longo, a utilização de roupas brancas. No primeiro caso, o paciente deverá utilizar a cor que preferir, da mesma forma como escolhe uma roupa ao sair de casa, e no segundo, deverá acatar as sugestões da casa espírita, se concordar com elas. De forma geral, fatores tais como fé, merecimento e vontade de melhoria influenciam muito mais na eficácia do passe do que a simples cor de uma roupa.
102. Os olhos devem ficar abertos ou fechados?
Não há regra. Tudo deve ser feito para que o paciente se concentre melhor. Há pessoas que preferem, para se concentrar, permanecer com os olhos fechados. Há outras que gostam de mantê-los abertos. O mais importante, no momento do passe, é o relaxamento físico e psicológico do paciente, de forma que este esteja mais receptivo aos fluidos em transmissão. (Veja questões 107 e 108)
103. Qual o número máximo de passes que posso tomar?
Este número não existe. Conforme temos aprendido, particularmente com André Luiz, no capítulo 19 do livro “Missionários da Luz”, o melhor é submeter- se ao tratamento fluidoterápico acompanhado de um empenho constante no processo de reforma íntima. Além disso, o paciente deve procurar não tomar o passe “apenas por tomar”, da mesma forma que não toma antibióticos simplesmente porque “não tinha nada pra fazer”. O passe, assim como qualquer remédio, deve ser encarado como elemento terapêutico para o corpo e o espírito. (Veja questão 62)
104. Senti tonturas durante o passe. O que aconteceu?
A tontura pode ocorrer por vários motivos, dentre os quais a caracterização de mediunidade ostensiva por parte do paciente. Neste caso, tal fato indica que o paciente atingiu o limiar entre os estados de vigília e sonambúlico, e pode tender para qualquer tipo de manifestação mediúnica. Sendo fenômeno natural, pode ser coibido pelo paciente com a devida educação da mediunidade. Quando ocorrer, deve-se, sem alarde, informar ao passista, para que este, se possível, continue a aplicação do passe com o devido cuidado, ou mesmo paralise- o, até o restabelecimento adequado, que geralmente ocorre em poucos minutos. Deve- se tomar um pouco de ar, procurando relaxar e orar rogando o auxílio necessário junto aos benfeitores espirituais. Recomenda- se que o paciente procure o coordenador da tarefa posteriormente, relatando o acontecido, afim de orientar- se sobre uma possível mediunidade, e sua efetiva educação, lembrando sempre que mediunidade não é doença, mas sim disposição orgânica que faculta maior grau de sensibilidade para captação de influências psíquicas ou espirituais, dentre outras. (Veja questão 139)
105. Após o passe piorei. O que aconteceu?
Traçando um paralelo entre o passe e os medicamentos convencionais, observamos que muitas vezes tomamos remédios que causam inicialmente estados de piora repentina, para em seguida revigorar o aparelho orgânico do paciente. Sendo o passe também um remédio, é natural que este fato venha a ocorrer em alguns casos. Por outro lado, pessoas mais sensíveis, principalmente no tocante à questão da mediunidade, podem apresentar variações mais perceptíveis, como traço indicativo de necessidade de educação mediúnica. Quando tal fato ocorrer, procure orientação junto ao coordenador da tarefa. (Veja questão 66)
106. Preciso virar as palmas das mãos para cima para receber melhor o passe?
Não. Os fluidos do passe não são captados diretamente pelo corpo físico, mas por corpos mais sensíveis às energias que são doadas, razão pela qual não há necessidade de se virar as palmas das mãos para cima no momento da aplicação. O paciente poderá fazê-lo, naturalmente, se tal prática lhe trouxer qualquer tipo de conforto a nível mental. (Veja questão 123)
107. Devo fazer silêncio durante o passe?
Sim. A concentração desempenha papel importante para a eficácia do passe. Assim, o paciente não deverá produzir barulhos, nem tampouco questionar o passista durante a tarefa, mas sim concentrar-se o melhor possível, procurando fazer- se o mais receptivo possível aos fluidos benéficos que recebe. (Veja questão 102)
108. O que o paciente deve pensar na hora do passe?
Deve se esforçar por criar bons pensamentos, sedimentados pela prece constante. Para os irmãos que tenham maior dificuldade nesse particular, sugere- se imaginar quadros que traduzam beleza espiritual, passagens evangélicas da vida do Cristo, cantar mentalmente, mas apenas mentalmente, canções espiritualizantes, e até mesmo se servir das preces decoradas, procurando sempre pronunciá-las com o máximo de sentimento. Poderá também mentalizar o lar, o ambiente de trabalho, a família, os amigos e “inimigos”, dentre outros. (Veja questão 107)
109. Devo tomar o passe descalço?
Não há necessidade, além de ser inconveniente. Sendo o passe também um remédio, sua eficácia não está relacionada a este fato, assim como o uso de qualquer outro remédio não traz na bula a necessidade de o paciente estar calçado ou descalço.
110. Posso ficar com as pernas cruzadas?
Sim. O paciente deverá procurar se sentir o mais confortável possível para que se coloque de forma receptiva ao passe que irá receber. Se esse conforto estiver relacionado às pernas cruzadas, que cruze então as pernas. O simples fato de cruzar ou não as pernas não irá incluir na eficácia do passe.
111. Posso sempre escolher meu passista predileto?
Não. Em respeito aos irmãos que doam seu tempo e seu amor à tarefa, não devemos interferir com nosso personalismo exagerado e egoístico. Muitas vezes a energia que é canalizada para determinado paciente pode mesmo não vir do próprio passista que gesticula à sua frente, mas sim ter sua origem em outro passista que esteja na câmara, em outras pessoas que nem mesmo esteja na câmara do passe, ou até na vegetação que se encontra próxima ou distante. Também por este motivo, não encontrarmos fundamento seguro para a preferência desse ou daquele passista.
112. Não gosto do passista. Devo tomar o passe?
Sim. É provavelmente boa oportunidade para recomeçar o estreitamento dos laços que conduzam os dois à amizade novamente. Na certeza de que o acaso não existe, devemos analisar com carinho as situações pelas quais Deus nos permite superar a nós próprios no dia a dia. Além disso, cumpre sempre lembrar a assertiva do Mestre da Galiléia: “Perdoai os vossos inimigos”. (Veja questão 109)

O PASSE

113. Quais os tipos de passe?
Essa questão é problemática. Muitos autores preferem criar suas próprias nomenclaturas. De nossa parte, consideraremos apenas as mais usuais: passe magnético, onde somente o passista, nesse caso dito “magnetizador”, atua como a fonte dos fluidos a serem doados, não havendo portanto a influência espiritual; passe espiritual, cuja origem dos fluidos é primordialmente espiritual; e passe misto, também conhecido como passe espírita, onde atuam de forma colaborativa o passista e o Espírito, embora o passista não esteja propriamente mediunizado, podendo inclusive haver a adição de fluidos vegetais previamente manipulados pela Espiritualidade. Este último tem sido utilizado de forma mais ampla nas casas espíritas, e é o que recomendamos. (Veja questões 132 a 135)
114. O que é passe magnético?
É a doação de fluidos originada exclusivamente de um ou mais doadores encarnados, chamados de “magnetizadores”. Embora usado em algumas casas espíritas, e ter seus benefícios já confirmados pela experiência, não é tão difundido quanto o passe dito misto. Digno de nota é o fato de Allan Kardec ter sido aluno da escola de Mesmer, famoso estudioso do Magnetismo no século XIX, segundo consta em alguns registros históricos. (Veja questões 1 e 4)
115. O que é passe espiritual?
É o passe cuja origem é espiritual. Não há, neste caso, participação de criatura encarnada, embora os Espíritos possam naturalmente manipular fluidos animais para o fim almejado. O passe espiritual não é idêntico ao passe misto, em virtude da participação ativa do passista que este requer.
116. O que é passe misto?
O passe misto pode ser considerado como a soma do passe magnético e do passe espiritual, unindo as qualidades de ambos. Nesse caso, tanto há doação de energia espiritual por parte dos Espíritos encarnados e desencarnados, como manipulação de fluidos animais, vegetais e outros que desconhecemos, por parte da Espiritualidade que coordena o trabalho. É o passe mais praticado nas casas espíritas, por envolver a equipe de tarefeiros encarnados, subordinada à equipe espiritual. (Veja questão 49)
117. O passe cura?
Não. O passe atua como paliativo que alivia as dores físicas e/ ou morais sofridas pelo paciente, e lhe reanima espiritualmente para continuar a enfrentar os testes da vida de forma mais tranqüila. Naturalmente a eficácia do passe está vinculada ao esforço do paciente em superar- se. (Veja questão 92)
118. O passe é placebo?
Não. O Magnetismo é ciência já largamente comprovada, não se tratando pois de mera questão de crença. Podemos, modernamente, verificar com clareza a radiação emitida pelos seres vivos através de vários métodos, dentre os quais destaca- se como dos mais conhecidos a fotografia da aura energética, também chamada de kirliangrafia. Os efeitos magnéticos do passe são uma realidade que pode ser comprovada. Dessa forma, o passe não é placebo. (Veja questões 13 e 15)
119. Qual a finalidade de se aplicar passes em objetos?
Os objetos, assim como os corpos vivos, têm uma aura magnética que os reveste, sendo esta passível de ser magnetizada positiva ou negativamente. Quando alguém toca no objeto, é natural ocorrer a interação dos campos magnéticos, transmitindo- se assim parcela das características de tais campos de um para outro. O mais comum nas casas espíritas é a magnetização da água, dita “água fluida”, ao passo de magnetização de roupas e outros objetos é fato mais raro.
120. Deve-se dar passe antes das reuniões mediúnicas?
O passe na reunião mediúnica é mais utilizado durante ou após os trabalhos, embora encontremos casas que o ministrem antes do início. Durante a reunião os passes podem atuar de duas formas básicas: sustentação fluídica de uma manifestação ou dispersão de fluidos após alguma entidade ainda sofredora ter se servido do médium, causando- lhe fadiga. Após a reunião, costuma- se utilizar o passe tanto para dispersão de fluidos como para energização dos médiuns, em quem geralmente o desgaste é maior. O passe antes do início das reuniões mediúnicas pode ser aplicado no intuito de relaxar os companheiros para melhor receptividade mental na tarefa em questão.
121. Deve- se dar passe durante as reuniões mediúnicas?
Não há regra. Depende principalmente de como aplicar o passe. É comum depararmo-nos, em reuniões mediúnicas, com situações em que o médium se esforça por não permitir a manifestação de determinada entidade que se encontra descontrolada em excesso por algum motivo. Tais manifestações perturbam a reunião, além de fatigar o medianeiro. Ocorre que companheiros responsáveis pela tarefa do passe durante a reunião, algumas vezes, aplicam passes de energização nos médiuns, procurando auxiliar- lhes. Não raro, o passista – naturalmente bem intencionado – está cometendo o engano de prover os recursos de base para que o fenômeno venha a ser continuado. Pelo que temos observado e aprendido, a aproximação das mãos ou o direcionamento do pensamento (mesmo sem qualquer movimento do corpo) com o objetivo de se fornecer fluidos à região próxima à nuca sensibiliza bastante o médium, facilitando- lhe o processo de vinculação psíquica e conseguinte manifestação. Assim, sugere- se observar a diferença básica entre a aplicação dispersiva e a energizante, de forma a se trabalhar corretamente durante as reuniões mediúnicas. (Veja questões 122 e 135)
122. Deve- se dar passe após as reuniões mediúnicas?
Não há regra. Sugere- se que apenas os companheiros que se encontrem mais fatigados sejam atendidos, para que não se “vicie” o tarefeiro a receber sempre o passe, sem qualquer tipo de cogitação quanto à necessidade ou não de recebê-lo. (Veja questão 135)
123. Em qual corpo atua o passe?
Em todos. Entendemos que há duas parcelas energéticas no passe: a espiritual e a animal. A segunda, animal, serve de suporte à primeira, como se fosse um “carrinho de mão”. Os Espíritos encarnados, assim como os desencarnados excessivamente vinculados à matéria, ainda necessitam deste “veículo” de transporte (fluido animal) para captar os fluidos espirituais, que nesse caso ficam impregnados no fluido animal. Esse também é um dos motivos pelos quais as reuniões ditas de “desobsessão” necessitam do componente humano (encarnado). Os fluidos animais, semi- materiais, que transportam as energias espirituais canalizadas no passe encontram ressonância maior com o perispírito, razão pela qual este corpo capta em primeiro lugar as vibrações da fluidoterapia, vindo a distribuí-las posteriormente aos outros corpos. (Veja questão 106)
124. O passe afeta o corpo físico?
Sim. Sendo o perispírito, ou corpo espiritual, ligado ao corpo físico, naturalmente esse recebe as impressões captadas por aquele. Ocorre que, pelo fato de muitas pessoas não sentirem imediatamente os resultados do passe, como queriam, não se acredita em sua eficácia, contribuindo, de fato, para que tais energias sejam atenuadas, diminuindo sua ação. Em termos da Medicina convencional, podemos comparar um tratamento fluidoterápico a uma terapia homeopática, que em princípio passa mais tempo “despercebida”, atingindo, no entanto, as causas profundas do problema. (Veja questão 123)
125. Existe relação entre o passe e o africanismo?
Espiritismo não é africanismo, assim como as religiões africanistas, tais com a Umbanda, Candomblé e outras, não são Espiritismo. Não obstante, boa parte das religiões africanistas, senão todas, assim como o Espiritismo, tem trabalhos de fluidoterapia.
126. Há bibliografia recomendada para o estudo do passe?
Evitando enumerar em excesso, citemos apenas quatro: “O Passe – seu estudo, suas técnicas, sua prática”, de Jacob Melo, FEB; “O Passe Magnético – seus fundamentos e sua aplicação”, Salvador Gentile, IDE; “Missionários da Luz”, capítulo 19, André Luiz/ Francisco Cândido Xavier, FEB e “Conduta Espírita”, lição 28, André Luiz / Waldo Vieira, FEB. (Veja questão 47)

PASSE E TÉCNICA

127. Existem técnicas específicas para o passe?
Sim. O passe misto, do qual estamos tratando, se utiliza das técnicas (a nível de movimentos) do passe magnético. É comum classificarmos os passes conforme o objetivo e os movimentos que o passista produz quando de sua aplicação, embora os movimentos não sejam obrigatórios. Visando simplificar ao máximo, restringiremos a duas técnicas, que chamaremos de “dispersão” e “energização” ou “fortalecimento”. Em geral, todo passe realizado durante a tarefa é uma seqüência destes, dois: primeiramente o dispersivo, seguindo- se o energizante. (Veja questões 128 a 136)
128. Os movimentos são realmente necessários?
Não. Os movimentos apenas auxiliam o passista a direcionar seu pensamento corretamente durante o passe, assim como funcionam à guisa de sugestão mental para o paciente. Este segundo aspecto se deve ao fato de, culturalmente, o paciente sempre esperar que o passista irá movimentar os braços ou as mãos. Há pacientes que, em tomando passe com passista que não se movimenta, saem da câmara de passes insatisfeitos, chegando a pensar inclusive que não receberam o passe. (Veja questões 12, 134 e 135)
129. Qual é a duração ideal do passe?
Não há regra. Embora os passes realizados fora da casa espírita, em residências ou hospitais possam ser mais longos, nas tarefas costuma- se utilizar um tempo padrão próximo de um minuto, que naturalmente pode variar de paciente para paciente em função da intuição do passista. No entanto, o passista não deve se preocupar em “cronometrar” o passe, pois adquirirá facilmente, com dedicação à tarefa, a noção adequada do tempo necessário a cada caso.
130. Há cuidados especiais quando da aplicação de passes em médiuns ostensivos?
Sim. O passista deve procurar ser breve na “fase” de energização do passe, evitando ao máximo direcionar por muito tempo os fluidos, seja através de movimentos ou apenas com o pensamento, para a região da nuca do paciente, pois neste caso aumenta- se o risco de ocorrência de manifestação
mediúnica. Além disso, pelo uso dos olhos abertos, o passista poderá, ao longo do passe, verificar se o paciente tende ou não para o estado sonambúlico. (Veja questões 134 e 135)
131. Preciso contrair os músculos para dar o passe?
Não. A cota de fluidos doada pelo passista não tem relação com a força muscular que este faz. Muitos passistas consideram incorretamente, pelo fato de ficarem com os músculos doloridos após a tarefa, que sua participação foi mais ampla, assim como outros que, por produzirem suor em excesso, julgam ter sido eficazes na tarefa. Nenhum dos dois fenômenos fisiológicos citados se relaciona com a eficácia do passe. Assim, não se faz necessária a aplicação de força para se ministrar o passe.
132. O que é passe de dispersão?
O passe de dispersão é técnica destinada a retirar os fluidos deletérios que possam estar vinculados ao paciente, pela ocasião das ocorrências do dia a dia, ou de causas específicas, tais como processos obsessivos. É comumente ministrado aos médiuns, nas reuniões mediúnicas, após manifestação de entidade perturbada. A função básica dessa técnica é propiciar alívio ao paciente, assim como desobstrução de sua capacidade intelectiva, e de vinculação com os benfeitores espirituais.
133. O que é passe de energização?
O passe de energização é técnica que objetiva principalmente o fortalecimento energético do indivíduo. Com base nesse fortalecimento, o paciente pode reorganizar seus mecanismos de defesa contra investidas espirituais e encontrar motivação com base nas novas reservas de energia, dentre outros.
134. Como aplicar o passe de dispersão?
Conforme se observa nas figuras 1 e 2, o passe de dispersão é realizado pela movimentação dos braços de cima para baixo, e não de baixo para cima, ao longo do corpo do paciente. As palmas das mãos devem estar direcionadas para baixo, de forma a se pensar que algo está sendo retirado do paciente. Os passistas não necessitam, ao final do percurso dos braços, fazer qualquer tipo de movimento com as mãos com o objetivo de livrarem- se dos fluidos retirados do paciente, pois tais fluidos não ficam agregados no passista. Lembramos, mais uma vez, que os movimentos aqui descritos funcionam apenas como sugestão mental tanto para o passista, como para o paciente. (Veja questões 128 e 131)
135. Como aplicar o passe de energização?
Conforme se observa nas figura 3, o passe de energização é realizado pela imposição de mãos, que são movimentadas vagarosamente, desde a cabeça até às pernas do paciente, podendo ser repetido várias vezes tal movimento. É comum o passista, conforme sua intuição, fixar as mãos por algum tempo em determinada parte do corpo do paciente, com o objetivo de fornecer maior parcela de fluidos aos órgãos daquela área, como vemos na figura 4. Durante tais movimentos, o passista deverá imaginar a transferência de fluidos luminosos de si para o paciente, tendo a plena convicção de que tais fluidos estão repletos de boas energias. Ao final do passe, que geralmente começou pela técnica de dispersão, caso o passista deseje comunicar mentalmente votos de confiança, esperança e paz ao paciente, é comum o posicionamento das mãos acima da cabeça (centro coronário) e na direção dos olhos (centro frontal), como mostrado na figura 3. (Veja questões 16, 17, 128 e 131)
136. O pensamento influencia no passe?
Sim. Movimentando ou não as mãos, é o pensamento do passista, aliado ao do Espírito coordenador do passe, que direciona os fluidos às regiões mais necessitadas no organismo do paciente. Em função de seu livre- arbítrio, o passista pode aumentar ou diminuir o fluxo energético que direciona ao paciente, desde que acredite em sua capacidade de operar no bem. O paciente, pelo pensamento, pode se colocar no estado mais receptivo possível, recebendo o maior percentual fluídico, ao passo que, quando desconfia da eficiência do passe, ou se amedronta por qualquer motivo, forma como que uma camada de proteção em torno de si que impede a passagem de boa parte dos fluidos doados. Assim, concluímos que a responsabilidade pelo sucesso do passe é não apenas do passista e do Espírito que o assiste, mas também do paciente. (Veja questões 96 e 98)

O QUE FAZER QUANDO…

137. O que fazer quando o paciente fica mediunizado?
Deve- se procurar despertá-lo do transe, com tranqüilidade, batendo ou apenas pressionando levemente seu ombro, tomando o máximo cuidado para não chamá-lo de supetão, assustando- o. Nestes casos, preferível é que o passe seja interrompido, e que se indique ao paciente tomar um pouco de ar, ou água, no sentido de relaxar, conduzindo- o quando possível à presença do coordenador da tarefa ou companheiro que possa orientá-lo adequadamente aos programas de educação da
mediunidade desenvolvidos na casa espírita. Desnecessário dizer que deve- se evitar, dentro do possível, qualquer tipo de alarde dentro da câmara de passes. (Veja questões 66 e 130)
138. O que fazer quando o passista fica mediunizado?
Embora tal prática não seja recomendada, raramente encontramos passista que aplicam o passe mediunizados, sem que o paciente perceba tal fato. Dos casos de mediunização na câmara de passes, esse pode ser considerado o mais simples, ao passo que a manifestação mediúnica ostensiva de qualquer Espírito por intermédio do passista não é indicada na tarefa em questão. Assim, quando tal fato ocorrer, caso a segurança e a estabilidade do trabalho em curso se vejam ameaçados, deve- se procurar despertar com cuidado o passista do transe, orientando- lhe posteriormente a trabalhos de educação da mediunidade. (Veja questão 93)
139. O que fazer quando há indisposição orgânica no paciente?
Deve- se, com tranqüilidade, interromper o passe, acompanhando o paciente, com gentileza, até o exterior da câmara de passe, onde poderá receber auxílio do próprio coordenador da tarefa, de passista reserva, ou qualquer outro irmão disponível. (Veja questão 104)
140. O que fazer quando há indisposição orgânica no passista?
Deve- se substituí-lo, sempre que possível, por passista reserva. Posteriormente, é sempre útil investigar- se se a origem da indisposição reside na mediunidade, para correta orientação do passista. (Veja questão 97)

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.