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quarta-feira, 2 de março de 2011

Isso é o ENCANTO DE UMA GIRA!!!

Axé pessoal! Sexta feira é o dia da semana que muitos Terreiros abrem suas portas e suas giras para atender centenas e mais centenas de pessoas e milhares de espíritos desencarnados.
Como para algumas pessoas esse dia é “somente” um dia de Gira, gostaria de propor um pensar juntos sobre o que representa a “Abertura da Jurema”.
Afirmo e reafirmo que viveríamos muito mais felizes, alegres e plenos se aprendêssemos fazer de cada momento, um Momento Único, e sendo assim, penso que a Umbanda teria um Valor mais real, com seus médiuns muito mais vibrantes e fiéis se conseguíssemos enxergar Além, se conseguíssemos perceber a importância de cada um e de todos nós para essa religião que só consegue realizar e se manifestar através de nós, se conseguíssemos perceber a grandeza de cada rito, de cada ritual, de cada gira e de cada vez em que a “Jurema é aberta”.
Portanto, se pararmos para pensar um pouco no que acontece em um dia de gira perceberemos uma religião única, uma oportunidade única e um dia único, cheio de momentos únicos.
Perceberemos a importância de cada ação, de cada “pequeno” ato, de alguns “detalhes” que, com certeza, influenciam diretamente em nossa vida.
Perceberemos ainda que, infelizmente, muitas vezes nos deixamos influenciar pela inércia, pelo esquecimento e pior, por um cotidiano frio e calculista, perdendo assim todo o Encanto, todo o Valor e todo o Poder Realizador de uma gira, deixando que a ‘Abertura da Jurema’ se reduza em um simples ato de “Esperança de Fé”.
Vejam alguns pequenos “detalhes” de um dia único, de um dia que faz a diferença na vida de muitas pessoas e milhares de espíritos.
Para muitos dos consulentes esse dia é um dia de expectativa, muitos passam o dia olhando para o relógio e preocupados em não faltar ou atrasar. Se programam desde cedo, conversam com os familiares, combinam horários e pontos de encontros. Afinal, é DIA DE GIRA!!!
Muitos passam o dia pensando no que irão falar, pensando no que pedir e no alívio que terão depois dos poucos minutos de prosa.
Alguns ainda passam o dia torcendo e até ‘pedindo’ para falar com determinada Entidade, outros torcerão para que a gira seja com sua Linha preferida, mesmo porque, cada Linha tem uma energia específica, com formas de agir e de nos atingir diferentemente – os Caboclos, por exemplo, agem com uma encantadora racionalidade e sabedoria que nos levam a agir cheios de ‘certezas’ nas Forças Supremas; os Pretos Velhos, mais sensíveis, apaziguadores e tolerantes, quase sempre nos fazem chorar e refletir sobre nós mesmos; já do ‘povo da Bahia’, – que alegria! -, recebemos descontração, magia e gingado para lidar com os percalços da vida diária. Com os Exus então, encontramos, entre tantas coisas, a verdade dura, crua e, muitas vezes, dolorida… Isso é o Encanto de uma Gira!!! Necessidades, merecimentos, realizações, bênçãos, esperança e amor tudo junto,  manifestado em um ‘estalar’ de dedos, em um ‘bater cabeça’, em um ‘pensar’ puro e em um ‘sentir’ junto.
Os médiuns então terão um dia mais que especial, cuidarão de suas roupas, guias e objetos de uso em gira. Tudo deverá estar impecável, pois a responsabilidade é grande.
Para muitos, os preparos começarão no dia anterior, com defumação e banho de ervas, farão suas Firmezas pedindo toda proteção para o trabalho do qual irão participar e pedirão ainda, ajuda para que sejam bons instrumentos e manifestadores da Luz Divina.
Também cuidarão do horário com muito mais atenção para não se atrasarem, pois sabem que muitos dependem deles.
Procurarão ter um dia sem stress e sem grandes tumultos, atentos à alimentação e às atitudes de forma muito mais acentuada. Afinal, é DIA DE GIRA!!!
Alguns terão pequenas tonturas durante o dia, outros terão uma sonolência descontrolada, perceberão ‘presenças’ e sentirão vultos, além da aproximação das Entidades. Isso é o Encanto de uma Gira!!! É servir, agir, ser, estar, se preparar, se preocupar, se doar, sair mais feliz do que chegou, mais pleno, mais encantado e já com saudades.
Já a Mãe ou o Pai Espiritual terão um dia que exigirá muita concentração e disciplina. Terão que firmar todo terreiro, assentar e alimentar todas as Forças, olhar, cuidar e sentir todos seus médiuns. Perceber os ataques, a energia da corrente, a presença dos Guias para Trabalho, a influência dos Orixás, a permanência das legiões do Bem, do Mal e dos espíritos enfermos que são naturalmente direcionados para tratamentos durante os trabalhos. Cuidarão do antes, do durante e do depois dos trabalhos religiosos, terão que fazer tudo com muita excelência e competência.
Nesse dia especificamente, serão os primeiros a acordarem e os últimos a dormirem. Afinal, é DIA DE GIRA!!!
Claro que ainda terão que cuidar de suas firmezas pessoais, de sua família, do seu trabalho diário e ainda se preocuparão em arrecadar verbas para continuar mantendo as despesas do Terreiro em ordem. Isso é o Encanto de uma Gira!!! É fazer o bem sem olhar a quem, é saber discernir, é enxergar Além, é fazer a diferença, é fazer diferente, é cumprir a missão, a função e a obrigação agradecendo com o coração, com  a mente e com a alma cheia de verdade.
E para o Astral então, o trabalho é muito maior! São falanges e mais falanges de espíritos iluminados que literalmente “vêm” para nos ajudar.
São grupos de espíritos protegendo o Terreiro durante todo o dia e durante toda a noite, auxiliando a gira, fortalecendo a corrente mediúnica, segurando a porteira e sustentando a “Abertura da Jurema”. Outras falanges protegem e acompanham os médiuns da corrente durante todo o dia, pois é fato que nunca estamos sozinhos. Os consulentes também são cuidados, também têm o auxílio de espíritos iluminados, também são guardados, direcionados e livrados dos ataques de espíritos inferiores que muitas vezes não os querem dentro de um Terreiro. Portanto, todos são cuidados, assistidos e abençoados durante todo o dia. Afinal, é DIA DE GIRA!!!
E sabemos que em dia de gira, não entra em nossa gira quem não tem permissão da Lei Divina, ou seja, estar em gira, participar de uma gira, vivenciar uma engira é uma grande benção! Um grande privilégio!
E isso é o Encanto de uma Gira!!! É saber que os Guardiões da Lei Divina são rigorosos, que estão enxergando Além, que estão ouvindo nossos pensamentos muito mais do que nossas palavras, que se assentam em nossos Terreiros como se assentam em torno de Ogum e que manifestam o Poder Divino Realizador não apenas  no momento em que o Pai Espiritual clama aos Orixás a permissão para a Abertura da Jurema, mas em todos os momentos que clamamos por Paz, Amor e Compaixão.
Pois bem, são esses “pequenos detalhes” que fazem a Umbanda ser tão encantadora. Encanto esse, que nos faz sorrir, que nos faz querer mais, que nos alimenta e nos faz ressurgir para uma vida de realizações.
E será a percepção desses “Momentos Únicos” que transformarão nossa vida religiosa em uma vida mais feliz e plena.
E serão esses “Momentos Únicos” que nos transformarão em seres humanos melhores e que transformarão a “Esperança de Fé” em CRENÇA REAL.
É!… Enxergar ou vivenciar a Umbanda com todo seu Encanto não é fácil, precisa ter Olhar de Poeta, precisa ter Fé naquilo que está Além de nossos olhos. Precisa confiar, não se preocupar e não se incomodar. Precisa ter leveza, doçura e gentileza. Precisa querer, ser e estar em Paz e Pleno.
Salve Nossa Gira!
Salve Nossa Engira!
Salve a Abertura da Jurema!
Salve Nossa Umbanda!
Salve a Minha Umbanda!
É por Ela que vivo, trabalho e ajo, cada vez mais em Paz, Plena e Encantada

escrito por Mãe Mônica Caraccio

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

OS GUARDIÕES INCOMPREENDIDOS


O Texto abaixo faz parte do Jornal da Umbanda:
 Em sua 4ª Edição Virtual. 

OS GUARDIÕES INCOMPREENDIDOS
Por Douglas Fersan


Provavelmente uma das manifestações divinas mais difíceis de entender é a
dualidade. O pensamento ocidental, maniqueísta, calcado em valores devidamente
distorcidos de acordo com interesses políticos e econômicos ao longo da História,
estabeleceu um padrão de pensamento em que existem duas forças antagônicas: o bem e
o mal, sempre em constante batalha pelo domínio do mundo e da alma de seus
habitantes.

Assim, tudo que não segue a ética e a moral ocidental-cristã é imediatamente
associado à sua antítese: as forças maléficas regidas por seres do mal, chamados de
demônios.

Esse tipo de pensamento traz em si um paradoxo, já que o próprio livro sagrado do
cristianismo afirma que Deus é onipresente.
Estando em todas as partes, Deus estaria também nas regiões trevosas da
espiritualidade – regiões que muitos tomaram por costume chamar de inferno.
Então Deus estaria no inferno? Parece uma heresia total fazer tal afirmação, mas
sendo Ele um ser onipresente, deve (ou deveria) estar em todos os lugares.
A crença de um inferno de penas eternas e governado por um ser
excepcionalmente maldoso também faz parte do imaginário cristão e, dentro desse raciocínio
contraditório, não haveria lugar para Deus nessa região – mesmo sendo Ele onipresente.

Dentro da filosofia que norteia o pensamento umbandista, descartamos essa
idéia de inferno. Admitimos a existência de regiões espirituais trevosas, densas, onde se
encontra aqueles espíritos que não atingiram a elevação moral esperada, elevação essa que
pode ser conquistada um dia, não necessariamente através de expiações, mas
também do trabalho árduo na espiritualidade. No entanto, nessas regiões ainda reina
uma espécie de barbárie espiritual, já que os valores morais de seus habitantes não são os
mais elevados, necessitando assim de alguém que controle suas ações, não permitindo que
outras esferas (como a dos encarnados, por exemplo) sejam alvos dos ataques e obsessão
desses espíritos. É nesse contexto que começamos a entender o papel dos Exus, os
guardiões tão incompreendidos e injustiçados, que atuam como agentes da Lei e da Ordem
dentro desse princípio da dualidade divina.

Entender Exu é entender o próprio funcionamento da Lei Maior.
Antes de qualquer coisa é preciso saber a diferença entre o Orixá Exu e o Exu catiço, da Umbanda.
(Catiço aqui quer dizer apenas o que entendemos por "entidade" ou "guia")
A palavra Exu, que significa "Esfera", remete aos cultos africanos e ao Orixá de mesmo nome.
Como bem sabemos, por diversos fatores históricos, houve no Brasil um processo chamado
sincretismo, através do qual as divindades africanas foram associadas aos santos
católicos. Assim, Iansã, por exemplo, que é a divindade dos raios e das tempestades, foi
sincretizada com Santa Bárbara, já que essa santa também é associada aos raios e trovões.
Ogum, o Orixá guerreiro, foi sincretizado com São Jorge, o patrono militar dos católicos, e
assim por diante. No entanto, com o Orixá Exu houve, ainda dentro do sincretismo, um
processo de demonização. Sendo Exu a divindade ligada à fertilidade, à sexualidade e
à vitalidade – inclusive carregando, em suas representações, um cetro em forma de falo – e
tendo uma personalidade um tanto rebelde, como nos contam as itans (lendas africanas
dos Orixás), não tardou para que fosse associado ao demônio bíblico/católico.
Assim, desde o princípio,
Exu foi temido e provavelmente gostou disso,
levando-se em conta seu caráter irreverente.

Apesar da confusão em torno da natureza de Exu, não podemos esquecer e
nem desprezar sua importância dentro do panteão africano e de seu funcionamento, já
que ele atua como "mensageiro" ou "intermediário" entre os homens e os Orixás.
Nos cultos de Umbanda também encontramos Exu, porém não na figura de um
Orixá, e sim de um espírito (entidade), um desencarnado, que viveu em Terra e procura,
através do trabalho na espiritualidade, alcançar o progresso moral.
Ainda que associado a figuras demoníacas, o Exu da Umbanda é um
valoroso trabalhador que, indiferente a essas interpretações calcadas em visões
preconceituosas, segue perseverante no cumprimento de sua tarefa.
O papel do Exu numa gira de Umbanda é de fundamental importância, realizando a
segurança do terreiro. Imaginem quantos kiumbas (espíritos trevosos e zombeteiros)
atacariam uma tenda de Umbanda a fim de atrapalhar seus trabalhos, se não fosse a
presença dos Exus, trancando a sua passagem.

Em casos de descarregos, também são os Exus os principais agentes, pois cabe a eles
a tarefa de encaminhar cada espírito, seja um pobre sofredor desorientado, ou um perigoso
obsessor ao seu local de merecimento e/ou tratamento.

Exu também é o agente da justiça kármica, sendo sua tarefa levar a cada um o
que lhe é de direito ou merecimento – por isso também a confusão em torno de seu caráter, já
que ao coração humano é muito fácil aceitar o que é agradável, mas muito difícil entender
que os revezes da vida muitas vezes são resultado de nossas próprias ações.

Ao contrário daquilo que falam sobre eles, os
Exus são fiéis amigos, sempre dispostos a ajudar seus protegidos,
Mas também exigindo uma conduta reta deles, pois
são extremamente rigorosos.
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
http://br.groups.yahoo.com/group/boiadeirorei
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ZUMBI: GUERREIRO DA LUZ E LIBERTADOR DE ALMAS!






ZUMBI: GUERREIRO DA LUZ E LIBERTADOR DE ALMAS!
Mensagem do Irmão Zumbi dos Palmares, canalizada por elisangelis em 05.02.2011, às 19h54, em conferência com o Grupo Somos Luz em Ação.


Que a Paz do Senhor Jesus esteja com todos vocês!
Os irmãos da Terra buscam hoje redimensionar as diferenças que foram impostas por Deus e não compreendidas totalmente por nós.

Quando o Senhor da Vida e da Morte mandou para a Terra seres de cores, raças e aparências distintas, quis nos passar um ensinamento que se encontra, principalmente, na compreensão do por quê essa diferença traria algum aprendizado para nós, ou não foi para isso que viemos, não foi para aprender e crescermos?

Logo, quando estabelecemos diferenças acima das que foram ditadas pelo Senhor Deus, estamos contrariando sua vontade, pois o Mestre Jesus veio e subiu ao Golgóta para nos mostrar que SOMOS TODOS UM, e que somente a UNIDADE nos levaria às alturas, onde se encontram as Hierarquias Celestes!

Portanto, quando vocês verificam que há uma diferença entre você e o outro, estão no primeiro momento sendo testados...

Alguns devem estar se perguntando, como assim?

E eu, Negro Zumbi da Região dos Palmares vou lhes dizer:
Quando Deus fez-nos sua imagem e semelhança, ELE quis que refletissêmos sobre quem seria a imagem e semelhança DELE...

E se cada um de nós traz sua raça, sua etnia, sua origem, sua genética particular, isto é para nos mostrar a riqueza das possibilidades que o CRIADOR encontra a sua disposição para que possamos compreender o quanto ELE - o Criador, é multirracial, multiformas e múltiplo em suas características...

A Espécia Humana está classificada como àquela que veio à Terra para vivenciar a DUALIDADE, e a primeira delas é a da sua ESSÊNCIA x ESSÊNCIA DIVINA.

Até aqui tudo bem, o conflito surge quando você acredita que a sua essência é mais DIVINA do que a do outro IRMÃO...aí complica, pois passamos a realizar uma classificação interna que está muito longe da intenção DIVINA.

A Pluralidade das raças demonstra a riqueza de possibilidades que o CRIADOR dispõe para nos AMAR em nossa multiplicidade de aspectos, cores, raças, texturas e condições, ou aqui alguém ainda tem alguma dúvida sobre isso?

Hoje a Humanidade tenta reparar parte dos erros que cometeu no passado, tentando justificar sua ganância em reduzir o número de pessoas com quem dividiria a riqueza produzida por toda uma época, afinal, pensava-se:
QUANTO MENOS HOUVER PARA DIVIDIR, MAIOR SERÁ A FATIA.

Mas, com o tempo, viram que não se torna vantajoso para ninguém acumular riquezas materiais se o Espírito não se eleva com esse crescimento ilusório.

O crescimento material, justo e condizente com o intelecto que avança na busca de soluções para os desafios do desenvolvimento da humanidade, é na realidade, a busca
por si, pelo Sagrado que habita cada um de vocês. Pois, ao final, o que levamos da existência, senão as lições que a vida proporciona?

No entanto, gostaria de lhes chamar a atenção nesse sentido, a existência de inúmeras raças humanas não possui o propósito de colocá-los diante de desafios a serem disputados pela força bruta, não é isto, mas sim compreender que cada um de vocês traz consigo uma riqueza de informações genéticas e de seus arquivos akashicos que devem necessariamente entrelaçar-se para um crescimento mútuo.

O crescimento mútuo é o papel da DIVERSIDADE, e não a competição que surge da comparação negativa que vocês costumavam fazer, não há raças melhores, não há raças mais importantes, não há raças mais sábias, pois na Terra, o que acontece é uma oportunidade única de se vivenciar a DIFERENÇA na igualdade que a experiência da carne proporciona a todos que estão encarnados na Terra.

Abolir os preconceitos e derrubar os paradigmas que trouxeram tantas misérias, guerras, conflitos e tanta confusão no passado, e ainda, no presente, deve ser a BANDEIRA de todo àquele que se dispõe a trabalhar verdadeiramente para a Luz!

Agradeço à Deus pela oportunidade de vir aqui, em nome de Jesus, trazer-lhes algumas idéias do que ainda permeia a causa de tanto sofrimento na Terra, até quando alimentarão as DIFERENÇAS, não basta que o filho diga que SOMOS TODOS FILHOS DO MESMO PAI?

Até quando ferirão os preceitos DIVINOS que pedem para que amem uns aos outros, amando a Deus?


Eu sou Zumbi, da Região de Palmares, hoje Guerreiro da Luz e da libertação das almas presas aos atavismos do sectarismo racial.

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
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Controlando o Ego

 
1 - Deixe de ficar ofendido

O comportamento dos outros não é motivo para ficar retido. Aquilo
que o ofende somente o enfraquece. Se estiver procurando ocasiões
para ficar ofendido, você as encontrará a cada oportunidade. Este
é o seu ego operando, convencendo-o de que o mundo não deveria ser
assim. Mas você pode se tornar um apreciador da vida e se equiparar
ao Espírito universal da Criação. Você não pode alcançar
o poder da intenção ao ficar ofendido. De qualquer modo, aja para
erradicar os horrores do mundo que emanam da identificação massiva do
ego, mas fique em paz. Como "Um Curso em Milagres" nos lembra: "A Paz
é de Deus, você que é parte de Deus, não está no lar,
exceto em sua paz. O Ser é de Deus, você que é parte de Deus
não está no lar, exceto em sua paz". Ficar ofendido cria a mesma
energia destrutiva que o ofendeu em primeiro lugar e leva ao ataque, ao
contra-ataque e à guerra.

2 - Libere a sua necessidade de vencer

O ego adora nos dividir em vencedores e perdedores. A busca da
vitória é um meio infalível de evitar o contato consciente com
a intenção. Por quê? Porque em última instância, a
vitória é impossível o tempo todo. Alguém lá fora será
mais rápido, mais afortunado, mais jovem, mais forte e mais
inteligente, e novamente você se sentirá inútil e
insignificante.

Você não é o seu prêmio ou a sua vitória. Você pode
curtir a competição, e se divertir em um mundo onde a vitória é
tudo, mas você não tem que estar lá em seus pensamentos. Não
há perdedores em um mundo onde todos compartilham a mesma fonte de
energia. Tudo o que você pode dizer em um determinado dia é que
você realizou em um determinado nível, em comparação aos
níveis de outros neste dia. Mas hoje é outro dia, com outros
competidores e novas circunstâncias a considerar. Você está
ainda na presença infinita em um corpo que está em outro dia, ou
em outra década, mais velho. Deixe ir a necessidade de vencer, sem
concordar que o oposto de vencer é perder. Este é o medo do ego.
Se o seu corpo não está atuando de modo a vencer neste dia, ele
simplesmente não se importa quando você não está se
identificando exclusivamente com o seu ego. Seja o observador, notando e
apreciando tudo isto sem precisar ganhar um troféu. Esteja em paz, e
corresponda com a energia da intenção. E, ironicamente, embora
você quase não o perceba, mais vitórias se apresentarão em
sua vida quando menos as perseguir.

3 - Deixe ir a sua necessidade de estar certo

O ego é a fonte de muitos conflitos e desavenças, porque ele o
empurra na direção de tornar outras pessoas erradas. Quando você
é hostil, está desconectado do poder da intenção. O Espírito
Criativo é bondoso, amoroso e receptivo; e livre da raiva, do
ressentimento ou da amargura. Liberar a sua necessidade de estar certo
em suas discussões e relacionamentos é como dizer ao ego: eu
não sou um escravo para você. Eu quero aceitar a bondade e
rejeitar a sua necessidade de estar certo. Realmente, eu oferecerei a
esta pessoa uma oportunidade de se sentir melhor, dizendo que ela
está certa, e lhe agradecer por me apontar na direção da verdade.

Quando você deixa ir a necessidade de estar certo, é capaz de
fortalecer a sua conexão com o poder da intenção. Mas tenha em
mente que o ego é um combatente determinado. Eu tenho visto pessoas
terminarem relacionamentos maravilhosos, apegando-se a sua necessidade
de estar certo, interrompendo-se no meio de um argumento e se
questionando: "Eu quero estar certo ou ser feliz?" Quando você
escolhe o humor feliz, amoroso e espiritualizado, a sua conexão com a
intenção é fortalecida. Estes momentos expandem no final das
contas, a sua nova conexão com o poder da intenção. A Fonte
universal começará a colaborar com você, criando a vida que
você pretendia viver.

4 - Deixe ir a sua necessidade de ser superior

A verdadeira nobreza não se refere a ser melhor do que outra pessoa.
Trata-se de ser melhor do que você costumava ser. Permaneça focado
em seu crescimento, com uma consciência permanente de que ninguém
neste planeta é melhor do que outro. Todos nós emanamos da mesma
força de vida criativa. Todos nós temos uma missão de
compreender a nossa essência pretendida. Tudo o que precisamos para
cumprir o nosso destino nos está disponível. Nada disto é
possível quando você se vê como superior aos outros. É um
velho provérbio, mas, entretanto, verdadeiro: Somos todos iguais aos
olhos de Deus. Deixe ir a sua necessidade de se sentir superior, vendo a
revelação de Deus em todos. Não avalie os outros com base em sua
aparência, em suas conquistas, posses e em outros índices do ego.
Quando você projeta sentimentos de superioridade, isto é o que
você recebe de volta, levando a ressentimentos, e principalmente, a
sentimentos hostis. Estes sentimentos se tornam o veículo que o
distancia mais da intenção. Um Curso em Milagres trata desta
necessidade de ser especial e superior. A pessoa que se julga especial
sempre faz comparações.

5 - Deixe ir a necessidade de ter mais

O mantra do ego é mais. Ele nunca está satisfeito. Não importa
quanto você consiga ou adquira, seu ego vai insistir que não há
o suficiente. Você se encontrará em um estado perpétuo de
esforço para obter, eliminando a possibilidade de nunca chegar.
Entretanto, na realidade, você já chegou, e como você optar por
usar este momento presente de sua vida, é sua escolha. Ironicamente,
quando você deixa de precisar mais, mais do que você deseja parece
chegar a sua vida. Desde que você se desligou da necessidade por
isto, você achará mais fácil transmiti-lo aos outros, porque
você compreende quão pouco você precisa a fim de ficar
satisfeito e em paz.

A Fonte universal está contente com ela mesma, expandindo-se
constantemente e criando nova vida, sem tentar se apegar as suas
criações para seus próprios propósitos egoístas. Ela cria e
libera. Quando você libera a necessidade do ego de ter mais, você
se unifica a esta Fonte. Você cria, atrai para si e libera, nunca
exigindo que mais venha ao seu caminho. Como um apreciador de tudo o que
se apresenta, você aprende a poderosa lição de S. Francisco de
Assis: "É dando que recebemos." Ao permitir que a abundância flua
para e através de você, você se equipara a sua Fonte e garante
que esta energia continue a fluir.

6 - Deixe de se identificar com base em suas realizações

Este pode ser um conceito difícil se pensar que vocês são as
suas realizações. Deus canta todas as músicas, Deus constrói
todos os prédios, Deus é a fonte de todas as suas realizações.
Eu posso ouvir o seu ego protestando em voz alta. Entretanto,
permaneça atento a esta idéia. Tudo emana da Fonte! Você e esta
Fonte são um! Você não é este corpo e as suas
realizações. Você é o observador. Observe tudo isto; e seja
grato pelas habilidades que acumulou. Mas dê todo o crédito ao
poder da intenção, que lhe trouxe à existência e da qual é
uma parte materializada.

Quanto menos precisar assumir o crédito pelos seus empreendimentos e
mais conectado permanecer às sete faces da intenção, mais
estará livre para realizar, e mais se apresentará para você.
Quando você se liga a estas conquistas e acredita que apenas você
que está fazendo todas estas coisas, você deixa a paz e a
gratidão de sua Fonte.

7 - Deixe ir a sua reputação

Sua reputação não está localizada em você. Ela reside nas
mentes dos outros. Portanto, você não tem nenhum controle sobre
tudo isto. Se falar para 30 pessoas, você terá 30 reputações.
Conectar-se à intenção significa ouvir o seu coração e se
conduzir baseado naquilo que a sua voz interior lhe diz que é o seu
propósito aqui. Se estiver muito preocupado em como será percebido
por todos, então você se desliga da intenção e permite que as
opiniões dos outros o oriente. Este é o seu ego operando. É uma
ilusão que se interpõe entre você e o poder da intenção.
Não há nada que não possa fazer, a menos que se desconecte da
fonte de poder e se torne convencido de que o seu propósito é
provar aos outros como você é poderoso e superior, e gaste a sua
energia tentando ganhar uma gigantesca reputação entre outros egos.
Permanecer no propósito, desligar-se do resultado, e assumir a
responsabilidade pelo que faz, reside em você: seu caráter. Deixe
que a sua reputação seja debatida por outros. Ela nada tem a ver com
você. Ou como o título de um livro diz: "O que você pensa de
mim, não é da minha conta."
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
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O que a Umbanda tem a oferecer?

 
Hoje em dia, quando falamos em religião, os questionamentos são
diversos. A principal questão levantada refere-se à função da
mesma nesse início de milênio.
Tentaremos nesse texto, de forma panorâmica, levantar e propor
algumas reflexões a esse respeito, tendo como foco do nosso estudo a
Umbanda.

O que a religião e, mais especificamente, a religião de Umbanda,
pode oferecer a uma sociedade pós-moderna como a nossa? Como ela pode
contribuir junto ao ser
humano em sua busca por paz interior, desenvolvimento pessoal e
auto-realização?
Quais são suas contribuições ou posições nos aspectos sociais,
em relação aos
grandes problemas, paradoxos e dúvidas, que surgem na humanidade
contemporânea?
Existe uma ponte entre Umbanda e ciência (?) _ algo indispensável
e extremamente útil, nos dias de hoje, a estruturação de uma
espiritualidade sadia.

O principal ponto de atuação de uma religião está nos aspectos
subjetivos do "eu". Antigamente, a religião estava
diretamente ligada à lei, aos controles morais e definição de
padrões étnicos de uma sociedade _ vide os dez mandamentos
e seu caráter legislativo, por exemplo. Hoje, mais que um padrão
de comportamento, a religião deve procurar proporcionar
"ferramentas reflexivas" ou
"direções" para as questões existenciais que afligem o ser
humano. Em relação a isso, acreditamos ser riquíssimo o potencial
de contribuição do universo umbandista, mas, para tanto, necessitamos
que muitas questões, aspectos e
interfaces entre espiritualidade umbandista e outras religiões e
ciência sejam desenvolvidos, contribuindo de forma efetiva para que a
religião concretize um pensamento profundo e integral em relação
ao ser humano, assumindo de vez uma
postura atual e vanguardista dentro do pensamento religioso. Entre essas
questões, podemos citar:

_ Um estudo aprofundado dos rituais umbandistas, não apenas em seus
aspectos "magísticos", mas também em seus sentidos
culturais, psíquicos e sociais. Como uma gira de Umbanda, através
de seus ritos, cantos e danças, envolve-se com o
inconsciente das pessoas? Como podem colaborar para trabalhar aspectos
"primitivos" tão reprimidos em uma sociedade pós-moderna
como a nossa? Como os
ritos ganham um significado coletivo, e quais são esses significados?
Grandes contribuições a sociologia e a antropologia podem dar à
Umbanda.

_ Uma ponte entre as ciências da mente – como a psicanálise,
psicologia – e a mediunidade, utilizando-se da última também
como uma forma de explorar e conhecer o inconsciente humano. Mais do que
isso, os aspectos psicoterápicos de
uma gira de Umbanda e suas manifestações tão
míticas-arquetípicas. Ou será que nunca perceberemos como uma
gira de "erê", por exemplo, além do trabalho espiritual
realizado, muitas vezes funciona como uma sessão de psicoterapia em
grupo?

_ A mediunidade como prática de autoconhecimento e porta para
momentâneos estados alterados de consciência que contribuem para o
vislumbre e o alcance permanente de estágios de consciência
superiores. Além disso, por que não a
prática meditativa dentro da Umbanda (?) _ prática essa tão
difundida pelas religiões orientais e que pesquisas recentes dentro
da neurociência demonstram de forma inequívoca seus benefícios
em relação à saúde física, emocional e
mental.

_ Uma proposta bem fundamentada de integração de
corpo-mente-espírito.
Contribuição muito importante tanto em relação ao bem estar do
indivíduo, como também dentro da medicina, visto que a OMS
(Organização Mundial da Saúde) hoje admite que as doenças
tenham como causas uma série de fatores dentro de um paradigma
bio-psíquico-social caminhando para uma visão ainda mais
holística, uma visão bio-psíquico-sócio-espiritual.

_ O estudo comparativo entre religiões, com uma proposta de
tolerância e respeito as mais diversas tradições. Por seu
caráter sincrético, heterodoxo e anti-fundamentalista, a Umbanda
tem um exemplo prático de paz as inúmeras
questões de conflitos étnico-religiosos que existem ao redor do
mundo.

_ A liberdade de pensamento e de vida que a Umbanda dá as pessoas
também deveria ser mais difundido, visto que isso se adapta muito bem
ao modelo de espiritualidade que surge como tendência nesse começo
de século XXI. Parece-nos
que a Umbanda há muito tempo deixou de lado a velha ortodoxia
religiosa de "um
único pastor e único rebanho", para uma visão heterodoxa de
se pensar espiritualidade, onde ela assume diversas formas de acordo com
o estágio de desenvolvimento consciencial de cada pessoa, o que vem
de encontro – por exemplo
– com as idéias universalistas de Swami Vivekananda e seu
discurso de "uma Verdade/Religião própria para cada pessoa na
Terra". E a Umbanda, assim como
muitas outras religiões, pode sim desenvolver essa multiplicidade na
unidade.

_ O resgate do sagrado na natureza e o respeito ao planeta como um
grande organismo vivo. Na antiga tradição yorubana tínhamos um
Orixá chamado Onilé, que representava a Terra planeta, a mãe
Terra. Mesmo que seu culto não tenha se
preservado, tanto nos candomblés atuais como na Umbanda, através
de seus outros "irmãos" Orixás, o culto a natureza é
preservado e, em uma época crítica em
termos ecológicos, a visão sagrada do planeta, dos mares, dos
rios, das matas, dos animais, etc - ganha uma importância
ideológica muito grande e dota a espiritualidade umbandista de uma
consciência ecológica necessária.

_ O desenvolvimento de uma mística dentro da Umbanda, onde elementos
pré-pessoais como os mitos e o pensamento mágico-animista, possam
ser trabalhados dentro da racionalidade, levando até mesmo ao
desenvolvimento de
aspectos transpessoais, transracionais e trans-éticos dentro da
religião. A identificação do médium em transe com o Todo
através do Orixá, a trans-ética que deve reger os trabalhos
magísticos de Umbanda, os insights e a lucidez
verdadeira que levam a mente para picos além da razão e do alcance
da linguagem, o fim da ilusão dualista para uma real compreensão
monista através da iluminação, são exemplos de aspectos
transpessoais que podem ser (e faltam ser)
desenvolvidos dentro da religião.

_ Os aspectos culturais, afinal Orixá é cultura, as entidades de
Umbanda são cultura o sincretismo umbandista é cultura. Umbanda
é cultura e é triste perceber o descaso, seja de pessoas não
adeptas, como de umbandistas, que
simplesmente não compreendem a importância cultural da Umbanda e
da herança afro-indígena na construção de uma identidade
nacional. A arte em suas mais
variadas expressões tem na Umbanda um rico universo de inspiração.
Cabe a ela apoiar e desenvolver mais aspectos de sua arte sacra.

Essas são, ao nosso entendimento, algumas das
"questões-desafios" que a Umbanda tem pela frente,
principalmente por ser uma religião nova, estabelecendo-se em um
mundo extremamente multifacetado como o nosso. Muito mais
poderia e com certeza deve ser discutido e desenvolvido dentro dela.

Apenas por essa introdução já se pode perceber a complexidade da
questão e como é impossível ter uma resposta definitiva a
respeito de tudo isso. Muitos
podem achar que o que aqui foi dito esteja muito distante da realidade
dos terreiros. Mas acreditamos que a discussão é pertinente,
principalmente devido ao centenário, onde muito mais que festas,
deveríamos aproveitar esse momento
para uma maior aproximação de ideais e pessoas, além de uma
sólida estruturação do pensamento umbandista. Esperamos em outros
textos abordar de forma mais profunda e propor algumas idéias a
respeito das questões e relações aqui
levantas. Esperamos também que outros umbandistas desenvolvam esses
ou outros aspectos que acharem relevantes e caminhemos juntos em busca
de uma espiritualidade sadia, integral e lúcida.

"Fernando Sepe''
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
http://br.groups.yahoo.com/group/boiadeirorei http://grupoboiadeirorei.blogspot.com/ http://boiadeirorei.wordpress.com/ http://boiadeirorei.groups.live.com

RELIGIÃO UMBANDA

 
"A maior de todas as ignorâncias é rejeitar uma coisa sobre a qual você nada sabe." (H. Jackson Brownk)

Nenhum mistério resiste à fragilidade da luz.Conhecer a Umbanda é conhecer a simplicidade do Universo.
A Umbanda crê num Ser Supremo, o Deus único criador de todas as religiões monoteístas. Os Sete Orixas são emanações da Divindade, como todos os seres criados.

O propósito maior dos seres criados é a Evolução, o progresso rumo à Luz Divina. Isso se dá por meio das vidas sucessivas, a Lei da Reencarnação, o caminho do aperfeiçoamento.

Existe uma Lei de Justiça Universal que determina, a cada um, colher o fruto de suas ações, e que é conhecida como Lei de Ação e Reação.

A Umbanda se rege pela Lei da Fraternidade Universal: todos os seres são irmãos por terem a mesma origem, e a cada um devemos fazer o que gostaríamos que a nós fosse feito.

A Umbanda possui uma identidade própria e não se confunde com outras religiões ou cultos, embora a todos respeite fraternalmente, partilhando alguns princípios com muitos deles
A Umbanda está a serviço da Lei Divina, e só visa ao Bem. Qualquer ação que não respeite o livre-arbítrio das criaturas, que implique em malefício ou prejuízo de alguém, ou se utilize de magia negativa, não é Umbanda.

A Umbanda não realiza, em qualquer hipótese, o sacrifício ritualístico de animais, nem utiliza quaisquer elementos destes em ritos, oferendas ou trabalhos.

A Umbanda não preceitua a colocação de despachos ou oferendas em esquinas urbanas, e sua reverência às Forcas da Natureza implica em preservação e respeito a todos os ambientes naturais da Terra.

Todo o serviço da Umbanda é de caridade, jamais cobrando ou aceitando retribuição de qualquer espécie por atendimento, consultas ou trabalhos mediúnicos. Quem cobra por serviço espiritual não é umbandista.
"Tudo melhora por fora para quem cresce por dentro."
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

Reflexões sobre o carnaval, considerações de um Umbandista

Conheço pessoas que durante todo o ano deixam de fazer o que querem, subjugam-se a modos de vida, o que para ele é mais prático, porque aparentemente não há tantos embates. Não sentem necessidade de situarem-se com os pés no chão em suas ações cotidianas, pois acreditam que atingiram zonas confortáveis de segurança na rotina das suas vidas, na interdependência do círculo familiar, na eterna tolerância ao tédio no trabalho e aparentes relações amistosas com todos ao redor.
São pessoas que vivem como que na superfície da verdadeira vida. Aqueles que passam a vida a ver as sombras na parede, se formos lembrar do mito da caverna de Platão, revivida em Fernão Capelo Gaivota e na lenda oriental dos peixinhos do tanque.
Só que chega o carnaval, parece que na mente e no íntimo dessas pessoas, ocorre uma espécie de desbloqueio, e todas as barreiras morais e sociais se neutralizam, e elas entram em clima de "vale tudo", como se fosse uma compensação pelo "comportamento exemplar de todo o resto do ano". Alegam que "merecem" ser felizes por um dia e caem na folia.
Muitos divertem-se sadia e equilibradamente, apenas usando o momento para abolir as preocupações e afastarem-se das obrigações e responsabilidades diárias nem que seja por uns poucos dias.
Outros, porém, cometem todo o tipo de desvarios, comprometendo-se e às vezes levando outros de roldão em atos de imprudência, selvageria, colocando em risco sua integridade, às vezes a vida.
Tentar resolver ou esquecer os problemas pessoais durante os dias de folia carnavalesca, pode ser o pior caminho que alguém possa tomar.
Pois o carnaval, que parece na sua manifestação física como explosões de cores e alegria, traz a beleza descompromissada, mas ocorre que não há equilíbrio nas forças emocionais e passionais que estão libertas, ricocheteando no ambiente uma energia sem ajustes e sem limites, onde no meio das quais estão à espreita outros com as piores intenções, que absorvem avidamente essas energias, vampirizando intensamente os foliões invigilantes.
São portais que se abrem em regiões profundas e obscuras, deixando passar entidades vingativas, perversas, artífices na arte do ilusionismo, mostrando para os incautos que se "divertem", situações de êxtase, realizações, todo tipo de engodo auxiliado pelas drogas, pelo álcool, pela sexualidade exacerbada, de modo a aprisionarem facilmente quantos estejam a descoberto de sua proteção, inseguros de seus projetos de vida, desequilibrados emocionalmente, esvaziados de verdadeiros sentimentos, minados por angústias e rancores mal resolvidos.
Os blocos, a fuzarcas, escondem verdadeiros campos de batalha nos paralelos astrais.
Não existe acaso, e a Ordem e a Lei nunca se cumpre injustamente. Não há que se ter medo do carnaval e o posterior período da Quaresma. Em diferentes pontos do planeta, desde o início dos tempos, há periodicamente estes bolsões, estes "gaps" energéticos a sugarem aqueles que precisam ser acordados e sacudidos diante as Verdades, ou o resgate daqueles que abusaram da fé de outros, negociaram com o destino que não lhes pertencia, que esqueceram valores como respeito, amizade, cortesia.
Este texto não quer mostrar conceitos de falso moralismo, de ostentação de um comportamento sisudo e sombrio. Pelo contrário, o umbandista, quando alcança o auto-conhecimento, tem um constante sorriso nos lábios, seu coração nunca está vazio, suas mãos, sempre laboriosas. Não há espaço para tédio ou rotina na sua vida, porque ele aprendeu a fazer acontecer, aprendeu a guiar seus dias e suas horas de maneira proveitosa, sem perder tempo em contendas menores, pelejas inúteis. Não sente necessidade de compensar nada, pois já se encontra bem e em equilíbrio. Não sente necessidade de "sair do sério", "compensar o resto do ano", "cair na gandaia"… Até porque sabe que por trás do ambiente glamuroso há um outro à, ávido e perigoso.
E que uns poucos dias de alienação compulsória não mudarão o cenário de um mundo que está passando por profundas modificações socioeconômicas, geológicas, ideológicas, num panorama preocupante com as freqüentes catástrofes ambientais, com a miséria descortinada, como temos visto em várias regiões da África e do Haiti, e lugares com profundos estremecimentos políticos com as Coréias e eternas desavenças, e as preocupantes áreas de conflito no Oriente Médio, agora estando na berlinda o Egito, a Líbia e Barhein. Que tristeza ver as pirâmides milenares dos faraós ameaçadas, e o berço do mundo ainda em caos…
O Carnaval para o religioso, não só o umbandista, deveria ser um momento de reflexão. Repensar os verdadeiros valores, observar que nada é tão precioso como os relacionamentos puros e sinceros, que se fortalecem ao passar dos anos e se renovam em meio a crises.
Pode perfeitamente ser um momento de descanso e descontração do físico, sair um pouco da rotina pesada de trabalho, estudo, numa oportunidade de maior interação com a família e amigos, na meditação saudável sobre planos, resolução de metas, construção de sonhos. Na vibração positiva pela Humanidade e sua evolução, na reflexão profunda sobre seu caminho, suas certezas, suas metas. No pensamento de Paz e Harmonia Universal, obtenção de uma reserva de Serenidade, clareza de mente, Esperança, Fé.
Como umbandista, acredito que nesta época do ano, abrem-se determinados portais.
Alguns de nós acreditam que os Orixás afastam-se do planeta, e coincidentemente os ocultistas afirmam que nesta época do ano até final de julho, o planeta fica sujeito a vibrações negativas, e depois percorre o lado oposto até o lado extremo positivo, no evento do Natal. Na Umbanda coincide com o dia 26 de julho, dia de Nanã, poderosa
Orixá que vai direcionando a roda da vida em mais um ciclo.
Na época de carnaval, quem está alcançável em Terra são os Exus de Lei, os Exus guardiões, que patrulham a crosta brasileira, como o fazem em outras ocasiões em vários momentos no mundo. O pensamento excessivamente libertino que permeia a ambiência prejudica o equilíbrio, atrai espíritos vingativos, malévolos, vampirescos, onde não convém fazer oferendas. Quem as faz, ou é incauto ou não tem boa inteção.
Os dirigentes de todos os terreiros orientam que se os umbandistas forem participar das festividades carnavalescas, não coloquem fantasias e máscaras. Apresentem-se exatamente como são, sem engodos e sem ilusões, respeitando-se e respeitando os outros, sem abusos de bebidas, sem ingerir drogas, e se resguardem, pois estarão conscientes que os locais estão densos, pesados de todo tipo de pensamento. Na maioria dos Terreiros é feito um ritual na quarta ou quinta-feira. Em algumas Casas até mesmo fazem oferendas, mas na maioria é apenas uma gira entre os filhos da Casa onde acendem uma vela de sete dias para permanecer "Exu aceso" nesta época de folia, em outros faz antecipadamente, mas o Pai ou Mãe no Santo após o término da vela acende outra, apenas para resguardar os seus filhos. Estas giras na maioria das vezes é fechada, ou seja, não aberta ao publico, apenas para os filhos da Casa.
Para finalizar, vamos refletir que ao citarmos influências positivas e negativas, não devemos considerá-las exatos sinônimos de Bem e Mal. Devemos ter a compreensão que todos estaremos sempre passando do pólo negativo ao positivo, faz parte da roda da vida, e isso os taoístas sempre compreenderam bem, um pólo se interpondo ao outro, quando se esgota o pólo negativo, já está inserido o pólo positivo. Pelo mesmo motivo aprendemos que não existe escuridão absoluta, e que quando algo chega até o fim de sua capacidade, se inicia um novo ciclo em outra direção. Todos passamos por isso, e ao passarmos pelo pólo negativo, se estivermos cheios de pensamentos desarmonizados, estaremos mais suscetíveis a suas conseqüências. Se ao passarmos pelo pólo positivo, não tivermos nos dedicado à auto-iluminação, nada veremos, nada aproveitaremos, será como se tudo fosse igual pois não estaremos em condição de vibrar com aqueles que estão nesta faixa. È bem diferente de ser bom ou mau. Todos passam pelo positivo e negativo, e assim, seria grande preconceito dizer que se está sempre do lado positivo e da Luz. Estou tentando expressar, que não é o fato do mundo estar circulando do lado positivo ou negativo, mas o fato de quem nós realmente somos quando passamos por estas vibrações. Logo, o que a vida traz para cada um, não depende do mundo exterior ou de outras pessoas, mas o que cada um está fazendo dela, em cada minuto que estivermos encarnados.
Que cada dia traga a verdadeira Felicidade e Bem Estar a cada um, com a proteção e vibração das Forças Maiores.


Sarava!

Estejam todos em paz!

Alex de Oxossi

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

Porque estudar Teologia de Umbanda ?

Teologia é a ciência que trata de Deus seus atributos e perfeições, bem como suas relações com os homens.
Há duas formas de estudar religião, de dentro para fora e de fora para dentro.
De dentro, quem estuda é o religioso, fazendo e produzindo Teologia.
De fora, quem estuda é o cientista da religião, por meio das Ciências Humanas.
A Teologia tem por tarefa explicar a religião.
Se há religião, há teologia.
As Ciências da Religião (Humanas) procuram apenas entendê-la como um fenômeno humano seja um fato social, psicológico, antropológico, histórico, filosofico ou outros. Sem no entanto estudar ou aprofundar em seus fundamentos, tarefa esta da Teologia.
Todo religioso quando passa a explicar sua religião produz Teologia.
Quem produz teologia é o religioso, independente de sua formação.
Só quem pode explicar a religião é o religioso, os demais devem tentar compreende-la.
Um Cientista pode questionar seus aspectos humanos nas mais variadas áreas.
Apenas o religioso faz crer, ensinar, preparar e iniciar a outros religiosos, dentro de sua ciência a Teologia.
Assim como apenas a comunidade religiosa pode definir como quer ou deve preparar seus sacerdotes, ministros, ministrantes, reconhecidos ou não por meio de ata, estatuto (reconhecimento legal) ou certificado (reconhecimento de seu preparo), por este mesmo grupo que o identifica (reconhecimento afetivo-religioso).
Estudar Teologia é Estudar Religião.
Esta Ciência pode ser definida como um estudo racional de seu universo religioso, o que envolve desde os fundamentos mais básicos de seu ritual – sua liturgia – até conceitos mais elaborados de sua Gênese ou Cosmologia.
Estudar Teologia de Umbanda é estudar a Religião de Umbanda.
Teologia da Umbanda é um estudo de todo o universo de Umbanda, desde os Orixás passando pelos guias e vindo até nós. Neste estudo se aborda Umbanda de forma teórica, sem a pretensão de mostrar a ninguém como deve ser o trabalho prático que as entidades tão bem realizam em templo (terreiro/centro/tenda/abacá/núcleo/Ilê/Tupãoca/ e outros), simplesmente com o objectivo de sanar aquelas dúvidas que muitas vezes não conseguimos esclarecer no dia a dia dentro do templo.
É tempo de estudarmos realmente a Teologia de Umbanda?
Podemos dizer que sim, pois, o estudo e a multiplicação do conhecimento sério e comprometido é a única maneira de mudarmos a atual situação da Umbanda, na qual cada um fala e faz o que quer dentro e fora da Religião de Umbanda.
Muitos umbandistas tem dificuldade em explicar o que pratica e porque pratica certos rituais, usa certos elementos, manifesta forças e poderes, por meio de entidades e orixás. Simplesmente porque não foram estimulados a estudar e se aprofundar no porquê de cada elemento que forma um todo, identificado como Umbanda. É certo que muitos não tiveram esta oportunidade de estudar, principalmente no que diz respeito aos "antigos", mas hoje em dia já não cabe mais esta justificativa ou desculpa. Se Umbanda é a sua religião você deve estudá-la, seja aqui ou por outro meio.

Sabemos das dificuldades em estudar a Umbanda de forma auto-didata, pois já trilhamos este caminho, em que cada literatura afirma o contrário da outra e em que cada Mestre/Pai-de-santo/autor se torna o dono da verdade ultima de Umbanda.
Aqui não somos os donos da verdade ao estudar Umbanda, procuramos um caminho do meio, entre nossas convicções e a compreensão do "outro" umbandista. Cremos nos resultados de compreensão da religião por meio destes ensinamentos que permitiram a nós mesmos entender e praticar Umbanda de uma forma mais aberta e tranqüila. Sem dogmas ou tabus, já que tudo pode e deve ser explicado à luz da razão.
Umbanda é Mais que o nosso terreiro.
Nosso terreiro é Umbanda, mas a Religião de Umbanda é mais que nosso terreiro.
Nós somos Umbanda, mas Umbanda é muito mais que todos nós juntos.
A Religião de Umbanda vai para além de conceitos e verdades locais ou limitadas a este ou aquele terreiro. Fato importante este pois muitos umbandistas ao se decepcionarem com o terreiro em que freqüentam acabam abandonando a religião, pois estavam limitados ao templo físico e a seu orientador (sacerdote/dirigente/padrinho/pai-de-santo...).
Já foi comum na Umbanda, médiuns serem proibidos de ler livros de Umbanda, conhecer outras casas  ou fazer perguntas sobre a religião.
Não podiam ler "para não fazer confusão", "para não desaprender", não podiam freqüentar outras casas "para não cruzar as linhas" e não podiam fazer perguntas "porque não estavam preparados, ainda, para as respostas".
Quando surgiram alguns Cursos de Umbanda, muitos foram e ainda são proibidos de freqüentar, e mais justificativas surgem, como "estão mercantilizando a Umbanda", "Umbanda não se aprende em curso", "vai pegar demanda" e outros como, por exemplo, desmerecer quem se dedica a ensinar sobre a sua religião.
Que outra forma existe para se organizar e passar o conhecimento aberto a todos, independente de onde vem, para onde vão e se são umbandistas ou não?
Assumindo o fato de que, nem sempre conseguimos manter um grupo de estudos em nosso próprio templo.  Seja por falta de tempo ou desinteresse, fica a pergunta:
Quantos conseguem se dedicar ao estudo constante e ensino religioso organizado e comprometido? Os resultados deste estudo (Teologia de Umbanda ) são positivos? Merecem crédito?
A árvore se reconhece pelos frutos.
Nada mais tranqüilizador que a compreensão teórica do que se pratica, afinal como criar uma identidade umbandista e me reconhecer como tal, se não consigo ainda compreender o que estou praticando e o vem a ser Umbanda.
Umbanda tem Fundamento... É preciso preparar...
Existe a necessidade real do estudo, sem a pretensão de subestimar a prática, mas com o objetivo de criar uma consciência "religiosa" que vá além dos limites de "terreiro".  Por falta dessa consciência a Umbanda já perdeu muito espaço e vem sendo criticada, tornando-se alvo, entre outros, de seitas que a discriminam e acusam de praticas negativas diante de seus médiuns muitas vezes sem condições teóricas de se defender ou argumentar sobre a ignorância deste preconceito e discriminação.

A falta de uma Teologia pensada, de uma doutrina e de um acompanhamento dos novos dirigentes de Tendas de Umbanda, resultou em erros irreparáveis e condutas pessoais que não tinham e não tem  nada a ver com o que nos ensina a espiritualidade.
Muitas pessoas, ainda despreparadas, mal instruídas e até incapazes para a direção de um Templo, abriram suas tendas, criando a sua própria Umbanda e deram vazão a seus emocionais desequilibrados e seus vícios religiosos, pois não aceitavam a condição de liderados e almejavam serem líderes, bajulados ou temidos.
Então muitos abandonaram a Umbanda, depurando-a. É uma questão de tempo, para que os atuais e remanescentes dirigentes da Umbanda realizem um trabalho de base, de doutrinação de seus médiuns, instruindo-os e ensinando-os a prepararem bons filhos espirituais, adeptos, médiuns e bons dirigentes de tendas. E então, a Umbanda conquistará seu verdadeiro espaço religioso, pois o tipo de trabalho realizado por ela, só os verdadeiros umbandistas podem realizar, porque são os herdeiros naturais dos sagrados Orixás.
Por isso, é necessário que todo sacerdote umbandista desenvolva uma consciência voltada para o aprendizado permanente.
Conceitos filosóficos, teológicos e doutrinários mais profundos, só surgirão com o amadurecimento da própria religião e quando todos os umbandistas desenvolverem uma consciência religiosa verdadeiramente de Umbanda e totalmente calcada em conceitos próprios, de uma religião fundamentada na existência de um Deus único (Seja qual for seu nome; Zambi, Olorum, Olodumare, Tupã...) e na sua manifestação por meio de suas divindades (Orixás, Entidades).

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

O SEXTO SENTIDO SENSORIAL

Reflexões acerca da mediunidade e sua real natureza

Artigo publicado no Jornal Umbanda Sagrada, Fevereiro 2011


Todo aquele que nasce num corpo sadio, traz consigo cinco sentidos sensoriais que chamamos de básicos: audição, visão, tato, olfato e paladar. É natural ao ser humano e muitas vezes não se dá tanta atenção sobre a complexidade que estes sensores apresentam, talvez porque estes são comuns a todos e são estimulados e vivenciados desde que nascemos.
 A criança
 Aos pais mais atentos, é possível perceber o processo de maturação destes sensores no indivíduo. A criança nasce com a visão muito turva que vai "clareando" ou "amadurecendo" num prazo de até seis meses, após este período é que a criança realmente enxerga o mundo a sua volta. O tato é mais sensível pela boca, por isso é que a criança até seus dois anos terá o hábito de levar tudo à boca, pois é a partir da sensibilidade oral que a criança percebe, diferencia e processa texturas, formatos, consistências, bem como o paladar.
 O adulto
 Bem, para nós já adultos, andar e correr é algo "automático", não precisamos de esforços e cálculos, entretanto observe uma criança no inicio da aprendizagem, há medo, calcula-se bem um ou dois passos, é preciso ter algumas certezas de segurança, algo a se apegar para não cair, dar três ou quatro passos, por algum período é um desafio incrível e a sensação de satisfação e superação ao atingir o objetivo que normalmente é sair do braço da mãe e andar quatro passos aos braços do pai é impagável.
 O assunto
 Toda esta introdução é para que possamos refletir sobre a mediunidade como mais um sentido sensorial que todos nascem, reservando suas particularidades e especificidades, a mediunidade está para todos e é um sensor como os acima citados, porém este "sexto sentido" vem à luz do indivíduo mais tardiamente, comumente na adolescencia, sem regras, pode acontecer já na maturidade bem como em tenra infância.
Já superamos o período histórico em que a mediunidade fora tratada como histeria, loucura ou possessão demoníaca.
Quando a mediunidade se apresenta num meio familiar em que o ambiente é de espiritualistas, tudo será mais fácil, entretanto cabe algumas considerações em todas as circunstâncias.
Vemos a mediunidade  ser tratada ao longo dos tempos como um "dom supremo" coisa de gente "super dotada espiritualmente", fantástico, seres superiores e coisa do tipo, há também aqueles que tratam a mediunidade como uma castigo, uma penitência, um karma, uma dívida…
 A fantasia…
 Respeito a credulidade alheia, mas desculpe… Mediunidade não é nenhuma das opções acima, tampouco se trata de coisa de mutantes, X-men, super herói, nada disso. Todavia, justamente por estas proposições acerca da mediunidade é que quando ela desabrocha num ambiente sem estudo e condução coerente acaba por dar vazão à uma fértil criatividade ilusória perigosa para a vida social e espiritual do indivíduo. É assim que vemos "incorporações" do cavalo de Ogum relinchando no meio do terreiro, vemos o corcunda de notre dame na linha de exus, caboclo cego, preto velho paralítico e tantas outras aberrações comportamentais …
 Mediunidade enfim…
 Retomando a idéia da mediunidade como um sentido sensorial como os demais básicos, a mediunidade deve ser observada com seriedade e bom senso.
Desenvolver a mediunidade é um processo natural, importante e necessário à todos. Entenda o sentido de desenvolver a mediunidade como um processo de conhecimento, aceitação, exercício e maturação do sentido.
 Ilustrando o conceito…
 Sempre costumo comparar o seguinte: eu tenho minha audição em perfeito funcionamento, também tenho um paladar funcionando etc. Mas meu ouvido não é como a de um músico estudioso, treinado e disciplinado. Quando ouço uma música, simplesmente ouço o conjunto dos instrumento s que embalam minha audição, entretanto um músico percebe as notas musicais, os vários instrumentos e até pode indicar o que está ou não afinado ou no compasso ideal. Eu não sei tocar instrumento algum e portanto jamais, nesta condição, poderei escutar uma música e reproduzi-la em qualquer instrumento. Posso mudar isso, estudando música e instrumento, me dedicando, exercitando e praticando muito, daqui alguns anos poderei estar apto a isso, mas já que me coloquei como exemplo, neste caso me falta também talento (risos).
O que quero dizer é que audição todos temos, porém alguns exercitam mais este sentido, apuram a capacidade de ouvir e lidar com os sons.
 Nem melhor, nem pior…
 Por isso não existe mediunidade melhor ou pior, superior ou inferior. Existe sim a mediunidade no indivíduo, este pode ou não amadurecê-la, pode ou não entendê-la e pode ou não praticá-la conscientemente.
Tirar a mediunidade do foco da sobrenaturalidade, penso que é o principal caminho para iniciar um relacionamento maduro a este sentido que precisa de cuidados importantes. Faz parte do nosso organismo.
 Exercite…
 Se os músculos não forem exercitados, poderão atrofiar e gerar graves doenças e limitações ao corpo. Com a mediunidade também, se não for exercitada no mínimo se mantém estacionada.
Há quem diga "Faz trinta anos que sou médium", no entanto fazem vinte anos que não pratico!?!
Trinta anos de mediunidade mal praticada, não valem cinco anos de uma mediunidade ativa, praticada com estudo e bom senso.
O tempo determina muita coisa na mediunidade, como o músculo, você não define um músculo indo à academia uma vez por mês por meia hora. Se não houver disciplina, rotina e cuidados, esqueça braços, peitorais e abdômem definidos. De modo que a vivência disciplinada e exercício rotineiro da mediunidade, permite que a cada dia de prática mediúnica este sentido se fortalece, amadurece, amplia e alinha. É com o tempo também que o médium vai criando estabilidade vibratória, confiança e autonomia mediúnica.
 Afinal de contas…
 A mediunidade é algo mais natural do que pensamos, são muitos os tipos de mediunidade, você não terá a mediunidade que quer, mas a que te pertence, então procure conhecê-la e faça dela o melhor uso possível.
 Pense nisso:
 Mediunidade não é angelical e nem maligna, o uso que você fará dela é que determinará sua utilidade!
 Grande abraço!
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.