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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Só com muita umbanda no coração…

Axé pessoal. É tão gostoso falar da Umbanda, vivenciar suas manifestações, comungar com os Guias Espirituais… Enfim, é tudo tão Grandioso!

No post anterior – “A UMBANDA CHEGOU… Cativeiro acabou!”- tive a intenção de provocar algumas reflexões e entre elas, uma era a vontade de que a Umbanda fosse vista e percebida agindo e interagindo com o “povo”.

Outra era ainda que fosse percebido que, devido às relações simbólicas dos negros escravos e dos índios brasileiros com os Pretos Velhos e Caboclos, Guias Espirituais que se manifestam em nossa Umbanda, essas entidades representam resistência, enfrentamento, combate e sobretudo, Fé, mesmo porque, esses atributos foram vivenciados e sentidos pelos negros e índios na época da escravidão e colonização.

Portanto, pode-se constatar que uma das funções da Umbanda é agir nas resistências, nos enfrentamentos, nos combates e na Fé das pessoas e da vida.

Mas, não são apenas os arquétipos de Preto Velho e de Caboclo que representam esses atributos, a Linha dos Marinheiros, os marujos que se apresentam em nossos terreiros sempre com sorriso no rosto, por exemplo, também têm sua história de luta, de dor, de resistência, de enfrentamento, de combate e de Fé.

Acredito que muitos conhecem as características desta Linha e sabem que trabalham na capacidade do movimento, na maleabilidade, na cura emocional e principalmente nas grandes demandas, mas não é “só” isso.

Esse “povo do mar” expressa também a forte simbologia de um povo que briga por seus direitos, que luta por liberdade e que resiste a qualquer tipo de violência.

A Revolta da Chibata que aconteceu na baía de Guanabara, RJ, em 1910, nos permite entender essa simbologia.

Esse momento histórico – aliás essa foi uma das poucas revoltas populares que atingiu seus objetivos no Brasil – teve como líder João Cândido Felisberto, o “Almirante Negro”, e a intenção de acabar com os humilhantes castigos físicos praticados na época pela Marinha do Brasil: “Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo”.

O movimento eclodiu quando o marinheiro Marcelino Menezes foi chicoteado como um escravo por oficiais, à frente de toda a tripulação. Segundo jornais da época, ele recebeu 250 chibatadas, chegando a desmaiar.

Nesse dia então, 22 de novembro de 1910, os marinheiros tomam posse de vários navios, manobram a frota exemplarmente, hasteiam bandeiras vermelhas pedindo “Ordem e Liberdade” e apontam cerca de 80 canhões para a capital do Rio de Janeiro e para o próprio palácio de governo. Alguns tiros de aviso são disparados e as exigências são apresentadas ao governo. Os marujos querem o fim efetivo dos castigos corporais; o perdão por sua ação e que melhorem suas condições de trabalho.

O governo cede, as chibatas cessam, os navios são entregues e depois de cinco dias a revolta termina vitoriosa, porém o governo trai a anistia e os marinheiros são brutalmente perseguidos.

Cerca de 100 marinheiros são presos e mandados para trabalhos forçados na Comissão Rondon ou são abandonados na Floresta Amazônica. Outros ainda são fuzilados e jogados ao mar.

Já João Cândido foi preso e enviado para a prisão subterrânea da Ilha das Cobras com mais 17 companheiros. Todos os 18 marinheiros são jogados em uma cela fechada por uma grossa porta de madeira, com minúscula saída de ar e recém-lavada com água e cal.

A falta de ventilação, a poeira do cal, o calor e a sede sufocaram os marinheiros e no dia seguinte, só dois sobreviviam, João Cândido e o soldado naval João Avelino.

Aos poucos, João Cândido se restabelece, é solto e expulso da Marinha. Os navios mercantes também não o aceitam – nenhum comandante quer por perto um ex-presidiário, agitador, negro, pobre e talvez doido. Contudo, continuará perto do mar como simples vendedor de peixe até morrer em 1969 aos 89 anos de idade.

Só em agosto de 2003 o Congresso brasileiro restabeleceu os direitos de todos os marinheiros envolvidos na chamada ”Revolta da Chibata”.

Enfim, é importante entender que as Linhas de Trabalho de nossa Umbanda, Pretos Velhos, Caboclos, Marinheiros, Ciganos, Baianos e todas as outras, são símbolos, arquétipos, que “querem dizer algo”, que representam momentos importantes na vida do povo, momentos de reflexão, de atitude, de resistência, de enfrentamento, de combate e de Fé.

Com isso, espero que com esse contexto histórico que acontece 2 anos depois da Umbanda ser oficializada, os Marinheiros que se manifestam em nossos Terreiros não sejam mais vistos como uma Linha desnecessária ou de beberrões, e sim como expressão do equilíbrio, da força, da luta, da resistência, da coragem e da determinação.

Espero também, que a Umbanda seja cada vez mais vista da forma que merece, ou seja, DIVINAMENTE. Mesmo porque, como não se emocionar diante de tamanha SIMPLICIDADE e GRANDIOSIDADE???

-

Ouçam o belíssimo samba “O Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, que imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Aliás, essa música foi censurada na época da ditadura e teve sua letra modificada. Vejam o relato do compositor Aldir Blanc sobre esse momento terrível de nossa história:

“Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas a um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (…) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o “bonzinho”, disse mais ou menos o seguinte:
- Vocês não estão entendendo… Estão trocando as palavras como revolta, sangue etc. e não é aí que a coisa tá pegando…
Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um “telefone” nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:
- O problema é essa história de negro, negro, negro…

Ufa… Com certeza é muita reflexão…

Só com muita umbanda no coração, com muita pré-disposição a mudar tanta história de dor e com o aconchego, amorosidade e benevolência dos Guias Espirituais para entender o privilégio que nós, médiuns umbandistas, temos ao manifestar essa religião que tanto bem faz, que tanto ajuda o povo, que tanto enxuga lágrimas.

Salve a marujada!

Salve todo povo da Umbanda!

Salve a Umbanda!!!

-

E para quem quiser saber mais sobre esse movimento histórico e ver algumas imagens marcantes assista o documentário produzido pela Globo News em comemoração aos 100 anos da Revolta da Chibata que está disponível mais abaixo.

Fonte pesquisa: História do Negro Brasileiro, Clóvis Moura,
São Paulo: Editora Ática S.A., 1992 | CEFET (SP)

O Mestre Sala dos Mares - João Bosco / Aldir Blanc

*letra original sem censura com as palavras modificadas entre parênteses
* vídeo de Ana Bia Musical
* cantor desconhecido

Há muito tempo nas águas da Guanabara

O dragão do mar reapareceu

Na figura de um bravo marinheiro (feiticeiro)

A quem a história não esqueceu

Conhecido como o almirante negro (navegante)

Tinha a dignidade de um mestre sala

E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas (E ao acenar pelo mar na alegria das regatas)

Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas

Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas jorravam das costas

dos negros pelas pontas das chibatas (santos entre cantos e chibatas)

Inundando o coração de toda tripulação (do pessoal do porão)

Que a exemplo do marinheiro gritava então (feiticeiro)

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias

Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais

Salve o almirante negro (navegante)

Que tem por monumento

As pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo

Escrito por Mãe Mônica Caraccio

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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.