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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Mensagem de Pai Guiné aos Papais
Quando o Caboclo bater no peito, lembra que o índio brasileiro come no lixo
Eu quero ser Médium - Sacerdote Umbandista

Sacerdote Umbandista – Dirigente do Templo de Umbanda Estrela Guia
Um pouco mais sobre nossos queridos Boiadeiros
Estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos na Umbanda.
Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, "o caboclo sertanejo". São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro etc.
Os Boiadeiros representam a própria essência da mistura do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.
Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante.
Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.
Segundo alguns estudiosos os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada um (espírito) para seu destino, e trazem os que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do bem.
É DE ARREPIAR!!!
Axé turma. Hoje, mais do que postar textos reflexivos, quero mostrar para vocês que a Umbanda, religião de origem africana, tem história, tem arte, tem beleza e encanto. E o MUSEU AFRO BRASIL está aí para provar tudo isso.
Posso começar falando do GRANDE MURAL DOS ORIXÁS DE CARYBÉ que estará exposto somente até 28 de agosto.
Pessoal, essa mostra homenageia o centenário de nascimento do artista Carybé e expõe 19 painéis representando os deuses d’África no Candomblé da Bahia, onde estão representados os orixás. Essas representações são compostas de pranchas de madeira com 3 metros de altura de cedro entalhadas levando ainda incrustações de ouro, prata, búzios da costa, cobre, latão, vidros e ferro conforme a simbologia do culto. É DE ARREPIAR!!!
Acontece também a EXPOSIÇÃO DEUSES D’ÁFRICA – VISUALIDADES BRASILEIRAS com a representação das divindades afro-religiosas cultuadas no Candomblé da Bahia, a partir de uma visão ampla desta representação simbólicas, une a arte de grandes artistas como Carybé, Mario Cravo Junior, Osmundo Teixeira, Zélia Pólvoa, Reginaldo e Hélio Oliveira. Para representar a arte dos terreiros, esculturas, objetos e bonecas sagradas de Detinha de Xangô e Bezita de Oxum, que foram trazidas do interior do centenário Ilê Opó Afonjá, tombado Patrimônio Histórico.
E ainda acontecem as exposições:
- Panos e Tapas- Jóias e Adornos d’Africa
- Krajcberg, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas – Até 06 de novembro
- Orlando Azevedo – Monte Roraima, Paraíso Perdido – Até 02 de outubro.
- Ruth de Souza – A Sacerdotisa da Dramaturgia. Uma Homenagem do Museu Afro Brasil – Até 02 de outubro.
- Fernando Goldgaber, de olhos abertos para o Brasil – Até 02 de outubro.
- Artistas Contemporâneos do Benin – Até 02 de outubro.
- Tetê de Alencar – Cinderella Flash – Até 02 de outubro.
-
Mais um excelente destaque é a exposição: CABOCLOS DE ITAPARICA - com fotografias de Patrícia Carmo, Gal Meirelles, Paulo Lima e Armando Corrêa Ribeiro.
Acompanhei durante muitos anos os festejos do 7 de janeiro e sei o que representa para o povo itaparicano essas comemorações, pois me considero parte dele . É a festa maior da ilha, seu significado mexe com as nossas origens, nossos sonhos, nossa religiosidade e, sobretudo, com o nosso sentimento patriótico.
Ver e poder selecionar com os fotógrafos, as imagens realizadas durante a festa do 7 de janeiro do ano passado e agora expostas, me causou grande alegria e emoção. Fez-me lembrar da beleza do povo da ilha, da grande plasticidade do desfile do caboclo, da encenação do auto A Roubada da Rainha, da torcida que fazíamos para o final feliz, mesmo sabendo, com certeza, que ele viria e, sobretudo, poder reconhecer nas imagens captadas, locais e pessoas que fizeram parte da minha vida e que, ainda hoje, guardo com muito carinho nas minhas lembranças.
Justino Marinho
Melhor ainda é aproveitar a abertura dessa mostra, dias 27 e 28 de agosto, para assistir encenações do auto A Roubada da Rainha com o grupo ‘Os Guaranis’ às 14horas.
Portanto, visitar esse museu é mais que fazer uma viagem no tempo, é mais
que conhecer sobre nossas raízes, É IMPERDIVÉL!
Espero que aproveitem bem essa dica e que não deixem que fazer esse “passeio” entre nossas raízes.
______________________
Saibam mais acessando o site: http://www.museuafrobrasil.org.br
PARQUE DO IBIRAPUERA – SÃO PAULOAv. Pedro Alvares Cabral, s/n
Portão 10 – São Paulo/SP – CEP: 04094-050
Tel: (11) 3320-8900 / terça a domingo das 10h as 17h – Grátis______________________
Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda
Só com muita umbanda no coração…
Axé pessoal. É tão gostoso falar da Umbanda, vivenciar suas manifestações, comungar com os Guias Espirituais… Enfim, é tudo tão Grandioso!
No post anterior – “A UMBANDA CHEGOU… Cativeiro acabou!”- tive a intenção de provocar algumas reflexões e entre elas, uma era a vontade de que a Umbanda fosse vista e percebida agindo e interagindo com o “povo”.
Outra era ainda que fosse percebido que, devido às relações simbólicas dos negros escravos e dos índios brasileiros com os Pretos Velhos e Caboclos, Guias Espirituais que se manifestam em nossa Umbanda, essas entidades representam resistência, enfrentamento, combate e sobretudo, Fé, mesmo porque, esses atributos foram vivenciados e sentidos pelos negros e índios na época da escravidão e colonização.
Portanto, pode-se constatar que uma das funções da Umbanda é agir nas resistências, nos enfrentamentos, nos combates e na Fé das pessoas e da vida.
Mas, não são apenas os arquétipos de Preto Velho e de Caboclo que representam esses atributos, a Linha dos Marinheiros, os marujos que se apresentam em nossos terreiros sempre com sorriso no rosto, por exemplo, também têm sua história de luta, de dor, de resistência, de enfrentamento, de combate e de Fé.
Acredito que muitos conhecem as características desta Linha e sabem que trabalham na capacidade do movimento, na maleabilidade, na cura emocional e principalmente nas grandes demandas, mas não é “só” isso.
Esse “povo do mar” expressa também a forte simbologia de um povo que briga por seus direitos, que luta por liberdade e que resiste a qualquer tipo de violência.
A Revolta da Chibata que aconteceu na baía de Guanabara, RJ, em 1910, nos permite entender essa simbologia.
Esse momento histórico – aliás essa foi uma das poucas revoltas populares que atingiu seus objetivos no Brasil – teve como líder João Cândido Felisberto, o “Almirante Negro”, e a intenção de acabar com os humilhantes castigos físicos praticados na época pela Marinha do Brasil: “Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo”.
O movimento eclodiu quando o marinheiro Marcelino Menezes foi chicoteado como um escravo por oficiais, à frente de toda a tripulação. Segundo jornais da época, ele recebeu 250 chibatadas, chegando a desmaiar.
Nesse dia então, 22 de novembro de 1910, os marinheiros tomam posse de vários navios, manobram a frota exemplarmente, hasteiam bandeiras vermelhas pedindo “Ordem e Liberdade” e apontam cerca de 80 canhões para a capital do Rio de Janeiro e para o próprio palácio de governo. Alguns tiros de aviso são disparados e as exigências são apresentadas ao governo. Os marujos querem o fim efetivo dos castigos corporais; o perdão por sua ação e que melhorem suas condições de trabalho.
O governo cede, as chibatas cessam, os navios são entregues e depois de cinco dias a revolta termina vitoriosa, porém o governo trai a anistia e os marinheiros são brutalmente perseguidos.
Cerca de 100 marinheiros são presos e mandados para trabalhos forçados na Comissão Rondon ou são abandonados na Floresta Amazônica. Outros ainda são fuzilados e jogados ao mar.
Já João Cândido foi preso e enviado para a prisão subterrânea da Ilha das Cobras com mais 17 companheiros. Todos os 18 marinheiros são jogados em uma cela fechada por uma grossa porta de madeira, com minúscula saída de ar e recém-lavada com água e cal.
A falta de ventilação, a poeira do cal, o calor e a sede sufocaram os marinheiros e no dia seguinte, só dois sobreviviam, João Cândido e o soldado naval João Avelino.
Aos poucos, João Cândido se restabelece, é solto e expulso da Marinha. Os navios mercantes também não o aceitam – nenhum comandante quer por perto um ex-presidiário, agitador, negro, pobre e talvez doido. Contudo, continuará perto do mar como simples vendedor de peixe até morrer em 1969 aos 89 anos de idade.
Só em agosto de 2003 o Congresso brasileiro restabeleceu os direitos de todos os marinheiros envolvidos na chamada ”Revolta da Chibata”.
Enfim, é importante entender que as Linhas de Trabalho de nossa Umbanda, Pretos Velhos, Caboclos, Marinheiros, Ciganos, Baianos e todas as outras, são símbolos, arquétipos, que “querem dizer algo”, que representam momentos importantes na vida do povo, momentos de reflexão, de atitude, de resistência, de enfrentamento, de combate e de Fé.
Com isso, espero que com esse contexto histórico que acontece 2 anos depois da Umbanda ser oficializada, os Marinheiros que se manifestam em nossos Terreiros não sejam mais vistos como uma Linha desnecessária ou de beberrões, e sim como expressão do equilíbrio, da força, da luta, da resistência, da coragem e da determinação.
Espero também, que a Umbanda seja cada vez mais vista da forma que merece, ou seja, DIVINAMENTE. Mesmo porque, como não se emocionar diante de tamanha SIMPLICIDADE e GRANDIOSIDADE???
-
Ouçam o belíssimo samba “O Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, que imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Aliás, essa música foi censurada na época da ditadura e teve sua letra modificada. Vejam o relato do compositor Aldir Blanc sobre esse momento terrível de nossa história:
“Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas a um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (…) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o “bonzinho”, disse mais ou menos o seguinte:
- Vocês não estão entendendo… Estão trocando as palavras como revolta, sangue etc. e não é aí que a coisa tá pegando…
Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um “telefone” nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:
- O problema é essa história de negro, negro, negro…“
Ufa… Com certeza é muita reflexão…
Só com muita umbanda no coração, com muita pré-disposição a mudar tanta história de dor e com o aconchego, amorosidade e benevolência dos Guias Espirituais para entender o privilégio que nós, médiuns umbandistas, temos ao manifestar essa religião que tanto bem faz, que tanto ajuda o povo, que tanto enxuga lágrimas.
Salve a marujada!
Salve todo povo da Umbanda!
Salve a Umbanda!!!
-
E para quem quiser saber mais sobre esse movimento histórico e ver algumas imagens marcantes assista o documentário produzido pela Globo News em comemoração aos 100 anos da Revolta da Chibata que está disponível mais abaixo.
Fonte pesquisa: História do Negro Brasileiro, Clóvis Moura,São Paulo: Editora Ática S.A., 1992 | CEFET (SP)O Mestre Sala dos Mares - João Bosco / Aldir Blanc
*letra original sem censura com as palavras modificadas entre parênteses
* vídeo de Ana Bia Musical* cantor desconhecidoHá muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro (feiticeiro)
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro (navegante)
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas (E ao acenar pelo mar na alegria das regatas)
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas (santos entre cantos e chibatas)
Inundando o coração de toda tripulação (do pessoal do porão)
Que a exemplo do marinheiro gritava então (feiticeiro)
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro (navegante)
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
Escrito por Mãe Mônica Caraccio
A UMBANDA CHEGOU… Cativeiro acabou!
Esses dias estive pensando , e claro reafirmando, como a Umbanda é ESPECIAL.
Ela se manifesta tão livremente, age em tantas dores, em tantas necessidades, em quase todos os momentos em que nos sentimos injustiçados.
Ela é tão ampla, receptiva e agregadora, haja vista os dois “exemplos” postados no blog dias atrás nos quais vimos a manifestação simples do espírito de Dom Helder Câmara se comunicando através da psicografia e Zeca Pagodinho com sua intensidade de crença afirmada em sua vida diária. Duas pessoas tão antagônicas e a Umbanda, com toda sua magnitude, interagindo com eles, seja pela facilidade de comunicação através da psicografia ou pela fé a São Jorge ou, se preferirem, a Ogum. É fato, a Umbanda “está” entre eles.
Ela é tão guerreira, movimentadora, transformadora, sustentadora, forte, vibrante e, ao mesmo tempo, maleável, doce, suave, terna, maternal… Sempre a vejo agindo no emocional das pessoas com tanta paciência e bondade que não me canso de saudar os pretos velhos agradecendo tamanha benevolência. Outras vezes, a vejo impulsionando as pessoas com tanta determinação e coragem que clamo aos Sagrados Orixás para que continuem abençoando todo povo da mata, nossos queridos caboclos. Sem contar as infinitas vezes que vejo a cura do corpo e do espírito acontecendo “assim”, em minutos, depois de algumas baforadas de charuto; as cargas negativas transformadas em esperança depois de alguns “simples” estalar de dedos; o choro compulsivo de desespero convertido em choro de esperança depois de um “singelo” abraço acolhedor e de certeiras orientações.
Momentos únicos que me fazem rogar, com o coração pleno de agradecimento, para que a Força Espiritual da Umbanda continue acolhendo seus Filhos de Pemba.
Força Espiritual da Umbanda que é constituída por espíritos elevados, espíritos que já passaram pelo plano material, espíritos que quando encarnados sofreram, lutaram, “brigaram” com seus deuses no auge das injustiças sofridas, espíritos que já sentiram a dor da ingratidão, do desrespeito e da falta de humanidade, estão aí as senzalas que até hoje choram, os índios que ainda se escondem, médiuns que teimam em negar seus ancestrais e suas missões espirituais… Enfim, é justamente essa Força Espiritual que nos acolhe, nos instrue, nos ajuda e nos direciona.
Como não se curvar diante da Umbanda e de suas infinitas possibilidades e manifestações? Como não olhar com amor, respeito e gratidão para esses espíritos que passam por cima de suas próprias lembranças e dores para nos ensinar a amar, a ter esperança e coragem?
É no mínimo “interessante” saber o quanto os negros sofreram com a escravidão e termos hoje a manifestação de Pretos Velhos nos Terreiros, ou ainda, saber o que os índios passaram, entre tantas dores, pelos piores furtos e termos hoje a manifestação de espíritos de Caboclos em nossa Umbanda auxiliando caridosamente, amorosamente e bondosamente tantas e tantas pessoas.
É, penso que melhor que usar a palavra “interessante”, seria mais correto, mais adequado empregar a palavra “grandiosa”.
Como é GRANDIOSA a capacidade de realização da Umbanda e como ela interage com o povo que sofre, que luta, que acredita e que resiste!
Isso mesmo, já perceberam o perfil das pessoas que vão aos terreiros de Umbanda? São, normalmente, pessoas que sofrem, que lutam, que acreditam, que persistem como foram os negros africanos na época da escravidão, como os índios na época da colonização. São pessoas que persistem, povo que luta, gente de garra .
É, a Umbanda é ESPECIAL mesmo… Ela é a manifestação de “gente”, de “povo”, de “pessoa” agindo, interagindo, fluindo e influenciando gente, povo e pessoa, bastando apenas estar disposto a dar um fim nos cativeiros da vida.
Acorda meu povo, cativeiro acabou, a Umbanda chegou…
Acorda Negro, acorda Índio, acorda Mestiço, acorda Brasil! O tambor está chamando, cativeiro acabou… A UMBANDA CHEGOU…
Redandá, casa de candomblé angola de Embu-Guaçu, São Paulogravado pela Barca no projeto Turista Aprendiz www.barca.com.br
Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda
Qual é sua corrente? Que tipo de elo você é?
Axééé…
Acreditem, temos tantas energias contrárias, posicionamentos julgadores, seres tentando negativar nosso trabalho que, quando percebemos a quantidade de pessoas que torcem, que gostam e que nos ajudam, ficamos deslumbrados e emocionados.
Claro que não damos muita importância para toda essa ação negativa, mesmo porque ela nos ajuda a manter nossas convicções bem firmadas na Lei de Pemba, assim como nos mantém sempre vigilantes.
Mas o assunto que quero compartilhar com todos vocês hoje não é, pontualmente, esse. Quero falar sobre a importância da EGRÉGORA em nossa vida e em nossa Umbanda.
Egrégora provém do grego “egrêgorein” = velar, vigiar, e indica a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas quando se reúnem com a mesma intenção, energia e vibração, ou seja, quando várias pessoas têm um mesmo objetivo comum, suas energias se agrupam e se “arranjam” formando um padrão, uma tendência, uma EGRÉGORA.
Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc.
Um exemplo de egrégora encontramos no hospital. O principal objetivo dos que ali estão é serem curados ou promover a cura, independente de êxito. Portanto, um hospital carrega consigo uma “Egrégora de Cura” que está no chão, nas paredes, no nome, nos frequentadores do hospital, nos funcionários, pacientes e visitantes. São muitas mentes voltadas para um único objetivo, isso é concentração de energia, isso é egrégora!
Percebam que existe então, a egrégora do amor, da piedade, do perdão, da fé, da cura, da alegria, da paz, assim como existe a egrégora do medo, do ódio, da discórdia, da inveja, da vaidade etc, dependendo somente de nossos pensamentos e sentimentos.
Vale saber que uma boa egrégora formada com pensamentos virtuosos, com força vibrante e positiva, é muito mais forte do que qualquer ação negativa individual. Portanto,criar, fazer parte e manter uma egrégora de Fé, Luz e Amor deve ser o maior objetivo de todos os médiuns, assim como deve ser a principal função de todos os Pais e Mães Espirituais, afinal, é a arma mais poderosa que temos contra qualquer investida negativa.
Acredito que com essa pequena exposição deu para perceber o quanto somos capazes e o tamanho de nossas responsabilidades perante tudo e todos, principalmente em nossos Terreiros onde é tudo muito acentuado, onde diversas energias, várias necessidades, múltiplas vibrações, centenas de espíritos estão interagindo conosco, médiuns trabalhadores.
Aliás, creio ser essencial que entendamos a importância da ‘união’, do ‘pensar junto’, do ‘desejar a mesma coisa’, do ‘firmar a corrente mediúnica’ com a mesma intenção, com a mesma vibração e com a mesma intensidade, assim como, creio ser importantíssimo que cada um dentro do terreiro perceba o quanto é responsável pelo outro e por todos.
Enfim, entender sobre “egrégora” é fundamental para qualquer médium, qualquer consulente, qualquer dirigente e qualquer ser humano que se preocupa em “fazer o melhor” e “viver bem”.
E para que consigam saber mais sobre esse assunto, acompanhem o texto abaixo deClaudio Zeus - extraído do livro “Umbanda Sem Medo” Vol I, que publiquei no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, quando ele fez dois anos (agosto 2008 – ed. 24).
Esse texto foi muito elogiado e norteou muitos médiuns e consulentes na época, portanto, espero que gostem, assim como, espero que com esse aprendizado, todos nós, médiuns trabalhadores, possamos dar as mãos, rezar e bater cabeça durante todos os trabalhos espirituais com mais responsabilidade, amor e compaixão.
Mais uma vez, agradeço o imenso carinho e a força de nossa egrégora manifestada em cada comentário, em cada agradecimento, em cada reflexão, em cada AXÉ.
Beijos carinhosos a todos e que nossa Umbanda possa estar em festa por nossas posturas e por nosso Saber.
EGRÉGORA
De Claudio Zeus – extraído do livro Umbanda Sem Medo Vol Iwww.umbandasemmedo.blogspot.com-
Se você é pai no santo ou médium frequentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer: Olha a corrente, gente! Vamos concentrar!
Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe!
O que é essa tal de “corrente”?
Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?
Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a “corrente” é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiental (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.
Essa questão da “corrente” ou egrégora é tão importante que vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto para que você possa perceber, se orientar e orientar a outros.
Vou tomar como exemplo uma gira de Umbanda, mas advirto que você pode adaptar minhas explicações para entender práticas espirituais, inclusive das Igrejas Evangélicas que fazem curas, etc.
Vamos considerar um grupo de 10 pessoas e partir do princípio de que TODAS ESTÃO UNIDAS POR UM MESMO IDEAL. Isso é a base de tudo!
Criada a egrégora como já vimos antes (pela união dos pensamentos direcionadas aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns “milagres”, desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (aí eu já estou falando de seres espirituais) penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver “correndo bem”).
Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.
As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.
A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de “abertura”. Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a “pregação”.
Se você for um estudioso e não carregar preconceitos, notará que nessas “pregações” há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam, às vezes, estão gerando a egrégora.
Fazer com que a assistência participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa, no entanto é uma prática esquecida e o que vemos em muitos terreiros é uma assistência quase que sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vêm de encontro ao que lhes interessa.
Dessa egrégora, como já disse, são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.
Por outro lado, se a corrente ou egrégora das “giras” não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores consequências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.
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Veja abaixo alguns tipos de complicações que podem ocorrer:
- Médium dirigente e/ou médiuns auxiliares não conectados positivamente com suas entidades de guarda o que pode provocar de imediato incorporações insatisfatórias, e insegurança – ANIMISMO.
- Perturbações por intromissão de entidades do Baixo Astral que encontram entrada fácil nesses casos.
- Problemas com médiuns e/ou assistência com relação até mesmo à integridade física, pois não é raro em sessões dessa natureza, haverem manifestações turbulentas de entidades descontroladas e médiuns idem.
- Cansaço físico de dirigente e médiuns ao final dos trabalhos pela perda energética sofrida. O normal é que quando se encerram os trabalhos, todos os médiuns se sintam em perfeitas condições físicas e, não se tratando de trabalhos de descarga e desobsessão, é normal até que saiam sentindo-se melhor do que quando chegaram, justamente porque conseguiram atrair uma grande quantidade de energia positiva da qual todos poderão desfrutar.
Observação: Existem mais situações que podem acontecer, mas vamos ficando por aqui, pois só as citadas já darão como consequências as que vêm após.
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Complicações que podem ocorrer com a continuidade dos problemas:
- Enfraquecimento crescente dos contatos entidade/médium.
- Corpo mediúnico cada vez mais inseguro.
- Dificuldades crescentes para a realização de trabalhos.
- Problemas começam a surgir na vida material de todos.
- Discórdias entre o grupo começam a gerar desentendimentos maiores.
- Formam-se grupos dentro do grupo dividindo a energia ao invés de somá-la.
- Doenças e dificuldades começam a aparecer.
- Como os contatos espírito/médium já não são tão positivos, torna-se difícil ou impossível a solução de problemas que antes eram nada (aí, não raramente começam a se consultar em outros lugares).
Para sintetizar: Todos serão altamente prejudicados por seus próprios atos e desunião e, como ocorre normalmente, ao final ELEGERÃO SEMPRE UM CULPADO – ou o dirigente ou a própria Umbanda (no nosso caso).
Ainda sobre a egrégora de terreiros de Umbanda, é preciso que se explique que ela, além de ser formada e nutrida com a energia gerada em cada reunião, também é favorecida pelas “firmezas” ou “assentamentos” que devem ser tratados, reforçados e respeitados.
Mais uma explicação.
Assentamento, como muitos podem crer, não é prática exclusiva das religiões Afro. Até mesmo elas “importaram” essa prática de Seitas e Religiões muito mais antigas.
Se os assentamentos estiverem bem “sintonizados” com as energias e entidades para os quais foram dirigidos, sabendo o/a dirigente acioná-los, eles serão de grande importância (caso contrário serão meros ocupantes de lugar), pois poderão trazer para o ambiente essas energias e entidades que beneficiarão sobremaneira a realização de trabalhos positivos.
-
Para resumir e ficar bem entendido, observe o seguinte:
- Energia positiva atrai energia positiva (o oposto também vale).
- Pensamentos (que geram energia) positivos atraem energias e fatos positivos (ou negativos…).
- Medo, insegurança e discórdias quebram a rotina da criação e da ação de energias positivas.
- Fé (certeza, convicção) provoca sempre a criação de energia e, quanto maior for, maior será a ação dessa energia.
- Egrégoras são energias que podem ser geradas e fortalecidas a cada dia. Se elas serão positivas ou negativas, dependerá de quem as criará.
- Egrégoras (se positivas) são de utilidade total em qualquer reunião para trabalhos mediúnicos. Quanto mais fortes, maior o auxílio que podem prestar.
- Egrégoras formam-se até mesmo em sua casa, seu ambiente de trabalho, etc. Só que nesses casos, como não costuma haver um direcionamento das energias que a formarão (a não ser em poucos casos) elas correm o risco de serem negativas.
Grupos desunidos, por mais forte que queira parecer o dirigente, estarão sempre a um passo da derrota em função de não conseguirem gerar o ambiente propício para a presença de Verdadeiros Espíritos Guias.
A disciplina e a união em torno de objetivos comuns são partes sólidas da base que construirá o verdadeiro Templo – aquele onde comparecerão sempre os Verdadeiros Amigos Espirituais.
Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”











