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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Lenda da bilha de São Jorge - Portugal

Olá!
Essa é uma história de fé, amor e coragem!
Que São Jorge possa valer sempre a todos aqueles que nele depositam a sua fé!
Lembrando que só alcançamos a vitória se formos merecedores da mesma e se tivermos fé firme e forte!
Salve São Jorge Guerreiro! Que ele nos proteja, nos valha e nos ensine a caminhar com muita fé, esperança e amor!!!


Foi nos primeiros dias de Agosto de 1385. O Sol dardejava o seu sopro de fogo sobre as terras de Portugal e Espanha. Corpos aquecidos e espíritos ardendo em febre! Ânimos mais exaltados ainda pelo calor da discórdia!

O rei de Castela levara até à Beira a sua invasão em território muito nosso. E o jovem rei de Portugal — rei havia apenas questão de meses — correu para a cidade do Porto para reunir tropas, descendo depois sobre Abrantes, onde iria encontrar-se com o condestável do reino. Este correra antes a Estremoz. Aí, aliciara gente. E fortalecido pela fé de vencer, chegou à cidade de Abrantes, onde iria reunir-se conselho.

O ar, demasiado abafado, quase não girava. No salão, os guerreiros acolhiam com desagrado a ideia de uma grande batalha. Sabiam que o rei de Castela tinha em campo mais de vinte mil homens, enquanto eles, se fossem sete mil, já se poderiam dar por felizes. Votavam, portanto, contra a batalha.


Apesar da pequena estatura, a figura direita e altiva do Condestável impressionava sempre quem o via, até entre os próprios inimigos. Fez-se silêncio quando D. Nuno Álvares Pereira se levantou para falar.

A sua voz soou firme e compassada.

— Senhores! O meu voto é contrário ao vosso e dir-vos-ei por quê. Se ficarmos inactivos — como é vosso parecer — será certa a ruína. Se aqui ficamos, o inimigo, sempre em maior número, nos buscará. Se nos alojarmos num sítio forte, fugindo dele, os Castelhanos correrão a sitiar Lisboa, que sentirá a nossa falta e a falta de mantimentos. Sem víveres, sem armada, sem soldados, com a infidelidade de alguns dos seus naturais, que será da nossa Lisboa? E, caindo Lisboa, cairão por terra todas as nossas esperanças! Não ignoro que seria prudente aguardar socorros de Inglaterra. Mas que poderá restaurar a perda de Lisboa, se ficarmos de braços cruzados, esperando um auxílio demorado? E depois, que faremos nós? Debandaremos então em correria, acção que designo de infamante?… 

Alguém contrapôs:

— E se formos para a batalha e a perdermos?

— Ganharemos pelo menos em honra! No entanto, se a ganharmos, como é minha fé, pela necessidade que temos de pelejar, a vitória saberá aligeirar tudo quanto nos possa ter acontecido!…

Depois, voltando-se para D. João I, que parecia abalado com as opiniões em massa contra a ideia de uma batalha imediata:

— E vós, Senhor, que aceitastes a coroa para defender o reino, perdereis toda a reputação que haveis adquirido se recusardes a peleja! Vede que a maior parte dos soldados contrários são visonhos ou andam atemorizados com as perdas passadas. Se os vossos gloriosos progenitores temessem estas desigualdades de opiniões, decerto não teriam ganho tão insignes vitórias. Senhor! Se outra for a vossa resolução, que não a minha, sabei que eu, só com os que me acompanham, pelejarei com o inimigo, pois julgo mais insofrida uma vida infame que uma morte gloriosa!

D. Nuno terminou a sua alocução. Sabia já ter dito o suficiente para saberem o que poderiam esperar dele. Todavia, os protestos levantaram-se calorosos. Achavam audaciosas, quase loucas, as ideias do Condestável. O conselho ficou adiado. Mas no dia seguinte D. Nuno Álvares Pereira passou com os homens que aliciara à cidade de Tomar, por onde o rei de Castela forçosamente passaria.

Ao ter-se conhecimento desta decisão, muitos fidalgos e chefes guerreiros propuseram a D. João I que castigasse o Condestável por tão audaciosa proeza. Mas qual não foi o espanto desses homens, quando o rei de Portugal decidiu:

— Senhores! Declaro-me também pela batalha! Quero ser rei de Portugal e não de Avis, como alguns para aí me apelidaram!

Houve certo burburinho, abafado pelo natural respeito ao Rei. E D. João I foi juntar-se ao Condestável, saindo de Abrantes depois de orar na Igreja de S. João. E chegaram a Aljubarrota a 14 de Agosto desse mesmo ano de 1385.


O mesmo sol continuava abrasando os campos, secando os regatos, sedentando as bocas. Cantavam as cigarras, que os pés dos soldados iam pisando nesse campo que D. Nuno escolhera para esperar o rei castelhano e todo o seu grande exército.

Pouco depois do meio-dia, os dois exércitos estavam frente a frente. Mas o rei castelhano não se dispôs logo a dar combate, receoso da sua posição estratégica.

Do alto, a luz solar caía a jorros, inundando o plaino de Aljubarrota e queimando as energias nessa enervante espera. Era fogo, o ar que respiravam. E da própria terra que as patas dos cavalos batiam saíam nuvens de pó que mais pareciam fumo. Começavam as bocas a sentirem-se sequiosas, os lábios a gretarem-se, as vontades a enfraquecerem. Então, D. Nuno procurou o valente Antão Vasques.

— Sabeis do que tenho temor? Não é do inimigo, é do sol! Os homens queixam-se de sede… e essa tortura será capaz de os derrotar, antes da luta!

Antão Vasques olhou o Condestável com ansiedade.

— E que fazer, senhor?

Olhando fixamente um ponto vago, D. Nuno meneou a cabeça.

— Perguntais bem, Antão Vasques! Mas creio que só há um caminho: encontrar água para os nossos soldados.

Perfilando-se, Antão Vasques pediu:

— Senhor! Se não vos opuserdes, tomarei eu conta de tal missão. Deixai que procure a água!

— Estais certo de a encontrar?

— Conto com a ajuda de Deus e de S. Jorge! Nem que tenha de arrancar água à própria terra, hei-de encontrá-la… e a vitória será nossa!

D. Nuno olhou-o com simpatia.

—Pois ide… e que S. Jorge vos proteja!

Sem mais ouvir, Antão Vasques correu imediatamente em busca dessa água bendita que poderia salvar as hostes de Portugal. Mas em vão parecia fazê-lo. Sob o sol abrasador, nem uma gota de água surgia nesses campos desertos! O desespero começou a apoderar-se do guerreiro. Mas conta a lenda que a certa altura da sua busca infrutífera, Antão Vasques desceu do cavalo e ajoelhou na terra escaldante. Dos seus lábios ressequidos subiu uma oração:

— Senhor meu Deus! Dizem que cada um de nós tem um Anjo da Guarda! Por tudo vos peço que me envieis o meu Anjo com um pouco de água!

E nesse mesmo instante, como uma miragem, Antão Vasques viu surgir, avançando para ele, uma graciosa camponesa com uma bilha de água na mão.

Murmurou, receoso de enganar-se:

— Será possível tamanho milagre?

Parecendo tê-lo ouvido, a jovem camponesa sorriu. Depois, chegando junto do cavaleiro:

— Senhor… creio que tendes sede. Tomai esta cantarinha e bebei. Tem água fresca e boa!

Antão Vasques nem chegou a responder. Aceitou a cantarinha e levou-a logo à boca, bebendo sofregamente. Só depois agradeceu à jovem:

— Graças! Esta água mata a sede… Mas é tão pouca… e nós somos tantos…

Voltou a camponesa a sorrir.

— Bebei à vontade, cavaleiro! A água não acabará assim tão depressa!

E com um gesto gracioso indicou a bilha que Antão Vasques conservava ainda nas mãos.

— Levai-a convosco e dai de beber aos vossos companheiros!

Antão Vasques olhou perplexo a jovem camponesa. Mas já ela lhe dizia, com certa autoridade na voz:

— Senhor Cavaleiro, não demoreis!… Os vossos companheiros também têm sede…

Sem mais acrescentar, afastou-se em direcção oposta à da batalha que ia travar-se. Duplamente contente, o cavaleiro gritou-lhe então:

— Adeus e obrigado por todos!

E aconchegando a bilha à sua armadura de guerra, Antão Vasques dirigiu-se quase correndo ao campo português, para contar ao Condestável o maravilhoso prodígio.

Entretanto, o rei de Castela, que hesitara em dar luta aos portugueses, preparava-se para atacar. E a água que a misteriosa donzela levara a Antão Vasques chegou no momento oportuno.

Corria de mão em mão, de boca em boca, a bilha pequena, cuja água parecia nascer dentro dela, não se sabe devido a que estranho milagre. Era um oásis de frescura e vigor! Renovamento das forças corporais e do espírito! Os ânimos fortaleceram-se. Havia desejo de lutar e vencer. Todo um exército renovado por ter bebido alguns golos de água de uma infusa de vulgar aparência!

Finalmente, os castelhanos resolveram atacar. A tarde já ia avançada. Supunha o inimigo que os portugueses já estariam exaustos da expectativa, quebrados, pela demora e pela sede. Iriam aproveitar-se dessa moleza em que julgaram envolvidas as nossas hostes. E o grito de guerra soou, como trovão medonho, abalando a terra de Aljubarrota!

Por montes e vales iluminados pela luz brilhante do Sol, subiu o clamor das trombetas, misturado com o ruído das armas e dos homens avançando em tumulto, à conquista de uma vitória esmagadora e decisiva. Mas, por milagre de Deus e esforço dos homens — contra o que os outros esperavam — os sete mil portugueses aguentaram a pé firme, estoicamente, aquela avalancha furiosa de trinta mil! O pó levantado do chão bailava no ar uma dança fantástica. Logo depois do primeiro embate, a surpresa do rei de Castela foi grande, e maior se tornou ainda quando os portugueses, manobrando com inteligência, envolveram o inimigo numa verdadeira tenaz de ferro e fogo! Era o princípio da maior vitóra militar de sempre!

De súbito, Antão Vasques entrou correndo na tenda de D. João I. Entrou chorando e rindo, simultaneamente:

— Senhor! Senhor meu rei! Deixai-me rir e chorar! Rio e choro de alegria! Os castelhanos fogem em debandada! E eu venho entregar-vos esta bandeira que pertenceu ao maior inimigo que tínheis no Mundo!

Caía a noite. Uma noite quente de Verão em que a Lua, qual grande círio, vinha pratear os campos cobertos de cadáveres, como se lhes quisesse prestar uma derradeira homenagem. A morte é sempre a morte, mesmo quando é dada ao inimigo e por uma causa justa.

Por entre as sombras da noite, fugia em debandada o exército castelhano, perseguido agora pelos aldeões. O próprio rei teve de disfarçar-se, mas foi reconhecido. E se passou a fronteira, deve esse gesto à generosidade do rei de Portugal. Entre os castelhanos que tombaram, alguns portugueses perderam também a vida, pela causa de Castela. Alguns portugueses que não souberam ter fé.

Noite de Verão e noite nas almas desse punhado de traidores! Entre eles, triste é dizê-lo, contava-se D. Diogo Álvares Pereira, irmão do Condestável. Todos possuem a sua cruz, e essa não foi pouco pesada a D. Nuno Álvares Pereira. Mas a batalha estava ganha com honra e glória! E embora o Condestável tivesse acreditado sempre no valor dos que tinha a seu lado, não deixava de crer também nesse valor extraordinário que permitira o feliz seguimento da luta — essa água milagrosa descoberta por Antão Vasques. Assim, no sítio onde a camponesa surgira com a cantarinha, D. Nuno Álvares Pereira mandou erguer a capela de S. Jorge.

E ainda hoje, em memória do extraordinário acontecimento, lá está sempre uma bilha de água, para dar de beber a quem passe e tenha sede.



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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O CAMINHO DAS BOIADAS – Histórias de Boiadeiros


A peonagem, quase toda nas selas, ouvia pálida de cansaço e desinteressada a cautela que o capataz pedia:
— Ocêis enlera as talha de cem trem de cada vez, na ponte, mas na hora que eu adetreminar. Não vai fazendo trem da idéia docêis não, proquê aqui ainda tem gerência. Não aperta não! B se num acauso depois a boiada estoura — o que eu não aquerdito proquê o tempo dos fantasmas já arribou pra longe — ocêis vêm pra culatra pra mode eles correr só pra diante, assim poupa u’a marcha. Os peão da chavelha vai tintiando de banda mas sem deixar a trenheira revirar nos pés pra donde saiu.
Moreno acabava de arrear o cavalo, juntando-se aos outros, mil vezes ouviu aquilo, cruzando, ao montar, com o olhar ruim do comissário.
A ronda, sob a chuva já bem fina, revirava para o caminho alagado a manada birrenta. A peonagem calada se punha automaticamente em suas posições, enquanto o berrante se afinava baixo, de ensaio, para o arranque de cruza-rio. Aos gritos roucos e desanimados, os peões ralhavam com o gado que custava a virar para o rumo. O tropel provocado, liderado pelas brabezas, refugava á toa, velhaco, do barro que espirrava.
Moreno imponente, berrante pronto, aguardava a voz do comissário. O grito sonoro da partida resvalou além ponteiro. O berrante gemendo deu arranque na boiada. O trinado melancólico do guampo, por um instante, despertou as emoções adormecidas nos peões extenuados. A boiada arrancou.
Lá atrás, um lenço colorido de cigano se requebrava em adeus no ar, amparando o choro convulso do berrante que ia morrer ali se entregando.
O chuvisqueiro babava esparso, quase a nenhum, enquanto a boiada, sem sossego, lá ia tremendo nervosa, o couro arrepiado, à moda de espantar mosquito.
O berrante repicando estudado chamava os peões para a frente. O rebanho atingia a estrada que, lá em baixo, se estreitando, emendava-se com a ponte.
O capataz atento, ao aviso do guampo, fazia esbarrar lenta a boiada, embolando-a para a travessia. As pilastras enormes da velha Afonso Pena se escancaravam ao tropel goiano na ânsia de vomitá-lo em Minas’.
O enxurro atenuado descia ponte adentro, igualando-se com o rio.
A fiscalização displicente aguardava pelo terceiro da entrada, talão nas mãos, o imposto que sempre meava com o governo.
O gado, mais largura, esbarrado para a travessia, aos tombos e arranques, caminhava afogado sob os urros doParanaíba.
O vento rasteiro começava a se elevar de novo. O berrante, firme, prendia, bem tocado, o avanço do rebanho.
O gado comprimido, retesado, se submetia inseguro ao acerco dos homens.
A peonagem, precisa, iniciava a manobra da divisão das talhas.
vento, subindo, farfalhou o copado das árvores. Uma chuva súbita se despencou de lá. O berrante desesperado recrudesceu o choro. O vento, cabra-cega, atingiu a manada. O berreiro intenso da peonagem, enlouquecendo a boiada. Sacudiu-se, violento, outra vez, o copado do arvoredo. Descarga repentina. Um berro sôfrego espantado. O tempo do clarão de um relâmpago. Tudo o que tinha vida, quedo. Um berro frenético reboa lancinante. Ponta de talha vacila para a esquerda. A peonagem se arremete. A corpulência molhada se comprime. Volta. Num só tempo, do ponteiro à culatra, arrancam para a direita. Tentativa de esbarre. Inútil. Assola o pânico. Cabeças baixas. Estoura a boiada. Os ponteiros recuam. A tropa da direita abre caminho. A culatra rápida passa à esquerda. A peonagem se arreda para longe a descargas de revólver. A retaguarda do tropel, virada já nos pés, arranca para trás, enquanto a tropa adestrada, firme, dispara paralela à massa sinuosa, perdendo terreno à arrancada. Cavalos esbarrados saltam loucos na ânsia de rebater cortando o turbilhão. O estampido contínuo, semelhante ao da enchente, esgaça num picadão sem fim o pau-baixo de beira-rio. O manga–larga espirituoso do capataz cospe-o longe a uma rodada. A gritaria dos homens, perdendo para o estouro, se avolumava mas refeita sobre o carretão compressor que prossegue vertiginoso. Estruge no planalto o ribombo dos res-sonos do pesadelo da natureza. Os primeiros bois pran-cheiam destripando nos chifres lascados os bofes dos que tropeçam neles, rodando. Galga o espigão que lhe refreia maneiro a disparada, dobrando já a cabeça-baixa da descida. O monstro cambaleia. O caos sonoro se indefine de vez na velocidade da descida. Olhos, a cascos, espirrando das órbitras triturados no estirão. Língua de bois mortos, palmo vomitadas, arrastam-se com bofes cem braças no amassador. Caudas levantadas, serpeando, serpeando, galgando no mesmo lugar; milhares de répteis boteando os céus. Orelhas hirtas ensurdecidas em desabalada pro fim do mundo. Potência enorme; flagelo de bárbaros em dois mil anos rasgando o ventre prenhe da terra, vazando olhos-d’água espertinhos que começam a chorar de novo. O chão se revolve em lama. Duzentas braças de arame farpado, cerca com quatro fios, cavalga légua e meia o dorso monstruoso da besta enfurecida. E o estouro ribomba longe no turbilhão de lama. Lascas de paus rachados baleiam à distância a peitaria larga dos cavalos. Os corpos quase um só, vermelhos de barro, do focinho à cauda, igualam um rancho velho que lá na frente os esbarra. Curva imensa, revirada sem razão; topa outra cerca atirando pelos céus postes de aroeira, rasgando a peitaria ampla nas felpas do arame frágil. Aberração teratológica, cada pata um tornado, arrastando formidável o chapadão. Mais uma rodada tremenda: cavalo e cavaleiro atirados a dez metros de distância, e o Evaristo vomitando sangue. Peão estacando brusco — cavalo sentando-se nas pernas traseiras ao escorregão do refreio —dando a urina ao Manuel — cura boa pra rodada ou qualquer incômodo de tombo. A maioria dos peões — pés fora dos estribos, os outros só com as pontas — esperam na correria suas vezes de rodar. Surge um córrego. Longe da passagem. A boiada se embola, junta-se mais, e um mar de aspas aglutinado reverbera batucando ritmos do fim do mundo. Visões apocalípticas; pescoços quebrados, corpo sobre eles. Os primeiros rasgam caminho represando o córrego grosso, e uma passagem chã que em três anos os carros-de-boi fariam, abre-se ante os homens. Os tombos da tropa frouxa sucedem-se já sem fim. Outro obstáculo avança célere: valo profundo, a esperança da comitiva. Vai o tropel sinuoso destruindo pelo mundo. Visão cinemascópica; estereofonía fabulosa, bois atropelando bois, embaralhado infernal e o valo virgem engole meia talha. O dorso vertiginoso se precipita sobre a ponte feita de corpos pela dianteira, aplanando barranco com barranco. Pernas quebradas tentando se levantar, agonizando, morrendo, e o estrupidar da cascaria vazando por cima. A tropa enqueixada, aos saltos e refugos, ensanguentando os cascos no montão de carne prossegue resoluta no estirão da boiada. Revolven do-se gigantesca a massa desenfreada se enchafurda arrasando u’a cabeceira. O brejal espalhado amaina o estampido de cascaria destruidora. A peonagem se arremete mais perto, avolumando-se o tiroteio. O cerco vai-se fechando. O monstro acuado expele tentáculos pra toda banda. Espirram pra cá e pra lá socas desnorteadas, esti-lhaçando-se o dorso imenso em partidas acéfalas. O tropel ensoado, cambaleando, já no trote cabeçudo de fim de estouro, se subdivide enfraquecendo-se, se perdendo sem rumo, desguaritado pela mata circundante. A tropa já confiante corta az nada os avanços das talhas livres. O ti-roteiro cessa. As pinholas e relhos chamuscam lapeando a manada indócil, enquanto os tentáculos do monstro vão–se reabsorvendo outra vez na origem. A tropelia prossegue pesada. Aos laços ágeis e precisos dos peões estacam bruscos os bois velhacos. A tropa suada prende — ancas para a cara da rês — a ponta retesada da amarra nas chinchas dos arreios. Bois urrando, a três cambalhotas, se entregam à peia certeira que o peão lhes passou. Homens em disparada emparelhados com reses renitentes pra voltar, deitados nas selas, pelas caudas lhe dão o tombo da revirada. A boiada começa a se juntar, aos atropelos, rodeando. Peões voltam das capoeiras mais distantes desistindo das arribadas, sob a gritaria infernal da ajuda no rodeio do grosso da talha. As blasfêmias recrudescem em contraponto à pancadaria, enquanto a brutalidade dos homens abate-se animalesca à vingança do estouro. Os olhos esgazeados da manada espavorida, há pouco invencível, piscam submissos, defendendo-se das chicotadas. O berrante implorando soluçava pelos ermos. O capataz esfarrapado — braço na tipóia — mandou dois peões levarem o Evaristo num bangüê para o pouso de beira-rio. Peões machucados, cambaleando nas selas — menos gritos — rondavam a boiada pela força do hábito. O tropel desabafado, lambendo os ferimentos, aguardava nervoso as decisões da comitiva. Moreno desolado, sobre o cavalo que batia frouxo, gemia pesaroso o guampo confortador. A culatra-manca, sã de repente à força do estouro, se deitava escornada — boca aberta, gemendo.
O comissário pálido gritou de novo e a manada moveu-se rápida. Marcha quase inteira de caminhada sobre a batida do estouro. No trajeto do desastre, o capataz abatido, com a ajuda de dois peões, lá ia enchendo os embornais com o couro das marcas dos bois sacrificados. Lombos de reses mortas eram arrancados, a golpe de faca, para o sustento da comitiva.
Os estragos se revelavam deprimindo o desolado patrão e a peonagem.
A boiada refugando, enlameando-se mais e mais, caminhava sem vontade seguindo de longe o ponteiro. A lama grossa revolvida segurava-lhes as patas, às vezes até a barriga, na batida que ainda agorinha era senguê.
O dia úmido, enchuvarado, lá ia grimpando.
O rebanho irrequieto reduzia mais e mais a força dos homens e dos cavalos.
tronqneira chegou enquanto, os olhos cansados dos homens, com laivos de esperança, acompanhavam a recontagem. O Ponteiro gritou ao comissário:
— Do estouro pra cá, mil e trezentas cabeças. O capataz derreado;
— Mil e trezentas cabeças, confere. Vinte e um mortos no estirão, com três de perna quebrada; cento e dez dearribada.
A praça amojou de novo.
Os peões se designaram nos quartos da ronda, alquebrados, cambaleando, enquanto da ciganada, lá longe, olhando curiosa, a Candeia comentava:
— Voltou pra trás a corja de trem à toa. Nem o serviço deles, os coisas não sabem fazer…
E virando-se para Maria que também olhava, olhos brilhando, continuou:
— É com esses cachaceiro e raparigueiro dos infernos que ocê arrumo rolo…
No rancho, a janta pesada era engolida sôfrega, e os homens mal humorados, se insultando, de qualquer geito tombaram de cansaço.
A ronda dormindo nas selas — Moreno sendo substituído — guardava por rotina o tropel desafogado.
O ronco surdo do rio embalava o descanso doentio de boiada e peonagem.
A noite calma e úmida se sacudia ao ressonar vigoroso do arrancho.
Moreno estirado em uns baixeiros, ainda com as mãos no cinto de apertar a calça de couro, como quem ia sair, cochilando sem querer, ouviu seu nome repetido. O cansaço mórbido; venceu-se a custo e, assustado, pôs-se de pé num salto.
— Moreno… Moreno… Ouvia outra vez.
Mão no trinta-e-oito, saiu do rancho e negaceando esbarrou em Maria. A cigana envergonhada — aventuresca —-arrependendo-se da ousadia, curiosa, entrou falando-lhe:
—Que coisa mais sem seca foi o estouro da trenheira. Nóis viu daqui quando o trem dobrou acolá afora… Eu fiquei com cuidado mode ocê. .. um soluço montou nos meus peito até o prazo da volta sua…
O peão continuava calado, ouvindo.
A menina vacilando, sem jeito, continuava:
— .. .E eu vim te trazer outro adeus e ver se não te aconteceu algum trem, Moreno…
O Ponteiro sem vontade, num gesto de aborrecimento, emendou devagar:
— Eu já estou acostumado, e é pra mode esse serviço que eu dou a minha vida. E não tem chuva braba nem estouro que murgiieia isso da minha idéia.
A meia-cigana querendo encompridar a conversa, sem compreender jamais a beleza de uma crença — criança pura sem nenhuma convicção — curiosa simplesmente, entrou outra vez:
— Há de ser mesmo perigoso essas lida docêis tudo e é pra ser bom vaquejar nesses galope de parelha com ote-beiro estourado, que nem dia de hoje…
E sem parar prosseguia tagarela:
— E essa trenheira que os outros chamam de arribada, qual é o que vai fazer o pega?
Moreno displicente lá ia desinteressado ouvindo a ingenuidade leviana da menina, que falava naquilo como se fosse mutirão ou pagode, o desanimado, apenas respondeu–lhe presunçoso:
— É pra ser eu o arribador proquê outro caboclo, nem melhor nem igual, tem na comitiva, nem nesses mundo de meu Deus nasceu até agora.
Maria chocada, refazendo-se voltava:
— .. . E que trem bonito é a modinha do berrão. Ah! eu tinha vontade de saber soprar êle.. .
Moreno impaciente, aborrecido, cortou-a brusco:
— O que ocê fala chama berrante!
O peão com a mão nos seus cabelos, ambos calados, alisava a nuca da menina que se ia arrepiando; brilhavam os olhos.
O vento — cobra doida — se enroscava arfando uma lobeira carregada. As frutas polpudas balançando. O vento atacando.
Fonte: Histórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda. Desenhos de J. Lanzelotti. Ed. Literat. 1962
O berrante gemendo deu arranque na boiada. O trinado melancólico do guampo...

O VAQUEIRO TANGERINO DO SERTÃO


tanger boi
(Percy Lau)
O TANGERINO
Octávio Pinto
AINDA não se escreveu a história dos nossos tangerinos. Poetas e cantadores já enalteceram a personalidade e a bravura dos vaqueiros. Rui e Euclides da Cunha descreveram em páginas imortais o "estouro das boiadas". Mas, tangerino continua ainda desconhecido, apesar de ter tido um passado brilhante e uma vida tão cheia de heroísmo e sacrifícios.
Quem conhece o sertão nordestino e as feiras de gado não pode deixar de admirar a figura do tangerino, que difere muito da do vaqueiro. Este é imponente e admirável em sua indumentária toda de couro, impressionando ainda mais quando esporeia o fogoso corcel que levanta as patas para o ar como se quisesse dar um salto mortal, que salta, que rodopia, que corre, ressaltando a segurança do montador. O vaqueiro é intrépido, bravo, audacioso, ágil e forte. Sabe montar com destreza e vive em correrias desenfreadas atrás dos bois, penetrando às vezes no mato fechado por onde muito mal passou o garrote bravio. No curral ou no campo laça o touro de longe e nas vaquejadas em louca disparada derruba o novilho pela cauda, num golpe audacioso e rápido, conquistando os aplausos de toda a assistência. Dai, as lendas, as histórias e as cantorias do sertão sobre a coragem e as façanhas dos vaqueiros. Até as vaquejadas são descritas com um colorido bem forte de entusiasmo e intrepidez, onde se procura a cada momento e a cada lance salientar o valor dos nossos destemidos vaqueiros. E é realmente, um espetáculo digno de admiração e louvor, que arrebata os mais vibrantes aplausos dos espectadores.
O tangerino não anda vestido de couro nem sabe montar. Traja sempre roupa comum, chapéu de palha de carnaúba, alpercatas, chicote, trazendo às costas a rede dentro de um saco de couro e os utensílios para preparar as suas refeições. Em seus trajes característicos e sua vida nômade, assemelha-se a um cangaceiro desarmado. Anda mais de um mês a pé em cada viagem, conduzindo de muito longe as boiadas para as feiras de gado, enfrentando a terrível soalheira que asfixia e que queima a terra, transformando aquela região num inferno de brasas.
E chega coberto de poeira das estradas, estropeado, sujo, barba e cabelos crescidos, às vezes esfomeado, parecendo mais um bicho do que um homem. Dorme no mato ou nos currais das fazendas onde arma a sua rede que nunca foi lavada, enquanto o gado fica pastando. Mal surge, porém, a madrugada, ei-lo novamente a caminho, cruzando estradas, atravessando rios, matas, serras e montanhas, viajando muitas vezes à noite para alcançar um pouso melhor, onde os animais encontram água para saciar a sede de uma viagem de muitos dias sem descanso.
Quando um dos bois está estropeado pelos espinhos, o tangerino calça-lhe umas alpercatas especiais, aliviando o sofrimento do pobre animal que agora já pode suportar a longa caminhada. E se sucede uma rês se extraviar do bando, o tangerino não se inquieta. Êle conhece todos os recantos do sertão e as manhas que esses bichos têm. Sabe onde a rês se escondeu ou onde ficou perdida. E vai certo ao seu encalço. Quando o boi é bravio, o tangerino coloca-lhe uma máscara de couro ou, então, amarra-lhe um pau no pescoço, deixando uma das extremidades tocar no chão, dificultando, deste modo, o movimento do animal, que é obrigado a andar devagar. Para tudo o tangerino encontra um jeito, contanto que a boiada chegue sem novidades ao seu destino. Êle sabe também o mato que o gado não deve comer e aquele que serve de remédio. E com aquela sua cantilena característica, aqueles gritos prolongados e monótonos que reboam pelas quebradas das serras, o tangerino vem trazendo de muito longe as boiadas para as nossas feiras, ganhando por esse serviço tão árduo e perigoso, salário insignificante.
Quando as feiras terminam ao cair da tarde, ei-lo de volta para as fazendas do Ceará, do Piauí, da Bahia ou de paragens mais longínquas, em busca de novas boiadas, percorrendo a pé centenas de léguas, numa faina para êle tão simples e comum, mas que encerra um mundo de sacrifícios.
No Brasil já se ergueram estátuas em homenagem ao cavalo, ao boi e ao cão. Ninguém se lembrou ainda de perpetuar no bronze a figura admirável do tangerino. A êle não devemos apenas o desenvolvimento de nossa pecuária e o abastecimento de carne verde à população. Foi o tangerino no tempo do Brasil colônia, no chamado século do couro, o desbravador dos nossos sertões, para onde depois chegaria o progresso da agricultura, da indústria e do comércio. As atuais estradas de rodagem, ligando povoações e vilas, cidades e estados, o litoral ao sertão, foram caminhos abertos por eles nas matas e serras para a passagem primitiva do gado. E dos antigos currais de gado nasceram cidades. Foi, na verdade, pelos roteiros das boiadas, pelos caminhos abertos pelos tangerinos, que penetrou primeiro a nossa civilização.

VAQUEIRO DO RIO BRANCO – Tipos e aspectos do Brasil



Tipos e aspectos do Brasil – coletânea da Revista Brasileira de Geografia Fonte: IBGE – Conselho Nacional de Geogragia. 8ª edição. Rio de Janeiro, 1966.
VAQUEIRO DO RIO BRANCO
José Veríssimo da Costa Pereira

APROPRIADOS à criação de gado, em geral, os vastos campos do Rio Branco constituem o cenário onde se desenvolve a atividade de um tipo humano que, sem possuir as características somáticas e psicológicas do gaúcho e as singulares formas de adaptação a um meio hostil, sintetizadas expressivamente no vaqueiro do Nordeste, merece contudo apreciação, embora ligeira, nestas páginas dedicadas aos TIPOS E ASPECTOS DO BRASIL.
É o vaqueiro do Rio Branco, cuja presença nas pastagens naturais do curso superior do rio, imprime um traço de indiscutível personalidade à paisagem cultural do estado do Amazonas.
No gênero de vida que leva e no horizonte de trabalho em que evolve, efetivamente há oportunidade para se estimar o valor de um modo de colaboração harmoniosa entre a natureza e o homem, este ajustado às condições do meio físico, ajuste que se traduz, no caso, pela repercussão sensível, por exemplo, na forma do povoamento disperso, não ribeirinho, totalmente discordante do tipo freqüente no território do estado.
VAQUEIRO DO RIO BRANCO
(Percy Lau)
A atividade do vaqueiro do Rio Branco encontra-se ligada à vida das fazendas de criação disseminadas por entre os 2o e 5o de latitude norte, das quais comprovadamente — São Marcos, São Bento e São José foram as primeiras fundadas e estabelecidas nos três ângulos formados pelos rios Branco, Tacutu e Uraricuera.
Oriundos das tribos circunvizinhas — Macuxis e Uapixanas principalmente, que povoam os campos onde se localizam quase todas as fazendas, o vaqueiro do Rio Branco por tal circunstância já contrasta com os tipos clássicos da nossa atividade pastoril, subsistente na campanha sul–riograndense e na caatinga espinhenta e ressequida do sertão nordestino.
De origem Cariba, quando Macuxi, de procedência Aruaque, ou Nu-Aruaque, quando Uapixano, o vaqueiro do Rio Branco, de ordinário não traz barba, muito menos como a exibe fartamente, o modelo, apresentado por Jacques Ourique, em O Vaie do Amazonas — Edição Oficial — 1906, que o desenho ao lado reproduz.
Se não possui como no Sul, ou no Nordeste, indumentária especial, veste, contudo, roupa adequada ao exercício da profissão, sem constituir o traje, entretanto, espécie curiosa de armadura, como aquela indispensável à luta do vaqueiro contra a agresividade do meio físico, na caatinga — de galhos tortuosos, crivados de espinhos.
Nas suas imensas campinas apenas de quando em vez interrompidas pelas "ilhas de mato", capões que vestem as margens dos rios e das lagoas, ou que podem cobrir os "tesos", lombadas de até uns 200 metros de altitude.
não tem o vaqueiro do Rio Branco, com efeito, necessidade de se vestir de couro quase da cabeça aos pés, como sucede com o campeiro do Nordeste.
Ao invés de trazer à maneira nordestina, jaqueta de couro, usa o casaco de mescla, ou o blusão de algodãozinho.
De couro, bastam-lhe duas peças.
Não calça perneiras de couro até os quadris, porquanto lhe são suficientes as polainas de pele de veado, pele curtida, aliás, com o emprego de uma planta tanífera de preferência, lá mesmo no seu campo limpo forrado de gramíneas de pequeno porte e de ciperáceas menos variadas e numerosas do que as do Planalto Central do país.
Se usa sandálias de pele de veado, dispensa por desnecessárias, as resistentes luvas de couro, tão úteis e tão caras aos profissionais do gado, na caatinga.
Não traz como o nordestino, chapéu de couro grosso com jugular, nem o chapelão de abas largas, de forro e copa achatada, típico do vaqueiro marajoara.
O seu é um chapéu de palha ordinário sem nenhum requisito especial, como o de Marajó que, entre a copa e o forro, encerra folhas secas, a fim de evitar a ação dos raios do sol e a entrada de água da chuva abundante.
A planura em que trabalha, não obstante ser ainda mal conhecida climatológicamente, beneficia-se de brisas diárias frescas e às vezes fortes dos quadrantes NE e SW, as quais, tornando a temperatura amena e constante, contribuem para suavizar o clima da região, cuja média anual de queda de chuva é cerca da metade da quantidade caída em Marajó.
O regime de trabalho do vaqueiro do Rio Branco está, como em toda parte, em relação estreita com os usos e costumes gerais do agrupamento de que a unidade é a fazenda de criação.
Embora as pastagens no Rio Branco sejam comuns, as fazendas se dividem em secções ou "retiros", tendo cada qual seu encarregado subordinado ao "capataz" da fazenda, que a administra ordinariamente em nome do dono.
Fazendas e retiros no Rio Branco, como no Rio Grande do Sul e no Nordeste, possuem ótimos peões e campeiros cujo número varia com a quantidade de gado de que a fazenda dispõe.
No Rio Branco, porém, peões e campeiros são recrutados quase sempre entre os índios mansos e mestiços, os quais por hábitos atávicos de existência, com facilidade se adaptam a baixos salários e ao gênero de vida que a planura sugere.
Tendo o direito de matar gado para o próprio consumo, o vaqueiro do Rio Branco é um carnívoro que logo após o cafezinho da manhã, ao sair da rede onde passa a noite, "segura o peito" quatro horas antes do meio dia, isto é, alimenta-se de carne cozida, leite, farinha-d’água e café, tudo isto antes do almoço propriamente dito.
É quando — laço de couro em punho, de uns vinte a trinta metros de comprimento — parte para o serviço diário, ao qual se aliam os préstimos do cavalo, notadamente nos "lavrados" ou campos extensos sem vegetação arborescente ou com raras árvores.
Campeiros, peões, e de modo geral todos os trabalhadores do Rio Branco, são denominados caboclos e possuem, segundo o testemunho do médico e monge D. Vicente Álvaro de Oliveira Ribeiro — O.S.B. — que lá viveu durante três anos, sentimento cristão pronunciado, além de intenso apego à família.
Honestos, bons, prestativos, hospitaleiros, continuam realizando na clareira da mata amazônica, o milagre da humanização de uma paisagem situada a grande distância dos grandes focos da civilização nacional.
A paisagem, que do ponto de vista físico já se integra nos 60?<-o do nosso território de flora geral, quanto ao aspecto humano e político, é 100% brasileira, de vez que as características de brasilidade apresentadas pelos humildes vaqueiros do Rio Branco, aliadas ao seu gênero de vida e seu regime de trabalho, são de molde a se poder afirmar que eles atuam no seu quadro geográfico, como se acaso estivessem cumprindo, exclusivamente por educação, o significativo lema da nacionalidade.
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.