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quarta-feira, 13 de maio de 2015

13 DE MAIO – DIA DOS PRETOS VELHOS!

Pretos Velhos


Apesar de toda a história de dor, injustiça e sofrimento enfrentado pelos negros no Brasil, após passarem pela sofrida expiação, desencarnaram e alcançaram a evolução.
Foram acolhidos por Zambi e Oxalá na Aruanda e hoje em dia baixam em nossos terreiros, trazendo a paz, a sabedoria e, principalmente, ensinando-nos a importância  do amor ao próximo, da humildade e da caridade.

Devemos aos pretos velhos todos os conhecimentos dos Orixás, pois o culto à Eles nasceu no continente africano.

As sessões de pretos velhos são marcadas pela calmaria que invade o terreiro. Uma sensação de paz e amor toma conta do ambiente, fazendo com que os filhos de fé sintam essa energia de luz e de sabedoria que se manifesta.
Os atabaques são tocados de maneira mais leve, mais suave. Assim como com qualquer outra entidade, todo o respeito é prestado para com nossos vovôs e vovós. Geralmente, tais entidades chegam arcadas, demonstrando o peso da idade e o sofrimento que tiveram.Os pretos velhos quando manifestados, gostam de sentar em seu “toco” (um banquinho), fumar seu “pito” (cachimbo ou palheiro) e auxiliar aqueles que precisam. Com sábios ensinamentos, sabem tocar na ferida moral de cada filho de fé, ensinando a maneira correta de se viver, qual seja: Com amor ao próximo, com amor em Deus e com a prática constante da caridade.

Os pretos velhos não gostam de luxo. Preferem que seus médiuns estejam com a boa e velha roupa branca, miçanga e muita disposição para ajudar quem precisa. Atuam também no campo da cura, aliviando, com receitas simples e humildes, as dores dos enfermos que batem em nossas portas.
Nossos vovôs e vovós também são “mandigueiros”. Desmancham qualquer magia feita, tiram de cima do obsediado todas as cargas negativas e “maus olhados”, além de abrirem os caminhos e dar muita proteção no dia-a-dia.
Geralmente, utilizam em seus benzimentos e trabalhos a arruda, o guiné, o rosário, o crucifixo, água com mel, vinho, cachaça, velas, fumo, etc.
São entidades ligadas a Linha das Santas Almas e a vibração de Omulú, apesar de existirem pretos e pretas velhas de outros Orixás, como por exemplo,  a linha de Quenguelê de onde vêm pretos velhos de Xangô. Sua linha também é conhecida como “Yorimá”.
Os pretos velhos representam a resignação, a humildade, a superação, o amor incondicional, a caridade desinteressada. Atendem a todos, independentemente da cor, classe social e religião e repudiam qualquer forma de promoção e cobrança.
Nossos vovôs e vovós também podem ser o guia chefe de um terreiro e comandar as sessões de desenvolvimento, apesar de tal encargo ser mais comum aos caboclos.

Os pretos velhos também são organizados em falages, nas quais, inúmeros espíritos se agrupam sob o mesmo nome.  As mais conhecidas são: Pai Joaquim; Pai Francisco; Pai Maneco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Antônio; Pai Roberto; Pai Cipriano; Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Guiné; Pai Jacó; Pai Benedito; Rei Congo, Pai Anacleto, Vó Cambinda; Vó Cecília; Vó Maria Conga; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Quitéria; Vó Benedita; Vó Cambinda; Vó Rita; Vó Rosa; Tia Catarina, Tia Luiza, Mãe Justina, etc.
Esses nomes são adicionados, geralmente, ao nome do local de onde viveram ou de onde vieram. Por exemplo: Pai João de Angola; Pai José de Aruanda; Mãe Maria de Minas; Pai João do Congo, Pai Cipriano das Almas e assim por diante.
Suas cores são o preto e branco e também o amarelo.
Sua saudação é “Adorei as almas!”


Como fazer uma oferenda para os Pretos Velhos.

1 copo de café preto forte sem açucar
1 copo de cachaça com melado de cana-de-açucar, ou vinho moscatel doce
1 broa de milho (fatiada) com bastante erva doce que você deve preparar e cobrir com côco ralado
3 margaridas brancas
3 cigarros de palha
3 velas bicolores pequenas (preta e branca)
7 galhos pequenos de alecrim fresco para colocar entre as fatias da broa de fubá.

Coloque a broa sobre um prato (papelão preferencialmente), e distribua os outros ingredientes de forma harmoniosa em um jardim, mata ou praça. O café  e a cachaça podem ser despejados ao redor da oferenda e não esqueça de recolher os copos. Faça uma prece para que os pretos velhos ajudem com seus pedidos. Acenda as velas ao redor, com cuidado para não provocar incêndios e siga sem olhar para trás.

Oração aos Pretos Velhos no mês de maio

Faça a oração por dois domingos seguidos após as 18:00 h. Acender uma vela branca comum para os Pretos Velhos antes de iniciar a oração em cada domingo garantindo mais firmeza, concentração e iluminação para seu espírito no momento da prece.

“Meu pensamento eleva-se ao teu espírito e peço perdão.

Que tuas guias sejam o farol que norteie minha vida.

Que vossa pemba trace o caminho certo para todos os meus atos.

Que vossas palavras, tão cheias de compreensão e bondade, iluminem minha mente e meu coração.

Que teu cajado me ampare em meus tropeços.

Ontem te curvastes aos senhores…

Hoje, ajoelho-me aos teus pés pedindo que intercedas junto a Oxalá por mim e por todos que neste momento clamam por vós.

Maleme e paz sobre meu lar e que a luz divina de Obatalá se estenda pelo mundo.

E que o grito de todos os orixás sejam o sinal de vitória sobre todas as demandas de minha vida.

Maleme as almas.

Maleme para todos os meus inimigos, para que saiam do negrume da vingança.

E encontrem fonte fecunda e clara do amor e caridade.”

Oferenda de Firmeza para os Pretos-velhos (Por Rubens Saraceni)

Firmeza de Preto-velho no Cemitério

Muitos médiuns e dirigentes de Umbanda acreditam que basta incorporar seus guias para que eles comecem a trabalhar no atendimento às pessoas que vão aos centros em busca de auxilio.

Mas isto não é verdade e antes de um medium começar a dar atendimento ele deve firmar seus guias nos seus campos de atuação, sob a irradiação dos orixás que os regem e sustentam seus trabalhos.

Mesmo que um medium já esteja incorporando muito bem seus guias, ainda assim é preciso que ele firme todos os seus guias antes de começar a dar passes e consultas, e em hipótese alguma deve deixar para depois estes procedimento básicos e indispensáveis a um bom trabalho de atendimento às pessoas necessitadas.

Sim! Sem estar com todas as suas forças espirituais muito bem identificadas e firmadas em seus campos vibratórios, de já terem seus colares ou guias de trabalho cruzadas e consagradas, de já terem riscado seus pontos de firmeza, não se deve permitir a um medium novo que dê atendimento às pessoas dentro de um centro.

E isto, por duas razoes:

1ª- Só com as forças devidamente firmadas elas poderão fazer um bom trabalho para os necessitados, por que contarão com a cobertura dos orixás que regem o campo em que atuam.

2ª- Só com suas forças espirituais bem firmadas um medium pode mexer com certas forças que entram com as pessoas que precisam ser ajudadas.

Se dou esse alerta é porque já estou cansado de ver medium ficar 1, 2, 3 anos frequentando os centros, girando e ajudando os trabalhos sem que tenham ido à natureza firmar corretamente as suas forças espirituais, que querem trabalhar, mas não podem mexer com coisas pesadas porque seus mediuns não têm o preparo necessário.

Durante o desenvolvimento, sem pressa e só após o guia se identificar, é dever, é obrigação de o medium firma-lo em seu campo vibratório na natureza, e fazer bem feita essa firmeza, dando ao guia os recursos necessários para que ele tenha meios de ajudar as pessoas necessitadas.

Mas não adianta só ir à natureza e dar uma oferenda ao guia que tudo estará resolvido.

Não mesmo!

É preciso que a firmeza seja feita dentro de certos procedimentos para que tenha validade.

Procedimentos para firmar a força de um Preto Velho (a) no Campo Santo:

1º - Adquirir todos os elementos necessários: -(comidas e bebidas de preto velho), velas e flores de crisântemos brancos.

Comidas: bolo de fubá, arroz doce, canjica, pipocas estouradas e sem sal.

Bebidas: Café, agua, vinho licoroso branco, agua de côco, Sempre em acordo com o que ele pedir ou intuir ao seu medium.

Velas: - 7 velas brancas para o circulo da oferenda.

Mais uma vela branca para o Pai Obaluaiê, 1 vermelha para o Pai Ogum Megê, 1 amarela para a Mãe Iansã que deverão ser acesas em triangulo, (antes de se fazer a oferenda ao Preto Velho), na frente do cruzeiro das almas, e dentro dele o medium deve colocar uma vela branca para si e pedir a benção e a proteção destes orixás.

2º - Após firmar os orixás em triangulo o medium os saúda, pede-lhes a benção e a proteção. Depois pede licença para firmar seu Preto Velho no Campo Santo.

3º - Depois recua 7 passos largos para traz dando o primeiro com o pé direito e, no sétimo. Ajoelha, cruza o solo com a mão direita, saúda seu Preto Velho ou sua Preta Velha, e lhe pede licença para firmar ali, diante do Cruzeiro das Almas, a sua força.

4º - A seguir pega os elementos e começa a fazer a firmeza: - acende as velas brancas em circulo, coloca um pedaço de pano branco sobre o solo e deposita em cima dele um alguidar ou um prato de papelão com as pipocas, cruza-as com o mel; a seguir coloca os ramos de crisântemos brancos entre as velas, e com as flores viradas para o lado de fora do circulo de velas; a seguir coloca as comidas e as bebidas ao redor do alguidar, com cada um dos elementos acondicionado dentro de um recipiente adequado e biodegradável. (Os vasilhames usados para leva-los devem ser recolhidos pelo medium).

5º – Após fazer a firmeza o medium deve cantar pontos ao seu Preto Velho (a) ou fazer uma oração, pedindo lhe que firme suas forças no Campo Santo, para que possa, já firmado, incorporar no Centro e fazer a caridade espiritual ajudando os necessitados.

6º - Caso o Preto Velho incorpore, o cambone ou a pessoas que esta acompanhando deve atendê-lo, conversar com ele e servi-lo com o que ele pedir.

7º - Depois, o medium dever pedir a benção e o axé dele, dar 7 passos para traz e se retirar.

Obs. O medium deve pedir licença na porteira para entrar e para sair do Campo Santo e sua firmeza deve ser feita com respeito, reverencia e muito amor no coração, pais é um ritual sagrado de Umbanda essa firmeza de forças e, assim como ele é necessário, ele tambem trara inumeros beneficios para o medium.

Essas oferendas são as mais usadas, eu normalmente no dia dos pretos velhos no cafe da manhã café preto (amargo), bolo de fuba ou mingau de arroz ou milho e ofereço no pé do Pìlão que tenho retalhado a mão e centenário que já vem de geração, e flores brancas ao seu redor, no almoço faço o tutu (que meu preto velho adora), couve, toucinho, costelinha de porco frita, milho verde cozido, mandioca, arroz branco, uma fruta(no caso do meu laranja ou banana que ele adora), com uma caneta de barra de vinho. Acendo uma vela branca e faço meus pedidos, agradeço e faço uma oração.

Mas fica a critério de cada um como fazer a oferenda e desde que faça sempre de coração é bem aceita por qualquer entidade.

Muito axé a todos!


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segunda-feira, 4 de maio de 2015

A LINHA DAS ALMAS





O chefe da Linha das Almas é Dom Miguel, que, no sincretismo católico-umbandista corresponde ao arcanjo São Miguel.

A Linha da Almas, da Umbanda, é uma legião de todos os espíritos dos cultos africanos. Possui grande força porque trabalha em todas as linhas. Os EGUNS e os CACARUCAIS constituem os elementos dessa linha.

Nessa linha, não se usa o jogo de búzios mas, o espelho psíquico e a raiz de ervas, como a GUINÉ, o MILHOMEM, ETC.

Na Linha das Almas, não baixam orixás, mas espíritos desencarnados e espíritos da natureza, que não são orixás. Os seus apetrechos são: tigela branca, rosário, crucifixo e cachimbo(CAXIMBI).

Quando arriado, o espírito da Natureza bate e geme no peito. Não fala. Dá fortes gritos. Esses espíritos são chamados para SAKAANGA, isto é, para desfazer o mal e destruir malefícios enterrados. Praticam também, operações invisíveis.

Nessa linha, faz-se defumador forte, de guiné, pau d'alho e outras ervas. Tratam seus parceiros de KAMBA(homem) e MUKAMBA (mulher). Esses protetores sempre trabalham com a vela acesa na frente pois, os seus "CAVALOS" às vezes abrem os olhos. Os elementais, ou espíritos da natureza, quando manifestados na Terra, perdem sua visão. Trabalham com vinho (sangue de Cristo) ou erva quinada, servindo esta também de garrafada de remédio. Os elementais sempre se acompanham de 3 ou 4 almas.

O ponto riscado contém vela e copo. O punhal denomina-se "Ponteiro".

Existem, hoje, vários terreiros de OMOLOCÔ cruzados com a Linha das Almas. Quando o iniciado vai fazer obrigação na linha das almas é coroado. Usa vestes brancas.

Fonte: http://oxalaorei.blogspot.com.br/p/linha-das-almas.html

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Guias de Trabalho: Pretos Velhos


Pretos Velhos

Os Pretos Velhos na Umbanda são entidades elevadas que se apresentam estereotipados como anciãos negros conhecedores profundos da Magia Divina e da manipulação de ervas. São excelentes mandingueiros, mestres dos elementos da natureza, os quais utilizam em seus benzimentos e trabalhos espirituais.
Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro durante a escravidão, a Linha de Pretos Velhos reflita a humildade, a sabedoria, a paciência e a perseverança. Vale dizer que não necessariamente todos foram escravos; sua sabedoria e humildade são características marcantes e sua calma e ensinamentos são profundos, daí também a referência a estes iluminados seres da Criação. A característica principal desta linha é a sua elevada orientação espiritual.
A Linha de Pretos Velhos na Umbanda é regida pelo mistério Ancião, na força do Orixá Obaluayê que é o Orixa sustentador da Evolução, da transmutação e transformação dos seres. Mas os Pretos Velhos também se apresentam e transitam dentro da linha de outros Orixás.

Regência principal: Obaluayê

Campo de atuação: Sabedoria e Perseverança
Cores: Branco

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Pai Serafim de Aruanda



O Mensageiro de Ifá.


Serafim nasceu em Senzala Carioca, no ano de 1673. Seus pais eram escravos convertidos ao catolicismo e por isso ele recebeu o nome de "Serafim" - o Mensageiro do Senhor. Ele foi uma criança travessa, mas obediente, que aprendeu desde cedo o catecismo. Mas, algo dentro dele se incendiava quando ouvia falar dos Orixás. E assim, sempre que podia, Serafim ia até a casa de Nega Nhonha, a benzedeira da Senzala. Ele lhe pedia que contasse as histórias dos Santos Africanos e de suas tribos.
Nega Nhonha percebeu que ali estava alguém para prosseguir com sua missão e começou a ensinar ao menino tudo o que sabia da tradição. Procurou a mãe de Serafim e lhe pediu permissão para educar o menino. Josefa, a mãe de Serafim, fez apenas uma ressalva: não queria que o menino sofresse perseguições. Então Nega Nhonha ensinava, mas pedia a Serafim que não comentasse com ninguém o que aprendia.
Quando Serafim completou 17 anos, o ano de 1700 iniciou... D. Josefa ficou doente e parecia ter pouco tempo de vida. Antes de morrer ela pediu ao filho: "Meu filho, quando você puder fuja dessa vida, vá para o Quilombo e pratique a arte de nossos ancestrais. Não esqueça do que aprendeu por aqui, mas também não esqueça nossas raízes". Serafim viu sua mãe morrer e ficou só no mundo. Nunca soube quem era seu pai, pois ele foi vendido logo após seu nascimento.
Serafim já ouvira falar dos Quilombos, mas era difícil fugir da Senzala. Aqueles que haviam tentado foram capturados e açoitados até a morte, para servir de exemplo aos demais. Mas, Serafim, começou a sentir crescer sua vontade de fugir, cada vez maior e incontrolável... Um dia programou sua fuga junto com outros negros. Eles partiriam para um Quilombo nas bandas das Minas Gerais, um local novo e ainda desconhecido.
O dia combinado chegou e ele muniu-se de coragem. Prepararam tudo com antecedência e durante a noite agiram conforme o plano. Muitos capatazes ficavam a espreita, mas eles haviam colocado uma espécie de sonífero na bebida deles e estavam aguardando o mesmo fazer efeito. Quando a bebida fez efeito, eles se reuniram e partiram.
Os escravos seguiam a pé, pelo meio das matas. Eles sabiam que quando o dia amanhecesse seriam perseguidos a cavalo pelos capatazes. Um dos foragidos conhecia as matas e o caminho para o Quilombo, pois já havia seguido com outro grupo certa vez, mas foi capturado - ele sobreviveu porque se entregou e não lutou, então suas chibatadas foram mais amenas.
Com três dias andando a pé, ainda faltava muito para chegar... Eles seguiam devagar e na espreita, mantendo a cautela para não serem descobertos. Naqueles tempos, eles poderiam ser presos por qualquer fazendeiro e entregues ao antigo patrão mediante recompensa. Portanto, eles não podiam ser vistos por nenhuma pessoa. Muitos de sua raça eram contratados dos patrões para entregar os fujões, então eles não podiam confiar em ninguém que não fosse do grupo.
O grupo conseguia avançar em torno de 50 Km por dia e, no final de uma semana, chegaram ao destino. Eles foram bem recebidos pelo chefe do Quilombo e descobriram as vantagens de viver em meio aos "calhambolas". Os Quilombos das Minas Gerais, diferente de outro Quilombos, possuíam algumas vantagens: eram próximos às feiras, podiam comercializar seus produtos e não eram perseguidos pelos Senhores do Mato. Minas Gerais estava crescendo muito e toda mão de obra era bem vinda. Assim, quem vivia nos Quilombos comercializava livremente com os mineradores e podia frequentar as feiras.
Foi nesse meio que Serafim encontrou sua história e reconstruiu sua vida. Começou trabalhando como minerador e trocando com os capitães seus achados, mas em breve sua vida mudaria novamente. Dois anos depois de estar no Quilombo, uma pessoa chegou gritando às pressas por alguém que soubesse curar mordida de cobra. Havia no Quilombo uma Mãe Preta que benzia, mas ela estava adoentada e não atendia mais... Serafim, muito timidamente, ergueu sua mão e disse: "-Eu sei." Os demais até duvidaram, pois ele ainda era jovem e não parecia um benzedor. Mas, na falta de recursos, qualquer um servia... O negro correu e pegou Serafim pela mão, levando-o até a vítima, que já estava semi-morta. Era uma bonita moça, grávida de uns sete meses.
Serafim afastou-se, foi até umas plantas, colheu umas ervas, macerou-as e pediu água quente. Fez um chá e reservou. Com um canivete, fez uma cruz no local da picada e apertou... Depois colocou o sumo das ervas aquecida e enfaixou com um pano. Deu o mesmo sumo para a moça beber e avisou: terei que fazer a criança nascer para que a mãe possa se recuperar melhor.
Naquele tempo, criança de sete meses não sobrevivia e o pai escolheu a vida da mãe. Serafim tinha outros planos e clamou aos seus Orixás pela vida do rebento. Fez suas orações e mandigas e começou a pressionar o ventre da moça. Em pouco tempo ouviu-se o choro de uma criança - era um menino. Serafim disse: tragam leite de cabra e chá de arruda. Deu o chá de arruda para a moça que vomitou muito... Lavou suas parte íntimas com o chá misturado ao sumo e envolveu-a em faixas. Pediu cobertor e disse: ela precisa descansar. O leite de cabra é para o bebê, ele não pode beber leite humano ou de vaca. Enfaixem bem o bebê e não o deixem tomar qualquer friagem ou sol, por sete dias. Somente depois disso, podem trocá-lo e levá-lo a outro lugar...
Depois de uma semana, mãe e filho estavam recuperados e a fama de Serafim correu Quilombos. Começaram a vir pessoas doentes de todas as regiões e até mulheres com problemas para parir procuravam por Serafim. Todos confiavam nele, pois ele era muito respeitoso e as mulheres não corriam qualquer risco. Assim, os anos passaram e Serafim tornou-se o "médico" dos Quilombos. Mas, brancos também o procuravam, quando a medicina dos homens não funcionava mais. Ele se tornou tão respeitado que até os Sinhozinhos o mandavam chamar se algum problema mais sério caísse sobre suas fazendas.
Dez anos depois, Serafim ainda era um homem solteiro. Mas, ele precisava da ajuda de alguém, pois seus serviços eram muito solicitados. Um dia chegou no Quilombo uma negra fugida de Pernambuco. Ela estava muito judiada e Serafim não conseguiu salvá-la. Ela tinha uma filha de quinze anos e disse pra ele: "-Por favor, tome minha filha como esposa, pois sei que você é sozinho. Eu vejo que você é um bom homem e precisa de alguém para ajudá-lo. Ela sabe fazer de tudo e poderá auxiliá-lo nos atendimentos." Serafim temia casar-se, pois havia visto o sofrimento das mulheres e isso o incomodava. Sua mãe havia sido violentada muitas vezes e ele guardava essa dor consigo. Muitos não sabiam, mas ele não havia dormido com nenhuma mulher. Quando a mãe da moça morreu ele levou-a para morar com ele e não a tocou...
Com o tempo, ela aprendeu tudo e o auxiliava nos atendimentos. Ninguém sabia que eles viviam como irmãos. Mas, uma noite, Margarida (esse era o nome da jovem) foi até leito de Serafim e disse: "-Você não me deseja?" Ele respondeu: "-Fiz uma promessa aos meus deuses para que eles me ajudassem nas curas e prometi não me deitar com ninguém." Margarida respondeu: "Façamos outra promessa... Todos os nossos filhos serão Deles e Eles terão servos fiéis, pois os educaremos para isso." Então, Serafim respondeu: "Preciso de três dias..."
Serafim, instruiu Margarida e se ausentou para as matas por três dias. Fez seus rituais e conversou com os Orixás. Então, uma pomba branca lhe pousou no ombro e arrulhou em seu ouvido. Era uma resposta de Ifá e Serafim sabia o que devia fazer.
Ele voltou ao Quilombo e disse a Margarida: "-Podemos nos casar. Nossos filhos serão como os Odus do Búzio." E eles tiveram dezesseis filhos e cada filho pertencia a um Orixá. Quando o último filho completou 16 anos, Serafim o preparou e avisou: "-Você ocupará meu lugar." Ele era filho de Ifá e chamava-se Orumimaia. Serafim, morreu aos 72 anos em seu leito, quando todos os Orixás lhe saudaram e disseram: "-Você fez bem. Você cumpriu sua missão!" Serafim fechou os olhos para a terra e abriu os olhos espirituais, passando a cumprir uma nova missão: a de Pai Velho.

Fonte: Umbanda em Paz

terça-feira, 13 de maio de 2014

13 maio



13 maio
Liberdade , liberdade 
Abre as asas sobre nós 
E que a voz da igualdade 
Seja sempre a nossa voz
Salve nossos amados e humildes Pretos Velhos !
Salve nossas curandeiras e rezadeiras Pretas Velhas !
Eu adorei as Almas 
Eu adorei as Almas no dia de hoje 
As Almas "dá" para quem sabe aproveitar !
Eu andava perambulando 
Sem ter nada para comer 
Fui pedi às Santas Almas 
Para "vir" me socorrer 
"Foi" as Almas que me "ajudou" 
Meu Divino Espírito Santo 
Viva Deus Nosso Senhor.

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Pretos Velhos

PRETOS VELHOS
Os Pretos e Pretas Velhas, na Umbanda, são entidades elevadas que se apresentam estereotipados como anciãos negros conhecedores profundos da magia Divina, da manipulação de ervas. São excelente mandingueiros, mestres dos elementos da natureza, os quais utilizam em seus benzimentos e trabalhos espirituais.
Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro durante a escravidão, a linha de preto velho reflita a humildade, a sabedoria, a paciência e a perseverança. Não necessariamente todos foram escravos. Sua sabedoria e humildade são caracteristicas marcantes e sua calma e ensinamentos são profundos. Apresentam-se na Umbanda sentados em seus banquinhos atendendo seus “fios e fias” com uma linguagem simples porém sábias. A caracteristica principal desta linha é a sua elevada orientação espiritual.
Àqueles que os procuram oferecem conselhos, orientação espiritual; receitam tratamentos caseiros, banhos de ervas, chás, entre outros, para os males do corpo e do espirito
Utilizam vários elementos nos seus trabalhos como o cachimbo, cigarros de palha (que usam como defumadores, para limpeza espiritual) e ervas.
A Linha de Pretos velhos na Umbanda é regida pelo mistério Ancião, na força do Orixá Obaluaê que é o Orixa sustentador da evolução, da transmutação e transformação dos seres. Mas os Pretos Velhos também se apresentam dentro da linha de outros Orixás.
Em sua linha de atuação eles se apresentam com nomes que individualizam sua atuação, conforme o seu Orixá regente, conforme acontecia na época da escravidão, onde os negros eram nominados de acordo com a região de onde vieram, por exemplo:
  • Congo - (Pai Francisco do Congo), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Iansã;
  • Aruanda - (Pai Francisco de Aruanda), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxalá. (Aruanda quer dizer céu);
  • D´Angola - (Pai Francisco D´Angola), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Ogum;
  • Matas - (Pai Francisco das Matas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxóssi;
  • Calunga, Cemitério ou das Almas - (Pai Francisco da Calunga, Pai Francisco do Cemitério ou Pai Francisco das Almas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Omolu/ Obaluayê;
Os nomes mais comuns com que se apresentam são: Pai João, Pai Joaquim, Pai Benedido, Pai José De Angola, Vovó Maria, Vovó Maria D´Angola, Vovó Maria Conga, Vovó Catarina, Vovó Benedita, entre outros.

DIA DA SEMANA: Segunda-feira
LINHAS DE TRABALHO: Evolução, transmutação e transformação.
COR: Preto e Branco.
ELEMENTOS DE TRABALHO:
- Ervas (alecrim, arruda, guiné, manjericão, boldo, folha de fumo, louro, manjerona, sálvia, quebra demanda, levante);
- Palha da costa, Cruzes de madeira, pipocas, pembra branca, terços de lágrimas de Nossa senhora.
- Fumo;
PEDRAS: Turmalinas negras, cristal, ônix branco ou preto e quartzo branco.
COMIDAS:
  • Bolo de milho, pamonha, cural.
  • Pipoca;
  • Bolo de fubá;
  • Tutu de feijão;
  • Mandioca frita;
  • Batata doce;
  • Doce de abóbora;
  • Rapadura.
BEBIDAS
  • Café sem açucar;
  • Aguardente
FRUTAS: Coco seco, uva italia, melão, pêra, pinha.
FLORES: Crisântemo branco, rosa branca, margarida, azaléia branca.
VELAS:  Branca; branca e preta; roxo, lilás, violeta.


Preto velho na Cultura Brasileira e na Umbanda
Por Alexandre Cumino

Pai Antonio foi o primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de Um­banda em seu médium Zélio Fer­nandino de Morais onde se esta­be­leceu a Tenda Nossa Senhora da Pie­dade. Assim, ele abriu esta “linha” pa­ra nossa religião, introduzindo o uso do cachimbo, guias e o culto aos Orixás.

O “Preto-velho” está ligado à cul­tura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma especí­fica, pois den­tro da Religião Umban­dista este termo identifica um dos elementos for­madores de sua litur­gia, representa uma “linha de tra­balho”, uma “falange de espíritos”, to­do um grupo de mentores espi­ri­tuais que se apresentam como ne­gros anciões, ex-escravos, conhe­ce­­dores dos Orixás Africanos.

São trabalhadores da espiritua­lidade, com características próprias e cole­tivas, que valorizam o grupo em detri­mento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas com Pai João e Vó Maria, por exem­plo.
Milha­res de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho desper­sonalizado do elemento indivi­dual valorizando o elemento coletivo identificado pelo ter­mo genérico “preto-velho”. Muitos até dizem “nem tão preto e nem tão velho” ainda assim “preto velho fulano de tal”.  A falta de informa­ção é a mãe do precon­ceito, e, no caso do “preto-ve­lho”, muitos que são leigos da cultura religiosa Umbandista ou de origem africana desconhecem  valor do “preto-velho” dentro das mes­mas.

Preto é Cor e Ne­gro é Raça, logo o ter­mo “preto-velho” tor­na-se caracte­rís­tico e com sentido ape­nas dentro de um con­texto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irres­trito seria “Negro Vel­ho”, “Negro An­cião” ou ainda “Ne­gro de idade avan­çada” para iden­ti­fi­car o ho­mem da ra­ça ne­gra que encon­tra-se já na “terceira idade” (a melhor ida­de). Por conta disso alguns sentem-se des­con­for­táveis em utilizar um ter­mo que à primeira vista pode parecer des­respei­toso ao citar um amável senhor negro, já com suas madeixas bran­cas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem sofri­do, que na humildade da subju­gação forçada e escrava encontrou a liberdade do espí­rito sobre a alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo de encontro à imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.

Alguns preferem chamá-los ape­nas de “Pais Velhos” o que é bonito ao ressaltar a paternidade, mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que sou­be­ram passar por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de or­gulho em se auto-afirmar “nêgo véio” e ex-escravo; talvez as­sim se man­tenham para que nunca nos esque­çamos que em qualquer situa­ção temos ainda opor­tunidade de evo­luir. Quanto mais adver­sa maior a oportu­nidade de dar o testemunho de nos­sa fé.

O “preto-ve­lho” é um ícone da Umban­da, resu­min­do em si boa parte da filosofia um­ban­dista. Assim, os es­pí­ritos desen­car­­nados de ex-es­cravos se iden­ti­fi­cam e muitos ou­tros que não foram escra­vos, nesta con­dição, as­sim se apre­sentam tam­bém em home­nagem a eles, por tê-los como Mes­tres no astral.

No imaginário po­pular, por falta de informação ou por má fé de al­guns formadores de opinião, a ima­gem do “preto-velho” pode estar asso­ciada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que se assustam “com estas coisas” pois não sabem que a Um­banda é uma religião e como tal tem a única proposta de nos religar a Deus, mani­festando o espírito para a caridade e de­senvol­vendo o senti­mento de amor ao pró­ximo.  Não existe uma Umbanda “boa” e uma Umbanda “ruim”, existe sim única e exclusi­vamente uma única Umbanda que faz o bem, caso con­trário não é Umbanda e assim é com os “Preto-velhos”, todos fazem o bem sem olhar a quem, caso con­trário não é de fato um “preto-velho”, pode ser alguém disfarçado de “velho-negro”, o “preto velho” tra­balha única e exclusivamente para a caridade es­piritual.

São espíritos que se apresentam des­ta forma e que sabem que em essência não temos raça nem cor, a cada encarnação, temos uma expe­riên­cia diferente. Os pretos velhos trazem consigo o “mistério ancião”, pois não bas­ta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evo­lutiva.

Quanto menos valor se dá a for­ma, mais valor se dá à mensagem, e “preto-velho” fala devagar, bem bai­xinho; quando assim se pronun­cia, to­dos se aquietam para ouví-lo, parece-nos ouvir na língua Yorubá a pa­la­vra “Atotô”, saudação a Oba­luayê que quer dizer exatamente isso: “silêncio”.

Nas culturas antigas o “velho” era sempre respeitado e ouvido co­mo fonte viva do conhecimento an­ces­tral. Hoje ainda vemos este cos­tume nas culturas indígenas e ciga­nas. Algumas tradições religiosas man­têm esta postura frente o sacer­dote mais velho, trata-se de uma he­rança cultural religiosa tão antiga quan­to nossa memória ou nossa his­tória pode ir buscar, tão antigos também são alguns dos pretos velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do ciclo reen­carnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o manto da ilu­são da car­ne que nos cobre com paixões e ape­gos que inexora­vel­mente ficarão para trás no caminho evolutivo.
Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos es­cravos eu os saúdo: “Salve os Pre­tos Velhos! Sal­ve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Sal­ve nosso Amado Pai Obaluayê, Atotô meu Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Buroquê, Saluba Nana!”
Fonte: http://www.seteporteiras.org.br/index.php/as-linhas-de-trabalho/pretos-velhos

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ministério da Cruz – Preto Velho



Conta uma outra lenda que esse gesto de cruzar o solo ou a si mesmo só foi adotado pelos cristãos quando um “padre” romano, atiçado pela curiosidade, perguntou a um serviçal de sua igreja o porque dele cruzar o solo antes de entrar nela para limpá-la … e o mesmo fazia ao sair dela.

O serviçal, um negro já idoso que havia sido libertado pelo seu amo romano quando já não podia carregar os seus pesados sacos de pedras ornamentais, e que andava arqueado por causa de sua coluna vertebral ter se curvado de tanto peso que ele havia carregado desde jovem, ajoelhou-se, cruzou o solo diante dos pés do padre romano e, aí falou:

- Agora já posso contar-lhe o significado do sinal da cruz, amo padre!

- Por que, só após cruzar o solo diante dos meus pés, você pode revelar-me o significado do sinal da cruz, meu negro velho?

- É porque eu vou falar de um gesto sagrado, meu amo. Só após cruzarmos o solo diante de alguém e pedirmos licença ao seu lado sagrado, esse lado se abre para ouvir o que temos a dizer-lhe.

- Se você não cruzar o solo diante dos meus pés o seu lado sagrado não fala com o meu? É isso, meu negro velho e cansado?

- É isso sim, meu amo. Tudo o que falamos, ou falamos para o lado profano ou para o lado sagrado dos outros com quem conversamos! Como o senhor quer saber o significado do sinal da cruz usado por nós, os negros trazidos desde a África para trabalharmos como escravos aqui em Roma e, porque ele é um sinal sagrado, seu significado só pode ser revelado ao lado oculto e sagrado de seu espírito. Por isso eu cruzei o solo diante dos seus pés, pedi ao meu pai Obaluaiyê que abrisse uma passagem entre os lados ocultos e sagrados dos nossos espíritos senão o senhor não entenderá o significado e a importância dos cruzamentos… e das passagens.

O padre romano, ouvindo as palavras sensatas daquele preto, já velho e cansado de tanto carregar os fardos de pedras ornamentais com as quais eles, os romanos, enfeitavam as fachadas e os jardins de suas mansões, sentiu que não estava diante de uma pessoa comum, mas sim diante de um sábio amadurecido no tempo e no trabalho árduo de carregar fardos alheios.

Então o padre romano convidou o preto, velho e cansado, a acompanhá-lo até sua sala particular localizada atrás da sacristia.

Já dentro dela, o padre sentou-se na sua cadeira de encosto alto e confortável e indicou um banquinho de madeira para que aquele preto velho se sentasse e lhe contasse o significado do sinal da cruz.

O velho negro, antes de sentar-se, cruzou o banquinho e isto também despertou a curiosidade de empertigado padre romano, sentado em sua cadeira mais parecida com um trono, de tão trabalhada que ela era.

- Por que você cruzou esse banquinho antes de se assentar nele, meu preto velho?

- Meu senhor, eu só tenho essa bengala para apoiar meu corpo arqueado. Então, se vou sentar-me um pouco, eu cruzei esse banquinho e pedi licença ao meu pai Obaluaiyê para assentar-me no lado sagrado dele. Só assim o peso dos fardos que já carreguei não me incomodará e poderei falar mais à vontade pois, se nos assentamos no lado sagrado das coisas deixamos de sentir os “pesos” do lado profano de nossa vida.

Por Rubens Saraceni


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Os Sete Sorrisos de um Preto Velho


Amigos,
 
Lindo! Essa mensagem é para os filhos de umbanda que amam a sua religião.

 
Os Sete Sorrisos de um Preto Velho

 
 Num cantinho de uma terreiro sentado num banquinho pitando o seu cachimbo um alegre Preto-Velho sorria, os seus olhos brilhavam em sua face com tanta ternura e alegria. Foram sete sorrisos onde na incontida vontade de saber o motivo me aproximei e o interroguei , fala meu Preto Velho diz ao seu filho o porque externa assim uma visível alegria?
 E ele suavemente se levantou do seu banquinho e me levou para fora da casa e me respondeu. É para aquele que no caminho de sua vida procurou e aprendeu.
 O primeiro dei para aquela pessoa que verdadeiramente buscou Jesus Cristo e o pôs em seu coração.
 O segundo dei para aquela pessoa que busca a verdadeira paz a si e aos de mais em sua volta.
 O terceiro dei para aquela pessoa que verdadeiramente sacrificou-se deixando muitas vezes de viver para se dedicar ao seu próximo.
 O quarto dei para aquela pessoa que teve a humildade de reconhecer os seus erros que vinha praticando em sua vida e procurando se aperfeiçoar errando menos e acertando mais.
 O quinto dei para aquela pessoa que procura perdoar e busca sempre a verdade.
 O sexto dei para aquela pessoa que da o valor a tudo e a todos na sua vida e sempre agradecendo ao senhor seu Deus.
 O sétimo vai para aquela pessoa que agradece todos os dias de sua vida a sua existência no universo e procura enxergar a grandeza da criação de pai Oxalá, em que este pertence...
 
 E assim Meu Filho eu vim aqui sorrindo para cada uma dessas pessoas, onde vistes.
 
 Sarava aos Pretos Velhos!
 
 
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quarta-feira, 31 de julho de 2013

A TRISTEZA DE UM MENTOR


Bom dia, Pessoal!
 
Paz de Oxalá para todos nós.
Que a luz divina habite em todos os corações.
 
Boa Leitura!

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Muito Lindo!
- Pai Joaquim, o senhor está triste hoje?
- Sim, meu filho, um Mentor também se entristece, mas saiba que é diferente da tristeza que vocês sentem.
 - Como assim diferente, meu pai? Tristeza não é tudo igual?
- Nós nos entristecemos, mas não com sofrimento, pois o sofrimento vem quando sabemos que poderíamos ter feito mais, e nós sempre fazemos tudo que é possível, tudo que é permitido. Então somente ficamos tristes por não atingirmos os objetivos que dependem da compreensão de cada Individualidade, ou de cada Personalidade.
 - Entendo, mas o senhor poderia dar um exemplo, para que eu possa escrever sobre isso?
- Sim, meu filho... Nenhuma pessoa se aproxima de outra se não houver um motivo. Grande parte das vezes é por afinidade vibratória, e outras tantas pelos reajustes. Saiba, meu filho, que todo reajuste é planificado pelos espíritos envolvidos de maneira que possam aprender alguma coisa e reequilibrar um charme do passado com amor. Sim, com amor! Porque cada reencontro, por mais doloroso que possa parecer, tem uma finalidade produtiva para ambas as partes. Às vezes nós, aqui no Plano Espiritual, nos esforçamos para auxiliar que dois caminhos se encontrem. Que duas pessoas que necessitam reajustar possam estar próximas e em situações que permitam a superação dos defeitos de caráter de cada um. A tristeza chega para nós quando todos os esforços são vencidos pelo orgulho pessoal, pela arrogância, pela falta de compreensão e pelo desejo inconsciente de voltar à velha estrada. Então nos entristecemos, pois sabemos que a lição não foi aprendida.
- Então o reajuste não é realizado, e as pessoas terão que reencarnar novamente para reajustar a oportunidade que perderam?
- Não meu filho! O reajuste é sempre realizado, não tenha dúvidas. Mas sempre há a possibilidade do reajuste por amor, e, nestes casos, o reajuste é realizado pela dor. A mágoa acaba reequilibrando as energias. Os encontros e reencontros acontecem para que os envolvidos possam ultrapassar os limites do simples reajuste, para que possam aprender algo e realizar com amor o reequilíbrio do passado. É a lei do Perdão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, quando o amor é vencido pelos sentimentos negativos ou mesmo pelas influencias dos irmãozinhos, volta-se a velha estrada do dente por dente, olho por olho e quem pode cobra, quem deve paga.
 
- Então sempre podemos reajustar por amor, pelo perdão, mas quando “terminamos mal”, acabamos reajustando pela dor. É isso meu pai?
- Sim filho. Por isso a importância de procurar compreender o outro, de colocar-se “nos seus sapatos” e entender, mesmo que não concorde com as atitudes e palavras. Assim, buscando o entendimento de como o outro está pensando, podemos perdoar, quando requer perdão, ou pedir perdão. Aliás, pedir perdão é sempre recomendável quando o coração compreende. Pedir perdão não é sinal de fraqueza ou de concordância com o outro. É o reconhecimento da compreensão e a nova Lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua Escola do Caminho.
 Pai Joaquim das Cachoeiras – 21/07/2013
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.