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Mostrando postagens com marcador linha das crianças. Mostrar todas as postagens
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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Hoje dia 27/09 dia de Cosme e Damião




CRIANÇAS: ENERGIA TRANSBORDANTE

BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJI.

BEIJIS – IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.

DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; também são assim designados os santos Cosme e Damião, os Orixá africano IBEJI e as falange das crianças na Umbanda.

ERÉ: vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”.

Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.

Os erês são entidades puras e que nos ajudam de forma única e especialmente doce. Os filhos de Ogum, como também são conhecidos, tem a presença mais alegre da Umbanda, trazendo sempre renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas, pelo ar inocente que traz na face do médium. Por sua natureza pura e pelos patronos a linha de Cosme e Damião também traz a cura para os males do corpo e do espírito, além de darem proteção e benção extra as crianças. Sua energia é transbordante de vitalidade e alegria, sendo capaz de derramar as maiores bênçãos de harmonia cotidiana.

A festa de São Cosme, Damião e Doun, tem duração de um mês, iniciando a 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando a 25 de outubro (Crispim e Crispiniano).

Nos Terreiros de Um­banda, a festa é muito bonita, há distribuição de balas, doces e guaraná para as crianças, os médiuns incorporam as crianças espirituais com a exteriorização atitudes infantis como o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas. Mas infelizmente e erroneamente, muitos interpretam a ‘gira de criança’ como uma diversão, afinal normalmente elas são realizadas somente em dias festivos como também, muitas vezes não consigamos conter os risos diante das palavras e atitudes das queridas crianças, momentos únicos de alegria e descontração que os Guias Espirituais, as crianças, aproveitam para nos curar de nossas amarguras. Ainda há muita deturpação com relação às falanges de crianças na Umbanda, onde acredita-se que são espíritos de crianças que morreram prematuramente, o que na verdade, as “crianças” são espíritos elevadíssimos que trabalham na falange de Yori e “simplesmente” se adaptam suas formas espirituais às formas astrais de crianças, assim de forma doce, ingênua e com muita alegria esses Espíritos de Luz conseguem nos envolver intimamente e desagregar energias densas enraizadas em nosso campo aurico que nos deixa cada vez mais doente de corpo e de alma.

No dia 27 de setembro, dê uma pausa para a reflexão. Seu comportamento tem sido como das crianças espirituais da Umbanda? Você tem sido alegre, bem humorado e puro de coração? Ou pelo menos exercita o aprimoramento de viver sempre com alegria e esperança? Reflita sobre a sua missão.

Nesse dia especial, faça uma promessa para si mesmo; seu lado infantil e puro não deve morrer! Deve renascer em bondade, amor por todos os seres e gratidão pela vida. Se for a uma festa de Cosme e Damião no terreiro de Umbanda, leve para casa, além dos doces e bolos, o exemplo de alegria e pureza da sublime falange de Yori!

Salve as Crianças! Salve os Erês! Salve Cosme e Damião!
Salve Oni beijada!


A MAGIA DA CRIANÇA

O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são…TODOS, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.

Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa.

As preces dirigidas às “Crianças da Umbanda”, são prontamente atendidas, afinal, são dotadas de intenso poder mágico e vibração que só espíritos de grande luz possuem.

Uma curiosidade: Cosme e Da­mião foram os primeiros santos a terem uma igreja no Brasil. Ela foi cons­truída em Igarassu, Pernam­buco, e ainda existe.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Chegou....

Bom dia, amigos!



E Setembro chegou!!!!!!!!!!!!!
Impossivel de esquecer que esse mês, é o mês das nossas crianças nossos erês, mês de Cosme e Damião!
E logo logo, dia 27 ta aí, pra comemorarmos e festejarmos, com toda sua pureza e alegria esse dia tão especial e cheio de amor e de axé que nossas crianças nos proporcionam..
Que esse mês de setembro seja repleto de alegrias, de conquistas, de amor, e de paz pra todos nós!
Oh, Salve Cosme e Damião, eu vou pedir ao papai, que a maravilha chegou! O Doum, o Doum…
Salve a Ibejada!
Axé!

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Erê Mariazinha

A Cosminha mais travessa e manhosa da Umbanda!

Zélio de Moraes sempre afirmou que os 3 pilares da Umbanda seriam: os Caboclos, os Pretos-velhos e os Erês. Os Caboclos e Pretos-velhos tornaram-se conhecidos, amados e repeitados por todo umbandista. Mas, os Ibejis, conseguiram conquistar a simpatia até mesmo daqueles que se assustam com os espíritos! Com suas alegrias e estrepolias, não tem quem não se divirta ao ser envolvido pela energia contagiante de um Erê. E assim como as demais entidades, cada "Cosminho ou Cosminha" traz sua história para dentro do Terreiro.
Em homenagem a Festa de São Cosme e São Damião, que é uma das mais festejadas dentro da Umbanda Sagrada, escreveremos algumas histórias de Erês mais conhecidos. Hoje contarei a história de Mariazinha. Toda Mariazinha quando incorpora a primeira vez, faz dengo, chora e fala com voz manhosa. Elas são as menininhas mais conhecidas, que trabalham na Linha das Águas. Mariazinhas podem trabalhar na praia, na cachoeira, no mangue e na pedreira; enfim, elas também possuem a vibração das outras Linhas atuando no momento do trabalho. Adoram laços de fita, bonecas e enfeites diversos. Elas sentem o que a pessoa sente e por isso conseguem expressar esse sentimento na hora do atendimento.
A Mariazinha que trabalha neste terreiro, nasceu em Pernambuco, em 1892 e desencarnou em 1900. Viveu apenas 8 anos. Seus pais eram pesacadores e viviam na praia. Ela era uma menina alegre que adorava brincar no mar e na areia. Sua morte nunca foi desvendada, pois seu corpo foi encontrado inerte na praia. Mas, ela contou depois o que aconteceu: um homem mal a maltratou. Ela disse que não guarda mágoas, nem nada e que já perdoou... Ela gosta de trabalhar ajudando as pessoas a enfrentar as tristezas e adora acompanhar as mamães com seus filhinhos. Ela gosta de qualquer tipo de doce, mas adora um copo com leite e bolo! E claro: o guaraná - que ela chama de água doce gasosa! Os Erês atuam na vibração do Amor Cósmico Universal, transmitindo a pureza, a inocência e a delicadeza das crianças. Omi Beijada! Salve as Mariazinhas!
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Erê Joaninha

Uma Cosminha de personalidade.

Ela nasceu na senzala do Rio de Janeiro, no ano de 1723. Sua mãe chegou grávida ao Brasil, veio da Tribo dos Congos. Ao nascer, não teve tempo de ser amamentada ou acarinhada, pois a mãe faleceu por maus-tratos e ela foi vendida em seguida. Levaram-na para a Província das Minas Gerais, em uma Fazenda de Extração de Minério, onde foi criada por uma ama de leite, que lhe deu o nome de Joana, porque era dia de São João Batista.
Ao crescer passou a servir água e levar comida aos mineradores. Mal tinha quatro anos e já era obrigada a trabalhar. Ela tinha se tornado uma menina bonita, ágil e forte. Não gostava de ver seus irmãos de cor sendo maltratados, nem aqueles que eram de outra raça, mas que também foram escravizados (os índios). Sempre que podia levava um pouco a mais de água ou comida para eles e junto procurava levar unguento para suas feridas. Assim, a menina ganhou o apreço de todos aqueles que foram escravizados.
Quando Joana chegou na região, ela era conhecida por Minas Gerais dos Cataguás, mas depois passou a ser chamada de Minas Gerais do Rio das Velhas. Nessa época, a Capitania pertencia a São Paulo. Era um período onde muita gente morreu devido a doenças, ou lutando por território e ouro, entre outros acontecimentos. Então, começaram a chegar os primeiros criadores de gado, vindos da Bahia e abrindo picada nas matas. Eles traziam as primeiras cabeças de gado para as terra mineiras.
De São Paulo a Ouro Preto eram dois meses de marcha pelo vale do Paraíba, onde passavam pela Garganta do Embaú, pelos Vales do Rio das Mortes e do Rio das Velhas. Assim, os primeiros arraiais e as primeiras vilas de Minas foram surgindo ao longo desses rios e caminhos. Ao longo do Rio das Mortes surgiram povoados bem antigos como: Ibituruna, Lagoa Dourada, Prados, Tiradentes e São João Del Rei. E no segundo caminho da colonização de Minas, o caminho do Rio das Velhas, surgiram outros povoados.
Isso fez aumentar a disputa por ouro, gado e território e Minas Gerais tornou-se uma terra perigosa, com muitos estrangeiros. Joaninha a tudo observava e foi aconselhada por sua ama a não se envolver nas brigas dos homens e dos escravos. Um dia, porém, ela levou água aos mineradores e voltava para buscar a comida quando foi cercado por alguns tropeiros condutores de gado. Eles estavam sedentos por diversão, sede e comida... E vendo a menina assustada aproveitaram-se da situação. Ela tentou correr para junto dos garimpeiros e escravos. Enquanto corria, gritava, mas não teve tempo de chegar até eles.
Os mineradores tentaram socorrê-la, mas já era tarde, encontraram apenas seu corpo inerte no solo. Ela morreu com os olhos abertos e os braços estendidos, formando uma cruz e suas pernas estavam cruzadas. Os escravos e índios fizeram o sinal da cruz ao verem a menina estendida no solo e choraram, pois tinham carinho pela mesma. Sepultaram seu corpo e rezaram. Até o capataz se compadeceu do que viu. Pouco tempo depois, onde o corpo foi enterrado começaram a crescer muitas flores, de todas as cores. Borboletas, besourinhos, vagalumes e outros bichos visitavam as flores e o povo começou a dizer que o local era sagrado, porque ali repousava uma menina pura.


 
 

sábado, 28 de setembro de 2013

Erê Joãozinho


Hoje amigos vou contar uma histórias do Erê Joãozinho.
 Joãozinho...
 O serelepe da Umbanda!
 Joãozinho é um menino que viveu mais de uma encarnação como garoto negro no Brasil das senzalas. Muitas vezes ele parece o Negrinho do Pastoreio, em outras, ele é o próprio Saci Pererê! Ele é esperto, cheio de lábia, tem resposta pra tudo e não pensa duas vezes para perguntar alguma coisa. Como todo bom Cosminho, ele gosta de doces, refrigerante e brincadeiras, mas está sempre pronto para atender e socorrer a quem necessita... Ele jamais deixa alguém sem resposta a um pedido. E se ele falar alguma coisa de forma séria, pode esperar que a coisa é mesmo séria! Pois ele brinca, mas não engana! O Joãozinho desta Seara nasceu no estado do Ceará de mãe Africana. Chegou no ventre de sua mãe em um navio negreiro, no ano de 1670. Demorou para entender o que era ser escravo e vivia "aprontando das suas": escondendo objetos, correndo pela fazenda e cutucando os bichos. Apanhava muito por conta disso, mas não deixava de rir e de fazer das suas. Dizia que assim ele podia alegrar os outros escravos! E realmente era ganhar dinheiro com artesanato assim que ele passava os dias: alegrando e brincando com os demais. Um dia, porém, em uma de suas traquinagens, ele escondeu o laço do capataz e foi o suficiente para ir pro tronco. Todos os negros pediram por ele, pois falaram que ele não fazia por maldade; mas não adiantou. Joãozinho anoiteceu e amanheceu no tronco... Ele tinha 6 anos na época. Quando tiraram ele do tronco estava triste e nunca mais sorriu. A partir daí começou a definhar e a morrer aos poucos. Quando ele desencarnou foi um luto só na fazenda! Até os animais sentiram... A terra secou, os bichos se aquietaram e ninguém mais sorriu. O dono da fazenda pediu ao capataz o que aconteceu e, quando soube, arrependeu-se... Mas, Joãozinho não voltaria mais. Sua mãe de tristeza também se deixou morrer. Tempos depois, os escravos começaram a contar que viam mãe e filho a andar pelas terras... E sempre que alguma coisa sumia, diziam: "- Foi o Joãozinho!" Então eles colocavam um doce para o menino e o objeto reaparecia.
E assim Joãozinho ficou conhecido como o Pererezinho do Ceará!
 
 
Onibejada!
  
#grupoboiadeirorei
 
 
 
 

 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ibejis

 
Dia: Domingo
Cores: Azul, Rosa e Verde
Elemento: Ar
Domínios: Nascimento e Infância
Símbolos: 2 Bonecos Gémeos, 2 Cabacinhas
Saudação: Bejiróó!

Ibeji é o Orixá-Criança, em realidade, duas divindades gémeas infantis, ligadas a todos os orixás e seres humanos.
Por serem gémeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.
Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o Orixá Erê, ou seja, o Orixá criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância.
Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exú, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com as suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o Orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. A sua determinação é tomar conta do bebé até à adolescência, independentemente do Orixá que a criança carrega.
Ibeji é tudo o que existe de bom, belo e puro; uma criança pode-nos mostrar o seu sorriso, a sua alegria, a sua felicidade, o seu falar, os seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores.
A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de um momento feliz, de uma travessura, e você estará a viver ou revivendo uma lenda deste Orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu na nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, Ibeji já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.
A lenda e a história de Ibeji, acontece a cada momento feliz de uma criança. Ao menos para manter vivo este importante Orixá, procure dar felicidade a uma criança. Faça você mesmo o encantamento de Ibeji. É fácil: faça gerar dentro de si a felicidade de estar vivo. Transmita esta felicidade, contagie o seu próximo com ela. Encante Ibeji com a magia do sorriso, com o amor de uma criança. E seja Ibeji, feliz!
Características dos filhos de Ibeji
Os filhos de Ibeji são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequentes; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhões, sorridentes, irrequietos – tudo, enfim, o que se possa associar ao comportamento típico infantil.
Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, a sua leveza perante a vida revela-se no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, a sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.
Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e uma certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, às vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em seu torno a princípios simplistas como “gosta de mim – não gosta de mim”. Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com alguma facilidade.
Ao mesmo tempo, as suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças, em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das actividades desportivas, sociais e das festas.
 
Fonte: http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/ibeji/
 
 

Onibejada!
  
#grupoboiadeirorei
 
 
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

As crianças da Umbanda

A linha de Cosme e Damião reúne os espíritos erês, as crianças que desencarnaram antes dos oito anos.
Trabalham nos terreiros sempre brincando e fazendo uma algazarra enorme, gostam de balas, refrigerantes, chupetas, bolinhas, gorros, carrinhos, bonecos e bonecas, enfim, tudo que as crianças da terra realmente gostam. Seus jeitos graciosos, encantam a todos nos terreiros, mas têm que ser controlados pelos dirigentes com muita determinação, porque normalmente procuram fugir das ordens da hierarquia, mais para brincar do que por desrespeito. Alguém perguntou ao Caboclo Akuan a razão das crianças ficarem sentadas nos terreiros,:
- Porque senão vocês não conseguem dominá-los. Respondeu de forma simples e objetiva.
Se hoje, com a experiência que adquirimos na vida, pudéssemos voltar à infância, com certeza seríamos meninos prodígios. Imaginem então uma criança com sete anos, com a experiência de várias reencarnações. E assim são as crianças na umbanda.
Recebi um telefonema de um senhor do interior do Estado, dizendo ter sido vítima de um trabalho espiritual e seu gado estar morrendo. Convidei-o para vir ao terreiro fazer uma consulta. Ele veio, fez a consulta com um preto-velho. Após a linha africana, chamamos as crianças. O homem, sem arredar o pé do terreiro, talvez pelo interesse de assistir os trabalhos até o seu final, ficou assistindo a chegada das crianças. O Tião, nome da entidade, incorporada na Rita, parou na sua frente. Sentada, perguntou se podia fazer um desenho com a pemba, para ele. Riscou no chão do terreiro um mapa, como se fosse feito em vários pedaços, e dentro desenhou três corações.
- Tio, esses corações são seus três filhos.
O homem confirmou ter três filhos, demonstrando surpresa, pois ali ninguém o conhecia.
- Este desenho é tua terra, feita por vários pedaços.
Mais uma vez o fazendeiro confirmou que sua fazenda foi formada, com a aquisição de várias propriedades menores e vizinhas.
O Tião riscou, no meio do mapa, fazendo curvas, um risco como se identificasse um rio. Marcou nele um trecho com a pemba, e disse:
- Tio, teus bichinhos estão morrendo porque aqui a água está ruim por causa daquele veneno feio que você joga nas plantas. Finalizou, largando a pemba, e foi puxar o cabelo de uma outra criança que passava perto.
Outra ocasião, eu me dirigia ao congá para encerrar a gira, quando uma médium chamou minha atenção, afirmando estar sentindo a presença de um espírito querendo incorporar. Sou exigente, tudo tem seu momento, e aquele, com certeza, não era oportuno a qualquer tipo de incorporação.
- Segure a entidade, que agora não pode haver outras incorporações. Adverti, austeramente.
- Mas está muito forte, não sei se vou conseguir.
Dirigente tem que estar atento para todos os sinais. Como a médium era experiente, em condições de dominar, quando quisesse, as suas incorporações, fiquei em dúvida, se permitia ou não. O bom senso me fez mudar de idéia.
- Está certo, pode incorporar. E mais ninguém. Recomendei à corrente.
Imediatamente ela jogou-se no chão, rindo, batendo palmas, veio cumprimentar a hierarquia. Correu para o centro do terreiro, e sob o olhar de toda a corrente, olhou para mim e pediu:
- Vô, quero um dólar.
- O quê? Você quer um dólar? Para que você quer um dólar? Perguntei, sob o riso geral.
- Eu quero um dólar, senão não vou embora. Ameaçou.
Dirigindo-me à assistência, perguntei se alguém tinha um dólar para dar à criança. Alguém disse ter uma nota de dez dólares.
- Não, eu quero só um dólar. Reclamou a criança.
Uma moça, nos fundos da assistência, acusou:
- Eu achei na minha carteira uma nota de um dólar. Informou, já com a nota americana na mão. Convidei-a para entrar no terreiro e fazer a entrega da nota à entidade.
Junto comigo estava um pai-de-santo que veio nos visitar. Cochichando expliquei para ele:
- Esta moça, dona da nota, tem câncer na garganta.
Ela sentou na frente da criança e fez a entrega da nota. O espírito, fazendo muita festa com o presente ganho, bateu palmas, o pôs de lado e iniciou uma massagem na garganta da moça, exatamente no lugar da doença. Por sinal, hoje está completamente curada, claro não pela criança, mas não tenho dúvida que ela teve uma participação muita grande nesta graça.
Até hoje o pai-de-santo visitante ainda comenta o caso do dólar na linha das crianças e a forma esperta que teve de trazer a moça ao meio do terreiro para jogar sua vibração em sua doença.
Fonte: Pai Maneco

A linha das Crianças na Umbanda

 “Queira apanhar de um Exu ou Preto-velho, mas não de uma Criança.”

Quem ainda não ouviu esse comentário? Comentário que mostra a força que esses espíritos possuem.

As Crianças trazem a alegria para os Terreiros mas, infelizmente, nem todas as pessoas ou médiuns sabem da importância dessas crianças dentro de uma gira de Umbanda e acabam desvirtuando e levando somente para o lado da brincadeira ou diversão. Muitas pessoas acabam por fim esquecendo-se de respeitar ainda mais as crianças que, através de suas brincadeiras, nos trazem o alívio e, muitas vezes, a cura para determinadas doenças espirituais, provocadas por energias densas que estão entranhadas em torno de nosso espírito e matéria.

São espíritos sábios, de muita luz que não aceitam pensamentos maus ou negativos. Representam a inocência e pureza do ser humano e as usam para melhor cumprir sua missão, em seus trabalhos espirituais dentro dos terreiros. Trabalhos esses que não se resumem em apenas atender um pedido para ajudar a achar determinada coisa que está sumida, mas sim, através da renovação, contribuir para a evolução e aprendizado de seus médiuns e aqueles que os procuram. Por isso mesmo, a Linha das Crianças é regida por Ibeiji - o único Orixá permanentemente duplo. Ibejí ou Ibejís são os Orixás africanos que protegem as crianças. Foram sincretizados com São Cosme e São Damião, são conhecidos na Umbanda como os Orixás da alegria e do amor. Ibeiji está associado a tudo que se inicia: o nascimento de uma pessoa, o germinar das plantas, etc...

A Data comemorativa da Linha das Crianças é dia 27 de Setembro. Neste dia têm-se costume de enfeitar os terreiros com bandeirinhas, muitos doces, brinquedos, bolos; enfim, tudo que uma festa de criança requer. Há terreiros e pessoas que distribuem doces e brinquedos em forma de agradecimento a alguma graça alcançada ou, até mesmo, como missão.

As crianças da Linha de Cosme e Damião não gostam de assuntos ligados à morte. Não atuam somente em praças ou jardins, mas também, nos mais diversos pontos da natureza, tais como: praias, cachoeiras, matas, pedreiras, etc., e recebem suas oferendas também nesses lugares.

As oferendas são doces variados e coloridos, acompanhados de refrigerantes (o mais usado nas oferendas é o Guaraná) ou suco de frutas, água, água com mel, água com açúcar, devendo-se evitar os doces e refrigerantes escuros. As velas, basicamente, são as velas azuis e rosa, podendo variar dependendo do ponto de atuação na natureza da Criança que se vai oferendar.

Adoram ganhar brinquedos e fazem deles alguns de seus instrumentos de trabalho quando incorporados, por isso é comum ver uma criança pegar o nome de alguém e colocar, por exemplo, dentro do seu carrinho ou boneca, junto com a chupeta, etc...

Esses Espíritos têm acesso a vários planos espirituais e respostas para as mais difíceis perguntas e muitas vezes atuam como mensageiros dos Orixás.

Nas giras, eles incorporam nas mais variadas formas, algumas vezes, virando uma cambalhota, outras pulando muito, rolando no chão, etc. Esse tipo de comportamento na incorporação nada mais é do que uma forma de descarregarem seus médiuns e as pessoas ali presentes e, ao mesmo tempo, trazendo a alegria para o ambiente.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Hoje 12/10/2012 - Comemora-se o dia de Oxum, Nossa Senhora Aparecida e as Crianças



Ilustração de Weber Bagetti
Dia 12 de outubro, um dia cheio de motivos para comemorar. Pelo menos os motivos foram bem inventados para isso.

Cá, aqui no Brasil, temos três grandes comemorações, sendo que uma delas vale até um feriado: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Oxum e o Dia das Crianças.

Nª Srª Aparecida é a Padroeira do Brasil, embora o Brasil seja um país laico desde 1889, quando da sua Proclamação da República, inclusive proclamando independência religiosa ao determinar a laicização do Estado.

O país é laico, porém o povo é religioso, mas um religiosismo mesclado, sincretizado, que faz com que seja algo leve e não fanatizado... ao menos, assim o era até surgir "novas religiões" com seus Achismos Dogmáticos, querendo tiranizar a mente e o espírito dessas pessoas em prol de enriquecimentos desnecessários e totalmente fora de propósito, uma vez que dinheiro não se come e poder não dá imortalidade...

Bem, tiranos religiosistas e alienados fanáticos à parte, a postagem aqui é para abranger num só assunto três questões distintas: Crianças, Nª Srª Aparecida e... Oxum!

Nossa Senhora da Conceição Aparecida (que é, historicamente, a mãe de Jesus Cristo, Maria de Nazaré, e o nome que se segue ao "Nª Srª" é referente aos locais de aparição - como Lourdes e Fátima, cidades da França e Portugal - ou nomes dados pelos devotos - como Nª Srª das Candeias, da Cabeça, Desatadora de Nós etc.) é uma Nossa Senhora "criada" no Brasil, por conta do aparecimento da imagem em terracota que acabou por originar toda essa devoção, a ponto de torná-la aRainha do Brasil e Padroeira Principal do nosso país. É até uma história interessante de um Brasil Colônia sendo catequizado pelos padres da Companhia de Jesus (chamados "Jesuítas"), que você poderá ler na (Nossa Senhora da) Wikipédia - a "Santa" pela qual eu rezo muitas vezes, he :P

Nessa coisa única, que somente nós temos e só aqui acontece (entenda isso como uma ótima qualidade!), de um Estado Laico com um Povo de Religiosidade Sincrética, surgem devocionais e cultos que se mesclam e se tornam únicos em sua peculiaridade, como é o caso dos Cultos e Religiões de matriz africana (Candomblé, Umbanda de Nação, Jejê, Nagô, Santeria, Catimbó, Encantaria, Jurema Sagrada, Batuque, Tambor de Mina). Nesse sincretismo, temos Deidades de outros povos e panteões que se misturam, graças aos seus cultuadores, às Deidades da religião local ou dominante, no nosso caso a Católica (dominante, não local). Dessa mesclagem especificarei apenas um panteão: dos Orixás, Deidades provenientes dos povos de Daomé (atual Benin) e Yorubá (Nigéria), da África continental.

Os Orixás são representações humanizadas das Forças da Natureza, cultuados em várias nações e tribos da África Ocidental (lembrando que a maior parte dos países africanos são mulçumanos). Quando o Reino de Daomé sofreu a invasão e dominação de uma nação Yorubá, ocorreu o que os antropólogos chamam de aculturação, que é a assimilação e posterior mesclagem dos elementos culturais, sociais e religiosos de um povo pelos elementos do outro, seja por dominação ou imigração. Portanto, os Orixás originados no Daomé se integraram e, alguns, se fundiram aos dos Yorubás, surgindo aí um panteão com, entorno de, 600 Deidades.

Com a imigração forçada pela escravidão de indivíduos de nações Yorubás, algo das religiões ou cultos locais também foram integrados, sendo que apenas 18 Orixás"sobreviveram" nos "novos cultos" criados no Brasil. Dessas 18 Deidades, vamos especificar apenas uma, a de interesse máximo nesta postagem: OXUM, a Deusa do Amor e das Águas Doces.

As lendas que envolvem Oxum são várias, assim como várias são as versões para sua origem. Mas, seja qual lenda, seja qual versão, é consenso de que esta Orixá é uma Deidade que atua no campo do Amor, da Beleza, da fecundação, da fertilidade e da fartura, isto é, tudo aquilo que de melhor é oferecido pela Natureza, que é sempre Vida e Fartura.

Na Natureza, os campos de maior vibração dessa Orixá são os próximos às águas doces e correntes, como rios, lagos e cachoeiras, pois a água doce que flui é a água que transporta Vida, seja na forma de minerais, seja na forma de sementes, seja na água contida no sêmen, pois Oxum cuida exatamente do momento da concepção e, depois, é ela quem cuida e protege as mulheres durante a gravidez e dos bebês quando nascem, até falarem suas primeiras palavras.

Por sua origem e natureza amorosa, Oxum é chamada carinhosamente de Mamãe. É ela quem ampara, acolhe e cuida. Em uma das versões, ela é filha de Yemanjá e Oxalá, considerados os pais dos Orixás.

No Brasil, Oxum foi sincretizada pela Umbanda com várias Nossas Senhoras, de acordo com a região de culto, sendo que na Bahia ela foi sincretizada com Nª Srª Aparecida, sendo lá, hoje, o dia comemorado em sua homenagem.

As Crianças do Brasil:

Hoje, dia 12 de outubro, é institucionalizado o Dia das Crianças no Brasil, uma data que foi criada pelo político Galdino do Valle Filho, em 1920, oficializada em 5 de novembro de 1924, através do decreto 4867, pelo então presidente Arthur Bernardes.

Porém, a data começou a ser comemorada apenas em 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela em parceria com a indústria de fármacos e cosmética Johnson & Johnson, se uniram para criar uma campanha de marketing para aumentar as vendas no setor infantil, a "Semana do Bebê Robusto", efetivando-se, aí, a comemoração do Dia das Crianças.

A nível mundial, o Dia das Crianças é comemorado em 20 de novembro, quando da Declaração dos Direitos das Crianças pela ONU em 1959, criando-se o Dia Universal das Crianças.

No Brasil, na verdade, há duas datas para as crianças: o dia 27 de setembro, dia de São Cosme e São Damião (link 1 e link 2), e o dia 12 de outubro. O primeiro é uma data popular, criada em função dos santos católicos considerados protetores das crianças, e dos Orixás Ibejis, que são os Orixás que comandam a Linha das Crianças na Umbanda, que em algumas Nações e no Candomblé são chamadas de Êres.

No dia 12 é a data, aparentemente, comercial, que se divide em comemoração à Nossa Senhora Aparecida, a Rainha-mãe e protetora do Brasil, e à Oxum, Mãe amorosa e protetora das crianças pequenas. Será que tudo é apenas uma mera coincidência?

Ora Aie Ie o, Oxum (Salve a benevolente Mãezinha)
Rora Yeyé Gbémi!  
(Mãe Grandiosa, Proteja-Me!)

Intercedei por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Feliz Dia das Crianças!
 

domingo, 30 de setembro de 2012

Salve Salve a patota de Cosme!!!



Axéééé!!! Erês, Ibejadas, Yori, “Crianças”, Encantados, Anjos, Andorinhas, Cosme & Damião com Doum ou sem Doum… Não importa!!!
O nome, a designação, o título, não é relevante!
Cor, feito, brinquedo ou movimento não é ressaltante!
O bom, o certo, o formidável, o admirável, o respeitável, o Sagrado é tê-los no coração, é saber que não deixam que nos derrubem e que são nossos “Amigos”.
Ahhhh… Quantas oportunidades perdidas quando as “crianças” se manifestam em nossa Umbanda. Quantas pessoas menosprezam o poder e a ação da Linha das Crianças. Quantos confundem alegria com ingenuidade, inocência, ignorância, bobeira e assim perdem momentos mágicos de transformação.
Saibam que essa linha de trabalho, Linha das Crianças, que se manifesta na Umbanda em meio a sorrisos, doces, guaranás e alegria é uma das poucas Linhas que consegue dominar a Magia na sua essência natural e faz isso, muitas vezes, de forma extremamente imperceptível.  Para comprovar essa afirmativa, basta avaliarem as percepções pessoais ao ganharem balas, sentarem no chão, baterem palmas, colocarem chuquinhas no cabelo, etc… Ééé… É grandioso! É mágico!!!
Além disso, quem já não ouviu a frase: “O que os Filhos das Trevas fazem, qualquer Erê desfaz. O que o Erê faz (no sentido do Bem, é claro) ninguém desfaz ou interfere”.
Enfim, a festa das Crianças na Umbanda, conhecida como Festa de São Cosme e Damião já começou, aproveitem o dia, a energia, a vibração, a festa e todo o entusiasmo dessas maravilhosas Entidades, deem uma pausa para pensarem, abram o coração e entendam, embora de forma simples e pura, as profundas e sábias mensagens desses verdadeiros SÁBIOS – Senhores da Pureza Cósmica.  Aproveitem também e determinem algo especial para vocês, determinem, por exemplo, que o lado infantil e puro sempre influencie as decisões e os relacionamentos dos adultos que se consideram sucessivamente certos e sérios, afinal, na maioria das vezes, esses “crescidos” acabam por propiciar inflexibilidade, intransigência, fanatismo e extremismo, não é mesmo?
E se precisarem de inspiração, como sempre procuro promover, assistam ao vídeo do Zeca Pagodinho que interpreta a canção “Patota de Cosme” e explorem o “olhar de poeta” e percebam a beleza das afirmativas e a verdade cravada no peito. Observem quem sempre está por perto mesmo que em plano de fundo. Meçam a “coincidência” com a vida real na sua imensa dualidade e admitam comigo e com o Zeca: a “Patota de Cosme” ajuda e protege aqueles que têm Fé no coração.

Patota de Cosme 

Zeca Pagodinho
-
 
Mulher, mulher, mulher,
Você não terá o meu amor
Pode tentar o que quiser
Já levou o meu nome pra macumba
Pra me amarrar
Já tentou diversas vezes me prejudicar
Mas minha cabeça é sã
Porque Cosme é meu amigo
E pediu a seu irmão: Damião
Pra reunir a garotada
E proteger meu amanhã , meu amanhã
Porque Cosme é meu amigo
E pediu a seu irmão: Damião
Pra reunir a garotada
E proteger meu amanhã
Na verdade você nunca me pertenceu
E quando seguiu meus passos
Foi visando o que era meu
Você não passou de um caso
Que nasceu por acaso
Seu amor, não era eu
Seu amor, não era eu
Quando teve a conclusão
Que meu pobre coração
Não abrigaria você
Passou me caluniar
Mas a patota do Cosme
Não deixou me derrubar
Não deixou me derrubar
Passou me caluniar
Mas a patota do Cosme
Não deixou me derrubar

Escrito por Monica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um olhar diferenciado em busca dos “Dois” lados…


Axééé!!! Começam as comemorações! Começam as festas! Começam ser  servidas as guloseimas!
É isso mesmo, começa um dos festejos mais envolvente, vibrante e “permitido” de nossa Umbanda. É a Festa de Cosme e Damião, de Erês, da Ibejada e das Crianças.
Mencionei a palavra “permitido” pois, assim como a festa de Iemanjá que acontece no final e no início do ano, percebo a diversidade de pessoas que, independente de suas crenças religiosas, participam dessa festa. São crianças, kardecistas, católicos, não religiosos, pessoas que normalmente não frequentam o terreiro, que nem sabem ou entendem o que é Umbanda muito menos o que representa essa Linha, mas que nesse dia, como tudo fica diferente, tudo fica mais colorido, mais leve e mais gostoso, não deixam de participar dessa festa e levar para casa muitos doces, balas e bexigas cheias de Axé.
Percebo também que muitas pessoas imaginam que as “Crianças” que se manifestam em nossos terreiros sejam realmente crianças que desencarnaram cedo, muitos ainda acham que o desencarne foi doloroso e que estão se manifestando nos terreiros em dia de festa para receberem presentes, para ver pessoas, enfim, para “curtir” a festa.
Mas não é bem assim, a Linha de Erês, Ibeji ou a Linha das Crianças da Umbanda é composta por Entidades iluminadas, por espíritos adultos* que se plasmam, que se “vestem” como crianças para gerar a energia de alegria, pureza, doçura e irmandade, qualidades que muitas vezes estão distantes do mundo dos adultos, dos sérios e responsáveis. Também se manifestam nessa Linha os Encantados, considerados os Mensageiros, normalmente são as crianças mais quietas, mais sensíveis, que falam baixo, que se assustam facilmente, que trabalham mais energéticamente, afinal como encantados manipulam de forma potencializada as energias elementais realizando maravilhosas curas no corpo astral dos consulentes e do próprio médium.
Essa Linha é sincretizada pelo catolicismo com “COSME E DAMIÃO”. Gêmeos nascidos em 270 que, como médicos e cristãos, praticavam a medicina gratuitamente em socorro aos pobres, crianças, mulheres ou qualquer pessoa necessitada. Realizavam muitas curas milagrosas, mas sempre falavam e se referenciavam a Cristo e em nome de Cristo.
Dioclesiano, imperador da época, não tarda em persegui-los, pois Roma não tolerava o cristianismo que ameaçava expandir. Por fim, os gêmeos foram presos, torturados, acusados de prática de curandeirismo e decapitados em 303.
Contam que o imperador, ao tocar a cabeça dos mártires, recuperou milagrosamente o movimento de um dos braços paralisado desde uma antiga batalha.
No culto de Nação, “as crianças” estão ligadas ao ORIXÁ IBEJI (nação Ketu) ou VUNJI (nação Angola e Congo), que simboliza alegria, fertilidade e inocência. Uma das funções desse orixá é cuidar das crianças desde bebê até a adolescência.
Na Nigéria o nascimento de gêmeos era motivo de comemoração no povoado. A mãe e as crianças eram homenageadas e saiam para as ruas para festejar e receber presentes. Os gêmeos eram considerados pelos pais uma garantia de sorte e de fortuna.
Por serem considerados gêmeos, são associados ao princípio da dualidade, o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos. Ibeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.
Por serem considerados crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas etc. Importante refletir que não podemos falar em nascimento sem pensar na morte.
Há, entre tantas lendas, uma em especial que narra como os gêmeos dominaram e deteram a Morte.
Leiam a lenda “Os Ibejis enganam a Morte” contada por Reginaldo Prandi em seu livro Mitologia dos Orixás e entendam um pouco mais essa concepção:

Os Ibejis enganam a Morte


Os Ibejis, os Orixás gêmeos, viviam para se divertir.
Não é por acaso que eram filhos de Oxum e Xangô.
Viviam tocando uns pequenos tambores mágicos,
que ganharam de presente de sua mãe adotiva, Iemanjá.
Nessa mesma época, a Morte colocou armadilhas
em todos os caminhos e começou a comer todos os humanos
que caíam na suas arapucas.
Homens, mulheres, velhos ou crianças,
ninguém escapava da voracidade de Icu, a Morte.
Icu pegava todos antes de seu tempo de morrer haver chegado.
O terror se alastrou entre os humanos.
Sacerdotes, bruxos, adivinhos, curandeiros,
todos se juntaram para pôr um fim à obsessão de Icu.
Mas todos foram vencidos.
Os humanos continuavam morrendo antes do tempo.
Os Ibejis, então, armaram um plano para deter Icu.
Um deles foi pela trilha perigosa
onde Icu armara sua mortal armadilha.
O outro seguia o irmão escondido,
acompanhando-o à distância por dentro do mato.
O Ibeji que ia pela trilha ia tocando seu pequeno tambor.
Tocava com tanto gosto e maestria
que a Morte ficou maravilhada,
não quis que ele morresse
e o avisou da armadilha.
Icu se pôs a dançar inebriadamente,
enfeitiçada pelo som do tambor do menino.
Quando o irmão se cansou de tocar,
o outro, que estava escondido no mato,
trocou de lugar com o irmão,
sem que Icu nada percebessse.
E assim um irmão substituía o outro
e a música jamais cessava.
E Icu dançava sem fazer sequer uma pausa.
Icu, ainda que estivesse muito cansada,
não conseguiu parar de dançar.
E o tambor continuava soando seu ritmo irresistível.
Icu já estava esgotada
e pediu ao menino que parasse a música por uns instantes,
para que ela pudesse descansar.
Icu implorava, queria descansar um pouco.
Icu já não aguentava mais dançar seu tétrico bailado.
Os Ibejis então lhe propuseram um pacto.
A música pararia,
mas a Morte teria que jurar que retiraria todas as armadilhas.
Icu não tinha escolha, rendeu-se.
Os gêmeos venceram.
Foi assim que os Ibejis salvaram os homens
e ganharam fama de muito poderosos,
porque nenhum outro orixá conseguiu ganhar
aquela peleja com a Morte.
Os Ibejis são poderosos,
mas o que eles gostam mesmo é de brincar.
 
 
Na UMBANDA são grandes renovadores de nossos sentimentos, amparados pela irradiação de Oxum e seu imenso Amor.
Crianças, erês, ibejadas trabalham com tanta força, com tanta pureza e simplicidade, que uma “simples” bala imantada por eles suaviza nossa alma e adoça nossa vida.
Não devemos subestimar essa Linha de Trabalho ou julgar a forma que se apresentam, são espíritos elevados que brincam trabalhando e trabalham brincando.
Depois de Oxalá são os únicos que dominam totalmente a magia com e como Exu.
Vale a pena refletir e buscar um olhar diferenciado, um verdadeiro “Olhar de Poeta”…
Boa inspiração a todos, muitos doces e bom trabalho…
Axéééé!!!



 
Clipe  criado com base no documentário “Babies” do cineasta francês Thomas Balmes
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* Espírito adulto mencionado no texto tem a intenção de proporcionar uma reflexão sobre a manifestação de espíritos de crianças como mencionado no parágrafo anterior. A ideia almejada ao mencionar “espíritos adultos” é relacionar os espíritos que se manifestam na Linha de Erês, Ibeji ou a Linha das Crianças da Umbanda com espíritos de alto grau de evolução que se manifestam através de uma roupagem fluídica de características infantis. Assim sendo, esse iluminado espírito alcança a sua intenção que é promover e projetar uma energia alegre, pura, doce no médium, nos consulentes e em todo terreiro. Para ilustrar melhor essa ideia podemos nos apoiar na Linha de Pretos Velhos, a qual sabemos que nem todos os espíritos que se manifestam nessa Linha são ‘pretos’ ou ‘velhos’, mas sim espíritos elevados que se “vestem” desse arquétipo para emitir, transmitir e irradiar energia de resignação, amorosidade, serenidade e paciência como é característico dessa Linha.

Escrito por Monica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.