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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Palavras de quem viveu....


Um conto curto, porém um conto de boiadeiro

Sou sim, Boiadeiro !

“Vivi, cresci e morri no campo.
O cheiro do campo, do frescor, a  sensação da liberdade, o simples,
onde me preocupo somente com o singular, onde ‘o tudo’ se resume a mim.”

Assim foi um bom boiadeiro, que conquistou por presença , sem nunca falhar por omissão. 
Tempos e tempos , assim são os anos , as vertentes, as demandas, as HISTÓRIAS.
Nunca saberemos o que vai acontecer amanhã. Não é preciso ter tamanha  certeza, o simples o que seria? A vida o que  seria?

A vida como é vista,  como sucesso, algo que se conquista, é certo? NÃO !!!
Sucesso é ter alguem, mesmo que por cinco minutos ao seu lado, e que te faça feliz.
Não existem problemas sem solução, existem as vezes, falta de problemas para grandes soluções.

Viva o simples, quando  complicar ... confie ...
Nada é tão complicado que não se possa superar.

Por: Leonardo Raposo, Fonte: http://www.girasdeumbanda.com.br/materia/182/palavras-de-quem-viveu.html


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A pedidos: História de seu Zé Pelintra do Alto do Morro !


A pedidos:
História de seu Zé Pelintra do Alto do Morro !

Saravá Zé,

'' No alto da madrugada, na subida do morro, fogos ao alto, ouço logo um estrondo, luzes fortes, e muita fumaça, a patrulha chega, pra acabar com a arruaça, a malandragem não tem medo, pisa forte, mantém sua posição, malandro é malandro, malandro não treme não!!! teve troca de tiro, teve muita confusão, navalhas e facas, e tiros de oitão, a patrulha não aguenta, tem que recuar, a malandragem já começa, logo a festejar, bebidas e mulheres, muito samba e jogo, bota mais bebida no gelo, que isso aqui é muito pouco!!! A festa vai até o dia clarear, só vou deitar com minha nega, quando o galo cantar, sou Zé do Morro, essa vida eu vivi, lei da causa e efeito, por isso estou aqui, venho nessa terra, fazer o bem e realizar minha missão,
subir degraus da espiritualidade, buscar a evolução, como espirito, ainda sou bem atrasado, mas deixei pra trás, todo o meu passado, ajo conforme as leis divinas, trabalho para o bem ajudar, se precisar de ajuda, só o Zé do Morro chamar, trago comigo, a alegria e a ginga do malandro, por isso eu chego, dançando e cantando, essa é minha história, de um espírito humilde, que aprendeu errando, mas que jamais desistiu, e continua tentando, tentando crescer, me melhorar e evoluir, sempre à disposição, para os irmãos necessitados instruir, agora me despeço, agradecendo e pedindo, do fundo do meu coração, ouça o que lhe digo:

Se você se disser umbandista, bata no peito e tenha orgulho, aja como tal, estude, procure conhecer melhor e entender essa religião maravilhosa, busque sempre se aprimorar, trocar conhecimentos, dividir informações e opiniões, para que com humildade, que é a base dessa religião, possa continuar crescendo cada vez mais e ajudando cada vez mais espíritos como eu e como você, encarnados ou desencarnados, estamos todos caminhando, uns com passos largos, outros com passos mais lentos e menores, para trilhar o caminho do mestre Jesus e de nosso pai oxalá.
Salve a Umbanda
Umbanda é linda, 
Umbanda é luz,
Umbanda é humildade e caridade,
Umbanda é perdão, é doação, 
Umbanda é simplicidade de uma pequena GRANDE religião.
Salve UMBANDA!


Ponto Cantado:

Zé Pelintra do morro, 
eu preciso de você,
 pra me tirar de um sufoco,(2x)
A vida sem você não vale nada,
Zé pelintra, meu camarada (2x)

Texto psicografado pelo Irmão "Fred Rios"

Fonte: Malandro da Lapa.

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quinta-feira, 17 de abril de 2014

História de Um Boiadeiro


Com apenas quinze anos eu meus velhos pais 
Querendo ser boiadeiro parti sem olhar pra trás 
Minha mãe ficou chorando num ranchinho lá em Goiás,
Pedindo a Deus que me olhassem com seus olhos divinais!

Me ajustei com um boiadeiro, cinco anos trabalhei, 
E quando fiz vinte anos pra rever meus pais voltei 
Eles tinham, se mudado do lugar onde eu deixei 
E da nova residência nem notícias encontrei! 

Prosseguia lida de gado e com vinte cinco anos 
Tocando grande boiada eu cruzava o chão goiano 
Num lugar de estrada curta meu gado foi estourando 
E na frente uma pessoa a pé ia caminhando. 

Pra salvar aquele andante dos cascos dos pantaneiros 
Gritei que se encostasse no barranco bem ligeiro 
Porém não adiantou - foi seu dia derradeiro 
Nessa hora do meu rosto duas lágrimas correram.

Quando a boiada passou, dei um grito de aflição 
Ao ver que era minha mãe, o andante do estradão 
Já na última agonia me deu mais uma benção 
Vi morrer sobre meus braços minha mãe do coração!

Lourenço & Lourival
Compositor: Praense


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Historia sobre Oxumarê


  
Oxumarê, filho mais novo e preferido de Nanã, irmão de Omulu. É uma entidade branca muito antiga, participou da criação do mundo enrolando-se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao Mundo. Sustenta o Universo, controla e põe os astros e o oceano em movimento. Rastejando pelo Mundo, desenhou seus vales e rios. É a grande cobra que morde a cauda, representando a continuidade do movimento e do ciclo vital. A cobra é dele e é por isso que no Candomblé não se mata cobra. Sua essência é o movimento, a fertilidade, a continuidade da vida.
A comunicação entre o céu e a terra é garantida por Oxumarê. Leva a água dos mares, para o céu, para que a chuva possa formar-se - é o arco-íris, a grande cobra colorida. Assegura comunicação entre o mundo sobrenatural, os antepassados e os homens e por isso à associa do ao cordão umbilical.
Oxumarê é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem.
Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um Orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo; metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo.
Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.
Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris, sendo atribuído a Oxumarê o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a prova de que a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará à terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.
Nos seis meses subseqüentes, o Orixá assume forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então, uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão, perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso.
Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como especialmente no Brasil, a população negra, foi continuamente assediada pela colonização branca. Uma das formas mais utilizadas por jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para alguns, não bastava o medo de apanhar. Eles queriam a crença verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades, introduzindo a noção de que os Orixás, seriam santos como os da Igreja Católica. Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar em Oxumarê e na cobra - e não há animal mais peçonhento, perigoso e pecador do que ela na mitologia católica.
Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal.
Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que apresenta Oxumarê é que este é o Orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo. Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo- todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar de Oxumarê muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a conseqüência será nada menos que o fim da vida no mundo.
Seu domínio se estende a todos os movimentos regulares que não podem parar, como a alternância entre o dia e a noite, o bom e o mal tempo (chuvas) e entre o bem e o mal (positivo e negativo).
Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu habitat característico, podendo realizar rápidas incertas.
Pierre Verger acrescenta que Oxumarê está associado ao misterioso, a tudo que implica o conceito de determinação além dos poderes dos homens, do destino, enfim: É o senhor de tudo o que é alongado. O cordão umbilical, que está sob seu controle, é enterrado geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.


Características

Cor
Verde e amarelo (cores do arco-íris, ou, amarelo rajado de preto)
Fio de Contas
Verde e amarelo
ErvasMesmas de Oxum
Símbolo
Cobra e Arco-Íris.
Pontos da Natureza
Próximo da queda da cachoeira.
Flores
Amarelas
Essências
-
Pedras
Ágata. (Topázio, esmeralda, diamante)
Metal
Latão (Ouro e Prata mesclados)
Saúde
pressão baixa, vertigens, problemas de nervos, problemas alérgicos e de pele
Planeta
-
Dia da Semana
Terça-feira
Elemento
Água
Chakra
Laríngeo
Saudação
Arrobobô
Bebida
Água Mineral
Animais
Cobra
Comidas
Batata doce em formato de cobra, bertalha com ovos
Numero
14
Data Comemorativa:
24 de agosto
Sincretismo:
São Bartolomeu
Incompatibilidades:
sal, água salgada

Atribuições

Oxumarê, é a renovação continua, mas em todos os aspectos e em todos os sentidos da vida de um ser. É a renovação do amor na vida dos seres. E onde o amor cedeu lugar à paixão, ou foi substituído pelo ciúme, então cessa a irradiação de Oxum e inicia-se a dele, que é diluidora tanto da paixão como do ciúme. Ele dilui a religiosidade já estabelecida na mente de um ser e o conduz, emocionalmente, a outra religião, cuja doutrina o auxiliará a evoluir no caminho reto.


Lendas De Oxumarê

Como Oxumarê Se Tornou Rico.

 
Oxumarê era o babalaô da corte de um rei que, embora fosse rico e poderoso, não pagava bem seu sacerdote, que vivia na pobreza. certo dia, Oxumarê perguntou a ifá o que fazer para ter mais dinheiro; ifá disse que, se ele lhe fizesse uma oferenda, ele o tornaria muito rico. Oxumarê preparou tudo como devia mas, no meio do ritual, foi chamado ao palácio. não podendo interromper o ritual, ele não foi; então, o rei suspendeu seu pagamento. quando Oxumarê pensava que ia morrer de fome, a rainha do reino vizinho chamou-o para tratar seu filho doente e, como Oxumarê o salvou, a rainha pagou-o muito bem. com medo de perder o adivinho, o rei lhe deu ainda mais riquezas, e assim se cumpriu a promessa de ifá.


Orixá do arco-íris !!!

 

Certa vez, Xangô viu Oxumarê passar, com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seu ouro. Xangô conhecia a fama de Oxumarê não deixar ninguém dele se aproximar. Preparou então uma armadilha para capturar Oxumarê. Mandou uma audiência em seu palácio e, quando Oxumarê entrou na sala do trono, os soldados chamaram para a presença de Xangô e fecharam todas as janelas e portas, aprisionando Oxumarê junto com Xangô. Oxumarê ficou desesperado e tentou fugir, mas todas as saídas estavam trancadas pelo lado de fora.
Xangô tentava tomar Oxumarê nos braços e Oxumarê escapava, correndo de um canto para outro. Não vendo como se livrar, Oxumarê pediu a Olorum e Olorum ouviu sua súplica. No momento em que Xangô imobilizava Oxumarê, Oxumarê foi transformado numa cobra, que Xangô largou com nojo e medo. 

A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos. Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala e foi por ali que escapou a cobra, foi por ali que escapou Oxumarê. 
Assim livrou-se Oxumarê do assédio de Xangô. Quando Oxumarê e Xangô foram feitos Orixás, Oxumarê foi encarregado de levar água da Terra para o palácio de Xangô no Orum (céu), mas Xangô não pôde nunca aproximar-se de Oxumarê.

Como Oxumarê Serve À Oxum e Xangô

 
Quando xangô e Oxum quiseram se casar, perceberam que seria difícil viverem juntos, pois a casa de Oxum era no fundo do rio e xangô morava por cima das nuvens. então, resolveram arranjar um criado que facilitasse a comunicação entre os dois. falaram com Oxumarê, que aceitou servir de mensageiro entre eles. só que, durante a metade do ano em que é o arco- íris, Oxumarê levava as águas de Oxum para o céu; não chovia e a terra ficava seca. por isso, Oxumarê resolveu que, nos seis meses em que fosse cobra, deixaria o serviço. nesse período, xangô precisa descer até Oxum, e então acontecem os temporais da estação das chuvas.
 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O CAMINHO DAS BOIADAS – Histórias de Boiadeiros


A peonagem, quase toda nas selas, ouvia pálida de cansaço e desinteressada a cautela que o capataz pedia:
— Ocêis enlera as talha de cem trem de cada vez, na ponte, mas na hora que eu adetreminar. Não vai fazendo trem da idéia docêis não, proquê aqui ainda tem gerência. Não aperta não! B se num acauso depois a boiada estoura — o que eu não aquerdito proquê o tempo dos fantasmas já arribou pra longe — ocêis vêm pra culatra pra mode eles correr só pra diante, assim poupa u’a marcha. Os peão da chavelha vai tintiando de banda mas sem deixar a trenheira revirar nos pés pra donde saiu.
Moreno acabava de arrear o cavalo, juntando-se aos outros, mil vezes ouviu aquilo, cruzando, ao montar, com o olhar ruim do comissário.
A ronda, sob a chuva já bem fina, revirava para o caminho alagado a manada birrenta. A peonagem calada se punha automaticamente em suas posições, enquanto o berrante se afinava baixo, de ensaio, para o arranque de cruza-rio. Aos gritos roucos e desanimados, os peões ralhavam com o gado que custava a virar para o rumo. O tropel provocado, liderado pelas brabezas, refugava á toa, velhaco, do barro que espirrava.
Moreno imponente, berrante pronto, aguardava a voz do comissário. O grito sonoro da partida resvalou além ponteiro. O berrante gemendo deu arranque na boiada. O trinado melancólico do guampo, por um instante, despertou as emoções adormecidas nos peões extenuados. A boiada arrancou.
Lá atrás, um lenço colorido de cigano se requebrava em adeus no ar, amparando o choro convulso do berrante que ia morrer ali se entregando.
O chuvisqueiro babava esparso, quase a nenhum, enquanto a boiada, sem sossego, lá ia tremendo nervosa, o couro arrepiado, à moda de espantar mosquito.
O berrante repicando estudado chamava os peões para a frente. O rebanho atingia a estrada que, lá em baixo, se estreitando, emendava-se com a ponte.
O capataz atento, ao aviso do guampo, fazia esbarrar lenta a boiada, embolando-a para a travessia. As pilastras enormes da velha Afonso Pena se escancaravam ao tropel goiano na ânsia de vomitá-lo em Minas’.
O enxurro atenuado descia ponte adentro, igualando-se com o rio.
A fiscalização displicente aguardava pelo terceiro da entrada, talão nas mãos, o imposto que sempre meava com o governo.
O gado, mais largura, esbarrado para a travessia, aos tombos e arranques, caminhava afogado sob os urros doParanaíba.
O vento rasteiro começava a se elevar de novo. O berrante, firme, prendia, bem tocado, o avanço do rebanho.
O gado comprimido, retesado, se submetia inseguro ao acerco dos homens.
A peonagem, precisa, iniciava a manobra da divisão das talhas.
vento, subindo, farfalhou o copado das árvores. Uma chuva súbita se despencou de lá. O berrante desesperado recrudesceu o choro. O vento, cabra-cega, atingiu a manada. O berreiro intenso da peonagem, enlouquecendo a boiada. Sacudiu-se, violento, outra vez, o copado do arvoredo. Descarga repentina. Um berro sôfrego espantado. O tempo do clarão de um relâmpago. Tudo o que tinha vida, quedo. Um berro frenético reboa lancinante. Ponta de talha vacila para a esquerda. A peonagem se arremete. A corpulência molhada se comprime. Volta. Num só tempo, do ponteiro à culatra, arrancam para a direita. Tentativa de esbarre. Inútil. Assola o pânico. Cabeças baixas. Estoura a boiada. Os ponteiros recuam. A tropa da direita abre caminho. A culatra rápida passa à esquerda. A peonagem se arreda para longe a descargas de revólver. A retaguarda do tropel, virada já nos pés, arranca para trás, enquanto a tropa adestrada, firme, dispara paralela à massa sinuosa, perdendo terreno à arrancada. Cavalos esbarrados saltam loucos na ânsia de rebater cortando o turbilhão. O estampido contínuo, semelhante ao da enchente, esgaça num picadão sem fim o pau-baixo de beira-rio. O manga–larga espirituoso do capataz cospe-o longe a uma rodada. A gritaria dos homens, perdendo para o estouro, se avolumava mas refeita sobre o carretão compressor que prossegue vertiginoso. Estruge no planalto o ribombo dos res-sonos do pesadelo da natureza. Os primeiros bois pran-cheiam destripando nos chifres lascados os bofes dos que tropeçam neles, rodando. Galga o espigão que lhe refreia maneiro a disparada, dobrando já a cabeça-baixa da descida. O monstro cambaleia. O caos sonoro se indefine de vez na velocidade da descida. Olhos, a cascos, espirrando das órbitras triturados no estirão. Língua de bois mortos, palmo vomitadas, arrastam-se com bofes cem braças no amassador. Caudas levantadas, serpeando, serpeando, galgando no mesmo lugar; milhares de répteis boteando os céus. Orelhas hirtas ensurdecidas em desabalada pro fim do mundo. Potência enorme; flagelo de bárbaros em dois mil anos rasgando o ventre prenhe da terra, vazando olhos-d’água espertinhos que começam a chorar de novo. O chão se revolve em lama. Duzentas braças de arame farpado, cerca com quatro fios, cavalga légua e meia o dorso monstruoso da besta enfurecida. E o estouro ribomba longe no turbilhão de lama. Lascas de paus rachados baleiam à distância a peitaria larga dos cavalos. Os corpos quase um só, vermelhos de barro, do focinho à cauda, igualam um rancho velho que lá na frente os esbarra. Curva imensa, revirada sem razão; topa outra cerca atirando pelos céus postes de aroeira, rasgando a peitaria ampla nas felpas do arame frágil. Aberração teratológica, cada pata um tornado, arrastando formidável o chapadão. Mais uma rodada tremenda: cavalo e cavaleiro atirados a dez metros de distância, e o Evaristo vomitando sangue. Peão estacando brusco — cavalo sentando-se nas pernas traseiras ao escorregão do refreio —dando a urina ao Manuel — cura boa pra rodada ou qualquer incômodo de tombo. A maioria dos peões — pés fora dos estribos, os outros só com as pontas — esperam na correria suas vezes de rodar. Surge um córrego. Longe da passagem. A boiada se embola, junta-se mais, e um mar de aspas aglutinado reverbera batucando ritmos do fim do mundo. Visões apocalípticas; pescoços quebrados, corpo sobre eles. Os primeiros rasgam caminho represando o córrego grosso, e uma passagem chã que em três anos os carros-de-boi fariam, abre-se ante os homens. Os tombos da tropa frouxa sucedem-se já sem fim. Outro obstáculo avança célere: valo profundo, a esperança da comitiva. Vai o tropel sinuoso destruindo pelo mundo. Visão cinemascópica; estereofonía fabulosa, bois atropelando bois, embaralhado infernal e o valo virgem engole meia talha. O dorso vertiginoso se precipita sobre a ponte feita de corpos pela dianteira, aplanando barranco com barranco. Pernas quebradas tentando se levantar, agonizando, morrendo, e o estrupidar da cascaria vazando por cima. A tropa enqueixada, aos saltos e refugos, ensanguentando os cascos no montão de carne prossegue resoluta no estirão da boiada. Revolven do-se gigantesca a massa desenfreada se enchafurda arrasando u’a cabeceira. O brejal espalhado amaina o estampido de cascaria destruidora. A peonagem se arremete mais perto, avolumando-se o tiroteio. O cerco vai-se fechando. O monstro acuado expele tentáculos pra toda banda. Espirram pra cá e pra lá socas desnorteadas, esti-lhaçando-se o dorso imenso em partidas acéfalas. O tropel ensoado, cambaleando, já no trote cabeçudo de fim de estouro, se subdivide enfraquecendo-se, se perdendo sem rumo, desguaritado pela mata circundante. A tropa já confiante corta az nada os avanços das talhas livres. O ti-roteiro cessa. As pinholas e relhos chamuscam lapeando a manada indócil, enquanto os tentáculos do monstro vão–se reabsorvendo outra vez na origem. A tropelia prossegue pesada. Aos laços ágeis e precisos dos peões estacam bruscos os bois velhacos. A tropa suada prende — ancas para a cara da rês — a ponta retesada da amarra nas chinchas dos arreios. Bois urrando, a três cambalhotas, se entregam à peia certeira que o peão lhes passou. Homens em disparada emparelhados com reses renitentes pra voltar, deitados nas selas, pelas caudas lhe dão o tombo da revirada. A boiada começa a se juntar, aos atropelos, rodeando. Peões voltam das capoeiras mais distantes desistindo das arribadas, sob a gritaria infernal da ajuda no rodeio do grosso da talha. As blasfêmias recrudescem em contraponto à pancadaria, enquanto a brutalidade dos homens abate-se animalesca à vingança do estouro. Os olhos esgazeados da manada espavorida, há pouco invencível, piscam submissos, defendendo-se das chicotadas. O berrante implorando soluçava pelos ermos. O capataz esfarrapado — braço na tipóia — mandou dois peões levarem o Evaristo num bangüê para o pouso de beira-rio. Peões machucados, cambaleando nas selas — menos gritos — rondavam a boiada pela força do hábito. O tropel desabafado, lambendo os ferimentos, aguardava nervoso as decisões da comitiva. Moreno desolado, sobre o cavalo que batia frouxo, gemia pesaroso o guampo confortador. A culatra-manca, sã de repente à força do estouro, se deitava escornada — boca aberta, gemendo.
O comissário pálido gritou de novo e a manada moveu-se rápida. Marcha quase inteira de caminhada sobre a batida do estouro. No trajeto do desastre, o capataz abatido, com a ajuda de dois peões, lá ia enchendo os embornais com o couro das marcas dos bois sacrificados. Lombos de reses mortas eram arrancados, a golpe de faca, para o sustento da comitiva.
Os estragos se revelavam deprimindo o desolado patrão e a peonagem.
A boiada refugando, enlameando-se mais e mais, caminhava sem vontade seguindo de longe o ponteiro. A lama grossa revolvida segurava-lhes as patas, às vezes até a barriga, na batida que ainda agorinha era senguê.
O dia úmido, enchuvarado, lá ia grimpando.
O rebanho irrequieto reduzia mais e mais a força dos homens e dos cavalos.
tronqneira chegou enquanto, os olhos cansados dos homens, com laivos de esperança, acompanhavam a recontagem. O Ponteiro gritou ao comissário:
— Do estouro pra cá, mil e trezentas cabeças. O capataz derreado;
— Mil e trezentas cabeças, confere. Vinte e um mortos no estirão, com três de perna quebrada; cento e dez dearribada.
A praça amojou de novo.
Os peões se designaram nos quartos da ronda, alquebrados, cambaleando, enquanto da ciganada, lá longe, olhando curiosa, a Candeia comentava:
— Voltou pra trás a corja de trem à toa. Nem o serviço deles, os coisas não sabem fazer…
E virando-se para Maria que também olhava, olhos brilhando, continuou:
— É com esses cachaceiro e raparigueiro dos infernos que ocê arrumo rolo…
No rancho, a janta pesada era engolida sôfrega, e os homens mal humorados, se insultando, de qualquer geito tombaram de cansaço.
A ronda dormindo nas selas — Moreno sendo substituído — guardava por rotina o tropel desafogado.
O ronco surdo do rio embalava o descanso doentio de boiada e peonagem.
A noite calma e úmida se sacudia ao ressonar vigoroso do arrancho.
Moreno estirado em uns baixeiros, ainda com as mãos no cinto de apertar a calça de couro, como quem ia sair, cochilando sem querer, ouviu seu nome repetido. O cansaço mórbido; venceu-se a custo e, assustado, pôs-se de pé num salto.
— Moreno… Moreno… Ouvia outra vez.
Mão no trinta-e-oito, saiu do rancho e negaceando esbarrou em Maria. A cigana envergonhada — aventuresca —-arrependendo-se da ousadia, curiosa, entrou falando-lhe:
—Que coisa mais sem seca foi o estouro da trenheira. Nóis viu daqui quando o trem dobrou acolá afora… Eu fiquei com cuidado mode ocê. .. um soluço montou nos meus peito até o prazo da volta sua…
O peão continuava calado, ouvindo.
A menina vacilando, sem jeito, continuava:
— .. .E eu vim te trazer outro adeus e ver se não te aconteceu algum trem, Moreno…
O Ponteiro sem vontade, num gesto de aborrecimento, emendou devagar:
— Eu já estou acostumado, e é pra mode esse serviço que eu dou a minha vida. E não tem chuva braba nem estouro que murgiieia isso da minha idéia.
A meia-cigana querendo encompridar a conversa, sem compreender jamais a beleza de uma crença — criança pura sem nenhuma convicção — curiosa simplesmente, entrou outra vez:
— Há de ser mesmo perigoso essas lida docêis tudo e é pra ser bom vaquejar nesses galope de parelha com ote-beiro estourado, que nem dia de hoje…
E sem parar prosseguia tagarela:
— E essa trenheira que os outros chamam de arribada, qual é o que vai fazer o pega?
Moreno displicente lá ia desinteressado ouvindo a ingenuidade leviana da menina, que falava naquilo como se fosse mutirão ou pagode, o desanimado, apenas respondeu–lhe presunçoso:
— É pra ser eu o arribador proquê outro caboclo, nem melhor nem igual, tem na comitiva, nem nesses mundo de meu Deus nasceu até agora.
Maria chocada, refazendo-se voltava:
— .. . E que trem bonito é a modinha do berrão. Ah! eu tinha vontade de saber soprar êle.. .
Moreno impaciente, aborrecido, cortou-a brusco:
— O que ocê fala chama berrante!
O peão com a mão nos seus cabelos, ambos calados, alisava a nuca da menina que se ia arrepiando; brilhavam os olhos.
O vento — cobra doida — se enroscava arfando uma lobeira carregada. As frutas polpudas balançando. O vento atacando.
Fonte: Histórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Seleção de Regina Lacerda. Desenhos de J. Lanzelotti. Ed. Literat. 1962
O berrante gemendo deu arranque na boiada. O trinado melancólico do guampo...

O VAQUEIRO TANGERINO DO SERTÃO


tanger boi
(Percy Lau)
O TANGERINO
Octávio Pinto
AINDA não se escreveu a história dos nossos tangerinos. Poetas e cantadores já enalteceram a personalidade e a bravura dos vaqueiros. Rui e Euclides da Cunha descreveram em páginas imortais o "estouro das boiadas". Mas, tangerino continua ainda desconhecido, apesar de ter tido um passado brilhante e uma vida tão cheia de heroísmo e sacrifícios.
Quem conhece o sertão nordestino e as feiras de gado não pode deixar de admirar a figura do tangerino, que difere muito da do vaqueiro. Este é imponente e admirável em sua indumentária toda de couro, impressionando ainda mais quando esporeia o fogoso corcel que levanta as patas para o ar como se quisesse dar um salto mortal, que salta, que rodopia, que corre, ressaltando a segurança do montador. O vaqueiro é intrépido, bravo, audacioso, ágil e forte. Sabe montar com destreza e vive em correrias desenfreadas atrás dos bois, penetrando às vezes no mato fechado por onde muito mal passou o garrote bravio. No curral ou no campo laça o touro de longe e nas vaquejadas em louca disparada derruba o novilho pela cauda, num golpe audacioso e rápido, conquistando os aplausos de toda a assistência. Dai, as lendas, as histórias e as cantorias do sertão sobre a coragem e as façanhas dos vaqueiros. Até as vaquejadas são descritas com um colorido bem forte de entusiasmo e intrepidez, onde se procura a cada momento e a cada lance salientar o valor dos nossos destemidos vaqueiros. E é realmente, um espetáculo digno de admiração e louvor, que arrebata os mais vibrantes aplausos dos espectadores.
O tangerino não anda vestido de couro nem sabe montar. Traja sempre roupa comum, chapéu de palha de carnaúba, alpercatas, chicote, trazendo às costas a rede dentro de um saco de couro e os utensílios para preparar as suas refeições. Em seus trajes característicos e sua vida nômade, assemelha-se a um cangaceiro desarmado. Anda mais de um mês a pé em cada viagem, conduzindo de muito longe as boiadas para as feiras de gado, enfrentando a terrível soalheira que asfixia e que queima a terra, transformando aquela região num inferno de brasas.
E chega coberto de poeira das estradas, estropeado, sujo, barba e cabelos crescidos, às vezes esfomeado, parecendo mais um bicho do que um homem. Dorme no mato ou nos currais das fazendas onde arma a sua rede que nunca foi lavada, enquanto o gado fica pastando. Mal surge, porém, a madrugada, ei-lo novamente a caminho, cruzando estradas, atravessando rios, matas, serras e montanhas, viajando muitas vezes à noite para alcançar um pouso melhor, onde os animais encontram água para saciar a sede de uma viagem de muitos dias sem descanso.
Quando um dos bois está estropeado pelos espinhos, o tangerino calça-lhe umas alpercatas especiais, aliviando o sofrimento do pobre animal que agora já pode suportar a longa caminhada. E se sucede uma rês se extraviar do bando, o tangerino não se inquieta. Êle conhece todos os recantos do sertão e as manhas que esses bichos têm. Sabe onde a rês se escondeu ou onde ficou perdida. E vai certo ao seu encalço. Quando o boi é bravio, o tangerino coloca-lhe uma máscara de couro ou, então, amarra-lhe um pau no pescoço, deixando uma das extremidades tocar no chão, dificultando, deste modo, o movimento do animal, que é obrigado a andar devagar. Para tudo o tangerino encontra um jeito, contanto que a boiada chegue sem novidades ao seu destino. Êle sabe também o mato que o gado não deve comer e aquele que serve de remédio. E com aquela sua cantilena característica, aqueles gritos prolongados e monótonos que reboam pelas quebradas das serras, o tangerino vem trazendo de muito longe as boiadas para as nossas feiras, ganhando por esse serviço tão árduo e perigoso, salário insignificante.
Quando as feiras terminam ao cair da tarde, ei-lo de volta para as fazendas do Ceará, do Piauí, da Bahia ou de paragens mais longínquas, em busca de novas boiadas, percorrendo a pé centenas de léguas, numa faina para êle tão simples e comum, mas que encerra um mundo de sacrifícios.
No Brasil já se ergueram estátuas em homenagem ao cavalo, ao boi e ao cão. Ninguém se lembrou ainda de perpetuar no bronze a figura admirável do tangerino. A êle não devemos apenas o desenvolvimento de nossa pecuária e o abastecimento de carne verde à população. Foi o tangerino no tempo do Brasil colônia, no chamado século do couro, o desbravador dos nossos sertões, para onde depois chegaria o progresso da agricultura, da indústria e do comércio. As atuais estradas de rodagem, ligando povoações e vilas, cidades e estados, o litoral ao sertão, foram caminhos abertos por eles nas matas e serras para a passagem primitiva do gado. E dos antigos currais de gado nasceram cidades. Foi, na verdade, pelos roteiros das boiadas, pelos caminhos abertos pelos tangerinos, que penetrou primeiro a nossa civilização.
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.