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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A relação ética entre Médiuns, Entidades, Cambone, Consulentes e o Templo

A relação ética entre Médiuns, Entidades, Cambone, Consulentes e o Templo


Dentro de um Terreiro de Umbanda e especialmente em nosso Templo o conceito de ética é de grande importância, seriedade e extrema responsabilidade e assim deve ser praticado. A ética é e deve ser prática constante em sua vida, seja em sua casa, em seu trabalho em seu circulo de amizades e convivência e com você mesmo.

A ética se caracteriza pela postura de respeito, sigilo, seriedade, preservando a privacidade das pessoas, particularidades e tudo que possa causar danos a integridade delas perante sua família, seu grupo de trabalho, social e religioso, sendo este último o que vamos tratar a seguir.
Dentro do Templo Espiritual de Umbanda, a ética abrange a pessoa, porém vai muito além dela, desde que a espiritualidade atuando através das Entidades, faz uso do Médium e mesmo do Cambone que o assessora no plano terrestre. Tanto Médium como Cambone são partes ligadas ao trabalho destas Entidades no atendimento aos consulentes e diretamente envolvidos com assuntos pessoais, muito vezes de cunho íntimo dela própria, de familiares ou de pessoas próximas. Frente a uma Entidade os consulentes sentem-se a vontade para expor seus problemas ou dificuldades com todos os detalhes que venham à mente, pois esta é uma das facilidades que a Umbanda permite, ou seja desabafar, mostrar por inteiro tudo que aflige a pessoa. Com isto a Entidade, Médium e Cambone, passam a ser confidentes e até cúmplices nestes casos, é aí que se inicia todo o processo ligado a ética na visão religiosa, na visão deste Templo, na responsabilidade e sigilo, no comprometimento a privacidade e preservação da integridade do consulente, da Entidade em razão de suas respostas e orientações, do Médium por ser este o veiculo e do Cambone, sendo este um ouvinte e participante.
Visto desta forma o Médium (consciente) deve ter como postura não se deixar envolver pelos problemas ali apresentados, muito menos agindo por impulso, tomar a frente das Entidades, o que pode causar sérios danos ao efeito das orientações e distorcendo o entendimento do consulente para solução do problema, e principalmente do comentário sobre o assunto tratado dentro ou fora do Templo o que pode causar danos muito maiores a todos e principalmente a Casa e seu Comando.
Quanto ao Cambone, a postura e o sentido ético a ser adotado é praticamente a mesma, acrescido dos cuidados e responsabilidade de observar a clareza da orientação passada pela Entidade e não deturpar o sentido da mesma, fazendo uso de habilidades espirituais que não tem ou fazendo interpretações incorretas da mensagem dirigida ao consulente.
Para ambos Médium e Cambone, a ética no sigilo e preservação da integridade estende-se também e principalmente aos assuntos que envolvam o Templo ou qualquer de seus membros. Todo assunto que possa chegar a seus ouvidos ou que presencie tem que ser tratado com responsabilidade e todos os cuidados para que não sejam divulgados de maneira incorreta e perniciosa, afetando a harmonia do ambiente ou do grupo, causando constrangimentos e mal estar.
A observância da ética dentro do Templo e fora dele pelos seus Filhos de Santo e freqüentadores é demonstração da maturidade evolução espiritual, e solidez de caráter de seus membros o que assegura que o objetivo do ensinamento, aprendizado e crescimento do Espírito esta sendo atingido, garantindo a credibilidade e o fortalecimento da Casa e da Corrente.
Cada Filho de Santo e mesmo a Assistência deste Templo deve ter um conceito mais abrangente de ética, sendo ele extensivo e observado em casos onde se perceba que esteja havendo quebra da regra ética por parte de outras pessoas, fazendo comentários, julgamentos ou agindo de forma não condizente com o conceito de preservação da integridade e respeito ao ser humano seja ele quem for.

Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde

Exigências éticas de atendimento na Umbanda

Uma das razões para a grande frequência às casas umbandistas é a confiança que as pessoas depositam em serem atendidas diretamente por um espírito “incorporado” e a possibilidade de conversarem com a entidade frente a frente, falar de seus problemas, ouvir conselhos, enfim exercitar esse salutar intercâmbio com o plano espiritual.

Esse que é um dos aspectos mais positivos e mais atrativos da pratica umbandista é também – principalmente por esse motivo – um dos fatores que deve inspirar maiores cuidados por parte dos médiuns e dos dirigentes de casas.

O fato é que quando se olha para uma assistência lotada, a primeira constatação que se deve ter é a de que muito poucos estão ali por pura devoção, por curiosidade, ou para simplesmente passar o tempo. O que leva as pessoas a um terreiro são problemas. Problemas das mais variadas naturezas; que vão desde preocupações corriqueiras, até graves enfermidades. No campo das enfermidades incluem-se as do corpo e as da alma e, entre as da alma encontram-se principalmente aquelas ligadas ao campo afetivo que são as que mais facilmente conduzem as pessoas ao desequilíbrio e ao desespero.

Presentemente a faculdade mediúnica da psicofonia completamente inconsciente está em franca extinção. Esse fato, relacionado com o maior grau de consciência dos habitantes do planeta, coloca em evidência a necessidade de o médium passar por um processo de preparação longo e detalhado, antes de ser colocado em uma corrente mediúnica, em condições de atender os consulentes.

Se antigamente a entidade vibrava sobre o médium, tomando-lhe a consciência e expressando-se livremente através do aparelho fonador, hoje a entidade transmite a mensagem que é captada e processada pelo médium que a repassa, depois de submetê-la ao crivo de sua própria consciência e valores. Não se pode mais, portanto, pensar em uma comunicação pura e direta, já que a influência do aparelho mediúnico é quase inexorável.

Retome-se, então, a questão dos problemas que são levados às entidades pelos consulentes e diga-se que, muitas das vezes, alguns irmãos chegam à casa em um estado de absoluta debilidade emocional; alguns até à beira do suicídio, esperando encontrar na assistência do irmão desencarnado o alento para enfrentar sua dor, sua dificuldade, sua provação. Nesses casos, o que ele vier a ouvir ali poderá representar a diferença entre continuar ou desistir, entre reagir ou entregar-se de vez ao desespero.

Sobressai aí a importância de se trabalhar com médiuns preparados e que, além da firmeza e estabilidade de sua mediunidade, possuam igualmente firmeza e estabilidade emocional que lhes permitam reproduzir com clareza a mensagem do mentor, sem interferir, ou só interferindo com a absoluta certeza de o estar fazendo de forma positiva, complementando e melhorando a mensagem espiritual, se isso for possível.

Para tanto, é necessário primeiramente que se tenha a certeza de que as entidades atuantes na Umbanda jamais exporiam publicamente um irmão que lhes foi pedir ajuda, da mesma maneira que também não tratariam qualquer problema que fosse com indiferença ou menosprezo, julgando-o de menor importância ante outros aparentemente mais graves. Quando algo assim acontece, não é a entidade, mas o médium fazendo valer seu domínio sobre a manifestação.

Outro ponto que também merece destaque é o que diz respeito às receitas que são passadas pelas entidades: muitas vezes Pretos Velhos, Caboclos e até mesmo Exus receitam chás, ou banhos de ervas. É necessário ter em mente que as ervas não são absolutamente inofensivas, pois também possuem princípios ativos, muitos dos quais, se não utilizados de maneira correta, podem ser mais prejudiciais que benéficos. Nesse sentido, o médium deve procurar manter um conhecimento aprofundado sobre as ervas normalmente utilizadas em Umbanda e, a despeito desse conhecimento, abster-se de prescrever, deixando sempre tal tarefa para a entidade que verdadeiramente sabe o que está fazendo.

Imprescindível saber também que quem busca ajuda na Umbanda, ao contar seus problemas para a entidade, está empenhando confiança que deve ser retribuída com honestidade. O médium consciente deve procurar esquecer o que ouve e nunca relatar problemas alheios a quem quer que seja: médium não é repórter. O mesmo vale para os cambonos que, por força de seu trabalho, acabam ouvindo grande parte das conversas, mesmo que não o desejem, pois tem que estar por perto para atender as entidades. Cambono também não é repórter.

Outro ponto que não pode ser esquecido é que a mediunidade não faz de ninguém juiz de seus irmãos. Não cabe ao médium julgar o comportamento dos consulentes. Atender e fazer a caridade, independente de quem seja, lembrando que o conselho vem sempre da entidade e ao médium cabe retransmiti-lo em sua essência, sem alterar conteúdos significativos, pois os espíritos enxergam as questões de forma bem mais aprofundada e podem perceber matizes que o aparelho não tem capacidade de captar. A única exceção a essa regra é o caso de haver uma orientação nitidamente discrepante com os princípios da Umbanda e com os ditames legais, caso em que o medianeiro deverá desconfiar de que um obsessor esteja se fazendo passar por guia.
Necessário se faz, portanto, que se caminhe para procedimentos essencialmente éticos no atendimento fraterno, procurando sempre fazer pelo irmão que procura auxílio, o mesmo que se desejaria que fosse feito no seu próprio caso, até porque a dinâmica da vida pode determinar que a qualquer momento, qualquer um necessite de ajuda.

Núcleo de Estudos Umbandistas Brasília


Olá!

Não vejo o consulente como provável médium, nem como alguém que deva passar pelo desconforto/constrangimento de triagem para ser atendido nos terreiros e casas espíritas/espiritualistas.

Vejo o consulente como ser humano em busca de auxílio, alento em suas dores sejam elas de que ordem forem. 

Não nos cabe julgar a dor do outro. 

Digo isso porque percebo certa "reserva", por parte de alguns médiuns e dirigentes sobre o assunto amor, emprego e a insatisfação das pessoas que vivem problemas semelhantes.

Ora! A pessoa procura o terreiro, ou casa espírita/espiritualista, muitas vezes extremamente angustiada por conta dessas duas questões que, por sua vez podem sim criar condições favoráveis para que ali, no assistido, se instale algum tipo de  obsessão.

Ouvi, por esses dias,  um sacerdote de Umbanda afirmar que em sua casa, pessoas com problemas afetivos e financeiros não são atendidas, pasmei, e mais, sentenciou ainda que o problema da pessoa, nessas condições, é social ou fruto de sua própria negligência.

No meu entendimento, essa postura não é de um verdadeiro sacerdote, nem Umbandista, nem de religião alguma.

Espiritualidade sem humanidade é pura arrogância.

É certo que nenhuma entidade poderá resolver os problemas das pessoas, mesmo porque existem Leis Maiores que regem o carma, mas, constranger a pessoa que busca ajuda, logo de "cara" com tal postura é no minimo uma questão de falta de sensibilidade.

Nós, Umbandistas, sabemos, ou pelo menos deveríamos saber que o Congá não é balcão de negócios, porém, muitas vezes, quem busca a Umbanda, vem como último recurso, vem aconselhado por um vizinho, parente, amigo, sem noção alguma sobre a religião. A pessoa vem desesperada, dolorida, angustiada e a nossa obrigação, como medianeiros e servos de Oxalá, nosso Mestre e Guia Maior, é de acolher, ouvir, trabalhar, sem julgar se o problema que aflige o consulente é de ordem afetiva, financeira, etc.

A espiritualidade sabe, de ante mão, quem nos enviará e está, antes de nós, preparada para receber a pessoa que muitas vezes nem imagina a razão pela qual foi "induzida" a buscar ajuda num terreiro, nem mesmo nós, medianeiros, sabemos porque tal pessoa, com problemas aparentemente caprichosos, se apresenta ali, diante de nós e da entidade que servimos por aparelho.

É precipitado demais sentenciar, como fez o sacerdote em questão, afinal não precisamos de juízes e sim de auxílio que nos oriente e nos ajude a angariar forças para seguirmos vivendo com dignidade.

A Umbanda é paz e amor, acolhimento, manifestação do espírito para a caridade sem triagem porque Nosso Mestre, Jesus Cristo Oxalá, assim nos ensinou e assim nós, Umbandistas, seus seguidores, o fazemos, ou pelo menos, é o que deveríamos todos fazer.

Certamente que iremos nos deparar, em algum momento de nossa trajetória como médiuns, com situações adversas, que fogem à nossa compreensão, porém, até nesses momentos, estamos sob a supervisão da espiritualidade maior que nos observa e nos permite a ação/reação, testando nossa fé e firmeza.

Ninguém vem a nós sem a permissão/supervisão da Espiritualidade.

A Umbanda está de braços abertos para todos, sem distinção. Terreiro e Sacerdote que se preze, mantem as portas da casa e do coração abertas.

Respeito é o que todos queremos, portanto respeite o próximo e lembre-se que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, numa de suas manifestações registradas, deixou muito claro que ajudou seu médium Zélio Fernandino de Moraes a se casar porque era necessário que assim fosse, ou seja, a espiritualidade sempre nos ajudará dentro do nosso merecimento e necessidade, independente do nosso julgamento ou de nossas preferências.

 Como podemos sentenciar que problemas afetivos e financeiros não sejam de ordem espiritual? 
Somos espíritos num corpo temporário de carne e quase todos os nossos problemas são reflexos do passado ecoando em nosso presente que acabamos complicando por não sabermos como lidar com eles e, nessa hora é que entra o balsamo confortante da espiritualidade que nos ajuda a enxergar e a conviver melhor com nossas dores e dificuldades até que encontremos força e sabedoria, por nós mesmos, para a construção de um futuro melhor, mesmo porque o futuro é eterno, não se extingue com o corpo perecível.

É certo que o movimento Umbandista tem lutado pela desmistificação, por simplificar cada vez mais seus rituais para que haja harmonia com o tempo que vivemos, mas, dai a selecionar as aflições dos consulentes já é demais, foge ao espírito de caridade e aos ensinamentos de Nosso Mestre e Guia Maior, Jesus.

Com toda a certeza, o Umbandista sério não se dará ao papel de realizar trabalhos de amarração, corte, barganha, etc, e se, por ventura, o médium incorporado, vir a se deparar com tal situação, sábia e gentilmente, a própria entidade o esclarecerá muitas vezes demovendo-o de tão deprimente intenção.

Simplificar sim, é justo e necessário, mas julgar e negar auxílio nunca, mesmo porque, pode acontecer que nas entrelinhas de um problema afetivo/financeiro, esteja um problema muito maior de ordem cármica no qual possivelmente estejam envolvidos muitos espíritos   encarnados e desencarnados, por isso, nunca, mas nunca mesmo, julgar, sentenciar então, nem pensar!

Outro ponto que me desagrada profundamente é a ironia do sacerdote em questão quando se refere à ingenuidade de alguns consulentes que pensam, por falta de conhecimento, que as entidades o atenderão em todas as suas necessidades. Sabemos nós, Umbandistas sérios e comprometidos com o bem que as coisas não são bem assim, porém, ironizar não ajuda em nada, só atrapalha mesmo e perde-se ai uma grande oportunidade de repassar ao menos um pouco de Luz através do compartilhar conhecimento que é uma das tantas maneiras de se praticar a caridade verdadeira.

Atenção! Os falsos profetas estão ai aos montes e nunca, jamais esqueçam que o espírito que move a Umbanda é a fé, a caridade e o Amor, sendo o Amor seu maior representante!

Axé Meu Povo!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quando prejudicamos as Entidades de Umbanda?




Vivemos falando em “Orai e Vigiai” sempre com o sentido de nos protegermos de nós mesmos e principalmente de nos defendermos das artimanhas das forças trevosas. Hoje, entretanto, estarei falando sobre a importância do “Orai e Vigiai” com relação as entidades, guias, protetores e guardiões de Umbanda, sobre o quanto os prejudicamos e atrapalhamos quando esquecemos dessa máxima, do quanto contraímos de karma quando ao prejudicá-los estamos contraindo, não somente com eles (que tudo perdoam), mas com as pessoas encarnadas que eles estariam orientando e ajudando se não tivéssemos falhado, assim como também, dos desencarnados carentes de orientação ou disciplina.

Estudemos pois algumas situações.

1. Quando nos dirigimos ao terreiro “sujos”. O que é um servidor da Umbanda sujo? Não se iludam achando que é somente o servidor que não tomou o banho de erva ou o banho comum mesmo. Conheço muito servidor que está com os “banhos em dia” mas que sempre transmite uma aura suja, ou seja, impregnada de sentimentos profanos. Por “sentimentos profanos” entenda-se: ciúme, inveja, prepotência, arrogância, idolatria, avareza, indisciplina, indolência, etc. Tudo isso não tem banho de erva que tire.

2. Quando durante a gira de atendimento deixamos o nosso mental ser impregnado por pensamentos torpes, profanos ou pouco elevados. Como por exemplo: 

2.1. Ficar observando o comportamento do irmão de fé, sem que em momento algum isso seja para conversar com ele depois da gira para orientá-lo ou ajudá-lo a se corrigir, mas sim para simplesmente julgar ou entrar em rodas de conversas para criticar, zombar e rir.

2.2. Observar o comportamento dos consulentes na hora da consulta sem ser com o objetivo de orientá-lo sobre a disciplina da Casa, ou sobre o entendimento do que esteja sendo dito pela entidade, mas, novamente, simplesmente julgar ou entrar em rodas de conversas para criticar, zombar e rir.

2.3. Quando, enquanto médiuns de incorporação e de consulta, nos recusamos a “dar passagem” porque estamos tão preocupados com nossas próprias mazelas que achamos que não estamos em condições emocionais ou físicas... Falsa humildade! Egoísmo! Que tal deixar para a entidade decidir se estamos ou não em condições? Se realmente estivermos sem condições a própria entidade dará apenas a sua irradiação e bênção. Mas não! Insistimos em saber mais do que elas! Além do mais esquecemos também quantas vezes aprendemos nas consultas e quantas vezes um consulente está passando por um problema semelhante aos nossos e somos indiretamente orientados. 

2.4. Quantas vezes durante a consulta, por não “irmos com a cara” do consulente, interferimos na consulta, vibrando antipatia, atrapalhando a incorporação, ao ponto, muitas vezes, da entidade ter que encaminhar o consulente para outra entidade, ou ainda, ser obrigado a terminar logo a consulta? Somos sempre os certos, né?

2.5. Desejar sexualmente um(a) irmão(ã) de fé ou consulente. Você esquece que a galera lá de cima tá vendo tudo? Você esquece que a entidade que você está cambonando sente ou percebe? Você esquece que a entidade que você está incorporada simplesmente desincorpora? Que vergonha! Que absurdo!

3. Toda vez que temos uma atitude incoerente ou incompatível com o fato de sermos umbandistas, nós prejudicamos não somente as entidades, mas a própria Umbanda. Como por exemplo: sujar reino da natureza, desrespeitar uma pessoa, trair o nosso cônjuge, nos omitirmos diante de uma injustiça, silenciarmos diante de uma calunia, etc.

Eu poderia escrever páginas e mais páginas a respeito do quanto prejudicamos as entidades de Umbanda quando nos esquecemos do “Orai e Vigiai”, mas será que adiantaria? Será que você leria até o fim? Porque orientação de não ingerir bebida alcoólica e não fazer sexo 24 horas antes das sessões a grande maioria segue, mas do que adianta seguir alguns preceitos disciplinares se nosso coração ou mental está preocupado com a “balada” que está marcada para depois da gira? Pensando só no choppinho que vai tomar, na pessoa que vai paquerar ou “ganhar”? Você sinceramente acha que será um servidor decente se estiver com isso na cabeça? 

Enquanto sacerdotisa de Umbanda, eu prefiro um médium que tenha feito sexo na véspera da sessão, mas que seu sentimento esteja voltado para o servir e para a caridade no dia da gira, do que um que não faça sexo há um ano, mas esteja cheio de rancor ou inveja dentro do seu coração. Não sejamos hipócritas! A espiritualidade tudo vê e não cabe a você julgar o outro! Se o cara fez sexo na véspera da sessão com a esposa dele, porque ficou viajando um mês inteiro e estava morrendo de saudades... Esse sexo é até salutar! Pois imagina como ele estaria na gira? Só pensando na hora de ir embora prá poder “matar a saudade”. E é você quem vai julgar isso? Ou é a entidade?

Orai e Vigiai sim! Sempre! Mas só adianta se você tiver uma coisa chamada consciência! A consciência de que quem realmente faz a Umbanda são as entidades. 

A consciência de que se você não estiver “prestando” prá trabalhar quem decide é a entidade. 

A consciência do que é ser umbandista. 

A consciência de que quem faz caridade é a entidade, guia, protetor, guardião. Médium resgata karma!

Fonte: Mãe Iassan Ayporê Pery
Sacerdotisa de Umbanda
Dirigente do Centro Espiritualista Caboclo Pery

sábado, 13 de agosto de 2016

Livro: Panela do Axé Umbanda e seus Mistérios



Capitulo: Fundamentos

A Umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, que é o local onde os Umbandistas se encontram para realização de suas giras, sessões.

É um termo cujo significado é sessão umbandista, com cânticos, danças, rezas e benzimentos. As giras internas são fechadas para os que estão se iniciando na religião, desenvolvendo a mediunidade; as giras externas, abertas ao público, destinam-se atendimento dos consulentes e resolução dos mais diferentes problemas. 

A gira é um ritual mágico utilizado na umbanda para a manifestação dos espíritos através Normalmente, esse guia de luz, que comanda é um Preto-Velho ou Caboclo .

Na umbanda os médiuns que recebem os guias são chamados, aparelhos.
A incorporação é chamada também transe mediúnico.

Todo terreiro de Umbanda possui um ritual e embora estes rituais se modifiquem, é necessário que haja disciplina para realizar uma gira, ou seja, NORMAS CONHECIDAS POR TODOS desde o dirigente ao iniciando que acabou de entrar. Este deve ser orientado ao máximo possível:

- com a relação a sua postura dentro do terreiro,
- bem como suas obrigações e deveres para com seus irmãos
- e claro, as normas básicas de respeito, tratamento.
- conhecimento correto de quem são nossos mentores espirituais
· O primeiro é ter respeito por tudo e por todos.
· Aquele que está se iniciando deve ter em seu dirigente um exemplo, uma meta a ser atingida.
No terreiro cada um deve ser o que é, sem máscaras, sempre visando à auto-melhora, o auto conhecimento).

A Umbanda nos ensina que cada um é o que é, cada pessoa sabe em seu intimo quais são seus processos de ação e reação, infelizmente quase todos nos escondemos de nós mesmos, por falta de coragem de olharmos no nosso espelho interior, vermos nossos defeitos para podermos dar o primeiro passo para mudança. Para isso contamos com o auxilio fraternal das Entidades de Aruanda e também os conselhos dos Pais de Santé experientes e sinceros.

Mostrar o caminho não significa decretar, A UMBANDA NÃO AGRIDE AS CONSCIÊNCIAS, NÃO VISA TORNAR NINGUÉM INFELIZ OU VAZIO DE RELIGIOSIDADE.

Por isso é importante o Dirigente observar que se um novo integrante da corrente veio de outra religião e naquele momento de sua vida deseja abraçar a Umbanda, não é de repente que essa pessoa vai esquecer a fé que moveu por dentro durante tanto tempo.

O VERDADEIRO UMBANDISTA RESPEITA TODOS OS CREDOS E SABE QUE A MESMA FÉ QUE O FAZ AMAR SEUS GUIAS E PROTETORES, FAZ UM CATÓLICO AMAR SUA IGREJA, OU UM MUÇULMANO AMAR ALÁ.

O médium de verdade deve ter em mente que na Aruanda todos são iguais (se há diferenças na hierarquia é porque os que chefiam, são as que mais trabalham e menos falam...).Isto quer dizer que os médiuns não devem sequer pensar que sua entidade é melhor que do seu irmão, as entidades de Aruanda preferem que seus filhos falem menos e trabalhem mais pelo seu próximo.


>>> Ritual de Batismo

A origem deste sacramento é tão antiga quanto a humanidade. Cada povo de uma forma ou de outra, sempre teve seu ritual iniciático. 

Todos conhecemos a passagem do batismo de Jesus por João Batista. Ali o batismo foi feito por imersão. 

As Igrejas Evangélicas e Protestantes praticam até hoje esta forma de batismo. Já na Igreja Católica, a forma comumente usada é de aspersão, ou seja, a água é jogada sobre a cabeça da pessoa a ser batizada.

Como em tantas outras religiões, também a Umbanda possui este ritual. 
Estando acima de todos nós o nosso Mestre Jesus, Oxalá, nosso ponto de energia Supremo, o batismo na Umbanda é realizado para consagrar os filhos adeptos, como forma de protegê-los contra o mal e contra a negatividade. Tanto é usada a forma de aspersão (normalmente quando é realizado dentro dos terreiros) como também de imersão (nos rituais de cachoeira).

Como na Igreja Católica, os filhos indicam padrinhos para orientá-los no caminho da espiritualidade, na Umbanda, tais padrinhos podem ser guias ou orixás, os quais serão devidamente representados por seus médiuns na hora da consagração.

Independentemente da religião é importante entendermos que o ritual fundamenta-se na limpeza áurica e na ativação dos chakras. A água tem o simbolismo da limpeza, da purificação, jogada na cabeça, na altura do chakra coronário, simboliza a limpeza deste chakra e sua ativação, promovendo uma unificação com as forças espirituais superiores (lembre-se que nas Igrejas Católica e Evangélica fala-se em batismo pelo Espírito Santo). 

Na Umbanda, além de ativarmos a ligação do chakra coronário com a força de Oxalá (Jesus), promovendo então, não só a limpeza espiritual como o fortalecimento e o equilíbrio das energias cósmicas com a energia terrena. Por isso que, em geral, o batismo é realizado com água doce (água da cachoeira). 

Há ainda também cruzamento de pemba, onde os chakras ligados à espiritualidade são cruzados, simbolizando o fechamento destes às forças negativas, ativando-os tão somente para a entrada de energias positivas e benéficas como também representando o sangue de N. S. Jesus Cristo. O sal bento representando as duras e amargas lutas do filho que estará protegido e consagrado para lutar e vencer seus abstáculos. 

Como em todos os rituais de Umbanda, a cerimônia é permeada por pontos de louvação específicos para o ritual. 
No mais, cada chefe de terreiro dará suas instruções para o ritual, pois que este depende ainda da linha e da falange que comanda a casa umbandista e sua forma de trabalho.

O Batismo é um rito de passagem. Este rito de iniciação está presentes em vários grupos, religiosos.

É o principal sacramento na Umbanda e em muitas outras religiões. Sacralizar é atribuir caráter sagrado a algo ou a alguém. Atualmente, pouca importância se dá às cerimônias, mas existe um fundamento divino, uma correspondência astral amparadora, por trás de cada sacramento. Cada cerimônia, se praticada com o devido respeito, é extremamente benéfica. Os Sacramentos na Umbanda são cerimônias eficazes, realizadas durante um culto religioso, para a proteção divina dos fiéis. São sinais sensíveis, instituídos para nos dar a graça santificante de Deus, nosso Divino Pai Olorum. 

O batismo é uma cerimônia indispensável, para que a pessoa tenha uma vida religiosa plena. Com o batismo, o (a) dirigente faz a apresentação do fiel à Divindade, para que o espírito sintonize melhor a proteção do orixá e suas vibrações. Em todas as cerimônias no Templo, devemos permanecer sérios, compenetrados, sem brincadeiras, solenes e reverentes, tendo consciência de que Babalorixás e Ialorixás consagrados têm o poder, perante os orixás, para realizar esses atos, ou o guia chefe da casa. 

Cada Sacramento é um ato de fé, é revestir a cerimônia com a vibração do (a) dirigente, com a sua convicção e religiosidade, marcando esses momentos únicos na vida das pessoas, no seio de sua comunidade religiosa.

>>> Amaci na Umbanda

Amaci vem da palavra ‘amaciar’, ‘tornar receptivo’, é um ritual, uma espécie de iniciação que todos os médiuns umbandistas, iniciantes ou não, devem, pelo menos uma vez ao ano, passar.

É um liquido preparado com folhas e águas sagradas escorado por alguns fundamentos específicos da Umbanda e que tem como objetivo a lavagem da cabeça/coroa do médium.

Nesse contexto, o Amaci ‘desperta’ as faculdades nobres do médium que ainda estão adormecidas, descarrega e apazigua o chacra coronário (centro de recepção espiritual Superior) e ainda liga/religa o médium ao Orixá, fazendo com que ele tenha a Sua vibração e energia interiorizada em seu espírito, mente e coração.

Receber o Amaci é entrar em contato direto com o Poder do Orixá, é um momento de grande emoção e que deve estar enredado pela reverência, amor, devoção, lealdade e comprometimento para com o Orixá, a Umbanda e o Plano Espiritual.

É o momento em que o médium se coloca diante do Sagrado como ‘Filho de Orixá’, que abaixa sua cabeça em respeito e em saber à Superioridade Divina.

>>> O que é uma firmeza?

A firmeza de uma força ou de um poder na Umbanda pode ser feita ao redor de um assentamento ou independente dele. Firmar um Guia espiritual ou um Orixá significa proporcionar-lhe condições mínimas para que tenha um ponto fixo onde receba os pedidos de auxílio, de oferendas, etc.

A firmeza assemelha-se a um assentamento, mas tem menos recursos ou poderes de realização, pois é uma simplificação dele e destina-se a facilitar a atuação das entidades. Já um assentamento cria um vórtice e um campo eletromagnético que interagem com outras dimensões da vida de forma permanente, sendo em si um “ponto de força” localizado nas dependências do Terreiro.

Enquanto isso, uma firmeza cria um ponto de sustentação para as ações da entidade firmada, dando-lhe um pouco mais de segurança para que possa resistir às reações das suas atuações em benefício das pessoas necessitadas do seu auxílio. Uma firmeza pode ser iluminada periodicamente e pode ser realimentada de vez em quando.

Um assentamento deve ter um dia definido na semana para ser iluminado e realimentado; já uma firmeza deve ser iluminada e realimentada sempre que o seu zelador fizer um novo pedido de auxílio à entidade firmada. Assentamento e firmeza são similares e a segunda é uma simplificação do primeiro, mas tem as mesmas funções, que é protegerem, sustentarem e ampararem algo ou alguém.

>>> O que é Tronqueira de Exu?

Muitos são, os que chegam em um templo de Umbanda e se melindram, se assustam com as firmezas existentes na porta.

Aquelas “casinhas”, conhecidas como tronqueiras, que tem como finalidade o assentamento das forças dos nossos exús e pombagiras.

Sempre defini a tronqueira como um recurso maravilhoso, colocado pelo astral em prol dos terreiros de umbanda, que recebem os consulentes e visitantes, na sua grande maioria, com seres trevosos à prejudicá-los.
Este recurso, é no terreiro, um ponto de força, onde está firmado (ativado) o poder dos exus que fazem parte da casa e que militam em dimensões á nossa esquerda.
O ponto de força funciona como um pára-raios, é um portal que impede as forças hostis se servirem do ambiente religioso de forma deturpada.

No astral, os exús e pombagiras, utilizam-se dos elementos dispostos na tronqueira para beneficiar e reforçar os trabalhos que são realizados dentro do terreiro,dando total suporte aos guias de direita.

Com estes elementos, estas entidades, anulam forças negativas, recolhem e encaminham seres trevosos, abrem caminhos, protegem, etc...

Dentro de uma tronqueira encontramos vários tipos de ferramentas (instrumentos mágicos), como tridentes, punhais, pedras, ervas, velas, bebidas, etc... cada instrumento com sua finalidade especifica e tanto os exús quanto as pombagiras ativam seus mistérios nestes elementos com a finalidade de realizarem seus trabalhos espirituais.

É importante que os médiuns,membros e os consulentes saibam da importância de uma tronqueira e que todos saibam que este ponto de força está sobre as ordens da lei maior. Quando alguém deturpa este ponto de força, usando-o de forma negativa, este se torna um portal negativo,e vale sempre lembrar que este tipo de procedimento não é da umbanda e sim de seitas que muitas vezes se utilizam do nome da nossa religião.

Devemos saudá-los, de forma respeitosa quando adentramos nos terreiros.

Qualquer um pode se servir do poder desses guardiões, acender uma vela e pedir proteção e auxilio,pois os exus e as pombagiras estão a serviço do bem, e da lei maior.

No astral os exús e pombagiras se utilizam deste ponto de força, para lidar com forças hostis que de alguma forma os assistidos trazem e, são tratados de seus males de forma eficaz.

Dentro de uma tronqueira, são dispostos vários elementos magísticos que são utilizados por exús de Lei. Citarei apenas alguns mais frequentes, as firmezas deste ponto de força são particulares de cada casa com seus costumes e á estes rituais não abordamos á leigos, mais farei os devidos esclarecimentos sobre o assunto, dando ênfase a importância do assunto e ao aprendizado.

*Os tridentes dentro da tronqueira representam os poderes tripolares, onde através das energias emanadas por eles, os exús, diluem forças trevosas, envolvem seres para o resgate ou para aprisioná-los, forma um campo energético-magnético capaz de repelir ou atrair determinadas forças ou seres,é o que tanto falamos sobre “vitalizar,revitalizar e neutralizar”.

*Pedras negras ou vermelhas, formam, portais dimensionais, ligados aos planos mais baixos e as dimensões á esquerda, dando condições aos exus de transitarem nestas esferas de forma resguardada e eficaz.

Através das pedras se da também tratamentos para várias finalidades, onde o elemento da sustentação para que o exú possa atuar nas vibrações mais densas do ser, as pedras criam áreas especificas de energia, capazes de envolver tudo o que fora mentalizado pelo sacerdote que possui o comando do terreiro.

*Sementes ou ervas, da mesma forma que os outros elementos, eles entram em campos específicos, onde as energias das pedras, do tridente, do marafo, da vela, da ferradura, dos punhais, não entram.

*Os punhais, emitem energias perfurantes, cortantes, dilacerantes, onde se utiliza para frear forças negativas provenientes dos planos mais densos e baixos.

*Marafo, (Pinga,Aguardente),é o elemento dual, onde trás a união de dois elementos contrários, a água e o fogo, é um dos elementos mais utilizados, onde podemos com ele abrir portais e fechar aberturas de buracos negros.

Todos os trabalhos onde tratamos os exús, este elemento é utilizado para fazer o fechamento com um círculo, ou a abertura, um copo deste elemento na tronqueira, funciona entre outras coisas como catalizador, filtro, condutor, amalgamador, etc...

Existem vários tipos de elementos, que são secretos, isso se faz necessário, para manter o devido resguardo dos trabalhos dos terreiro (Mirongas), evitando até que pessoas dêem mal uso a forças tão importantes a todos os terreiros de umbanda.

>>> Pemba

A pemba usada na Umbanda é feita de giz (CaCO3 ou CaSO4). Os sinais de pemba são os símbolos sagrados riscados com esse giz especial e têm o poder de repercutir no mundo espiritual, levando a mensagem que a entidade ou o magista querem transmitir.

Nos países do norte da África, especialmente entre os povos Yorubá, é conhecida como efun e é produzida com o calcáreo extraído de conchas. É transformada em pó e utilizada principalmente nos templos de Obatalá. No Candomblé brasileiro de Ketu também seu uso é fundamentalmente na forma de pó.

Dos países do sul da África do grupo bantu, incluindo Congo, Angola e Moçambique recebemos o uso desse giz para traçar sinais sagrados, utilizando o pó ou riscando diretamente no chão. 

Os descendentes bantu levaram essa tradição também para Cuba e Haiti. Podemos ver no ritual Palo Monte Mayombe cubano e no Vodu haitiano a utilização de certos sinais sagrados, conhecidos como "firma" (assinatura) e vevés, com a intenção de evocar as forças espirituais. Na Regla de Congo, a pemba é conhecida como "cascarilla" ou "pembe".

Vemos aí a influência da cultura banta na Umbanda que é tributária dessas tradições.

>>> Cruzamento com Pemba

O Cruzamento com Pemba é um ritual utilizado na Umbanda para melhor proteção dos médiuns que contam com uma incorporação definida, e que decidem trabalhar sua mediunidade e dar atendimento a consulentes. 

Em todas as Nações que praticam a Umbanda, é indicado que um médium de incorporação, antes de iniciar o seu trabalho em determinado terreiro seja cruzado com a pemba.

O Cruzamento (as vezes feito pelo Babalaô da casa, as vezes por determinada entidade), faz-se segurando a Pemba com a mão direita, iniciando uma cruz na fronte, depois cruzando a palma da mão esquerda e descendo, cruzando também o peito do pé direito. Após isto, passar a pemba para a mão esquerda e com ela fazer uma cruz na nuca, depois cruzar a palma da mão direita e descendo cruzando do peito do pé esquerdo.

É um ritual infalível, que prevê melhores condições de trabalho a quem pretende atender consulentes incorporando entidades. É muitas vezes mesclado ao ritual de batismo dependendo da doutrina a qual determinado terreiro segue.

A pemba tem fundamento, é preciso estudar.

>>> Incensos

Há anos, o incenso vem sendo utilizado pelas diversas crenças, religiões e mesmo pessoas descompromissadas com qualquer tipo de credo

Os antigos, extremamente cautelosos e minuciosos em relação ao preparo de seus rituais, e, é claro, do ambiente em que realizavam estes rituais, escolhiam os incensos mais apropriados para aquilo que desejavam e esperavam alcançar.

O uso dos incensos se propagou pelo tempo, tornando-se um importante instrumento universal de meditação, purificação, proteção, não sendo errado acreditar em algumas afirmações encontradas em livros, sites e crendices, tais como:

I. Os incensos, uma vez utilizados de maneira correta, criam uma atmosfera no ambiente, de energia, equilíbrio e harmonia, que ajudam o ser humano a sintonizar mais facilmente com os planos superiores;

II. Associa o homem à divindade, o finito ao infinito. Alguns, ainda, afirmam que os incensos possuem a incumbência de levar a prece para o céu.

III. O incenso está relacionado ao elemento ar e representam a percepção da consciência que, no ar, está presente em toda parte.

De fato, estas são apenas algumas das inúmeras afirmações devotadas a este “santo remédio”, se assim podemos chamá-lo.

Os Incensos são misturas de ervas, aromas, ou seja, misturas de componentes alquímicos que possuem a função básica de elevar espiritualmente, tanto o ambiente como o próprio ser, servindo como agente mediúnico das intenções humanas ao Astral.
Para manipular corretamente o incenso, devemos tomar certos cuidados tais como:

a) Acender o incenso sempre com uma intenção clara, podendo ser um puro agradecimento, prece, meditação ou o que mais tiver em mente;

b) Nunca devemos apagar o incenso com sopros;

c) Tentar sempre escolher a fragrância ou mistura conciliando com o que buscamos.

Alguns escritores descrevem a fumaça como sendo o, abstratamente, a transmutação da matéria em espírito , ou seja carvão com o aroma, respectivamente. Talvez isto explique o porque da necessidade de se ter uma intenção.

Hoje em dia, são muitas as marcas, tipos, formas e fragrâncias encontradas.

No mercado hoje, encontramos incensos de marcas nacionais ou importadas, que duram de 15 minutos, ½ hora e até uma hora.

Na Índia, por exemplo, existe um tipo de incenso que sua duração chega até 6 horas, com uma fragrância muito suave que serve para serem utilizadas nos rituais nos templos. Esta longa duração é para a fragrância elevar as orações o tempo todo enquanto o ritual durar. 

Podemos ainda encontrar incensos nas formas de varetas, cones, espirais, pó, ervas, resinas e as fragrâncias são as mais variadas possíveis.

Quanto às fragrâncias, precisamos entender que apesar de existem milhares delas, precisamos encontrar aquela que corresponde com nossa intenção.

Por exemplo, se sua intenção é conectar-se com as energias cósmicas, a fragrância indicada será a âmbar. Já, se a intenção é de se sentir feliz, com alegria de viver, a indicada será a canela, e por aí vai.

>>> A importância da água na Umbanda..


Para Kardec, a ação magnética produzida pelo agente encarnado (magnetizador), tanto pode produzir uma modificação nas propriedades da água, quanto no tocante aos fluidos orgânicos (ex: bile, linfa, líquido cefalorraquidiano, saliva, suco gástrico, sangue total, etc). 

O Espírito Lísias explica para André Luiz , que “… a água é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. Aqui (em Nosso Lar), ela é empregada sobretudo como alimento e remédio”. 

Para o Espírito Bezerra de Menezes, “A água, em face da sua constituição molecular, é elemento que absorve e conduz a bioenergia que lhe é ministrada. Quando magnetizada e ingerida, produz efeitos orgânicos compatíveis com o fluido de que se faz portadora”.

Na Umbanda, é um dos elementos naturais mais receptivos com uma energia altamente atratora e condutora, ela é utilizada nas quartinhas, nos copos de firmeza dos Anjos de Guarda, no batismo, em muitos rituais da Umbanda e principalmente pelos Guias Espirituais nos momentos onde há a necessidade de realizar grande limpeza, purificação e energização de nosso corpo astral e de nossa casa, afinal existem cargas e energias maléficas que somente esse elemento natural é capaz de desfazer, limpar e equilibrar.

> ÁGUA DE MAR

Ótima para descarrego e para energização, batida contra as rochas e as areias da praia, vibra energia, por isso nunca se apanha água do mar quando o mesmo está sem ondas. A energia salina do mar “queima” as larvas e miasmas astrais, principalmente sob a vibração de Yemanjá. Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo licença . No final, podemos dar um bom mergulho de cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os Corpos de sutis energias. Ideal se realizado em mar com ondas. Saudemos Mamãe Yemanjá e todo o Povo do Mar.

> ÁGUA DE CACHOEIRA

Com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces. A queda d’água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias, ao mesmo tempo em que limpamos toda a nossa alma, é água batida nas pedras, nas quais vibra, crepita e livra-se de todas as impurezas. Além disso, é nas águas das cachoeiras que conseguimos retirar qualquer impregnação de sangue projetada em nosso corpo etérico. Ideal se tomado em cachoeiras localizadas próximas de matas e sob o sol. Saudemos Mamãe Oxum e todo Povo d’água.

> ÁGUA DE RIOS E LAGOAS

Tem também grande propriedade curadora e equilibradora. Se o rio tiver pouco movimento, quase parado, assim como a lagoa ou mangue, essa água tem uma energia decantadora e curadora. Saudemos Nanã Buruquê. Se o rio for bem movimentado com corredeiras, a energia da água é energética, equilibradora e reparadora. Saudemos Mamãe Oxum.

> ÁGUA MINERAL

Água da pureza, do equilíbrio, da harmonização e da paz. Envolve nossos chacras desobstruindo-os e equilibrando- os. É uma água muito fácil de se encontrar, por isso aproveitem esse Axé. Saudemos Oxalá.

> ÁGUA DE POÇO

É excelente nos casos de doenças, tanto no corpo espiritual como no corpo astral, pois tem uma grande energia transmutadora. Essa água está em contato com a terra, que é o agente mais poderoso de regeneração física absorvendo a energia ruim da área afetada colocando em seu lugar uma energia boa. A cura se processa graças a uma troca de energia devido a interação entre os componentes físico, químico e energético que a terra oferece. Saudemos Obaluayê.

> ÁGUA DE CHUVA

É altamente energética e purificadora. É a água que entrou em estado de vaporização e absorve toda a energia do ar, quando novamente entra em outro estado de mudança e retorna ao estado liquido, caindo do céu sobre a terra. Por isso é utilizada justamente nos momentos em que precisamos de mudança. A água da chuva, quando cai é benéfica e pura, porém, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois atrai as vibrações negativas do local, sendo ótima também para banhos de descarrego e limpeza de ambientes, pois é ela que limpa as ruas e as encruzas carregando todas as vibrações dos trabalhos arriados nesses locais. Saudemos Yansã, Dona do tempo e das tempestades.

Continua.... comprem nosso livro e saiba como termina!


Sinopse

Muitos me perguntaram antes de escrever este livro porque Umbanda, como se dividia, seus conceitos, Teologia, os orixás, suas falanges, seus mistérios, suas leis, como se tornou uma religião, entre outros fundamentos que aprendemos com o dia a dia com nossos orixás, em nossos templos e com nossos pais/mãe de santo ou sacerdotes.
Embora surgida no Brasil em 1908, com a manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas pelo médium Zélio de Moraes, a umbanda é “mais antiga nos planos rarefeitos que o próprio planeta Terra”. O que são verdadeiramente os orixás e exus, o que representam os assentamentos vibratórios, os chacras e os orixás; as raízes cósmicas, os sincretismos, o zodíaco, os planetas, entre muito outros fundamentos. Para desvelar sua essência e seus verdadeiros fundamentos, neste livro você encontrará todas as suas duvidas bem claras para serem entendidas, se tornando um livro ESSENCIAL para seu dia a dia.
O livro começa com o inicio da Umbanda, quando, como e quem a colocou entre nós, os seus orixás, suas falanges, como trabalham na umbanda dentro de um terreiro/templo/casa, como se dividem, até os dias de hoje (Umbanda Esotérica, Apometria).
Portanto este livro se tornou um relevante marco (ESSENCIAL) na trajetória do movimento umbandista, e sem dúvida uma importante referência para todos os umbandistas sérios e espiritualistas estudiosos.
Grupo Boiadeiro Rei
Email: contato@grupoboiadeirorei.com.br
Categorias: Corpo, Mente E Espírito, Religião, Teologia, Espiritualidade, Inspiração E Crescimento Pessoal 
Palavras-chave: apometria, axé, boiadeirorei, esoterica, grupo, misterios, panela, tradicional, umbanda

Características

Cover_front_perspective
Número de páginas: 674

Edição: 1(2016)

Formato: A5 148x210

Tipo de papel: Offset 90g

Reconhecimento

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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.