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quinta-feira, 23 de junho de 2011

CONSCIÊNCIA RELIGIOSA UMBANDISTA!‏

CONSCIÊNCIA RELIGIOSA UMBANDISTA!

Por Antônio Bispo E-mail: antonio.bishop@terra.com.br

Por que estudar UMBANDA?

Para aprender o que?

Para se entender sobre o que?

Penso que é para se entender que a UMBANDA É UM ORGANISMO VIVO e em francodesenvolvimento. E este organismo vivo, vive dentro de nós, UMBANDISTAS. Estudar e entender sua história é reconhecer a nossa própria história, é saber e dizer de ondeviemos, por que viemos, e também vislumbrar um caminho por onde estamos indo. Pois já nosperdemos outrora, pela falta de conhecimento e de reconhecimento dentro da sociedade. Eu creioque estamos na fase da expansão da consciência religiosa UMBANDISTA, impulsionada por estanova forma de ensinar a Umbanda, adotada pelos Templos Escolas, e destes novos formadores,que abrem cada vez mais o conhecimento aos novos UMBANDISTAS, como nós. Nós, que adentramos recentemente nos trabalhos, não viemos apenas pelo AMOR OU PELADOR. Viemos pelo conhecimento, pela grande magia desta religião DIVINA! Já não nos contentamos em fazer.Queremos entender.O conhecimento abre portas e janelas, e a mente expansiva do médium,guiada pelos seus guias, se ilumina num arco íris divinosem véus, criando uma nova era para a religião. Uma era em que há o reconhecimento e o respeito,pois fazemos parte da sociedade, e já não aceitamos viver a margem desta sociedade.Todas as nossas praticas religiosas são justificáveis, mas não é errado apropriarmos asnossas praticas ao bom convívio dentro desta sociedade da qual fazemos parte. Faltou-nos em outros tempos a consciência de que fazemos parte de um todo e que devemoscumprir e honrar a nossa cota de participação.

NO HINO UMBANDISTA DIZ:“Avante filhos de fé, pois como a nossa lei não há!” Qual é a nossa lei? A nossa lei é a Lei de DEUS.

E é muito mais abrangente porque nos dá muito maisresponsabilidades, nos obriga ao exercício constante da fé e do amor incondicional, do respeito àsdiferenças, do olhar fraterno às minorias, da humildade e do reconhecimento de si próprios, doconhecimento, da transformação e da evolução. Não aceito mais os termos pejorativos para comigo ou para com nossa religião, poisreconheço minha essência divina. Quero exigir respeito aos meus direitos, más para isto devo terconsciência de meus deveres.É A NOSSA LEI. Não compactuo com praticas que agridem minha consciência,pois reconheço os fundamentos de minha religião, e estes são simples e abrangentes. Entretanto hoje também aceito os diferentes níveis de cada um e me reconheço em cada irmão movido pela ignorância, pois assimtambém me entendo, apenas escolhi o caminho do conhecimento e da reflexão. Estudar de uma forma ampla é procurar adquirir o conhecimento de algo. Preparar, examinar, ponderar, amadurecer. Observar cuidadosamente o fenômeno. Dedicar-se à apreciação, análise e a compreensão. Entender o organismo vivo que habita o templomediúnico (corpo do médium), é ter posse de sua certidão de nascimento, é apresentar seu RG aquem questione sua identidade, é saber e reconhecer de fato o seu PAI a sua MÃE, seus irmãos e asua origem divina. Conhecendo nosso passado, construímos no presente. E podemos olhar no horizonte um futuro promissor de respeito e reconhecimentopara a nossa religião...

Jornal Nacional de Umbanda – Ed. 14, Junho de 2011

www.jornaldeumbanda.com.br

Visite RBU - Rede Brasileira de Umbanda em: http://www.rbu.com.br/?xg_source=msg_mes_network

COLABORADORA: NIVEA COSTA.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A IDENTIFICAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO

 




A IDENTIFICAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO
NOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS:

Senhoras e Senhores,


Vamos tratar de um assunto bem complicado que implica conhecimentos da história da Igreja no Brasil, dos cultos afro-brasileiros e das tradições orais oriundas de Portugal. De antemão, peço desculpas pela inevitável simplificação em algumas partes.


1. Olhamos um pouco Santo Antônio na religiosidade popular brasileira. Entre as muitas manifestações de devoção antoniana nos limitamos principalmente àquelas necessárias para entender o Santo Antônio identificado nos cultos afro-brasileiros.

2. Depois vamos tratar de alguns elementos da história dos 500 anos da evangelização no Brasil. Concordamos com o teólogo José Comblin que não foi por padres e missionários que o povo brasileiro se tornou católico.

3. Em seguida, destacamos a devoção de Santo Antônio nas tradições dos negros bantos: no jongo, no caxambu, no congado.

4. A parte mais típica será: A identificação de Santo Antônio no tambor-de-mina, no xangô, na umbanda, no candomblé e no batuque.

5. Tentamos definir a identificação. E para isso refletimos um pouco sobre imposição e integração.

6. No fim apresentamos algumas pistas para a reflexão: A presença de um santo na vida dos pobres; Inculturação, um processo de baixo para cima, isto é, a partir do próprio negro; O valor da mitologia; Igreja, uma nova união na diversidade.

7. Conclusão.




O cristianismo que nos chegou de Portugal era guerreiro. Justamente em 1500, quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, deu-se na península ibérica a última batalha contra os mouros na reconquista de Granada pela qual os cristãos puseram fim a sete séculos de dominação árabe. Até hoje, as lutas entre cristãos e mouros estão presentes na cultura popular brasileira de muitos modos. Além disso, o cristianismo de toda a Europa era guerreiro por causa das cruzadas. Havia santos guerreiros: São Sebastião, São Jorge, Nossa Senhora da Conceição. Santo Antônio ainda é conhecido no Brasil como Santo Antônio militar. A ele são atribuídas vitórias milagrosas contra os invasores calvinistas holandeses e contra os huguenotes franceses em Salvador(1595), contra os franceses no Rio de Janeiro(1567 e 1710) ou contra os espanhóis na Colônia de Sacramento(1703). Sua imagem no andor era levada pelo exército aos campos de batalha, bem assim como os judeus carregavam a arca da aliança na conquista de Jericó e de toda a Terra Santa. Em lugares diferentes recebeu títulos militares, de soldado raso a coronel do Exército brasileiro e nos respectivos santuários recebia também seu soldo, por exemplo Santo Antônio do Relento. Trata-se da imagem(1621) de Santo Antônio de Lisboa, do convento franciscano no Largo do Carioca, no Rio de Janeiro. Quando, em 1710, os franceses invadiram a cidade, a imagem do taumaturgo foi colocada à frente da igreja no relento com o bastão de general na mão e com o rosto virado para o combate. A vitória sobre os franceses foi atribuída ao santo protetor das armas portuguesas. No dia 18 de setembro de 1710, Santo Antônio do Relento ganhou a patente de Capitão de Infantaria em um dos Terços da Guarnição do Rio de Janeiro, com o soldo de 40 cruzados mensais. Mais tarde foi promovido por D.João VI a Sargento-mor da Infantaria(1810) e a Tenente-Coronel(1814).

Além da memória de Santo Antônio militar, santo da corte e do exército de Portugal, existem no Brasil: o pão de Sto.Antônio, a devoção mensal nos dias treze, as preces para encontrar objetos perdidos, as cartinhas para Santo Antônio e os recados do Santo para nós, as promessas a Santo Antônio Casamenteiro, a alegria das festas juninas e vários santuários.

Fato é que os colonizadores com seu cristianismo guerreiro não admitiam nenhuma religião, nenhuma devoção que não fosse a dos portugueses. Antes de serem embarcados para o Brasil, os escravos negros eram marcados com ferro em brasa, prova do pagamento do imposto real, e batizados com o sinal da cruz . As relações entre a Igreja e o Estado era regidas pelo sistema do Padroado como veremos mais logo. Havia poucos padres no Brasil e seu trabalho era principalmente na corte, nas universidades e na organização das infra-estruturas da própria igreja. A maioria dos portugueses viviam um cristianismo de tradição oral. Além das festas natalinas, a Semana Santa e as festas dos padroeiros, havia os autos, folias, procissões, benditos, benzeções, provérbios. Era uma religião integrada à vida cotidiana, sem o moralismo da Igreja da Contra-reforma que estava nascendo e se fortalecendo na Europa onde estas tradições populares já estavam sendo marginalizadas. Importante é observar que existia uma certa semelhança entre negros, caboclos e brancos pobres nas suas religiões quando não separavam vida e religião. Exatamente isso causaria aproximação e integração.

O Santo Antônio da tradição dos pobres até hoje ajuda os vaqueiros para conduzir o gado. Contam que o próprio santo era amansador de burro bravo. Manoel Ferreira dos Santos explica: Santo Antônio, no tempo que ele era homem, ele andava no mundo como nós mesmo. O emprego dele foi amansar burro. Ele era amansador de burro bravo, ele era peão. E por isso, ficou a oração dele.

Ele amansa também os homens. Tem a oração para apartar uma briga:

Santo Antônio de Guiné,/ Amansador de todo brabo./ Amansais fulano./ Que tá brabo, como o diabo.//

Ele é protetor contra o inimigo da alma pela tradicional bênção de Santo Antônio "Fugi partes contrárias. Venceu o Leão de Judá!" O santo guerreiro do exército português, protege o pobre contra a polícia, contra ladrão e assaltante. Há pessoas que cortam a pele no braço ou nas costas para costurar dentro da carne um minúsculo Santo Antoninho de metal para obter sua proteção contra os inimigos e fechar o corpo para nenhum mal entrar. Dizem: Fulano tem Santo Antônio enterrado no corpo. Em algumas ocasiões, a faca de ponta é chamada "espinho de Santo Antônio". Uma oração contra arma de fogo diz:

Hoje faz noventa dias/ Que eu rezei a Salve Rainha./ Entre o cão e a espoleta(peças da arma)/ Está sentado Santo Antônio e a Virgem Maria.//

As orações contra os inimigos e para fechar o corpo não são exclusividade de Santo Antônio. Há outras dirigidas a Maria, aos doze apóstolos, a São João Batista, São Jorge, Santa Catarina, São Manso e São Marco, São Sebastião e à Virgem Santa Clotilde. São rezados o Salmo 90 e o Credo em cruz. Nestas orações encontramos expressões como: Jesus adiante e paz na guia; o sangue de Jesus (ou: o leite de Nossa Senhora) derramado sobre mim; a cruz de Jesus sobre mim; coberto com as 5 chagas; trancado com a chave do sacrário; coberto com o manto de nossa Sra; fechado no ventre de N.Sra ou na barquinha de Noé.

Santo Antônio resolve muitos problemas. Tem histórias que contam que o Santo livrou da forca o seu pai inocente. O mesmo consta em um dos benditos de S.Antônio:

Socorro Antônio socorro/ Socorro no continente/ Vem tirar seu pai da forca/ Que ele vai morrer inocente.// - Levanta corpo morto/ Pelo um Deus que nos criou/ Diga por sua boca/ Se este homem me matou.// Este homem não me matou/ Nem por mim ele pecou/ Antes na hora da minha morte/ Ele me ajudou.// Me diga padre mestre/ Onde é sua morada/ Mesmo que não posso ir lá/ Mas mando lhe visitar.// Sinto muito de meu pai/ De não ser meu conhecido/ Me chamo Antônio Fernandes/ Que de vós eu fui nascido.// De meu pai não quero nada/ Só quero a vossa bênção/ Vou me embora pra Itália/ Terminar com meu sermão.//


Às vezes, ele entra na vida das pessoas disfarçado como um menino ou um velho. Ajuda os pobres e prejudica o rico. Mas é preciso ter cuidado com ele. Ninguém engana Sto.Antônio! Ele é malino. Pode dar um namorado, mas depois faz o casal brigar. Ele faz cobrança das promessas feitas pelos seus devotos. Disso fala a história do Castigo de Cisalpino:

Cisalpino morava em Araçuaí. Certa ocasião ele começou a trabalhar na lavra(mineiração de pedras preciosas) e estava tendo sucesso. Então para o negócio melhorar mais, ele fez uma promessa com Santo Antônio que, se daquela vez ele tirasse bastante pedras, partiria a metade com ele. Deu tudo certo. Ele tirou um balaio de pedras e tratou logo de ir embora.

Chegando aqui ele foi parar na igreja. Chegou, ajoelhou-se diante da imagem do santo.Dizem que ele foi falando em voz alta, e pessoas que estavam por lá estranharam o caso: "Ó Santo Antônio! Essa vez eu num dou vós não. Numa outra eu dou. Ah! o senhor não come e nem nada..."Voltou pra casa todo feliz.

Num foi nada não. As pedras importavam em 60 contos naquele tempo e ele mandou o sócio dele vender as pedras fora. Até hoje ele não voltou. Foi homem e balaio com pedras para sempre, sem glória, amém.

Cisalpino adoeceu e ficou impressionado com essas pedras até que Deus o chamou.



HISTÓRIA DOS 500 ANOS
DA EVANGELIZAÇÃO NO BRASIL

O cristianismo que veio da Europa foi imposto aos brasileiros, tanto no tempo da Colônia, pela cristandade portuguesa, como no tempo da Independência e da República, pelo sistema tridentino da romanização. Vejamos:

A partir do séc.XIII, existia na península ibérica o Padroado que é um sistema de alianças entre o Estado e a Igreja. Incorporado às três ordens militares de Cristo, Santiago e São Bento de Aviz, o rei era o chefe dos assuntos religiosos no seu reino pela bula "Praeclara Charissimi"(Papa Júlio III,1551). Especificamente pelo título de Grão-mestre da Ordem de Cristo, os reis de Portugal passaram a exercer nas colônias o pleno domínio político e religioso, mesmo no período da Independência. Por causa disso, a Igreja não tinha autonomia. Por exemplo: o rei tinha o direito de nomear e transferir bispos e padres. Aprovava ou não os documentos vindos de Roma. Portugal era um país sem protestantes e as reformas tridentinas não interessavam aos portugueses. Havia pouquíssimas paróquias e o clero local não tinha poder. No Brasil surgiu uma igreja organizada por irmandades de leigos brancos e negros em que o padre era capelão. As tradições orais eram importantes. As irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos compravam a liberdade de seus associados e garantiam uma relativa independência também cultural. Com o fim da monarquia, no século passado, acabou o padroado no País. Fato é que, para os índios e para os negros, a religião e a colonização chegaram juntas.

A Constituição Republicana separou Igreja e Estado e obrigou a Igreja a ser uma igreja de "poder espiritual". Foi então que trouxeram e copiaram a igreja católica da Contra-reforma num Brasil onde não houve a Reforma(protestante). A nova Igreja era baseada no sistema de paróquias com o poder centralizado na mão dos padres e impôs ao povo brasileiro a cultura católica da Europa. O sistema eclesial baseado na atuação dos leigos nas irmandades foi eliminado. Este episódio é chamado de "romanização". O negro para ser cristão havia de deixar de ser negro simplesmente. Não havia lugar para a memória da África nem da escravidão. Os tambores passaram a ser proibidos no recinto da igreja e os reinados de Nossa Senhora do Rosário eram considerados uma brincadeira de mau gosto. Sobretudo a experiência religiosa dos ex-escravos não tinha vez. Estas coisas se tornam mais absurdas quando lembramos que quase a metade da população brasileira é negra.

Depois do Concílio Vat.II, surgiu um clima diferente que através das reuniões dos bispos latino-americanos em Medellim, Puebla e Santo Domingos veio chamar a nossa atenção pela pobreza do povo, pela religiosidade popular e pela inculturação.


A DEVOÇÃO DE SANTO ANTÔNIO
NAS TRADIÇÕES BANTOS DO BRASIL

As manifestações culturais dos negros bantos(originárias das colônias portuguesas de Congo, Guiné, Angola e Moçambique) são bem parecidas com o cristianismo e facilitaram a aproximação:

No caxambu, jongo, susa, sairé, Santo Antônio é festejado nas fogueiras das festas juninas. Naquele momento, juntam-se danças, cantos, tambores de origem africana a elementos religiosos da tradição oral portuguesa.

No congado, nas festas e nos reinados de Nossa Senhora do Rosário em maio, agosto e outubro, notamos a presença da devoção antoniana em alguns cantos. O senhor Waldomiro Gomes de Almeida, vice-presidente da Federação dos Congados de Nossa Senhora do Rosário, do Estado de Minas Gerais(1995) declara que, dentro da devoção ao rosário de Nossa Senhora, todos os santos são homenageados. Lembra até a existência em Belo Horizonte(MG) de uma guarda de Santo Antônio de Lisboa, no bairro Floramar fundada pelo saudoso Rei-Congo do Estado de MG, Raimundo Nonato. Também em Cordisburgo(MG), há uma Guarda de Marujos de Santo Antônio da Lagoa. Em diversas parte do interior de Minas Gerais as guardas levantam a bandeira de Santo Antônio. Além disso, há pessoas que fazem a promessa de ser rei de Santo Antônio. Também pode tratar-se do Santo Preto, Antônio de Catigeró, às vezes confundido com Sto.Antônio de Lisboa. Também as taieiras no Estado de Sergipe, reverenciam Santo Antônio.

Constatamos que os grupos acima de negros de cultura banto não se autodenominam de "cultos". Nas suas festas, Santo Antônio é celebrado, mas aparentemente não se verifica propriamente uma identificação do santo com alguma entidade religiosa banto.



Existem no Brasil manifestações diversas de cultura negra nagô/ioruba/jeje, originárias das regiões do Sudão, da Nigéria e de Daomé. Seus cultos conhecem mitologias elaboradas nas quais os orixás são uma espécie de divindades. Santo Antônio é identificado com vários orixás.

A cidade de Salvador(BA) foi a primeira capital do Brasil-Colônia. Afrânio Peixoto escreve sobre os sant'antônios da Bahia: "É o maior de todos os santos, portanto o maior dos portugueses e brasileiros. Particularmente honrado na Bahia. Temos Santo Antônio da Barra: fortaleza e energia. Temos Santo Antônio da Mouraria. Temos Santo Antônio de Além do Carmo. Na capital; no interior, tantos! No espaço; no tempo, Santo Antônio de Arguím, com a sua lenda." Santo Antônio "de Arguím", por ter destroçado uma armada francesa que veio para atacar a cidade no fim do século XVI, já foi padroeiro da Bahia. No candomblé nagô em Salvador(BA), Santo Antônio é identificado com o orixá Ogun que é filho de Oduduá, rei de Ifé. Ogun é um guerreiro poderoso e destemido. Seu símbolo é a espada. Ele vence as demandas. Seus rituais são realizados nas terças-feiras(!). A saudação típica, pronunciada pelos adeptos é "Ogunhê!" O filho de Ogun usa ao pescoço um colar de contas azuis. As roupas usadas pelo filho-de-santo em transe são a calça e saia azuis, a couraça, o capacete e a espada. Sua dança ritual parece um duelo de espada. Para vencer os obstáculos da vida, as pessoas buscam nele a força de quem molda o ferro. O "otá", a pedra onde foi assentado a força mística do orixá Ogun, é uma pedra de minério, ou pedaço de ferro. Abençoa principalmente os ferreiros e os que lidam com armas e ferramentas, os guerreiros e os agricultores. Seu fetiche é uma penca de instrumentos da lavoura em ferro. Ogun é o orixá que julga uma situação e fornece elementos para Xangô executar a justiça. É também chamado Ogun de Ronda. Como Senhor das Estradas, protege os viajantes. Tem grande afinidade com Exu com quem se encontra nas encruzilhadas. Algumas das comidas oferecidas a Ogun são a feijoada e inhame assado. (No candomblé Ketu: figado, coração e bofe de boi.) Animais sacrificados são o bode, o galo, o conquém. Muitos terreiros possuem uma bonita imagem de Santo Antônio. - Um exemplo de como se dá esta identificação dentro da igreja acontece todas as terças-feiras em Salvador na Bahia, no convento de Sto.Antônio. A este assunto voltaremos mais tarde quando falamos da identificação.

Nos terreiros iorubá do culto xangô no Estado de Pernambuco, Santo Antônio(com o livro na mão igual São Jerônimo) é identificado com Xangô, orixá do raio e da justiça, e com Aniflaquete, uma espécie de orixá(exu?) que chama os orixás da África para o Brasil.


No batuque do Rio Grande do Sul, é identificado com Exu, o anjo/mensageiro entre os Deuses e os homens. Exu abre caminhos e é encontrado nas encruzilhadas. Diversas orações tradicionais de Santo Antônio dizem: "Ele nos guia no bom caminho". Exu leva recados e dá recados, como Santo Antônio. Traz as respostas da adivinhação no jogo de Ifá. Sem Exu nada se pode fazer. Tanto protege como castiga, quando as pessoas não cumprem as obrigações. Isto nos lembra o Santo Antônio malino da fé dos pobres. Há outros cultos em que Exu, com sua roupa preta e vermelha e com seu tridente na mão, é identificado com o demônio, o anjo mau.

A umbanda é um conjunto de cultos que misturam elementos africanos dos nagôs e dos bantos, porque os negros trazidos da África não conseguiram reencontrar os companheiros das nações de origem.

Na umbanda, no Rio de Janeiro, Santo Antônio é identificado com Bará, um dos títulos de Exu ligado ao destino individual, e com Verequete, orixá do raio e que abre caminhos para os deuses do seu grupo. Há um ponto(canto) de abertura(próprio de Exu):

Santo Antônio é de ouro fino/ suspende a bandeira/ e vamos trabalhar.

Na umbanda de orientação espírita(desde 1930), distinguem-se sete linhas, cada uma dividida em 6 ou 7 falanges de espíritos iluminados. Santo Antônio faz parte da primeira linha que é de Oxalá(Jesus Cristo). Os chefes-guia de suas falanges são: Sto.Antônio, São Cosme e Damião, Sta.Rita, Sta.Catarina, Sto.Expedito, São Benedito o Preto e São Francisco de Assis. Os santos da linha de Oxalá, penetram nas linhas de quimbanda(magia negra) para desmanchar "trabalhos" feitos para prejudicar as pessoas. Isto fica claro num ponto(canto) de umbanda:

Ó viva Deus(3x), meu maior amigo é Deus./ Pisei na pedra, a pedra balançou./ O mundo estava torto,/ Santo Antônio endireitou.//

Existem na umbanda vários pontos de amarração. Por exemplo:

Santo Antônio é o Santo Maior/ Quem pode com ele é o Filho de Zâmbi/ Amarra e amarra, ó Santo Antônio/ Quem pode com ele é o Filho de Zâmbi.//

Outro ponto de amarração:

Caboclo da encruzilhada/ Santo Antônio ele é/ Amarrador de feiticeiro/ Com o cordão de sua fé.//

Os cantos de amarração podem indicar alguma magia do amor, do outro lado sugerem o estilo das rezas obrigativas e bravas da Quimbanda(magia negra).

Segundo alguns autores, Santo Antônio é identificado com Erekê, em cultos bantos de Guiné e Loanda.

E finalmente, na Casa das Minas em São Luiz no Estado do Maranhão, existia antigamente no dia 13 de junho uma festa para Toi-poliboji, vodu da falecida mãe Andresa. Toi-poliboji é identificado com Santo Antônio. Em outras casas, provavelmente não por acaso, Toi-poliboji é identificado com o demônio.

Observação:

É interessante observar que Ogun, em candomblés não-baianos e na umbanda, é identificado com São Jorge.

O orixá Xangô, na maior parte das vezes, é identificado com São Jerônimo.

Há grupos que identificam Exu-bara com São Pedro que com suas chaves abre as portas do destino. A umbanda costuma identificar Exu com o demônio.




A Bênção de Santo Antônio virou tradição especial em Salvador(BA) na igreja de São Francisco, no Terreiro(=Praça) de Jesus. Todas as terças-feiras, no final da missa, os frades dão a bênção com água benta e fazem uma distribuição de pão para os pobres nas escadarias da igreja. Entre os fiéis encontram-se muitos filhos-de-Ogun(do Candomblé) que com muita fé participam da solenidade. Depois, descem a Ladeira do Pelourinho, para começar a diversão noturna na praça. Há diversos frades que percebem a situação. Não gostam, mas não sabem que atitude tomar.

Também em Salvador(BA), realiza-se em janeiro a festa do Senhor do Bonfim(Jesus crucificado) num grande santuário(séc.XVIII), administrado pelos padres diocesanos. A festa demora dez dias e reúne seguramente umas 100 mil pessoas. O povo, vestido de branco(cor do orixá Oxalá), anda 10 km em procissão. As atividades religiosas podem ser compreendidas em três fases: lavagem das escadarias e do adro da Igreja pelas "baianas"(muitas são sacerdotisas no candomblé); culto ao Senhor do Bonfim por muitos identificado com Oxalá; festanças populares no Porto da Ribeira. Dependendo do bispo, a igreja tem se pronunciado contra a festa. Os redentoristas criticam o uso da roupas brancas nas missas e pedem o povo para não misturar as coisas. Nos movimentos negros modernos também encontramos lideranças que desejam separar candomblé e igreja e voltar às coisas como eram na África.

Para entender o cristianismo dos negros no Brasil e especialmente a identificação, temos de deter-nos um pouco no tema: imposição e integração.

Há dois aspectos nesta questão:

Quando os negros foram obrigados a confessar a religião dos portugueses, os santos da Igreja e do Governo foram colocados no lugar dos orixás para enganar as autoridades e celebrar os cultos proibidos.

Do outro lado, deu-se uma espécie de integração entre orixás e santos populares no livre encontro entre os pobres negros e brancos nas casas de tambor-de-mina, candomblé, xangô, batuque e umbanda. Afinal, o culto é lugar da liberdade. É o último reduto onde os escravos diante de seus Deuses guardavam a memória da África e da escravidão e os símbolos de dignidade e resistência: coroas, cetros, espadas, machados, arcos e flechas.

Esta liberdade é o elemento importante para entender a identificação como algo positivo. No Brasil, não somente os negros integraram elementos da cultura e da religião dos portugueses. Também a religião luso-brasileira integrou elementos africanos. Em outras palavras, há adeptos dos cultos que rezam nas igrejas e muitos católicos "praticantes" freqüentam as casas dos cultos afro-brasileiros.

Na identificação, não se trata simplesmente de trocar um santo por um orixá/vodu ou vice versa. O processo é bem mais complicado. É difícil distinguir qual é o santo popular e qual é o orixá. Nem sempre um orixá corresponde a um santo apenas. Por ex.: O orixá Xangô, rei de Oyó, senhor da justiça, e poderoso e violento dono dos raio e trovões, é identificado em março com São José, em junho com São João Batista e em setembro com São Jerônimo. Isto é, nos terreiros de umbanda. Além disso, nas casas do candomblé, um mesmo orixá pode apresentar-se com homem e como mulher, como acontece com Oxalá que é identificado com o Senhor Bom Jesus. Também pode chegar como um jovem ou como um velho. É o caso de Ogun Xoroquê, entidade que é Ogun durante seis meses do ano, e Exu(anjo mensageiro) nos outros seis meses.

Outro fator que deve ser levado em conta, é a figura do santo na religião católica dos pobres, no Brasil. Diferente da hagiografia moralista dos santos oficiais, o povo admira o santo pela sua esperteza, sua beleza e outras qualidades. Bem assim como faz a Bíblia, quando fala do patriarca Abraão na negociata com Javé antes do extermínio de Sodoma e Gomorra. Sua esperteza era motivo de orgulho para o judeu. Também a história do rei Davi que na sua idade avançada dormia com uma moça jovem é bonita. Ouçamos uma história do nosso Seráfico Pai São Francisco: Um dia estava São Francisco na sua casa comendo um pão. Aí ele sentiu a vontade de fazer as necessidades. Com pouco estava São Francisco no mato atrás de uma moita. Comia o pão, rezava, porque era santo, e ... cagava. O demônio viu tudo e resolveu fazer uma tentação ao santo. Chegou perto dele e disse: "Mas o senhor está fazendo muita coisa ao mesmo tempo. 'tá comendo, 'tá rezando e ..." - "Já sei!", disse São Francisco. "Mas o que tem? Estou comendo - é para mim. Estou rezando - é para Deus. Estou cagando - é para você!" Dizem que o demônio nunca mais voltou para atentar São Francisco. Outras histórias assim existem de Santo Antônio.

Portanto, na identificação, não se trata simplesmente de um santo oficial trocado por engano ou para escapar da imposição da religião oficial.

Talvez vale fazer uma comparação. No século IV, colocaram na festa romana do Sol Invicto no dia 25 de dezembro, o dia do Nascimento de Jesus Cristo, a Luz do Mundo. Será que houve uma identificação? Será que houve gente que integrou à revelação divina pelo Sol Invicto(romana) a revelação divina em Jesus (judaica). Afinal, para muitos o dia do sol (Sunday, Zondag, Sonntag) tornou-se o dia do Senhor.



Em meio à celebração histórica de Santo Antônio, somos confrontados com o Santo Antônio do mito. Tanto na religiosidade popular de origem portuguesa e vivida pelos pobres no Brasil, como nos cultos afro-brasileiros, encontramos um Santo Antônio que corresponde às necessidades atuais do povo mas que nem sempre coincide com o santo da história.

Em plena era de secularização, encontramos um santo presente na vida do pobre. Ele realiza milagres e castigos, abre caminhos, defende o povo contra os inimigos e tem a ver com justiça. Ele lida com o burro bravo e as vacas, e cuida da felicidade no casamento. Acha objetos perdidos e leva cartas a seu destino. Parece que a presença do santo na vida do branco português e a presença dos orixás e mesmo dos antepassados na vida do negro não são tão diferentes assim. Enquanto na igreja oficial a presença de Deus e do santo está em crise(nós mais falamos sobre Deus), o pobre fala com Deus e a linguagem dos cantos e das rezas é de encontrar, descer, baixar, vir com força.

A identificação de Santo Antônio com diversos orixás dos cultos afro-brasileiros nos desafia a refletir sobre assuntos como sincretismo e inculturação. O negro há de ser cristão sem deixar de ser negro. E nem Roma, nem tampouco o branco pode criar esta maneira própria de viver a religião. As comunidades negras são os protagonistas legítimos da busca desta nova fé cristã, a partir da experiência religiosa atual do negro e dos seus antepassados.

As maneiras diferentes de celebrar e pensar entre pobres e ricos, entre brancos e negros nos obrigam a imaginar a vivência da união na diversidade do povo de Deus; Há teólogos que propõem o termo "macro-ecumenismo"(não entre igrejas, mas entre culturas).

Motivos de crítica à igreja oficial são a hagiografia moralista, e a permanência de uma uniformidade cultural na liturgia, catequese e teologia. - Causas da distância entre o cristianismo oficial e outras religiões são o abandono dos nossos antepassados(as almas), a quase ausência do rosto feminino de Deus. Além disso, para nós, a revelação divina através da natureza(florestas, rios, pedras)ficou bastante esquecida, lembramo-nos principalmente da revelação através de Jesus Cristo. Todas estas coisas causam preconceitos e dificultam a compreensão.




Santo Antônio, guerreiro do tempo colonial, e principalmente na sua forma popular de companheiro dos pobres na luta pela sobrevivência, é identificado com o orixá guerreiro Ogun no candomblé da Bahia.

Santo Antônio que tirou seu pai da forca e defende os pobre contra os inimigos, é identificado com Xangô, orixá da justiça e do raio, nos terreiros do Estado de Pernambuco.

Santo Antônio, o mensageiro que, segundo a tradição oral, nos guia no bom caminho, é identificado com Exu, Senhor do destino e das encruzilhadas.


Palestra de Frei Francisco van der Poel ofm,
no Oitavo Centenário do Nascimento de Santo Antônio
21 de outubro de 1995 - Pádua, Itália.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Culpa, Arrependimento e Perdão‏

Em primeiro lugar, vem a culpa pelo ato praticado ou pela omissão, que também é agir, quando deliberadamente se decide por omitir-se. Depois o arrependimento, que significa remorso pelo que se fez, e propensão de não mais repetí-lo, depois vem a cura: o Perdão.

A Culpa, neste caso não é sinônimo de remorso. É o resultado de um julgamento já consumado, seja em um tribunal exterior, ou no tribunal interno. Sentir-se culpado por sí só não evidencia remorso e o não querer mais repetir aquele ato.

Muitas religiões fazem da culpa a base de suas teologias, tratando a todos e todas como culpados, pelo simples fato de terem nascidos, transferindo a responsabilidade de um ato mitológico inicial para todos e todas indiscriminadamente. Ou seja, é uma culpa universalizada e oroginal do ser.

É verdade que vivemos num planeta onde os atos individuais se refletem, seja positivamente, seja negativamente na vida de todos e todas e até em todo o equilíbrio planetário, mas isso não significa que devemos transferir a culpa de um ato para todos e todas universalmente, embora as consequencias possam sim atigir a cada um/uma.

Então, devemos ser cuidadosos quando um princípio religioso busca inculcar culpa contra Deus e consequentemente contra os nossos semelhantes, como regra básica de perdão.

A culpa pode ser destrutiva.

Se um ser sentir-se ou ser declarado culpado por algo e entender que o resultado de sua ação foi devastador, e não tiver vislumbramento do antídoto, pode a culpa pode ser destrutiva completamente.

Em primeiro lugar, neste ponto da discussão, vamos partir do pressuosto de que a Consciência Divina Suprema, que pode ser chamado de Deus ou Deusa, nunca poderia ser atingida e ofendida por ação de qualquer ser que possa existir. Ela está muito além de todo o relativismo, portanto, independente da nossa ação, por nefasta ou letal que seja, nunca alcançará o PERFEITO. Sempre ficará no mundo da relatividade terrena e dos valores e crenças que alimentamos. Portanto, não temos que sentir culpa perante Deus/Deusa.

Podemos e atingimos todos os dias aos nossos semelhantes e diferentes, ao seres e sistemas que fazem parte da estrutura de vida no planeta que existimos agora, com cada uma de nossas ações, sejam positivas ou negativas. Neste nível sim, Deus/Deusa, já relativizado nos seus filhos e filhas (de todas as espécies que habitam o planeta) é atingido pelas nossas ações, mas só neste nível, nunca na sua natureza suprema.

Em segundo lugar, é importante verificarmos que a culpa não é o mesmo que arrependimento. Sentir-se ou ser declarado culpado, não significa estar arrependido/arrependida e está internamente direcionado a não repetir o ato negativo.

Também não podemos esquecer que quando falamos em culpa não estamos excluindo de reconhecermos o outro/outra como culpado/culpada por atos e/ou ações que nos atingiram negativamente. Este nuance é importantíssimo para o caminho da problemática levantada pela culpa. Às vezes é mais fácil culpar alguém para nos eximirmos do arrependimento verdadeiro e do consequente perdão.

Por isso, a maioria das religiões, muitas vezes até deturpando a mensagem original de seus fundadores, elevam todos e todas ao banco dos réus e apresentam um salvador, que na maioria das vezes exclui todas as outras possibilidades de realização espiritual. E o salvador, nesta perspectiva religiosa, é sempre externo. Depende sempre da ação de outrem e tudo que se tem que fazer é se arrepender e aceitar que esse outro nos perdoe.

Então a culpa, que não existe como algo natural nem preexistente como herança de alguem que nos antecedeu, como já vimos, não é boa conselheira em si mesma, mas pode nos levar ao segundo patamar.

O Arrependimento - Do grego, μεταμέλεια - Metanóia (Meta=Mudança, Nóia=Mente)

Ah, este então e muito explorado pelas religiões em geral.

É necessário se sentir culpado e se arrepender, que neste contexto religioso dogmático significa aceitar as condições impostas pela perspectiva de Deus, ou divindade (manifestação particular de uma natureza divina), contida na mensagem específica daquela religião.

Neste ponto de vista religioso o arrependimento não é algo ainda pessoal, mas vai ser algo constante e que vai fazer a pessoa constantemente dependente daquela crença do perdão externo. É um constante arrepender-se. Não leva à libertação nem a cura.

- A cura?

- Sim. Conheces feridas maiores do que as promovidas pela culpa pessoal ou pela culpabilidade que atribuímos a outro/outra?

Olhemos para nossas almas.

Onde estão os nossos dilemas maiores?

- na culpa que sentimos por termos ferido (ou por achar que ferimos) alguém; na culpa que acusamos alguém por ter nos ferido; na pessoa amada que perdemos por "nossa culpa", pois "estragamos tudo" ou na culpabilidade que atribuímos à pessoa, que mesmo recebendo tudo que oferecemos não soube valorizar (veja que o sentimento é de que se eu me doei, a pessoa tinha que se doar tanto quanto - ela não pode sentir diferente ou nao sentir como eu- torna-se escravo(a) do meu sentimento - portanto, ela é culpada pelo meu sofrimento); na nossa mãe que mesmo doando o que era capaz, me fez o que sou hoje; no meu pai que não foi capaz de me amar como eu acho que deveria; no nosso filho que não conseguimos educar como deveria... a relação de culpas e culpabilidades nossas e de outros/outras é infinita. Veja se o que mais doi em você não é a culpa que atribuis a si mesmo/mesma ou a outrem? Mas nada pior do que a culpa pessoal internalizada por aquilo que não temos mais como voltar atrás.

Como curar esta dor, estas feridas?

- Com o Arrependimento (kitololo na lingua africana kimbundo)

Claro que o arrependimento pode ser facilmente confundido com culpa - vejamos: " É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, menos sobre o arrependimento. No arrependimento não há descanso nem paz, e por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças" .Giacomo Leopardi


Neste caso o arrependimento é a culpa e a culpabilidade que sentimos, ou que atribuímos alguém em forma de acusação pura.


Na culpa seja pelos nossos atos ou pelo que atribuímos a outrem, não há descanso, pois tem o ranço da mágoa e da vitimização.


No arrependimento, de fato, que como diz a origem grega da palavra, é mudança de mente. Já estamos um passo à frente. Já entendemos que temos culpa, ou mesmo que outra pessoa tem culpa e já estamos sofrendo não pelo ato prarticado somente, pois este não volta atrás, mas pelas consequencias que produzimos ou que foram produzidas pelo ato de alguém que julgamos culpado.


E o arrependimento não neutraliza o ato praticado. A palavra dita, a pancada dada, a flecha lançada, não tem mais jeito, a não ser arcar com as consequencias. Podemos até dizer uma nova palavra, reconhecer que erramos, ou até retirar o alvo da frente da flecha (no direito se chama de arrependimento eficaz), mas já está feito.

Este é o desafio.

Mas o arrependimento sincero, aquele que deixa a mente predisposta a mudar a direção, o rumo, nos leva ao próximo passo: o perdão. A capacidade de perdoar (ou perdoar-se) é uma virtude. É algo a ser desenvolvido a partir do convencimento pessoal de que a culpa envenena e mata, e o perdão sincero, que nos leva a buscar força para não comertermos novos atos indevidos ou a nos desligarmos dos julgamentos que fizemos de nós mesmos/mesmas ou de alguém e seguirmos livres nossas viagens.

Tem um ditado antigo que diz que arrependimento tarde, serve de enfado.

Não é verdade. Neste caso o arrependimento ainda está confundido com a culpa.

Se de fato aconteceu o arrependimento, ele nunca é tarde. Ele pode até não ser capaz de neutralizar as ações da ação e da culpa, mas ele pode ser um bálsamo precioso em nossa existência terrestre e em nossa vida eterna, como seres eternos que somos.

Se a cura não é nem a culpa, que muitas vezes é o mais destacado, nem o arrependimento, que se confunde com culpa muitas vezes, ela é o perdão.

Claro que Deus como consciência suprema não tem nada a nos perdoar, já que esta nunca pode ser atingida pelo humano, mas o perdão deve vim do ser que foi alvo da nossa ação errada que se transformou em culpa e em arrependimento. E quem é este ser?

Também é Deus, em sua forma relativizada na existência do planeta, na pessoa do nosso semelhante e diferente; é o nosso pai; é a nossa mãe; nosso imrão e irmã; é nosso amigo (ou colega) de trabalho; nosso companheiro de religião; o rio que corre atrás de nossa casa e poluímos; a árvores que derrubamos sem necessidade; o animal que maltratamos ou matamos indiscriminadamente e sem justificativa plausível; e somos nós mesmos como pessoa. Não tem ninguém mais difícil de perdoar do que a nós mesmo. Somos muito exigentes conosco porque somos os acusadores mais ferrenhos, tanto dos outros como de nós mesmos.

Se cometemos ações que deliberadamente visavam, de alguma forma atingir a outros/outras em seus efeitos negativos, atingimos o Deus que vibra neles/nelas e acima de tudo, ferimos e deturpamos a natureza divina que somos nós mesmos.

É esse Deus interior e que vibra no nosso semelhante e diferente quem vai nos perdoar. E é exercendo o perdão que assumimos a natureza divina da qual fazemos parte.

E é claro que este perdão é de mão dupla.

Quando chegamos ao patamar de entedermos que precisamos mudar a nossa mente, pois o caminho percorrido até aqui só nos georu dor e sofrimentos, tanto a nós como a outrem, ja entendemos que o arrependimento sincero vem junto com o perdão que em primeiro lugar deve ser exercido por nós.

Perdoar a quem nos ofendeu é muito mais de que uma frase de efeito que possa constar em uma oração desta ou daquela religião. É nos reconhecermos como fluência de Deus que de tão perfeito nem se sente atingido por nós. Porque nos sentiríamos atingidos pelo outro/outra?

Saber que alguem sofre por ter nos atingido negativamente e de coração puro praticar a indulgência, mesmo sabendo que os efeitos daquele ato não se apagrão; perdoar; dizer para ele/ela que aquela ferida agora pode ser no máximo uma cicatriz mas que não doi mais, ou mesmo que doa não serás seu cobrador/cobradora e que ele/ela pode descansar o seu coração, é a chave para termos as nossas falhas e erros perdoados.

Por que às vezes somos tão compasivos conosco mesmo e outras tão ferrenhos com nossas faltas e às vezes com nossos irmãos e irmãs também somos tão cruéis e exigentes? Será que estamos longe de alcançar o que nos ensina Vovô Benedito: a dor que doi em mim doi no outro. Neste mesmo exemplo vemos que ele só está parafraseando outros mestres, guias, orientadores e salvadores da humanidade:

- " nos perdõe...assim como perdoamos a quem nos tem ofendido" - Jesus Cristo;

- " é pedoando que se é perdoado" - atribuída historicamente a Francisco de Assis;

- " ... E se puderdes perdoar, melhor será para vós. Se soubésseis!" Alcorão, II, 280;

- " Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza ..." Ghandhi em oração;

- " o perdão é o bálsamo da alma" - Vovô Benedito da Kalunga - Preto Velho da Umbanda

Vemos que a questão da culpa, do arrependimento e do perdão não está vinculada unicamente a uma religião. Claro que as religiões de salvação usam desta estrutura teológica para proselitizar fiéis e para vincular a culpa com a salvação oferecida. No caso do candomblé e da Umbanda (mesmo que a Umbanda seja cristianizada), não temos uma discussão teológica sobre isso, mas se compreende a culpa como uma doença degenaritiva, o arrependimento como o remédio e o pedão como a cura. Pois sentir culpa e não se arrepender é muito doloso e envenena. Se arrepender e não perdoar é como se, ao invés de tomarmos o remédio certo, tomássemos um placebo (imitação de medicamento), que não teria efeito algum podendo, inclusive agravar a doença.

Porém, mesmo não existindo esta discussão teológica e/ou filosófica nos deixa os praticantes de qualquer religião ou de religião nenhuma livres dos dilemas que alcança a todos/todas nem dos efeitos das nossas ações ou omissões. Não temos que nos preocupar com os postulados teológicos que uma religião esposa, pois estes variam de acordo com as interpretações, mas com as questões que aflingem a alma humana e a partir do conhecimento e da realização espiritual de cada um/uma, buscar as soluções.

Temos o dever, religiosos ou não, de buscar a cura para os males humanos. Mesmo que seja a partir de nós mesmo. Se um ser humano for curado a Humanidade toda já sente um alívio.

Então, se somos capazes de errar, por que não de compreender o nosso semelhante e diferente, que com certeza também errará, e assim o/a perdoar? Se ao errarmos temos justificativas, desculpas e queremos que os outros/outras nos compreendão e nos perdoem, por que não agirmos de modo semelhante, entendendo as razões e os motivos (mesmo que não justifique) que levou ao nosso algoz a agir desta ou daquela maneira e exercitarmos o perdão, nos livando da dor e da revolta que corroi a nossa alma ou que nos deixa em posição de vítimas que muitas vezes gostamos de estar? E o pior de todas as feridas, por que não perdoamos a nós mesmos? Mesmo que tenhamos que arcar com as consequencias (e isto é um fato), podemos cumprí-las já com o coração aliviado e nos compreendendo perdoado e sarados em nosso interior.

Amadas e Amados de Deus Pai e Mãe, que nesta semana cada um/uma de nós busque em sua alma onde estão os entraves, onde estão as feridas, onde está escondido aquela desculpa para não perdoarmos aquela pessoa que nos feriu há tanto tempo atrás e que ainda doi cada vez que lembramos; onde está o orgulho que não nos deixa pedir perdão pelas vezes que formos responsáveis pela dor alheia, mesmo que tenhamos muitas justificativas e desculpas;

Perdoai e serás perdoado.

Olhe bem.

Sinta.

Ore.

Descubra as razões de muitas dores e inseguranças.

Perdoe com o coração puro e sinta o perdão divino que brota do Deus que mora em você e que conhece todas as justificativas que tens, seja para não perdoar ou para não pedir perdão, mas que fala suavemente em seu ser que nada justifica o rancor, a malediscencia, o ódio... e que o caminho do perdão é suave.

Perdoar não significa exatamente esquecer e deixar as coisas equivocadas continuarem acontecendo sem uma intervenção sua, quando devida, e sem ensinar e orientar e dizer sim ou não.

Não é fazer vistas grossas para o erro que cometemos ou que cometem conosco, mas é deixar o alfoge da nossa alma limpa e leve para que possa ser cheio das maravilhas divinas e não das mágoas que colecionamos durante nossas existências terreste, mesmo que tenhamos no nosso mister, o papel de ensinar e corrigir alguém (que nos diga os bons pais e as boas mães!!!). Se nossa alma estiver cheia de culpa, de rancor, de ódio, não terá espaço para a presença divina consciente em nós. Mesmo que ternhamos que agir.

É acima de tudo não ter justificativa para culpar nem para se culpar nem para não pedir perdão, se preciso for.

Esvaziemos-nos das mágoas, do ódio, dos "se" que nos acompanham e servem de justificativa para muitas amarguras e para muitas acusações que fazemos... esvaziemos-nos do orgulho, da acusação, do peso, da capacidade de sermos reticentes ... que nesta semana possamos nos encher com o fruto da nova colheita da alma sob a perspectiva do perdão.

Mesmo que tenhas uma causa, e que esta seja justa, você não é juiz/juiza. Deus assim não te constituiu.

Que nossa semana seja de identificação da culpa, caso ela exista, de um arrependimento sincero e da libertação suave do perdão.

Então em todos os momentos de oração que vamos desenvolver nesta semana, vamos sempre declarar que perdoamos todos/todas pelas as dores que recebemos, sem os julgar e que os declaramos felizes e libertos dasuas acusações e que assim também pedimos perdão para quem nos ofendeu, mesmo que tenha sido numa situação justa, e assim, todos, ofensores e ofendidos se libertarão.

A falta do perdão a sí mesmo, ou a alguém ou a algo pode ser o entrave da nossa não realização pessoal. Nem mesmo a oração tem eficácia se ainda estamos presos a uma situação ou a alguém por vínculos que só o perdão real poderiam desatá-los. Entao antes de qualquer oração faça a oração do perdão. Busque no seu subconciente, pois lá também se esconde muita mágoa, muito ódio e muitas amarras que nos impedem de nos realizarmos espiritualmente e até mesmo nas áreas materiais da vida.

Por que não consigo engravidar e ter um filho que tanto quero? por que não consigo me realizar no amor? por que não consigo ter saúde? por que não consigo viver bem com minha família e suas diferenças? por que não consigo largar este vicio? por que não prospero? por que não tenho alegria e felicidade? por que...? por que?.....

Tudo isto pode está engastalhado no fato de não termos perdoado, inclusive a nós mesmos, profundamente.

O que não significa se arrepender, perdoar ou pedir perdão com objetivos externos. O arrependimento e perdão verdadeiros não estão ligados a conquistas exteriores. O Arrependimento e o perdão para que se "vá para o céu", ou para não receber punição, ou para não perder algumas conquistas anteriores, ou seja, arrependimento/perdão nestes casos ainda não é como deveria ser. Arrepender-se e pedir perdão e perdoar verdadeiramente tem o único objetivo da conquista interior e da libertação e cura da alma, como um suspiro divino de um ser divino. Os ganhos ou perdas serão consequencias.

Quem tiver condições e conseguir perdoar e pedir perdão a quem ainda esteja no caminho da jornada faça. Verás que ficarás bem mais leve e feliz.

Eu, particularmente, tinha uma mágoa que carregava desde a minha infância, mas não posso mais perdoar nem pedir perdão pessoalmente, pois a outra personagem já fez a grande viagem para o mundo da verdade, mas onde ela estiver, eu encaminho o perdão, o meu desejo de que esteja bem e a garantia de que nunca vou cobrar uma dívida que até hoje, ilusoriamente achei que eu era credor. E peço perdão, se, mesmo ainda criança, contibui para que a situação que gerou mágoa e dor tivesse acontecido. Conscientemente, como ser divino que sou, desfaço todos os laços e compromissos negativo que tenho com todos e todas que passaram em minha vida e existencias. Rasgo as promissoras da culpa que guardei no cofre do meu coração e declaro a todos e todas e a mim mesmo livre de qualquer cobrança, em nome do Deus/Deusa que mora em mim, vive como eu vivo e tem a minha face.

Esta semana revisarei toda a minha hostória e quebrarei todos este laços e serei bem mais alegre do que sou, e exaltarei o amor divino em meu coração tentando transferí-LO universalmente para todos os seres deste ou de outros planetas e planos que possam ser atingidos pela minha vibração de PERDÃO.

Veja uma oração recomendada pela Seicho-noi-iê, que pode servir de modelo, pois a oração é o suspiro da alma e cada um terá o seu rítimo, o seu jeito, o seu momento e palavras próprias. Mas serve como ajuda, além de mostrar que este tema não está restrito a um segmento religioso. É uma questão espiritual da humanidade:

" Oração do perdão


Buscando eliminar todos os bloqueios que atrapalham a minha evolução, dedicarei alguns minutos para perdoar.

A partir deste momento, eu perdôo todas as pessoas que de alguma forma me injuriaram, me prejudicaram ou me causaram dificuldades desnecessárias. Perdôo sinceramente quem me rejeitou, me odiou, me abandonou, me traiu, me ridicularizou, me humilhou, me amedrontou, me iludiu.
Perdôo especialmente quem me provocou até que eu perdesse a paciência e reagisse violentamente, para depois me fazer sentir vergonha, remorso e culpa inadequada.
Reconheço que também fui responsável pelas agressões que recebi, pois várias vezes confiei em indivíduos negativos, permiti que me fizessem de bobo e descarregassem sobre mim seu mau caráter.
Por longos anos suportei maus tratos, humilhações, perdendo tempo e energia, na tentativa inútil de conseguir um bom relacionamento com essas criaturas. Já estou livre da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com indivíduos e ambientes tóxicos.
Iniciei agora uma nova etapa de minha vida, em companhia de gente amiga, sadia e competente. Queremos compartilhar sentimentos nobres, enquanto trabalhamos pelo progresso de todos nós.
Jamais voltarei a me queixar, falando sobre mágoas e pessoas negativas. Se por acaso pensar nelas, lembrarei que já estão perdoadas e descartadas de minha vida íntima definitivamente.
Agradeço pelas dificuldades que essas pessoas me causaram, por isso me ajudou a sair do nível comum ao nível espiritualizado em que estou agora. Quando me lembrar das pessoas que me fizeram sofrer, procurarei valorizar suas boas qualidades e pedirei ao Criador que as perdoe também, evitando que elas sejam castigadas pela lei de causa e efeito, nesta vida ou em futuras.
Dou razão a todas as pessoas que rejeitaram o meu amor e minhas boas intenções, pois reconheço que é um direito que assiste a cada um me repelir, não me corresponder e me afastar de suas vidas.
Agora, sinceramente, peço perdão a todas as pessoas a quem, de alguma forma, consciente ou inconscientemente, eu ofendi, injuriei, prejudiquei ou desagradei.
Analisando e fazendo julgamento de tudo que realizei ao longo de toda a minha vida, vejo que o valor de minhas boas ações é suficiente para pagar todas as minhas dívidas e resgatar todas as minhas culpas, deixando um saldo positivo a meu favor.
Sinto-me em paz com minha consciência e de cabeça erguida respiro profundamente, prendo o ar e me concentro para enviar uma corrente de energia destinada ao Eu Superior. Ao relaxar, minhas sensações revelam que este contato foi estabelecido.
Agora, dirijo uma mensagem de fé ao meu Eu Superior, pedindo orientação, proteção e ajuda, para a realização, em ritmo acelerado, de um projeto muito importante que estou mentalizando e para o qual já estou trabalhando com dedicação e amor.
Agradeço, de todo o coração, a todas as pessoas que me ajudaram e comprometo-me a retribuir trabalhando para o bem do próximo, atuando como agente catalisador do entusiasmo, da prosperidade e da autorrealização.
Tudo farei em harmonia com as leis da natureza e com a permissão do nosso Criador eterno, infinito, indescritível que eu, intuitivamente, sinto como o único poder real, atuante dentro e fora de mim.
Assim seja, assim é e assim será.
Assim Seja Amém!"
Aguardo a contribuição, sentimentos, sensações, relatos... se assim sentirem-se à vontade.

Próxima semana, se Deus nos der, teremos outro tema para meditarmos e trabalharmos em nossa vida pessoalmente e pontualmente.

Nguzu/Axé/A paz de Cristo/Shalon/Saravá/Anamastê/Salam alaikum

Escrita por Tata Ngunz'tala

terça-feira, 5 de abril de 2011

Aprender com outras religiões?


Acredito que nós, umbandistas, temos uma grande deficiência literária e por consequência uma bela dificuldade ou trabalho redobrado para suprir as necessidades de conhecimento básicas de nossa religião. Existem perguntas   específicas que são altamente pertinentes aos trabalhos da Umbanda mas muitas vezes não se consegue as respostas dentro dos Terreiros, o que deixa os médiuns umbandistas inseguros e, principalmente, sem a real dimensão da espiritualidade em vossas vidas. Para conseguir respostas, quando não são encontradas dentro dos Terreiros em estudos doutrinários, se faz necessário a busca em outras doutrinas espíritas, e é ai que entram as codificações de Allan Kardec como sendo a literatura principal e a mais recomendada para os umbandistas que tentam suprir suas necessidades culturais.
Mas, ao buscar em outras doutrinas os ensinamentos espirituais, é necessária a compreensão litúrgica e ritualística dentro da religião de Umbanda para que não ocorra uma miscelânea religiosa, ou seja, alguns termos têm que estar bem claros, para que os umbandistas não criem novas Umbandas e nem a misturem ainda mais. Portanto, é importante que os umbandistas saibam, por exemplo, que na Umbanda não existe umbral, colônia, obsessor, Exu fora da lei, céu, inferno, pecado e muitos outros termos que são próprios de outras religiões e doutrinas, como também é importante que os umbandistas saibam absorver somente o que há de bom nelas e adaptem os termos à sua religião. Só assim se conseguirá ter um melhor entendimento teórico, sem criar novos termos e conceitos. A partir desses entendimentos não há nada de errado em aprender com as outras religiões e doutrinas, mas saliento que é importante que sejamos convictos de nossa própria religião ao procurar outras para estudo e que o intuito seja de apenas nos melhorar dentro Dela.
Frases do tipo “se na sua Casa deu certo, então é Umbanda e está certo”, têm que ser sucumbidas de nossa religião, afinal, utilizar sangue animal dá certo, mas ISSO NÃO É UMBANDA. Rezar para santo dá certo, mas ISSO NÃO É UMBANDA. Oferendar Exu e Pombogira para conseguir “determinadas” necessidades próprias dá certo, mas ISSO NÃO É UMBANDA. Outra frase também, muito comum que deve ser reavaliada é: “se está fazendo a caridade, está fazendo Umbanda”. Oras, não é só a Umbanda que faz a caridade! O simples fato de você dar um prato de comida a um mendigo já é caridade, independente de sua conduta moral e religiosidade. Ou seja, a Umbanda não se caracteriza somente pela caridade, existem muitos outros pontos que estão presentes na nossa religião e um muito importante é a reforma íntima e essa só se alcança com o conhecimento e com o entendimento do Plano Espiritual.
Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Umbanda tem relação com religiões Afro?



Com muita paciência, vamos encontrar vasta literatura tratando da grande repressão que sofreram os cultos de matriz afro e a umbanda, bem como elementos consistentes para apoiar nossa posição em relação ao Culto Afro e a Umbanda.

Não podemos dividir nossa crença em duas ou mais potências, ou seja, a raiz africana está sim também na Umbanda, muitos pais e mães de Santo, adoram falar que a Umbanda é diferente, mas muitas vezes deixam escapar frase e trabalhos com significados afros 

O final do século XIX, marcado por grandes reviravoltas sociais quais sejam a abolição da escravatura e a instauração da República, pode ser considerado como ponto de partida para a grande repressão que os referidos cultos sofreram,embora mesmo durante a escravidão já existiam processos de controle para evitar fortalecimento dos grupos e conseqüentemente seus cultos. Um desses processos era a de não aceitar num mesmo lote, escravos originários da mesma região, deveriam ser mesclados, pois assim língua e costumes seriam diferentes, o que dificultava grandemente a comunicação. Outros optavam por mesclar escravos de tribos historicamente inimigas.

A partir daí na Bahia, Recife, Alagoas os cultos de matriz Afro começaram a organizar-se em sítios ou roças e a praticarem seus rituais, bem como no Rio de Janeiro a partir de 1908 começava a organizar-se o movimento umbandista, com o advento do caboclo das 7 Encruzilhadas, embora se tenha notícias de que no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Rio Grande e Pelotas, entre o período que vai de 1833 a 1859 aproximadamente, já haviam casas que cultuassem o Batuque/RS (culto de nação no RS), pois alí em função das charqueadas, era grande o numero de negros escravos e alforriados. Com a falência das charqueadas a partir de 1850, o culto ganhou mais força ainda.

Outro dado importante foi o da chegada ao Brasil, em 1864, inicialmente em Rio Grande, de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe negro africano, da Fortaleza de São João de Ajudá, antigo Reino do Daomé, em função da Grã-Bretanha Ter se tornado proprietária da Costa do Ouro, comprando as terras de Reis e Príncipes. O governo Britânico pagava a Custódio uma subvenção mensal, e em troca Custódio comprometeu-se a numca mais voltar a suas terras, sob pena de ser morto. De Rio Grande passou um ou dois anos em Bagé e após instalou-se em definitivo em Porto Alegre, na Rua Lopo Gonçalves, 498, onde ficou conhecido como "O Príncipe".

Por volta de 1937, com a criação do Estado Novo de Vargas, começou o que se pode chamar de quebra-quebra dentro das roças e sítios e nos terreiros de umbanda, uma perseguição implacável aos chefes e adeptos, que enquadravam-se como psiquiatricamente doentes. Cenas de extorsão em troca de proteção policial eram comuns. Nessa época as roças e os terreiros eram enquadrados na Secção Especial de Costumes, Diversões do Departamento de Tóxicos e Mistificações do Rio de Janeiro, secção essa que lidava com álcool, jogos, drogas e prostituição.Imagens eram quebradas, congas eram destruídos, objetos religiosos e pertences dos chefes da roça e/ou terreiro eram confiscados. As casas eram obrigadas a mudar o nome para o de santos católicos bem como suas festas deveriam coincidir com o calendário católico, e muitas tiveram que adotar a denominação de "Centro Espírita", pois causava melhor impressão.

Nessa época no Recife, dois policiais se destacaram pela maneira sórdida e cruel com que tratavam as casas de religião. Eram eles Danilo e Fogão, entravam arrombando portas, espancando quem lhes cortasse a frente, tudo em nome da "ação contra a macumba", como diziam.

Em 1937, tem-se notícia da criação da Federação Espírita de Umbanda no Brasil, com objetivo de oferecer proteção contra a repressão aos filiados, bem como em 1941, durante o 1o Congresso de Umbanda foi proposta a desafricanização da Umbanda, para tentar fugir da repressão, pois os cultos afros em função dos rituais eram os mais visados.

O ano de 1945 marca o fim desse período ditatorial, pode-se assim dizer e inicia-se então uma rápida expansão das roças e terreiros, cada um buscando seu espaço e fortalecimento perante seus adeptos .
Por todos esses dados, resumidamente apresentados, é que defendo que UMBANDA NÃO É CULTO AFRO, sendo cultos bem distintos, quer na história, quer na ritualistica. Cito também os seguintes argumentos :

O fato de na Umbanda baixarem pretos-velhos que foram escravos não serve para embassamento, pois "preto-velho" é uma "roupagem fluídica"de que se servem os espiritos (alguns realmente foram escravos) para benzer, para trazer palavras amigas e conforto, etc.

O fato de as terreiras de Umbanda usarem tambores (existem várias que não usam) também não justifica denominarem-se afro.

A Tríade da Umbanda e formada por : CABOCLOS, PRETOS-VELHOS e CRIANÇAS ( Cosme e Damião), que foi organizada em falagens e vibrações (Orixá que vibra e comanda aquela Falange), que são em número de 7.
O fato de muitos Babalorixás e Yalorixás terem "aprontes" pelo Culto Afro (seja Batuque, Candomblé,) e em suas casas tocarem só Umbanda, reservando somente para sí o lado Afro, não justifica denominar a Umbanda como Afro.

O Culto aos Orixás (seja Batuque,Candomblé) e suas características, estão diretamente relacionados aos "lados" ou seja Nagô, Keto, Jejê, Cabinda, etc, e suas diferenças devem-se ao fato de que cada "lado" trazer uma bagagem cultural distinta. De qual região Africana veio o ritual da Umbanda para o Brasil?
Outros dados incontestes são os históricos, conforme expostos neste texto


Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.