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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

MANDAMENTOS DOS POVOS NATIVOS





1. Levante com o Sol para orar. Ore sozinho (a). Ore com freqüência. O Grande Espírito ouvirá, certamente, se você falar.


2. Seja tolerante com aqueles que perderam seu caminho. Ignorância, o convencimento,
 raiva, inveja e avareza (ganância), vem de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho.


3. Comece-se a si mesmo, por si mesmo. Não deixe que outros façam seu caminho por você. É o seu caminho e somente seu. Outros podem andar com você, mas ninguém pode fazer o seu caminho para você.


4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.


5. Não tome o que não é seu, seja um indivíduo, comunidade, ou cultura. Se não lhe foi dado ou se você não ganhou. Não o seu.


6. Respeite todas as coisas que estão sobre a terra, sejam as pessoas, plantas, animais ou pedras.


7. Honrar os pensamentos, desejos e palavras de todos. Nunca desdenhe ou ridicularize-os, nem seja grosseiro. Respeite o direito de cada pessoa em sua expressão pessoal.


8. Nunca fale mal dos outros. A energia negativa que você colocar para o universo se multiplicará quando ela retornar para você.


9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.


10. Pensamentos maus causam doenças da mente, corpo e espírito. Pratique o otimismo.


11. A natureza não é para nós. É parte de nós. Ela é parte de sua família no mundo.


12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Semear o amor em seus corações e regá-las com sabedoria e lições da vida. Quando eles crescem, dar-lhes espaço para crescer.


13. Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada irá retornar para você.


14. Seja verdadeiro o tempo todo. Honestidade é o teste da vontade neste universo.


15. Mantenha-se equilibrado. Mental si mesmo, seu corpo espiritual, o seu corpo emocional, e seu corpo físico: todos eles têm a necessidade de ser fortes, puros e saudáveis.
Exercite o corpo para fortalecer a mente. Cresça espiritualmente para curar doenças emocionais.


16. Tome decisões conscientes sobre o que será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações.


17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isso é proibido.


18. Seja fiel a si mesmo em primeiro lugar. Você não pode nutrir e ajudar os outros se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo primeiro.


19. Respeitar as crenças religiosas dos outros. Não impor aos outros suas próprias crenças.


20. Compartilhe sua boa fortuna com os outros.



Fonte Filosofia Nativa

sábado, 7 de abril de 2012

Estamos sendo leais ???


Axé a todos. Mês de abril é um mês muito especial para todo o povo umbandista.

É o mês do Índio, povo que tanto nos ensinou e ensina sobre o amor e respeito à natureza, um povo que tem um conhecimento impar sobre a mata, o espírito e o convívio em coletividade. Sem dúvida, um povo de grande valor não só para nós umbandistas, mas para todo povo brasileiro. Salve dia 19 de abril!

Também é o mês que comemoramos OGUM, grande Orixá, que com sua determinação luta pela Ordem, pela Verdade e pelo cumprimento da Justiça Divina através da Lei Maior. Patacuri Ogum! Salve dia 23 de abril!

Portanto, gostaria muito que aproveitássemos a energia que nos envolve esse mês e que repensássemos sobre nossa origem, atitudes e lealdade.

Lealdade sim, pois muitos de nós umbandistas acreditamos na presença do Caboclo das Sete Encruzilhadas, em suas palavras e ações, favorecendo a Umbanda. Mas será que somos leal à Ele e aos seus ensinamentos?

O CABOCLO, além de oficializar a Umbanda em um ato de muita coragem e bravura, como não poderia deixar de ser, afinal Ele é um Caboclo (os caboclos representam coragem, bravura, conhecimento do ‘além’ e verdade), Ele também manifestou e nos ensinou a Fé em sua totalidade e em todos os sentidos (não é coincidência seu nome começar com o numero SETE, pois esse número representa ‘a perfeição’, ‘a plenitude’, o ‘tudo’ e o ‘todo’).

Mais ainda, Ele foi o “divisor de águas”, ou melhor, o ‘ordenador’, para a espiritualidade que encontrava-se sem ordem e sem diretrizes, as incorporações que aconteciam aleatoriamente, sem cuidados, doutrina e evangelização, sem sustentação e sem o contexto religioso, ou seja, estava acontecendo uma certa ‘baderna espiritual’. No entanto, Ele, sendo sustentado por Ogum – Senhor das Encruzilhadas, nos proporcionou e ainda nos proporciona a escolha e a retidão dentro da escolha. Ele nos leva ao caminho reto e ordenador dentro das Leis da Umbanda.

CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS sustentado por Oxóssi e toda a sua verdade, coragem e bravura, por Oxalá e sua fé incondicional refletida nos sete caminhos da vida, em tudo e em todos, e por Ogum com toda sua determinação, retidão, ordem e Lei, nos traz grande e maravilhosos ensinamentos para toda a humanidade, seja umbandista ou não.

No entanto, ficam as perguntas:

Será que estamos sendo leais aos ensinamentos do Caboclo?

Estamos sendo corajosos e verdadeiros perante a Umbanda e sua Lei, e perante a nós mesmos enquanto seres humanos e seres espirituais, diante do grande privilégio de ser um médium intermediador?

Estamos lutando com bravura e respeito para levar a Umbanda a todos sem distinção ou preconceito?

Estamos colocando ‘Ordem’ em tantos abusos espirituais que acontecem levando, na maioria, o nome da Umbanda, como a oferta e venda de soluções milagrosas, como atendimentos particulares, como giras assistenciais mensais, como cursos de desenvolvimentos mediúnicos, tratando a mediunidade como um produto ou algo metódico que é só ensinar ou comprar sem que as verdadeiras responsabilidades de um Pai Espiritual que mexe com a Força da Coroa (chacra coronário, responsável por todo equilíbrio mental e espiritual do Ser) e com toda corrente espiritual do médium sejam cumpridas? Como o fato da incorporação ser estimulada como sendo a base da religião Umbanda e o fator equilibrador do médium? Como tantas outras situações tão vergonhosas para a Espiritualidade Superior?

Será que Oxóssi, Oxalá e Ogum estão satisfeitos com nossas ações e nossa religiosidade???

Ficam as perguntas para serem respondidas diretamente ao Astral, aos pés de Ogum, Oxóssi e Oxalá.

Que a Lei Maior e a Lei da Umbanda, tenham misericórdia dos vendedores de fé.

Patacuri Ogum!

Editorial JUCA – Jornal de Umbanda Carismática
Edição 68, Abril 2012

Escrito por Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os Karibokas


Um saravá profundo a todos!

Antes de tudo, apresento-vos as faixas deste novo lançamento:

01. Tupa Doba; 02. Agradecimento a Oduwa; 03. Agradecimento a Deus da terra;
04.Hino dos Karibokas; 05. Lá vem o Urukã; 06. Pajelança com Pajé Morungá;
07.Adupe Mi Nhanderu; 08. Tie Teramori; 09. Irapuã ajuda Makunã; 10. Hino dos
voluntários; 11. Karibokas do Brasil; 12. Caboclas; 13. Nós somos da aldeia do
Tupã; 14. Laguna na Aldeia; 15. Somos índios Karibokas; 16. Canto de Guerra; 17.
Canto de enterro;


Para nós da Ayom Records, foi uma grata e maravilhosa supresa quando soubemos da
existência de uma tribo indígena que praticava a Umbanda e que era formada por
indivíduos mestiços.

Porque a história do Movimento Umbandista possui um foco muito evidente e
direcionado às matrizes africanas (tais como as Umbandas conhecidas como
Omolokô, Umbanda Traçada, Umbandomblé, Candomblé de Caboclo e outras) ou
européias (Umbanda Cristã, a Umbanda de Zélio de Morais, Umbandek, Umbanda
Branca, etc).

Há pouquíssimas evidencias da matriz indígena da Umbanda, além dos ritos
conhecidos como encantarias: Juremas e Catimbós, que apesar de terem nomes
diferentes possuem uma ritualística muito próxima da Umbanda que se pratica em
todo o Brasil.

A Umbanda é mestiça. Os Karibokas são mestiços. E que embora mestiços, não abrem
mão de sua ascendência e resistência indígena. É interessante ouvir seus rituais
e observar pontos clássicos dos terreiros cantados com Maracás e na batida
característica dos povos indígenas, com o pé no chão e o cântico monocórdico.
Além dos Maracás se utilizam de atabaques tocados em ritmos como o Toruá, Ijexá
e Arrebate. Falam o dialeto Orubak, língua também mestiçada de Tupi, português e
yorubá.

O Pajé Laguna dá um grande exemplo de dedicação e força no comando de sua tribo
e na condução dos rituais e cânticos de sua tradição da vertente de Umbanda que
pratica, que possui muito mais que 100 anos de idade.

Neste primeiro volume, apresentamos os cânticos tradicionais desse povo que traz
uma aproximação evidente com outras tradições religiosas do Brasil, utilizando
palavras e ritmos que existem nos cultos das nações Nagô e Angola. Seus cânticos
contam a história de seus antepassados, por onde passaram, por onde viveram,
suas guerras e seus mortos. Cantam para seus protetores, os índios das matas e
seus guardiões.

Num segundo volume, traremos um ritual ao vivo da chamada Umbanda Nata ou
Nativa. Um registro raríssimo desse braço da Umbanda que é, antes de tudo,
mestiça, mas que possui sua direção e sua estrela nas entidades brasileiríssimas
de nossos terreiros, nossos Caboclos!

E salve os Karibokas!

Aralotum,
Discípulo de Mestre Obashanan.


Para ouvir a faixa 14, "Laguna na aldeia", acesse o link abaixo:

  http://ayomrecords.blogspot.com/2011/08/lancamento-karibokas.html

AYOM - Editora e Gravadora - Valorizando as raízes afro-brasileiras:

ayom77@gmail.com
www.acervoayom.blogspot.com
www.ayomrecords.blogspot.com
www.myspace.com/ayomrecords

Facebook:
http://www.facebook.com/ayom.editoraegravadora

Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=748642168621555333
Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei
Site: http://http://br.groups.yahoo.com/group/boiadeirorei/

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sabedoria Indígena!!!‏


Curta e Sábia

Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.

Ele disse: - Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.

Um é Mau - É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.

O outro é Bom - É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

- "Aquele que você alimenta! "

Pai Marco Caraccio
Fonte: umbanda carismatica

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Caboclo

Caboclo

_______Eternos Guerreiros

Sempre com a sua luta por sua terra e sua liberdade, desde 1.500, é não são respeitados, ainda baixa nos terreiros para poder ajudar o homem que se diz civilizados.


Homenagem aos índios do Alto do Xingu
______Definição: Caboclo

Nome masculino

1.Brasil indivíduo com um progenitor índio e outro branco;
2.figurado, pejorativo indivíduo desconfiado ou traiçoeiro

______Adjetivo

1.Relativo a caboclo;
2.Que tem cor de cobre


_______Do Tupi kari’boka, «procedente de branco»

______Kariboka, procedente do branco.

1.Mestiço de branco com índio, ou simplesmente descendente de índios.
2.Personificação e divinização de tribos indígenas segundo o modelo dos cultos populares de origem africana, paramentada, porém, com os trajes cerimoniais dos antigos tupis.
3.Espécie de vespa.

Caboco Tangerino

Caboclo é o mestiço de branco com índio; caboco, mameluco, cariboca, curiboca. Antiga designação do indígena Brasileiro.

___Tapuia, termo genérico de desprezo usado por determinados povos indígenas quando se referiam a indivíduos de outros grupos.No Brasil há o Dia do Caboclo, comemorado em 24 de junho.

_________Caboco

Caboco é o mestiço de branco com índio;Caboco, mameluco, cariboca, curiboca.Antiga designação do indígena brasileiro.

Câmara Cascudo, no Dicionário do Folclore Brasileiro, defende a forma caboco, sem o l, que

Luís da Câmara Cascudo in his graduation at th...
Image via Wikipedia

teria sido introduzido na palavra sem encontrar base nas diversas hipóteses etnológicas, como a que afirma derivar do tupi caa-boc, “o que vem da floresta”
ou de kari’boca, “filho do homem branco”.
Os caboclos formam o mais numeroso grupo populacional da região amazônica, e do nordeste como um todo.


_____Também pode ser sinônimo de:

Caboclo de cor acobreada e cabelos lisos; caburé.Caipira, roceiro, sertanejo. A figura de Jeca Tatu, criação de Monteiro Lobato, foi imortalizada na música popular, no palco e no cinema (por Amácio Mazzaropi), é o homem simples do sertão Brasileiro.

_______Entidade Cultuada no Espiritismo

Também é o nome dado às entidades lendárias indígenas, ou de manifestações de religiões como o caboclo que se incorpora nos ritos da Jure,a Sagrada Catimbó, posteriormente na Umbanda, Candomblé de Caboclo, no Catimbó, na Macumba, no Batuque no Alan Kardec.Os caboclos, na Jurema Sagrada Catimbó, são entidades que se apresentam como indígenas, e dado aos índios e ou Caboclos a grande força da religião afro-ameríndia, pois com a introdução do Homem Branco e Mestiço nas aldeias e posteriormente passando pelos atos da Pajelança, passarão as manifestações com os índios.E dentro da Correntes de índios ou Caboclos existe várias desdobramentos tais como hierarquia e clãs (tipos de povos indígenas), que apesar ser apresentarem todos como caboclos tem os seus próprios costumes.
  • Cacique
  • Pajé
  • Guerreiros
  • Caçadores
  • Pescadores

    Índios Yamonames Aldeia dos Waíukas ( Onde Rio Verde Viveu)
As entidades assim denominadas que se apresentam nos terreiros nas Giras de Jurema Sagrada são espíritos com um certo grau espiritual de evolução, Que falamos que são espíritos altos.Utilizam de cachimbos jogar o seu catimbo(fumaça) para provocar a descarga espiritual de seu médium e também do seu consulente.Alguns assoviam, outros bradam no ato da incorporação.Costumam ser bastante sérios nos seus conselhos.São considerados, portanto, grandes trabalhadores dos terreiros.Mas na Jurema Sagrada Catimbo os caboclo são totalmente sagradas e tratado com o maior respeito e reverencia pois são eles os percussores do culto afro-ameríndio.E Dando ao caboclo a responsabilidade de comandar toda a jurema sagrada, em resumo não existem caboco, mestres, mestra, ou qualquer entidade da Jurema Sagrada que tem mais força.Quando acosta nos seus discípulos cantam fala se muito pouco e quando quer dizer algo e rápido por são totalmente rudes e personalidade forte.

______Okê, Okê Caboclo

Aldeia dos Yamonames - Waíukas - No Meio da Mata Amazônica


Sarava o Príncipe das Águas Claras Pajé Rio Verde, um índio que foi um Pajé dos Yanomanis Grupo Waíukas no meio da Mata amazônica que os mais primitivos em todos os sentidos de hábitos e costumes.

Juremeiro Neto
62.8159.2112



Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

terça-feira, 19 de abril de 2011

Hoje é Dia do Índio - 19 de Abril


Saravá as Caboclas e os Caboclos da Umbanda
Saravá o Índio Brasileiro


História do Dia do Índio
Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Mas porque foi escolhido o 19 de abril?


Origem da Data

Para entendermos a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste contimente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.
No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.


Comemorações e importância da data

Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os municípios organizam festas comemorativas. Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.
Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.


Por que dia 19 de abril é Dia do Índio?

"Certo que todo dia é dia do índio, assim já dizia Baby Consuelo, a Baby do Brasil, só que o dia 19 de abril, foi um fato histórico, pois, em 1940, no México, foi realizado o I Congresso Indigenista Interamericano, com a presença de diversos países da América e os índios, tema central do evento, também foram convidados. Como os índios, estavam habituados a perseguições e outros tipos de desrespeito, preferiram manter-se afastados e não aceitaram o convite. Dias depois, após refletirem sobre a importância do Congresso na luta pela garantia de seus direitos, os índios decidiram comparecer. Essa data, 19 de abril, por sua importância histórica, passou a ser o Dia do Índio, em todo o continente americano.No Brasil, o então presidente Getúlio Vargas, assinou o decreto nº 5.540, em 1943, determinando que o Brasil, a exemplo dos outros países da América, comemorasse o Dia do Índio, em 19 de abril. Daí então, que deu início aos grandes movimentos indígenas, pois, foi através desse I Congresso Indigenista, que os indígenas tiveram consciência, que tinham forças para lutarem pelos seus direitos. Lutarem por suas terras, pela preservação de sua cultura, por sua sustentabilidade e lutar pelo simples direito de continuarem a ser índios. Por isso temos que ter consciência, que o dia 19 de abril, não é só uma data comemorativa banal, essa data tem um significado histórico, e temos que respeitar, pois o dia 19 de abril de 1940, foi o primeiro passo para nós estarmos caminhado hoje."Trecho da carta de Alexandre Pankararu (alex@indiosonline. org.br)
Em 18/04/2006, na véspera do Dia do Índio, o Senado Federal reconheceu Sepé Tiarajú, como um dos “Herói da Pátria”. Projeto do Senador Paulo Paim (PT/RS), que inscreveu o nome do guarani Sepé Tiaraju no “Livro dos Heróis da Pátria”. Sepé Tiaraju, índio guarani da possessão Os Sete Povos das MissõesAo lado de Tiradentes, Zumbi dos Palmares, D.Pedro I, Marechal Deodoro, Duque de Caxias, Almirante Tamandaré, Plácido de Castro e Chico Mendes, o corregedor dos 7 Povos das Missões Jesuíticas, Sepé Tiarajú, é o primeiro indígena a constar no Panteão da Liberdade e da Democracia Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes em Brasília. “Sem dúvida, o índio Guarani Sepé Tiaraju é um símbolo na luta pela liberdade. Grande líder do seu povo, lutou até a morte para defender o direito de permanecer em sua terra. Sepé Tiaraju é hoje uma lenda para os nossos indígenas, e os de toda a América Latina. Simboliza o ideal de liberdade, de dignidade e de bravura, tão preciosos para os índios e exemplares para todos os cidadãos brasileiros”. (Senadora Maria do Carmo - PFL/SE).
“Sepé Tiarajú representa a luta histórica de um povo que lutou para permanecer no seu chão”, ainda emocionado, o senador gaúcho Paulo Paim, lembrou que a nação indígena solicitou que esse projeto fosse apresentado tanto no Senado como na Câmara. O deputado Marco Maia é o autor da proposição na Câmara.


NAÇÕES INDÍGENAS NO BRASIL, segundo a FUNAI

Amawáka - Nawa – Arara – Nukuini – Ashaninka - Poyanawa – Deni – Shanenawa - Jaminawa – Yawanawá – Katukina – Kaxinawá – Kulina – Manxinéri - Cocal – Jeripancó - Kariri_Xocó – Karapotó – Tingui_Botó – Wassú – Xucuru_Kariri - Galibi – Galibi_Marworno – Karipuna – Palikur – Wayampi – Wayána_Apalai - Apurinã – Issé – Katawixi – Marimam – Parintintin – Tuyúca – Arapáso – Jarawara – Marubo – Paumari – Waimiri_Atroari – Aripuaná – Juma – Katwená – Matis – Pirahã – Banavá_Jafí – Juriti – Kaxarari – Mawaiâna – Pira_tapúya – Wanana – Baniwa – Kaixana – Mawé – Sateré_Mawé – Warekena – Barasána – Kambeba – Kayuisana – Mayá – Suriána – Baré – Kanamari – Kobema – Mayoruna – Tariána – Xeréu – Kanamanti – Kokama – Miranha – Tenharin – Yamamadi – Desana – Tora - Karafawyána – Korubo – Miriti – Yanomami – Himarimã – Karapanã – Munduruku – Tukano – Zuruahã – Hixkaryana – Maku – Mura – Tukúna - Arikosé – Pankararú – Atikum – Botocudo - Pataxó Hã Hã Hãe – Kaimbé – Tuxá – Kantaruré – Kariri – Kiriri – Kiriri_Barra – Pankararé - Jenipapo – Kalabassa – Kanindé –Pitaguari – Potiguara – Tabajara – Tapeba – Tremembé - Guarani [M'byá] – Tupiniquim – Ava_Canoeiro - Karajá – Tapuya - Awá, - Guajá – Guajajara – kanela – krikati – Timbira [Gavião] - Apiaká – Juruna – Mehináko – Rikbaktsa – Yawalapiti – Kalapalo – Metuktire – Suyá – Zoró – Aweti – Kamayurá – Tapayuna – Bakairi – Mynky – Tapirapé - Bororo – Katitaulú – Nafukuá – Terena - Cinta Larga – Kayabí – Nambikwara – Trumai - Enawené_Nawê – Kayapó – Naravute – Umutina – Hahaintsú – Kreen_Akarôre – Panará – Waurá - Ikpeng – Kuikuro – Pareci – Xavante – Irantxe – Matipu – Xiquitano – Guarany [Kaiwá e Nhandéwa] – Guató – Kadiwéu – Kamba – Kinikinawa – Ofaié – Kaxixó – Krenak – Maxakali – Pataxó – Tembé – Xakriabá – Kaingang – Xeta - Fulni-ô – Kambiwá – Kapinawá – Truká – Xucuru – Guarani - Amanayé – Parakanã - Zo'e – Anambé – Suruí - Katwena – Araweté – Kaxuyana – Tiriyó – Assurini – Kayabi – Turiwara – Wai_Wai – Waiãpi – Kuruáya – Wayana_Apalai – Mawayâna – Xipaya – Aikaná – Jabuti – Mutum – Urupá – Ajuru – Kanoê – Amondawa – Pakaanova – Karitiana – Paumelenho – Arikapu – Sakirabiap – Ariken – Koiaiá – Aruá – Kujubim – Tupari - Makuráp - Uru Eu Wau Wau – Mekén – Urubu – Ingaricô – Macuxi – Patamona – Taurepang – Wapixana - Ye'kuana – Xokleng – Xocó - Apinaye – Javaé – Kraho – Xerente

Grupo Povo de Aruanda


Parabéns ao dia do Índio, etnia fundamental para a formação de nossa Lei Divina da Umbanda.
Formadora da linha de Caboclos, com seus ancestrais atuam no astral para nosso desenvolvimento espiritual aqui no plano terrestre.
Utilizamos seus cantos, fundamentos e trabalhos mediúnicos.
Etnia forte, exterminada aos poucos pelo homem branco (nós), os mesmos que hoje necessitam de seus ensinamentos, e ajuda, e mesmo assim, nos auxiliam felizes em ter essa oportunidade.
Legião espiritual, tão nobre que vem a terra, limpar os corpos materiais de seus antigos algozes, para que os mesmos possam evoluir no lado espiritual.
Obrigado por existirem e proteger sua linha de atuação vibracional que são as matas, florestas e a natureza em geral, que nós homens "civilizados brancos", continuamos a degradar, exterminar e devastar em nome de uma pseudo evolução e desenvolvimento.
E mais em especial , homenageio meu Guia e Mentor Caboclo Índio Tupinambá, espírito guia que atua na linha dos caboclos (índios) de Oxóssi, povo das matas. Saravá a todos os Índios da Terra e do Astral, Anauê!

Denis Sant’Ana 
Fonte: Espiritualizando a Umbanda
 

sábado, 19 de março de 2011

Histórico do contato - Povos Indigenas Araweté

Em meados da década de 60, os Araweté se deslocaram das cabeceiras do rio Bacajá, a sudeste, em direção ao Xingu, no Estado do Pará. Eles eram oficialmente desconhecidos até o começo da década de 1970. Seu 'contato' pela Funai data de 1976, quando buscaram as margens do Xingu fugindo do assédio dos Parakanã, outro grupo tupi-guarani.
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É possível garantir que eles moram há muitos anos, talvez alguns séculos, na região de florestas entre o médio curso dos rios Xingu e Tocantins. Embora fossem considerados, até o contato em 1976, como "índios isolados", o fato é que os Araweté conhecem o homem branco há muito tempo. Sua mitologia se refere aos brancos, e existe um espírito celeste chamado "Pajé dos Brancos"; eles utilizam há muito tempo machados e facões de ferro, que pegavam em roças abandonadas de moradores 'civilizados' da região; e sua tradição registra vários encontros, alguns amistosos, outros violentos, com grupos de kamarã na floresta.
A história dos Araweté tem sido, pelo menos desde o início do século XX, uma história de sucessivos conflitos com tribos inimigas e de deslocamentos constantes. Eles saíram do Alto Bacajá devido a ataques dos Kayapó e dos Parakanã. Por sua vez, ao chegarem ao Ipixuna e demais rios da região (Bom Jardim, Piranhaquara), afugentaram os Asuriní ali estabelecidos, que acabaram se mudando para o rio Ipiaçava, mais ao norte. Em 1970, com a construção da rodovia Transamazônica, que passava por Altamira (a cidade mais próxima), o governo brasileiro começou um trabalho de "atração e pacificação" dos grupos indígenas do médio Xingu. Os Araweté começaram a ser notados oficialmente em 1969. Em 1971 a Funai estabeleceu a "Frente de Atração do Ipixuna", que manteve contatos esporádicos com os Araweté até 1974, sempre sem conseguir visitar suas aldeias. Nesta época o grupo vivia dividido em dois blocos de aldeias, um mais ao sul, na bacia do Bom Jardim, outro ao norte, no Alto Ipixuna.
Em janeiro de 1976, ataques realizados pelos Parakanã levaram os Araweté de ambas as regiões a procurar as margens do Xingu, resolvidos a "amansar" (mo-kati ) os brancos (pois eles não acham que foram 'pacificados' pelos brancos, mas sim o contrário). A Funai veio encontrá-los lá em maio daquele mesmo ano, acampados precariamente junto às roças de alguns camponeses, famintos e já doentes devido ao contato com os brancos do "beiradão" (que é como as terras da margem do Xingu são chamadas pela população regional). Em julho, os sertanistas da Funai decidem levar aquela população doente e fraca em uma caminhada pela mata até um Posto que havia sido construído no Alto Ipixuna, próximo às antigas aldeias do grupo. Foi uma caminhada de mais ou menos 100 km, que durou 17 dias: pelo menos 66 pessoas morreram no percurso. Com os olhos fechados por uma conjuntivite infecciosa que haviam contraído no "beiradão", as pessoas não enxergavam o caminho, se perdiam na mata e morriam de fome; crianças pequenas, subitamente órfãs, eram sacrificadas pelos adultos desesperados; muita gente, fraca demais para caminhar, pedia para ser deixada para morrer em paz.
Não se sabe quantos começaram a caminhada, mas apenas 27 chegaram junto com os sertanistas que lideravam a marcha; o restante veio chegando aos poucos. Alguns índios se desviaram, no caminho, para as aldeias antigas, ali permanecendo algumas semanas; mas logo um novo ataque parakanã fez toda a população araweté que sobreviveu à caminhada e aos inimigos se juntar no Posto da Funai. Em março de 1977, o primeiro censo feito pela Funai contou 120 pessoas. Os Araweté me desfiaram os nomes de 77 pessoas que desapareceram no período entre sua chegada no Xingu, em janeiro de 1976, e sua chegada no Posto Velho, em julho daquele ano; três dessas morreram no último ataque parakanã: 73, portanto, foram vítimas do contato e da desastrosa caminhada - 36% da população total à época.
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Em 1978, os Araweté se mudaram, juntamente com o Posto da Funai, para um sítio mais próximo da foz do Ipixuna, onde residiram até 2001. Nos primeiros anos, viver com os brancos não era muito fácil. A interação entre índios e funcionários da Funai se fundava em uma série de mal-entendidos culturais, em expectativas estereotipadas e em demandas contraditórias. Era muito comum a emissão professoral de juízos sobre o 'caráter' típico dos Araweté: que eram preguiçosos, que passavam fome por descuido e imprevidência (e no entanto a população era visivelmente bem nutrida), que não eram solidários entre si, que só falavam e pensavam em sexo (o que era sublinhado, na verdade, por ser um dos únicos assuntos em que a vida dos índios interessava os brancos); e assim por diante. Havia toda uma série de procedimentos de 'infantilização' dos índios, pequenos ritos de degradação, como os exames médicos em público, censuras sobre a 'pouca higiene' de certas práticas tradicionais, o costume de se lhes pôr apelidos pejorativos. Só ouvi serem elogiados pelo temperamento cordato, alegre e (deveras!) paciente. Mas na verdade tudo isso não era apenas (às vezes, de forma alguma) uma questão de 'má vontade' ou de brutalidade desse ou daquele funcionário. Havia um sistema; esse era o modo de articulação entre índios e brancos.
Os Araweté dependiam então, como dependem mais ainda hoje, de uma série de bens e serviços oferecidos pelo Posto: combustível, sal, fósforos, panelas, roupas (para os homens), sabão, pilhas, lanternas, facas, machados, facões, ferramentas, tesouras, pentes, espelhos, açúcar, óleo de cozinha, espingardas, munição, remédios.
Em meados de 1988, os Araweté e o chefe do Posto (Benigno Marques, hoje diretor da Administração da Funai de Altamira) encontraram e apreenderam uma grande quantidade de mogno que havia sido derrubada em suas terras por duas companhias madeireiras. Após uma nebulosa negociação da Administração da Funai em Altamira com estas madeireiras, os Araweté e os Parakanã - isto é, o PI Ipixuna e o PI Apyterewa - acabaram recebendo, em janeiro de 1989, uma razoável quantidade de dinheiro à guisa de 'indenização' pela madeira roubada.
Embora a maior parte do dinheiro tenha sido confiscada pelo Governo Collor em março daquele ano, os três meses em que ele esteve disponível foram suficientes para uma mudança radical nas condições do sistema Posto/aldeia. Por um lado, várias melhorias importantes foram feitas no equipamento do Posto Indígena: nova enfermaria, motores para transporte e geração de energia, a aquisição de um barco com alta capacidade de carga, ferramentas etc. Por outro lado, os Araweté passaram a ter um acesso bastante amplo a uma quantidade de mercadorias que antes eram de obtenção difícil, demorada e limitada. Proliferaram as espingardas, panelas, machados, lanternas, pilhas, roupas, tabaco…
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A partir de meados de 1989, a situação começou a piorar, com o confisco da caderneta de poupança 'dos Araweté'. Nessa época, um médico italiano, Aldo Lo Curto, encantou-se pelo grupo e passou a investir na área alguns dos recursos que levanta em seu país de origem, por meio de palestras e exposições sobre os índios brasileiros. Isso permitiu a contratação de uma enfermeira e de uma professora, e a compra de alguns equipamentos para o posto. Mas a manutenção da pauta de consumo do grupo, elevada após a entrada do dinheiro da madeira, permaneceu um problema. Com a aguda recessão do período Collor, e especialmente com o desmonte da máquina administrativa federal, a Funai mergulhou em uma situação de insolvência. Com isso, os Araweté ficaram reduzidos à ajuda de Lo Curto e a arranjos de emergência entre a chefia do PI Ipixuna e a Funai de Altamira. Começaram a faltar alguns itens essenciais, como remédios, combustível e munição. Essa foi a situação que encontramos em 1991, quando visitei o Ipixuna, junto com a equipe do Cedi.

Os Araweté perdidos

Em setembro de 1987, os Kayapó-Xikrin da aldeia Cateté, a centenas de quilômetros a sudeste do Ipixuna, do outro lado da Serra dos Carajás, atacaram um pequeno grupo de índios desconhecidos, matando um homem e um menino, capturando duas mulheres e outro menino pequeno. Um médico da Funai que visitava a aldeia do Cateté reconheceu a pele branca e os olhos castanho-claros dos Araweté, bem como os característicos brincos de pena usados pelas mulheres. Logo se soube que um homem mais velho havia permanecido na mata, tendo conseguido fugir do ataque. Avisados pelo rádio, os Araweté mandaram dois emissários (e o chefe do PI Ipixuna) para resgatar seus parentes perdidos, sem terem a menor idéia de quem poderiam ser. As negociações foram complicadas; os Xikrin exigiram vários bens em troca dos prisioneiros, mas no fim tudo se resolveu. Em seguida, os Araweté foram em busca do velho. Logo o encontraram; no começo ele resistiu a qualquer aproximação, atirando flechas contra o pequeno grupo de resgate. Finalmente, contudo, terminou por reconhecer a língua e se deixou aproximar. Ele e os cativos dos Xikrin foram levados para o Ipixuna para se juntar ao resto dos Araweté.
Na aldeia o mistério se esclareceu. Eles eram os sobreviventes do grupo de Iwarawï (o velho), que tinha se separado do resto da tribo há cerca de 30 anos atrás nas cabeceiras do Bacajá, quando Iwarawï ainda era um rapaz. Durante um ataque kayapó, ele fugiu para a mata com uma moça - filha da irmã de sua mãe - e com dois meninos pequenos, seus sobrinhos. Os Araweté acharam que eles haviam sido mortos ou capturados pelos Kayapó. Na verdade, eles haviam se perdido do resto da tribo, que fugira dos Kayapó na direção oposta, em direção às águas do Ipixuna. Iwarawï e sua irmã (no parentesco araweté, a filha da irmã da mãe é chamada de "irmã"), sozinhos, foram obrigados a casar; tiveram duas filhas, que se casaram com os dois meninos que haviam fugido também. Estas pessoas viveram completamente isoladas durante 30 anos, como uma miniatura da sociedade araweté. Era uma vida muito dura, sempre fugindo ao menor sinal de inimigos: sem tempo para esperar o algodão crescer, as mulheres substituíram sua roupa tradicional por saias de casca de árvore; precisando estar sempre mudando de acampamento, nem sempre podiam plantar e colher milho, dependendo de farinha de coco-babaçu para sua alimentação.
Em fevereiro de 1988, Iwarawï foi levado a Altamira para se tratar de uma grave pneumonia que havia contraído logo após o contato. As duas mulheres, suas filhas, casaram-se na aldeia: Mitãñã-kãñî-hi e seu filho foram viver com um viúvo; Pïdî-hi, respectivamente mulher e mãe do homem e do menino mortos pelos Xikrin, casou-se com um primo solteiro. Embora cercados por seus parentes próximos da aldeia, esses sobreviventes custaram a se acostumar à nova situação. Os outros Araweté os achavam estranhos: falavam com um sotaque estranho, haviam esquecido muitos dos usos e costumes tribais. Enquanto Iwarawï estava em Altamira, suas armas ficaram guardadas na aldeia, e eram mostradas a todos. Seu largo arco, todo furado de chumbo das espingardas kayapó - ele o usara como escudo durante o ataque - havia morto muitos inimigos, índios e kamarã, durante aqueles trinta anos. Suas flechas eram estranhas: tortas, sujas, com uma emplumação diferente da tradicional. Examinando estas armas, um ancião da aldeia declarou:
"é, Iwarawï estava quase se transformando em inimigo, estava esquecendo nosso modo de ser…"
As filhas e o neto de Iwarawï estão hoje completamente integrados à vida dos Araweté. Iwarawï morreu afogado nas águas do Xingu, em um estúpido acidente de barco, em agosto de 1988. Ele não teve tempo de voltar a viver com seus parentes perdidos.

Fonte e Indicação para estudos Site: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arawete

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cultura material dos Araweté

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Os Araweté possuem uma cultura material bastante simples, dentro do horizonte tupi-guarani. Isso se pode explicar, em parte, pelo estado constante de alarme e fuga diante de inimigos a que esse povo esteve sujeito nas últimas décadas; e em parte, pelo trauma do 'contato'.
Os homens araweté têm barba espessa, que costumam deixar crescer em cavanhaque; andavam nus, com apenas um cordão amarrando o prepúcio. As mulheres trazem um costume de quatro peças tubulares (cinta, saia, tipóia-blusa e um pano de cabeça), tecido de algodão nativo e tingido de urucum.
Elas portam brincos feitos de peninhas de arara dispostas em forma de flor, pendentes em linhas em que são enfiadas sementes de iñã (Cardiospermun halicacabum), bem como colares dessa mesma conta. Os homens usam os mesmos brincos, porém mais curtos. O cabelo é cortado em franja reta na testa até a altura das orelhas, de onde cresce até a nuca dos homens e a espádua das mulheres.

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A tintura e a cor básica dos Araweté é o vermelho-vivo do urucum, com que cobrem os cabelos e o corpo, untando-os uniformemente. No rosto, porém, podem traçar apenas uma linha horizontal na altura das sobrancelhas, uma vertical ao longo do nariz, e uma diagonal de cada orelha às comissuras labiais. Esse padrão é também usado na decoração festiva, quando é traçado em resina perfumada e recoberto com as penas minúsculas de cotingas de plumagem azul brilhante. A plumagem do gavião-real é grudada nos cabelos.
A despeito de ter uma cultura material austera, os Araweté fabricam três objetos tecnicamente muito elaborados, e que além disto lhes são exclusivos, não possuindo análogos exatos em nenhum outro grupo tupi-guarani: o arco, o chocalho aray do pajé, a vestimenta feminina.
O arco (irapã) araweté é feito de ipê (tayipa, Tabebuia serratifolia), e é mais curto, curvo e largo que a maioria dos arcos indígenas brasileiros. Cada tronco de tayipa pode servir à fabricação de vários arcos. A madeira era trabalhada com ferramentas de osso e pedra (agora, com machados e facões de aço), e é aplainada com um formão feito de dente de cotia, lixada com uma folha áspera até ficar completamente lisa, e por fim cuidadosamente aquecida no fogo e vergada até ganhar a forma adequada. Usa-se o leite do coco-babaçu, ou a gordura das larvas que vivem nessa palmeira, para tornar a madeira mais fácil de curvar. A corda do arco é feita de fibra de curauá, uma bromeliácea cultivada (Neoglaziovia variegata).
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Os Araweté usam três tipos de flecha (o'i): uma para caça grossa, com ponta de taquaruçu (Guadua sp.) e emplumada com penas caudais de gavião-real; e duas para pássaros, peixes e mamíferos pequenos, com pontas de osso de guariba ou de pau farpeado, emplumadas com penas caudais de mutum. A haste das flechas é feita de dois tipos de bambu Guadua sp. ou Merostachys sp.). Usam-se cera de abelha e fios de algodão para a fixação das pontas e das penas. Peninhas de tucano, arara ou cotinga são amarradas na base das flechas à guisa de enfeite.
O chocalho aray de pajelança é um cone invertido trançado de talas de arumã (Ischnosiphon sp.), recoberto de fios de algodão até deixar apenas a parte superior - que é a base do cone - exposta. Um floco de algodão forma um 'colarinho' em volta da parte descoberta; ali se inserem quatro ou cinco penas caudais de arara-vermelha, dando ao objeto a aparência de uma tocha flamejante. Pedaços da concha de um caramujo do mato são colocados dentro do cone trançado. O aray produz um som
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chiante e contínuo; ele é usado pelos pajés para acompanhar os cantos de Maï e para realizar uma série de operações místicas e terapêuticas: trazer os deuses e almas de mortos à terra para participarem das festas, reconduzir a alma perdida de pessoas doentes, ajudar no tratamento de ferimentos e picadas de animais venenosos.
Durante a fabricação do arco, um homem não deve ter relações sexuais com a esposa, ou a peça de madeira quebraria. O chocalho, em troca, tem seu corpo de arumã trançado pelas mulheres, e a cobertura de algodão imposta pelos homens. Mas uma vez pronto, o aray não pode ser usado pelas mulheres; instrumento muito poderoso, ele evoca os Maï que poderiam quebrar o pescoço da mulher que ousasse chamá-los. Nessa sociedade, só os homens são pajés.
Todo homem araweté, desde a adolescência, possui seu arco e flechas; usa essas armas não só para caçar e pescar, como passeia freqüentemente com elas pela aldeia, e as carrega orgulhosamente durante as danças da festa do cauim. Por sua vez, todo homem casado possui um chocalho aray; embora este seja o instrumento por excelência dos pajés, não há adulto que não tenha ao menos uma vez na vida cantado à noite, após ter visto os Maï em sonho.
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Todo homem é um pouco pajé, dizem os Araweté, e pode realizar pequenas curas e cantar suas visões; mas apenas alguns, os verdadeiros peye, são capazes de trazer os Maï e as almas dos mortos para as grandes festas, ou reconduzir as almas dos viventes que tenham sido capturadas pelos Maï ou outros espíritos. O aray é um símbolo do status de homem casado e com filhos; aray ñã, "senhores do chocalho", é um dos epítetos que designa a parte masculina adulta da sociedade araweté. O aray é mais especificamente um emblema da sexualidade masculina: um dos apelidos jocosos dados às mulheres é "quebradoras do chocalho", evocando o fato de que, quando têm relações sexuais com elas, os homens ficam com sono e não cantam à noite - o chocalho se "quebra", isto é, fica mudo-, e sugerindo que o aray é um símbolo fálico.
O aray é o único objeto de propriedade masculina que não pode ser herdado por ninguém, após a morte de seu possuidor; ele deve ser queimado. Ele parece assim ser um objeto pessoal e intransferível, dotado de valores simbólicos profundos.
Esse caráter sexualmente marcado, pessoal e íntimo do aray tem um análogo entre os objetos femininos: a cinta interna, usada por todas as mulheres após a puberdade, também não pode ser herdada por ninguém, ao contrário das peças externas. A roupa tradicional das mulheres araweté é composta de quatro peças: esta cinta (ii re, "peça de dentro"), pequena peça tubular de lona grossa de algodão de cerca de 25 cm. de comprimento, que cobre o púbis e a parte superior das coxas, cingindo-as estreitamente e dando às mulheres um andar peculiar; uma saia de cima (tupãy piki, "veste longa"), de trama mais aberta; uma larga tipóia (potïnã nehã, "peitoral") para carregar as crianças, mas que é usada mesmo por jovens sem filhos; e um pano de cabeça (dacî nehã, "chapéu"), peça tubular como as demais vestimentas femininas, com a mesma trama aberta da saia e da tipóia. As vestes femininas são tecidas em teares simples - dois talos de folhas de babaçu fincados perpendicularmente no chão - e tingidas com urucum. Elas consomem uma grande quantidade de algodão; assim como os homens passam boa parte de seu tempo fabricando e reparando suas armas, as mulheres dedicam muitas horas do dia ao processo de produção dos fios de algodão para as roupas e as redes. Há sempre alguém na aldeia tecendo uma peça de roupa ou uma rede.

Desde pequenas as mulheres usam a saia externa; por volta dos sete anos, costumam trazer também a tipóia e por vezes o pano de cabeça. A cinta é imposta a partir da primeira menstruação- uma de suas funções é absorver o sangue menstrual-, e nunca deve ser retirada na frente de outros homens que não o marido ou o namorado, e mesmo assim apenas para o ato sexual. Mesmo entre as mulheres, as normas do pudor pedem que não se fique ereta sem estar usando a cinta: no banho coletivo das mulheres, estas ficam em geral agachadas, quando estão fora d'água. Os homens manifestam um pudor análogo em retirar o cordão do prepúcio diante de outrem: a nudez para os Araweté é, assim, a ausência da cinta feminina ou do cordão peniano.

A cinta é um objeto de forte conotação sexual, como o aray. O arco não é menos marcado sob esse aspecto. Já mencionamos que sua fabricação impõe a abstinência sexual do homem, como se a sublinhar a natureza fálica do objeto. Mais que isto, a palavra para "arco", irapã (que significa hoje "arma" em geral: arco, espingarda, revólver), designa também os orgãos sexuais masculinos e femininos- cada sexo tem suas "armas", o pênis e a vagina. É interessante portanto observar que os três objetos araweté mais elaborados, dos pontos de vista técnico e simbólico, possuem uma referência à sexualidade humana.

Fonte: Povos Indigenas no Brasil
arawete_15 Moça araweté pintada de urucum. Foto: Eduardo Viveiros de Castro
arawete_18 Iapi´i-hi preparando o cauim doce. Foto: Eduardo Viveiros de Castro, 1981.
arawete_21 Pajé com o chocalho aray. Foto: Eduardo Viveiros de Castro
arawete_23 Flecha grossa para caça, com ponta de taquaruçu (Guadua sp.) e emplumada com penas caudais de gavião-real. Foto: Eduardo Viveiros de Castro, 1981.
arawete_19 Arco e flecha araweté. Foto: Eduardo Viveiros de Castro

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Postagens populares

“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.