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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A Lenda da Cabocla Jurema

 
 
 
O sol girou uma vez mais ao redor da Terra e quando os raios da manhã tocaram a sua testa, a cabocla gritou:

- Sou Jurema!!!

E pulou
do
galho
mais alto da árvore gigante e pareceu voar por entre os pássaros e outros seres alados da floresta; mergulhando no rio profundo, de onde emergiu, nadando com os botos que entendiam o seu canto:

"Cabocla
Seu penacho é verde
Seu penacho é verde
É da cor do mar

É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
É a cor da Cabocla Jurema
Jurema"

Cabocla, filha valente de Tupinambá. Adotada pelo mundo, foi encontrada aos pés do arbusto da planta encantada que lhe deu o nome, e cresceu forte, bonita, com a formosura da noite e a firmeza do dia. Corajosa, a cabocla tornou-se a primeira guerreira mulher da tribo, pois a sua força e agilidade no manejo das armas e na ciência da mata, se tornara uma lenda por todo o continente; onde contadores de estórias, aos pés da fogueira, falavam da índia da pena dourada, que era a própria Mãe Divina encarnada.

Nada causava medo na cabocla, até o dia em que ela encontrou o seu maior adversário: o amor. Jurema se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga chamada Filhos do Sol, e que fora preso numa batalha.

Os dias se passaram e o amor aumentava, pois o pior de amar não é amar sozinho e sim ser amado em retorno, pois exige do amado, uma ação em prol do amor.

Pelo olhar, o caboclo Huascar dizia:

"Oh doce Cabocla
meu doce de cambucá
minha flor cheirosa de alfazema
tem pena deste caboclo
o que eu te peço é tão pouco
minha linda cabocla Jurema
tem pena desse sofredor
que o mal destino condenou
me liberta dessa algema
me tira desse dilema
minha linda cabocla Jurema"

Jurema que aprendera a resistir ao canto do boto, ao veneno da cascavel e da armadeira, já resistira bravamente a centenas de emboscadas e que sentia o cheiro à distância de ciladas, não conseguiu resistir ao amor que fluia do seu peito por aquele guerreiro. Observando o caboclo preso, ela viu nos olhos dele, as mil vidas que eles passaram juntos, viu seus filhos, o amor que os unia além da carne e percebeu que não foi por acaso, que ele fora o único caboclo capturado vivo, e decidiu libertá-lo, mesmo sabendo que seria expulsa da sua tribo.

Na fuga, seu próprio povo a perseguiu, e em meio a chuva de flechas voando na direção do caboclo fugitivo, foi Jurema que caiu, salvando o seu amado e recebendo a ponta da morte que era pra ele, no seu próprio peito.

Conta a lenda, que o caboclo Huascar voltou a Terra do Sol e fundou um império nas montanhas andinas e mandou erguer um templo chamado Matchu Pitchu em homenagem a Jurema, onde, só as mulheres da tribo habitariam e lá aprenderiam a ser guerreiras como a mulher que salvara a sua vida. E no lugar onde a Jurema caiu, nasceu uma planta robusta e muito resistente que dá flor o ano inteiro, cujo formato exótico e o tom amarelo-alaranjado intenso chamou atenção de todas as tribos, pois tudo dessa planta poderia ser utilizado, desde as sementes, até as flores e o caule; e porque as flores dessa planta estão sempre viradas para o astro maior; ela ficou conhecida como girassol.

" Moça bonita é a

Cabocla Jurema

Ela vem com um girassol

e a coroa dela é

como um girassol

Ela é a luz do amanhecer

Tem os seus lindos sonhos de arrebó

e a coroa da Jurema é

como um girassol

é como um girassol

é como um girassol

é como um girassol "


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Encantaria e Jurema


Nova matéria no Grupo Boiadeiro Rei: Encantaria e Jurema

A Encantaria é o resultado da fusão de todos os rituais existentes no Brasil antes da chegada do homem branco com sua cultura católica fetichista, mais a contribuição africana durante 350 anos. Tendo por tronco básico a ritualística indígena serviu de esteio e receptáculo para as demais tradições importadas. Na Encantaria poderemos facilmente encontrar traços, fragmentos e até grandes remanescências das influências ciganas, africanas, católicas, judaicas, árabes, celtas, gregas, romanas e, principalmente indígena.. Mas o grande sustentáculo da encantaria, é a cultura indígena Tupi-Guarani com sua ritualística maravilhosa, voltada para a flora e fauna com ritmos extasiantes e mágicos. Como “pangelança” no norte, “terecô” no Maranhão, “catimbó” no nordeste, “quimbanda” na Bahia, “macumba” no Rio de Janeiro e São Paulo e, “batuque” no Rio Grande do Sul, a Encantaria está espalhada por todo o Brasil sob diversas formas nomes e rituais.
A Encantaria não tem um ritual iniciático e doutrina específica. Cada casa ou “terreiro” segue sua própria doutrina, estabelecendo suas regras e forma de prática do ritual. Via de regra não estabelece raízes ou tradições sucessórias, a não ser que as tenha.

Continuar lendo link: http://grupoboiadeirorei.com.br/encantaria-e-jurema.php

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Jurema


A Jurema é uma árvore que floresce no agreste e na caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida mágico-sagrada que alimenta e dá força aos encantados do "outro - mundo". É também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem. Tal árvore se constitui enquanto símbolo mágico-sagrado e é núcleo de várias práticas mágico-religiosas de origem ameríndia. De fato, entre os diversos dos povos indígenas que habitaram ou habitam o nordeste, se fazia e em alguns deles ainda se faz uso ritual desta bebida1.
No ano de 1938, Curt Nimendaju obtém, entre os índios de Santa Rosa – BA, descendentes de Tupiniquins e Kamuru-Kariri um interessante depoimento; uma "visagem" do mundo espiritual conseguida por aqueles que bebem da sagrada bebida feita com partes da Mimosa Nigra Hub.
"A Jurema mostra o mundo inteiro a quem bebe: Vê-se o céu aberto, cujo fundo é inteiramente vermelho; vê-se a morada luminosa de Deus; vê-se o campo de flores onde habitam as almas dos índios mortos, separada das almas dos outros. Ao fundo vê-se uma serra azul; vêem-se as aves do campo de flores: beija-flores, sofrês e sabiás. À sua entrada estão os rochedos que se entrechocam esmagando as almas dos maus quando estas querem passar entre eles. Vê-se como o sol passa por debaixo da terra. Vê-se também a ave do trovão, que é desta altura (um metro). Seus olhos são como as da arara, suas penas são vermelhas e no alto da sua cabeça ela traz um enorme penacho. Abrindo e fechando este penacho, ela produz o raio e, quando corre para lá e para cá, o trovão." (Numendaju, 1986: 53)
Contudo, este culto este se difundiu dos Sertões e Agrestes nordestino em direção às grandes cidades do litoral, onde elementos das outras matrizes étnicas entraram em cena. Desse modo, o símbolo da árvore que liga o mundo terreno ao além e, embora amargo2, dá sapiência3 aos que dela se alimentam, ganha novos significados, surgindo um mito com traços cristãos. Neste sentido, a Jurema surge como a árvore que escondeu a sagrada família, dos soldados de Herodes, durante a fuga para o Egito, ganhando desde então suas propriedades mágico-religiosas (Cf. Cascudo, 1931; Bastide, 1945).
A jurema é um pau sagrado
Onde Jesus descansou
Que dá força e "ciência"
Ao bom mestre curador.
Ainda nessa perspectiva, juntaram-se na constituição desta forma de religiosidade popular, outros elementos de origem européia como a magia e o culto aos santos do catolicismo popular. Da matriz africana, incorporou o sacrifício de animais, como realizado entre os Xangôs nordestinos, além de algumas divindades do panteão Yorubá. As constantes ondas migratórias entre o interior e o litoral devem ter influenciado nestes intercâmbios de elementos simbólicos no culto. E com esta configuração ele se espalha em algumas capitais nordestinas, como Recife, Paraíba, Maceió e Natal.
Na década de 20 os jornais já anunciavam a presença "dos baixos e barulhentos espíritos" do primitivo "Catimbau",entre os ditos civilizados das pacatas cidades 4. A partir desta época encontramos referências sobre a Jurema em autores como Cascudo (1931), Fernandes (1940), Bastide (1945) e Vandezande (1975).
A Jurema que passaremos a apresentar é a encontrada na cidade do Recife, em terreiros localizados em sua grande maioria nos bairros periféricos da cidade. Dimensionado os limites espaços-temporais do presente trabalho, um primeiro ponto a ser considerado é que o culto à Jurema não se dá de forma padronizada entre os diversos grupos existentes. Como dizem os juremeiros: "Jurema? Cada uma tem a sua, a minha eu cultuo como aprendi com fulano... (sic.)" "A Jurema de sicrano..., ele dá bode ao mestre dele, na minha eu não cultuo com sangue... (sic.)". Contudo, em meio às diferenças, existe um complexo de ritos e crenças que os juremeiros compartilham e que permite distinguir o culto à Jurema de outras formas concorrentes de religiosidade popular, em especial do Xangô e da Umbanda como praticadas no Recife. O que chamaremos aqui, complexo mágico-religioso da Jurema, envolve como padrão a ingestão da bebida feita com partes da Jurema, o uso ritual do tabaco 5,o transe de possessão por seres encantados, além da crença em um mundo espiritual onde as entidades residem.
Passaremos então a buscar, dentre os rituais observados em várias casas religiosas do Recife, os elementos que possibilitem melhor caracterizar o complexo mágico-religioso do Culto à Jurema. Enfocaremos, então, o mundo espiritual e o panteão de encantados, os artefatos religiosos, os rituais, enfim, a visão de mundo existente entre os juremeiros.
O Mundo Espiritual e Sua Representação no Mundo dos Vivos
"Abrindo a Mesa, com Luz e Amor
Abrindo as Portas do Juremá
Chamando os Guias
Para trabalhar."
Quem já assistiu uma reunião de Jurema, deve lembrar-se dessa toada, cantada no início das sessões, para convidar os "Senhores Mestres do outro - mundo" a participarem do mundo dos vivos. Para os juremeiros paraibanos e pernambucanos este mundo espiritual tem o nome de Juremá e é composto por reinados, cidades e aldeias. Nestes Reinos e Cidades residem os encantados: os Mestres e os Caboclos. Diz-nos Cascudo (1931: 43):
"Cada aldeia tem três `mestres'. Doze aldeias fazem um Reino com 36 `mestres'. No reino há cidades, serras, florestas, rios. Quanto são os Reinos? Sete, segundo uns. Vajucá, Tigre, Candindé, Urubá, Juremal6, Fundo do Mar, e Josafá. Ou cinco, ensinam outros. Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá".
A Jurema é a cidade-estado deste mundo espiritual. Em Alhandra, localidade do litoral paraibano, considerada por muitos o berço de uma grande linhagem de catimbozeiros e mestres do além, como Manoel Inácio e Maria do Acais, que como nos conta Vandezande (1975) lá formaram escola quando em vida; as árvores de Jurema cultivadas pelos catimbozeiros são consideradas as próprias cidades espirituais.
"A `cidade' mais antiga de jurema, cujo pé de jurema teria sido plantado pelo `mestre Inácio', regente dos índios, é o arbusto velho e enorme que se encontra na atual propriedade `Estiva'... O arbusto é sempre venerado, e muitas vezes há velas acesas ao anoitecer... O lugar é chamado pelos entendidos de `cidade do Major do Dias'... Mestre Inácio e o mestre Major do Dias foram proprietários de Estiva. O atual proprietário, o mestre Adão, um dia tornar-se-á também `mestre' do além depois que o seu espírito for lavado7."(Vandezande, 1975: 129)
Entre os recifenses, talvez pela falta de espaço nos locais de culto, troncos da planta sãoassentados 8 em recipientes de barro e simbolizam as cidades dos principais mestres das casas. Estes troncos, juntamente com as princesas e príncipes, com imagens de santos católicos e de espíritos afro-ameríndios, maracás e cachimbos, constituirão as Mesas de Jurema. Chama-se Mesa o altar junto ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas as obrigações que a eles se deva.
As princesas são vasilhas redondas de vidro ou de louça dentro das quais são preparadas a bebida sagrada e, em ocasiões especiais, onde são oferecidos alimentos ou bebidas aos encantados. Os príncipes são taças ou copos, que normalmente estão cheios com água e eventualmente com alguma bebida do agrado da entidade. É comum vê-se nas mesas mais elaboradas uma complexa arrumação onde entram na composição príncipes, princesas e trocos.
O príncipe ou a princesa é a menor unidade de simbolização de uma entidade espiritual. Todo Juremeiro deve ter, ao menos um destes dedicado ao seu mestre e assentado em sua mesa. Contudo, de acordo com a disponibilidade financeira, pode-se constituir todo um "estado espiritual– as cidades dominadas por uma determinada entidade. Confecciona-se um estado através do uso de uma princesa tendo ao seu centro um príncipe e em seu derredor mais seis deles. Para complementar este artefato, entraria o tronco da árvore sagrada, que pode ficar no centro da mesa ou em baixo dela.
Para alguns entendidos no culto, é no troco – junto com outros apetrechos que a entidade que o domina solicita que seja nele depositado –, onde estaria o verdadeiro segredo de uma "Jurema plantada". Portanto, eles argumentam que este deveria ficar longe dos olhos dos curiosos, normalmente em baixo da mesa. Como adverte uma das toadas: "A Ciência da Jurema / Todos querem saber / Mas é feito casa de abelha / Trabalha que ninguém vê." Em cima do tronco, sobre a mesa, ficaria, a vista de todos, o jogo de príncipes e princesas.
Os Habitantes do Juremá
Duas categorias de entidades espirituais têm seus assentamentos nas mesas de Jurema, os Caboclos e os Mestres.
Os Caboclos e Índios
"Fui pra mata, fui caçar
Atirei no que não vi
Acertei passo sagrado,
Era um Pitiguarí.
*
Mas, Tupã me perdoou
Hoje eu não caço mais
Me chamoFlecha Dourada,
Protetor dos animais."
(Jurema de mesa)
*
Os Caboclos são identificados como entidades indígenas que trabalham principalmente com a cura através do conhecimento das ervas (Pinto, 1995). Durante a estada destas entidades nos terreiros, incorporadas nos médiuns, dão passes e realizam benzeduras com ervas e folhagens. São associados às correntes espirituais mais elevadas, as que trabalham para o bem, mas que também podem ser perigosas quando usados contra alguém. Por isso são muito temidos. Diz um informante de Pinto (op. cit.: 53-54):
"... na antiguidade se tina muito medo dos caboclos por causa das flechadas. A flechada de um índio é pior que o trabalho de um mestre... só algumas pessoas que sabem mexer e botar a mão ali dentro"
Nas Mesas o caboclo é simbolizado por príncipes, estátuas de índios e apetrechos confeccionados por ameríndios ou inspirados neles como cocas, flechas, preiacas, colares, etc.
Os caboclos comem frutas, flores, mel, carne bovina ou peixe, que pode ser crua, cozida no vinho, ou assada na brasa. Com a introdução de sacrifício de animais nas práticas juremistas, é comum oferecer-lhes pequenos animais como passarinhos, preás, coelhos e outro "bichos de caça". São oferecidos ainda raízes como a mandioca, a batata doce e alimentos confeccionados a partir delas. Alguns juremeiros oferecem vinho branco a estas entidades, outros apenas sucos de frutas e refrigerantes como o guaraná. Normalmente os caboclos não fumam e no momento das reuniões e giras a eles destinadas não se deve fumar; contudo alguns caboclos se utilizam destes elementos. No caso dos caboclos que utilizem do tabaco em seus trabalhos, nas oferendas estes devem se fazer presentes na forma em que o caboclo em questão mais se agradar (cachimbo ou cigarro de palha ou charuto). Completam as oferendas as bugias ou inãs, as velas.
Na incorporação vêem-se três estereótipos relacionados ao gênero e a faixa etária destas entidades: Os caboclos crianças, sejam de um sexo ou de outro, descem pedindo mel, balas e frutas. São pouco ascéticos quando comem estes alimentos, depositando e misturando os ingredientes no próprio chão dos terreiros. É costume, ainda, lambuzarem a si e aos com que compartilham de seu alimento. Muitas vezes querem comer pequenos insetos e répteis que encontrem nas casas de culto, sob o argumento de que nas matas comem destes animais. São brincalhões e falam uma linguagem infantilizada do tipo tati-bi-tati.
Os caboclos adultos do sexo masculino têm o semblante carrancudo. Sua voz, normalmente faz-se ouvir claramente. Descem em geral estalando os dedos e emitindo um som sibilante. Quando em reuniões, onde não haja o batuque dos tambores, dançam em círculo, dobrando um joelho e deixando a outra perna atrás (Pinto, 1995). Nas festas a sua coreografia muda assumindo os passos dançados pelos "caboclinhos" dos folguedos populares do carnaval pernambucano. As caboclas têm uma expressão facial de maior suavidade e, normalmente, falam uma linguagem onde se intercala no início das palavras a sílaba si
Os Mestres
É morão que não bambeia
É morão que não bambeia
Os Mestres da Jurema
É morão que não bambeia.
(Gira de Jurema)
Outra categoria de entidades que recebem culto na Jurema é a dos Mestres. Ao que parece o termo mestre é de origem portuguesa, onde tinha o sentido tradicional de médico (Motta, 1985), ou segundo Cascudo (1931) de feiticeiro. De forma geral, os mestres são descritos como espíritos curadores de descendência escrava ou mestiça (índio com negro ou branco com uma das duas outras raças). Dizem os juremeiros que os mestres foram pessoas que, quando em vida, trabalharam nas lavouras e possuíam conhecimento de ervas e plantas curativas. Por outro lado, algo trágico teria acontecido e eles teriam "se passado" (morrido), se encantando, podendo assim voltar para "acudir"os que ficaram "neste vale de lágrimas". Alguns deles se iniciaram nos mistérios e "ciência" da Jurema antes de morrer, como o mestre Inácio ou Maria do Acais e toda a linhagem de catimbozeiros de Alhandra, que após um ritual denominado "lavagem" ganham um lugar nas cidades espirituais e passam a incorporar nos discípulos que formaram (Vandezande, 1975). Outros adquiriram esse conhecimento no momento da morte, pelo fato desta ter acontecido próximo a um espécime da árvore sagrada.
No panteão juremista, existem vários mestres e mestras, cada qual responsável por uma atividade relacionada aos diversos campos da existência humana (cura de determinadas doenças, trabalho, amor...). Há ainda aqueles especialistas em fazer trabalhos contra os inimigos. Nas mesas, as representações das entidades relacionadas nesta categoria são as mais elaboradas, geralmente possuindo o estado completo e a "jurema plantada"; em especial a do "mestre da casa", aquele que incorpora no juremeiro, faz as consultas e iniciam os afilhados nos segredos do culto.Por tudo isso esse mestre é carinhosamente chamado de "meu padrinho".
Cada mestre está associado a uma cidade espiritual e a uma determinada planta de"ciência"(angico, vajucá, junça, quebra-pedra, palmeira, arruda, lírio, angélica,imburana de cheiro e a própria Jurema, entre outros vegetais), existindo ainda alguns relacionados a fauna nordestina (mamíferos – guará, preá –; aves – gavião, periquito, arara, pitiguarí –; insetos – abelhas, besouro mangangá; répteis – cobras). Para os mestres relacionados à outra planta que não a Jurema, são estas plantas (quando arvores) que tem seus trocos plantados nas mesas dos discípulos.
No outro mundo, do lado de lá!
No outro mundo, do lado de cá!
Tem um pé de árvore, Angico real.
Tem um pé de Jurema, tem um pé de Jucá,
Tem um pé de árvore, Angico Real.
Ai meu Deus, Mestre Angico sou eu.
Ai meu Deus, Mestre Angico será.
Os anjinhos tão no céu, a sereia no mar.
Ai meu deus mestre Angico Reá.
(Jurema de Mesa)
Por exemplo, a cidade de Mestre Angico deve ser plantada em um troco da árvore do mesmo nome; as cidades das mestras geralmente são plantadas em trocos de imburana de cheiro. No caso dos mestres que tem relação com vegetais, são daquelas espécies que tiram a força e a "ciência" para trabalhar. Os que têm relação com animais acredita-se que eles possam encantar-se em animais das espécies referidas, aparecendo em sonhos, visagens e, muitas vezes, assim metamorfoseados quando incorporados em seus discípulos.
Nesta categoria, como entre os caboclos, há uma distinção do gênero das entidades. Distinção que irá determinar seus atributos e como devem ser cultuadas.
O símbolo dos mestres masculinos é o cachimbo ou "marca", cujo poder está na fumaça que tanto mata como cura, dependendo se a fumaçada é "as esquerdas" ou "as direitas" (Pinto, 1995). Essa relação com a "magia da fumaça" é expressa nos assentamentos dos mestres, onde sempre se encontra presente "rodias" de fumo de rolo, nos cachimbos e nas toadas:
Setenta anos,
Passei no pé da Jurema.
Mas eu não tenho pena
De quem me faça o mal.
Se eu me zangar
Eu toco fogo no rochedo
Meu cachimbo é um segredo
Agora vou me vingar.
(Jurema de Mesa e Gira de Jurema)
Como oferendas, os mestres recebem a cachaça, que nunca deve faltar quando estão presentes nos cultos, o fumo, seja nos charutos ou os utilizados nos cachimbos, alimentos preparados com crustáceos e moluscos diversos. Com essas iguarias, agrada-se e fortificam-se os mestres. A bebida feita com a entrecasca do caule ou raiz da Jurema e outras ervas de "ciência" (Junça, Angico, Jucá, entre outras) acrescidas à aguardente, é, entretanto, a maior fonte de força e "ciência", para estas entidades. Nos terreiros que sofreram maior influência dos cultos africanos, é comum o mestre receber sacrifícios de galos vermelhos, bodes e, muitas vezes, até de novilhos.
Quando em terra, incorporados, os mestres já chegam embriagados, tombando de lado a lado e falando embolado. São brincalhões, chamam palavrões, mas o que falam é respeitado por todos. Durante o transe os mestres apresentam-se com o corpo ligeiramente voltado para frente. Na dança as pernas tem os joelhos ligeiramente flexionados, o pé direito vai à frente e dá dois passos para o mesmo lado, o pé esquerdo é arrastado; é então a vez do pé esquerdo ir à frente ao mesmo estilo de dança; variações vão sendo executadas tendo como base o ritmo dos Ilus9 e a letra das toadas.
Quanto as Mestras, reconhecem-se seus assentamentos pela presença de leques, bijuterias, piteiras, cigarros e cigarrilhas. Como no caso dos mestres, existe uma infinidade destas entidades, com atributos e especialidades nas questões mundanas e espirituais. Algumas casas fazem uma distinção entre as mestras que trabalham "nas esquerdas" e "nas direitas". Nesta última categoria, encontram-se mestras como a Gertrudes e a Lorinda, ambas parteiras na vida material e hoje ajudam as mulheres no dar a luz a mais um "ser vivente".
Algumas mestras morreram virgens, por isso ganharam o estatuto de princesas quando ingressaram nas moradas do além. Vale lembrar os nomes de algumas princesas como a Mestra Marianinha, a Princesa Catarina e a Princesa da Rosa Vermelha.
"Sou Princesa da Rosa Vermelha
Sou Princesa que venho ajudar
Sou Princesa dos campos de Anadir
O meu ponto venho afirmar
Vinde, vinde, vinde minhas irmãs
Vinde, vinde, vinde me ajudar
Eu sou a Princesa Elisa
O meu ponto venho afirmar
(Jurema de Mesa)
Contudo, não é fácil encontrar, atualmente, a manifestação de tais mestras; encontramos bem mais as chamadas "mestras das esquerda", entidades que em vida material foram "mulheres de vida fácil"; mulheres das ruas e dos cabarés nordestinos.
Homem pequeno
na minha cama não dormia,
Servia de cafetão,
nas horas que eu queria.
Mulher sozinha
é mulher de opinião,
É mulher de muitos homens
más só um no coração.
Eu vou dá uma,
vou da duas, vou dá três,
Se você me arretar,
eu dou quatro, cinco, seis.
Lembremos das Mestras Paulina e Juvina, inimigas desde as "bandas de Maceió"; Mestra Ritinha que se passou com quinze anos na Rua da Guia, antigamente uma das mais populares zonas de baixo meretrício recifense e que hoje abriga bares freqüentados pela alta sociedade da cidade; Mestra Severina que residia no bairro do Pina e passeava no bonde do Loré quando este percorria as velhas ruas da capital pernambucana; Júlia Galega da Zona do Sul...
Tava na beira do Cais
Quando um naviu apitou
Um marinheiro me deu um abraço,
Apertou minha mão, minha boca beijou.
Ela é Julia Galega,
Foi num cabaré onde se passou
Seus cabelos loiros,
Na Jurema ela deixou.
É Julia Galega da Zona do Sul
Ela da lapada, tira o couro e come cru.
(Gira de Jurema)
Tais mestras são peritas nos "assuntos do coração", são elas que dão conselhos as moças e rapazes que queiram casar-se, que realizam as amarrações amorosas, que fazem e desfazem casamentos.
Todo jardim tem que ter uma flor,
Onde tem paz, tem que ter amor.
Home prá ser home, tem que ter mulher,
Dai-me um cigarro quem quiser Amélia chegou.
(Mesa de Jurema)
Muito vaidosas, quando incorporadas elas travestem os seus discípulos de forma a melhor aclimatar a "matéria" as suas performances femininas. Quanto à mudança corporal característica da incorporação das mestras, observamos que quando estão dançando geralmente mantém uma ou as duas mãos dobradas com a palma para fora, na altura da cintura ou quadris. Quando seguram um cigarro, a palma da mão fica sempre distendida e a mostra. Na dança os braços fazem arcos; ficam distendidos ao longo do contorno da roupa; em alguns momentos, geralmente quando se cantam toadas que falam do corpo ou da sensualidade feminina, as mãos passeiam pelo contorno da silhueta corporal.
Quando entre seus afilhados e discípulos no mundo material, bebem cerveja, cidra e champanhe, embora não rejeitem outras bebidas que se lhes ofereça. Gostam de comer peixe assado que é depositado em suas princesas para lhes dar força para trabalhar. Algumas casas, as que se utilizam de sacrifícios a estas entidades, elas recebem galinhas, cabras e novilhas.
Além dos caboclos e dos mestres, vem na jurema, mas com menos freqüência, os Pretos e Pretas Velhas. Espíritos de velhos escravos africanos, peritos em benzeduras e nos conselhos que dão a seus "netinhos" dos terreiros. Temos aqui, talvez, uma influência da Umbanda sobre o culto Juremista.
Contudo a influência dos cultos africanos é melhor expressa na incorporação dos Exus e Pomba Giras ao panteão juremista. Na Jurema eles aparecem como os servos dos mestres ou como mestres menos esclarecidos e mais propícios aos trabalhos para o mal.
Junta-se a este panteão os Santos da Igreja Católica, que são cumprimentados pelos mestres e caboclos, e os quais encontramos referências nas toadas e nas orações utilizadas nos fazeres mágicos ensinados pelos espíritos.
Minha Santa Terazinha,
Vós queira me ajudar.
Os trabalhos que eu fizer,
Outros não possam desmanchar.
Sou massapê,
Barrostroá!
Sou caboclo da Jurema,
Só faço o bem, não faço o mal.
(Jurema de Mesa)
Também encontramos em algumas Juremas os Orixás do Xangô. Em algumas casas se abre as giras de jurema cantando para os Deuses de origem africana depois de saudar Exu. Entretanto as toadas são, geralmente, em português como na Umbanda.
Caboclo Oxossi entrou na Jurema,
Mamãe Oxun levou para criar.
Mas ele é um rei caçador,
É filho da índia da cobra coral.
(Gira de Jurema e Jurema de Mesa)
Além disso, é comum os mestres indicarem serviços a serem feitos com o "povo da bunda grande"(modo como as entidades de jurema se referem ao culto dos Orixás), além de saberem quais os seus próprios Orixás de cabeça. Junte-se ainda o Deus Supremo, que é sempre saudado pelos mestres e caboclos: "quem pode mais do que Deus?" "Salve Deus!"
Os Ritos
Juremação e Tombo de Jurema
Olha o tombo na Jurema
No terreiro Juremar
Vou pedir força a meu pai
Licença pra trabalhar.
(Juremação)
Muitos juremeiros dizem que "um bom mestre já nasce feito"; contudo alguns ritos são utilizados para "fortificar as correntes" e dar mais conhecimento mágico-espiritual aos discípulos. O ritual mais simples, porem de "muita ciência" é o conhecido como "juremação", "implantação da semente", ou"Ciência da Jurema". Este ritual consiste em plantar no corpo do discípulo, por baixo de sua pele, uma semente da árvore sagrada10
Existem três procedimentos para se chegar a "juremação" dos discípulos. Em um primeiro, o próprio mestre espiritual é o responsável pela implantação da semente. Esse mestre promete ao discípulo e após algum tempo, misteriosamente, surge a semente em uma parte qualquer do corpo11. Um segundo procedimento é aquele em que o líder religioso (o juremeiro) realiza um ritual especial, onde dá a seus afilhados a semente e o vinho de Jurema para beber. Após este rito, o iniciante deve abster-se de relações sexuais por sete dias consecutivos, período em que todas as noites ele deverá ser levado em sonhos, por seus guias espirituais, para conhecer as cidades e aldeias onde aqueles residem. Ao final deste período, a semente ingerida deverá reaparecer em baixo de sua pele. Caberá, ainda, ao iniciante contar ao seu iniciador o que viu em sonho para que este reconheça ou não a validade de suas viagens espirituais e, por conseguinte, da juremação. Num terceiro procedimento, o juremeiro implanta a semente da Jurema, através de um corte realizado na pele do braço.
Há ainda, geralmente concomitante a ciência de Jurema, um ritual conhecido como a "Ciência do Cachimbo". Este dará, ao iniciante, força em suas "cachimbadas". Tal "ciência" é dada através do sopro invertido do cachimbo, onde a fumaça é jogada pelo tubo do mesmo, diretamente sobre a pele do braço do iniciante, até que o calor queime o local.
"Tombo de Jurema" se constitui no processo pelo qual muitos dos mestres, que hoje estão no mundo espiritual, passaram para ganhar a "Ciência""Tombam" no pé da jurema e ao acordar estão prontos para trabalhar. Foi o caso do Mestre Carlos, famoso por seu dom de cura nas mesas de Jurema de todo o nordeste.
Ôh de casa Ôh de fora,
Quem é que me bate aí?
É Jesus, Nossa Senhora
As portas me vai abrir.
Ôh de casa Ôh de fora
Louvado seja meu deus!
Com Jesus, Nossa Senhora
Mestre Carlos apareceu.
Mestre Carlos é um bom mestre
Que nasceu sem se incinar
Três dias levou caido
Narama do juremá
Quando se alevantou
Foi mestre prá trabalhar.
(Jurema de Mesa)
Contudo, nos terreiros, o rito foi tornado bem mais complexo que sua referência mítica. O tombamento consiste, então, no oferecimento de alimentos e sacrifícios às correntes espirituais do iniciante. Nele comem o Caboclo, o Mestre, a Mestra, o Exu e a Pomba Gira do iniciante. Acontece ainda a juremação, com a implantação da semente através do corte na pele e a viagem espiritual. A viagem deve acontecer no período que se intercala entre a oferta dos sacrifícios ao caboclo e a preparação das comidas oferecidas em banquete ritual. Ainda durante o sacrifício, o iniciante é levado, durante o transe, para "correr as cidades espirituais".  O interessante e singular neste transe é que os adeptos acreditam que enquanto a pessoa (Ego) é levada para realizar a viagem espiritual, o caboclo permanece no corpo do iniciante.
Concluído o sacrifício, passa-se a preparação das carnes dos animais e a partição das frutas e alimentos oferecidos aos encantados. O caboclo é alimentado com uma pequena porção de tudo que foi oferecido. Findo o banquete, o caboclo é então mandado de volta a sua cidade e o filho deverá contar ao seu iniciador o que viu. Se sua viagem for considerada válida segue-se os sacrifícios às demais entidades: o Mestre, a Mestra, o Exu e a Pomba Gira.
No dia posterior, em animada festa, o caboclo, vestido a caráter, deverá, como na iniciação do Candomblé, gritar o seu nome e também cantar sua toada. O Iniciante também poderá vestir as demais entidades a quem "deu de comer". A riqueza deste ritual completo está intrinsecamente ligada às condições financeiras do iniciante.
Reuniões e Festas
Sexta-feira, 19h30min, seu Malunguinho já está em terra. Os seus afilhados cantam para agradá-lo. A uma ordem do Mestre-Caboclo-Exu, cachaça para os homens, vinho para as mulheres. Eventualmente a bebida feita com a Jurema também é compartilhada pelos presentes.
Ninguém consegue ficar parado. A reunião prossegue e a vontade de dançar aumenta. Muitos ensaiam algumas das coreografias próprias dos toques de macumba. O espaço é mínimo, mas a vontade vence as limitações. O primeiro andar da casa da mãe carnal de Gilmar se transforma em um verdadeiro terreiro.
Outras entidades seguem o caminho aberto por seu Malunguinho e também se comunicam com os presentes através do corpo dos Juremeiros. Em Gilmar vêm o Mestre Junqueiro e a Mestra Paulina. Figuras consagradas dentro da "Sagrada Jurema". Uns ou outros vem, vez e outra, às reuniões semanais na casa/terreiro de Pai Gil no bairro de Brasília Teimosa, Zona Sul da cidade. Assim também é na casa de Pai Carlitos, no bairro do IPSEP, onde é a vez do Mestre Cibamba e da Mestra Severina tomarem a cena e comandarem os "trabalhos espirituais".
Nos terreiros menores, como os supracitados, onde os pais de santo ainda lutam para conquistar um espaço de destaque no concorrido mercado religioso da cidade, são os mestres e outras entidades dos próprios pais de santo que fazem a cena das noites de reunião. Nos terreiros já consolidados, os filhos com "mediunidade desenvolvida", Jurema plantada e cidades assentadas dividem e compartilham com os seus "Padrinhos de Jurema" os trabalhos e consultas a serem realizadas.
"CadaJurema é uma Jurema"; existem muitas formas de se "trabalhar dentro da Ciência espiritual". Existem aqueles que realizam a Jurema de Mesa em seus terreiros. Os discípulos sentam ao redor de uma mesa, em cima destas alguns príncipes e princesas. Após louvar-se o nome do Nosso Senhor Jesus Cristo, exaltar-se a força da Jurema Sagrada e de outras Árvores encantadas, recitar-se uma oração Católica ou a "Prece de Cáritas", abre-se as sessões.
Uma "Mesa" pode ser aberta "pelas direitas" ou "pelas esquerdas". Nas abertas "pelas direitas", só as entidades mais elevadas devem se fazer presentes: Caboclos, Índios, Princesas e Mestres que já estão "perto de subir", todas"entidades de muita luz".Incorporadas elas dão passes, receitam banhos de ervas e defumações, além de cantarem seus pontos, afirmando assim sua força na Sagrada Jurema.
Quando se abre uma mesa "pelas esquerdas" qualquer tipo de entidade espiritual pode vir. Os trabalhos não precisam, necessariamente, visar o mal de alguém, contudo, aberto os trabalhos por este lado da "ciência", já é possível devolver aos inúmeros inimigos, que estão sempre à espreita, os males que estes possam estar fazendo.
Campos verdes, Campos verdes
Campos verdes do Senhor
Vamos virar os contrários
Pra cima de quem Mandou
Com as forças da Jurema
De Jesus Nosso Senhor
Em algumas casas as reuniões nãoocorrem em redor de uma mesa, mas perto da "mesa/altar" onde se encontram assentados os encantados da casa. Por vezes isso acontece pela falta de espaço no cômodo onde acontece a reunião, em outros casos deve-se ao fato do terreiro não possuir médiuns desenvolvidos, em número o suficiente para compor "a corrente" de uma mesa. Contudo as entidades são chamadas, quase sempre, na mesma seqüência quando as reuniões acontecem com os discípulos sentados ao redor de uma mesa.
Orações e saudações feitas cantam-se para abrir a "mesa" e chamar os guias. Em algumas casas estes dão sua presença, afirmando que protegerão seus discípulos durante a realização dos trabalhos. Canta-se então para Malunguinho, o caboclo que pode vir como Mestre ou também como Exu. Para alguns ele é o verdadeiro Exu da Jurema. Em seguida canta-se para os demais caboclos do Juremá: Cabocla Aurora, Índio Tupi, Sete Flechas, Caboclo Guarací, os Tapuias e os Canidés, a própria Cabocla Jurema e seus "Capangueiros" do Além. Incorporando ou não eles são homenageados com toadas próprias.
Subindo o último Índio ou Caboclo, é o momento de todos, exceto o juremeiro-mor, se prostrarem de joelhos no chão e pedir ao Juremá licença para entrar em seus domínios; é que os "Senhores Mestres" já vem chegando...
Ôh, Jurema encantada!
Que nasceu em frio chão!
Daí-me força e ciência.
Como destes a Salomão!
Rei Salomão bem que dizia
A seus filhos juremados
Para entrar na jurema, mestre!
Tem que Ter muito cuidado!
Rei Salomão bem que dizia
A seus filhos juremeiros
Para entrar na Jurema, mestre!
Tem que pedir licença primeiro
Vamos salvar a Jurema, Mestre!
Vamos salvar Salomão
Vamos salvar a Jurema, Mestre!
Que é de nossa Obrigação.
Rei Salomão, Rei Salomão!
Arreia, Rial!
Rei Salomão do Juremá!
Arreia, Rial!
Eu vou chamar senhores Mestres!
Arreia, Rial!
Para com eles triunfar!
Arreia, Rial!
Os discípulos pedem benção aos Juremeiros mais velhos na casa. Saúdam com benzenções a Mesa da Jurema e os artefatos dos Mestres. A Jurema é dita aberta. Os Senhores Mestres começam a chegar.
Parece ser este o momento que todos esperam, a chega dos Mestres e, quando estes se forem, a presença das Mestras. É o momento das consultas que sempre têm clientela certa. Momento onde coisas sérias são tratadas com irreverência, sem que, no entanto percam a gravidade e o apresso dos mestres e mestras, sempre prontos a ajudar a seus afilhados. Nos casos mais graves, entretanto, o mestre logo marca um dia mais conveniente, onde poderá realizar "trabalhos em particular". É assim que o mestre traz os recursos financeiros necessários para a manutenção da casa de culto e do seu discípulo.
As ocasiões de festa, os "toques de Jurema" ou "Macumbas", têm inicio com cantigas para Exu e em seguida para as Pomba Giras. Despachado os Exus, segue cantigas para Malunguinho e posteriormente para os outros Caboclos. Voltando os Caboclos para as suas aldeias, saúda-se a Sagrada Jurema e os mestres começam a chegar. Canta-se para que os mestres subam e iniciam-se as toadas das mestras. Após a subida destas, um Pai Nosso seguido de uma Ave Maria encerra o culto aos espíritos. Seguem-se, então, os festejos com o Ajeum12, por vezes acompanhado de um "Coco de Roda" 13.
A Jurema e o Campo Religioso Afro-brasileiro
Senhores Mestres do Outro Mundo
Do Outro Mundo e deste também
Quero fechar meus trabalhos, senhores mestres!
Nas horas de Deus, Amém.
(Jurema de Mesa, Toada de encerramento)
A literatura clássica sobre o Xangô do Recife tende a colocar como distintas e incompatíveis o Culto à Jurema e o Xangô Tradicional. A tendência é tomar como um dos critérios para identificar o grau de tradicionalidade das casas de santo, a realização ou não de tal culto. Os que cultuam o panteão juremista são logo caracterizados como sincréticos (Umbanda e Xangô-Umbandizado). Entretanto, Pinto (1995) traz para a literatura antropológica a importante constatação de que a Jurema, mesmo que muitas vezes esteja discursivamente invisível, está presente em todos aqueles espaços religiosos.
Mesmo nos Terreiros de Xangô mais tradicionais do Recife, alguns dos quais sem nenhum espaço ritualmente constituído para cultuar os espíritos da Jurema, estes reaparecem nas residências dos filhos de santo ou em terreiros afiliados (para os filhos que alcançaram a senioridade e abriram casas), recebendo culto de diversas formas.
Desse modo, não podemos entender a Jurema como uma forma secundária de religiosidade ou prática mágico-curandeirística. Embora, não possua ela uma existência autônoma, ou seja, ela apareça quase sempre relacionada a outras formas religiosas como o Xangô e a Umbanda, vemos a Jurema como tendo uma importância fundamental dentro dessas formas de religiosidade.
Nas conversas com o povo de santo, as pessoas falam que "A Jurema é quem dá o pão de cada dia", ou seja, é das consultas dadas pelas entidades e dos trabalhos por elas recomendados que vem grande parte do dinheiro para a manutenção da casa e de seus sacerdotes.
Além disso, mesmo almejando iniciar-se no culto aos Orixás e/ou aprofundar-se em seus "fundamentos" (para os que já tenham se iniciado), a grande maioria dos pais de santo iniciam sua carreira espiritual consultando seus clientes e filhos com as entidades de Jurema.
"Que a Jurema é quem traz para o Candomblé. Porque você não vai virar com (...) Oxum pra fazer uma consulta. Totalmente errado (...) Agora receber Pomba Gira, Exu, Luziara (...) Ela consulta o consulente e ele sai alegre e satisfeito. Mas já o Orixá, de maneira alguma. É uma coisa totalmente fina (...) Então a Jurema é mais tranqüila para esse tipo de coisa." (Pai de Santo, Nação Gêge)
Pensando na clientela, juntem-se outros fatores que contribuem para a presença da Jurema nestes diversos espaços religiosos. Para uma pessoa que esteja entrando em contato com a religiosidade afro-brasileira, a Jurema causa menor estranhamento do que o culto aos Orixás. As entidades são brasileiras e foram quando em vida pessoas do povo, as toadas são em português e tanto elas como as conversas com as entidades versam sobre problemas inerentes ao dia-a-dia: dinheiro, trabalho, sexo, amor, saúde, etc.. Isso em um contato direto, face a face, com um ser sagrado14. Além disso, dizem os fieis os resultados dos trabalhos feitos com as entidades da Jurema, além de mais baratos, tem um sucesso mais rápido.
"Eu já sou mais apegado com a Jurema, sabe? Não sou muito apegado com Orixás não. Eu gosto mais do Orixá, mas na hora do aperreio mesmo eu procuro mais a Jurema. Não sei se eu sinto mais força na Jurema ou se é a questão que eles falam, né? Sabem conversar então o santo em si não conversa, o santo chega, faz o que ele tem que fazer e vai se embora. Então, pra mim, o santo não ajuda outra pessoa, só ajuda os seus próprios filhos. Agora, a jurema não, a jurema dá pra encarar de um modo diferente. Que ela... você pede pra falar com um mestre, você concentra, chama o mestre, o mestre vai ver o que está acontecendo, às vezes não precisa nem falar, se é um bom médium mesmo. (..) Ele já fala o que é que tá acontecendo e o que precisa ser feito. Então é isso que me apega mais com a Jurema." (Filho de Santo, Nação Angola)
Também o uso da bebida, que circula entre homens e seres divinos, todos bebendo de uma mesma taça, num crescendo de animação, promovidas pela própria bebida atrelada aos cânticos e danças e pelo contexto próprio, ou seja, um culto de religação como o mundo espiritual (e com tudo o que isso possa significar para cada um dos presentes), leva a mobilização da energia que faz de um aglomerado de pessoas um grupo.
Nesta perspectiva, é de se ressaltar que é o Culto a Jurema entra como um dos elementos que atrai adeptos para os terreiros de Xangô e de Umbanda. Não é apenas o brilho das festas que atrai as pessoas para estas formas de religiosidade. A assistência prestada pelos encantados aos que a eles recorrem, já levou muitos católicos e mesmo protestantes a, em busca de alívio para as "mazelas do mundo", se tornarem juremeiros ou filhos-de-santo. Por outro lado, é nessa rotinização do pensar do grupo - os ritos - que os padrões de pensar e se comportar são passados para as pessoas que buscam o culto. A periodicidade com que acontecem, o fato de serem momentos de sociabilidade, faz das reuniões de Jurema a primeira instância de socialização dos grupos afro-brasileiros do Recife. É através dela que surge o sentimento de pertencimento que mantém as pessoas nos grupos. A nosso ver, atrair pessoas e manter vivo os grupos são o papel destas pequenas festas que são cada uma das reuniões de Jurema. Momento em que se vem fumar, beber e trocar idéias com os seres encantados do "outro mundo".
Citações
  • Para maiores informações sobre a Jurema entre os povos indígenas do Nordeste, ver Koster, 1972;Hohenthal, 1954; Pinto, 1954Pirson, 1972Pereira, 1988Ferreira, 1989Pinto,1995.
  • Dizem que a Jurema Amarga,
    Mas pra mim é um licor
    A Jurema e seus frutos
    Sempre nos alimentou.
  • A Jurema, é um pau encantado!
    É um pau de `ciência', que todos querem beber.
    E se você quer Jurema.
    Eu dou Jurema a você!
  • Cf. Fernandes (1940)
  • Salientamos que o tabaco é utilizado no culto não apenas para o fumo, mas igualmente para banhos, ou ainda mascado e aspergido sobre partes do corpo ou objetos rituais, entre outros usos.
  • Se para Cascudo (1931) o Juremal é um dos Reinos que compõe o além, para alguns juremeiros de Pernambuco e da Paraíba o Juremal é o conjunto de Reinos que formam o além.
  • Ritual que acontece após a morte do juremeiro, quando seu espírito conhece sua moradia nas cidades do outro mundo e tem a permição para baixar nas sessões (Vide Vandazante, 1975).
  • Este termo, usado pelos juremeiros para se referir às representações dos encantados no mundo dos vivos, é o mesmo usado pelos xangozistas para se referir às representações materiais dos Orixás nos quartos de santo.
  • Tambores.
  • Cascudo (1931) interpreta a semente da Jurema como sobrevivência dos sinais das feiticeiras, próprio da magia européia.
  • Para uma descrição mais detalhada cf. Cascudo (1931).
  • O banquete "profano"
  • Dança popular cujo ritmo é próximo, se não o mesmo, do das toadas dos Mestres. As festas dos Mestres masculinos geralmente são denominadas "Coco" (p. ex. "O coco de seu Zé"), enquanto as das Mestras são camadas "Cabarés" (p.ex. "O Cabaré de Carmem").
  • No caso do culto aos orixás, o contato com os deuses é mediado pelo sacerdote, em estado de vigília, e seu oráculo de búzios.
Referências
  • Maria do Carmo Tinôco Brandão
  • Luís Felipe Rios do Nascimento

terça-feira, 24 de maio de 2011

Encantados da Jurema Sagrada

Catimbó

 

________________Encantados da Jurema Sagrada

Tudo dentro da Jurema Sagrada – Catimbó, temos que estudar o início de onde surgiu a Religiosidade do afro – ameríndios.
Ela é concreta, verdadeira tem base na História da Humanidade.
____________Pré Historia fonte veja mais em: http://www.xamanismo.com.br
Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra Xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil.
O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena.
É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.A palavra xamanismo foi criada por antropólogos (ver em xamã) para definir um conjunto de crenças ancestrais.As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana.As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra.
________________A Jurema Sagrada Catimbó é:
  • É a Religiosidade da Natureza,
  •  É a Harmonia do Homem junto a Natureza,
  • É a Harmonia do Homem junto os Encantos dos Animais de sua magnitude ,
  • É o Segredo das Ervas e suas Curas,
  • É a Fusão Religiosas: – Pajelança, – Catolicismo, – Bruxaria Europeia, – Misticismo Africano das Divindades da Natureza, – Magia Cigana.
  • É o Homem ser Encantados, no ato da passagem (morte) na Natureza, e ou em Animais.
  • É o Homem que em vida foi Consagrado Juremado, por uma Mestre e ou um Pajé é no ato da sua Passagem (Morte) do dono de suas correntes o Encanta.
  • É a Reza dos Curandeiros
  • É a Ciência dos Benzedores, 
Curandeiros ou os Benzedores é uma atividade, muitas vezes considerada curandeirismo, de curar uma pessoa doente, aplicando sobre ela gestos, em geral acompanhados por alguma erva com pretensos poderes sobrenaturais, ao tempo em que se aplica uma prece. Constitui-se num importante elemento da cultura popular do Brasil, e tem suas origens no sincretismo religioso.O Benzedor em geral é alguém da própria comunidade, e que recebeu os ensinamentos dos antigos, sempre de forma oral – razão pela qual não há registros sobre eventuais fórmulas, bem como mantêm em segredo a oração que proferem – geralmente não cobrando por suas atividades (embora nada obste que o faça).Origem dos Curandeirismo, e Rezadores são típicos das Regiões Remotas, onde os médicos são escassos, os remédios alopatas inacessíveis. (Norte e Nordeste), A Origem dos Curandeirismo, e Rezadores são dos Pajés Indígenas é patente – sendo que na Região Amazônica ambos os conceitos são sinônimos – com a aplicação de elementos próprios da religião cristã.
________________________Resumo da Origem
 Veja Bem Xamanismo, Pajelança e Jurema Sagrada Catimbó, são coisas totalmente diferentes, derivações.De acordo com os Historiadores e Arqueólogos o domínio da produção do fogo foi um dos principais avanços da humanidade, colaborando para o desenvolvimento da raça humana.Da Pré-História com o Xamas, alguns grupos ficou totalmente isolados e esses passou a se chamar nativos, no Brasil de índios estes cultuo a Pajelança.
___________Surgimento do Espiritismo no Brasil

  1. Pajelança - Comprovadamente os primeiros a fazer contatos com os mortos e os encantaram foi os Índios, sendo os Pajés o seus Sacerdotes.
  2. O Candomblé – Surgimento em Daomê, Africa, com a família do Orixá Nana que são os povos mais antigos da terra. Acredito que seja uma evolução do Xamãs do período paleolítico que teve o politeísmo. Candomblé e o culto as Divindades da Natureza.
  3. Jurema Sagrada Catimbó – Em 1532 a 1536 onde se deu início a colonização Brasileira.
  4. Tambor de Mina Nago – Em 1750-1850, O Maranhão foi importante núcleo atração de mão de obra africana, sobretudo durante o último século do tráfico de escravos para o Brasil ( veja mais a baixo sobre.)
  5. O Kardecismo, Allan Kardec em 18 de abril de 1857, iniciado a publicação das Obras da Codificação em, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo kardecista.  
  6. Umbanda – Em 15 de novembro de 1908, Zélio de Moraes com o seu guia Caboclo da Sete Encruzilhada.
  7. Quimbanda  1908 no mesmo período, veio do povo de Malei sendo o seu o 3 Anjo Rei Astaroth ou Exu Rei das 7 Encruzilhadas Astaroth junto com ele veio 6 anjos ao total 7 anos banidos do Céu o principal anjo sendo Lúcifer, Algumas Mestras Esquerdeira Migrou se totalmente para a Quimbanda, tais como Maria Mulambo e Padilha e ser deu o Título como a Rainha da Quimbanda como a Mestra Maria Padilha que passou ser a Pombo Gira Rainha Maria Padilha, parente do Coronel Apolinário Padilha, teve seu Cabaré no Bairro Jaraguá em Maceió a Quimbanda nasceu na mesma época, da Umbanda nasceu.
  8. Omôloco – É um sacerdote que tem missão espiritual em uma das 7 partições de espiritismo e difundido, mistura dois ou mais princípios em um só culto, não sendo puro as suas raízes.
______________________Conclusão Final
Sendo assim conforme observamos que a Historia da Humanidade a jurema Sagrada é a religião Brasileira sendo a pajelança a sua base, o que vem depois sendo cultuado dentro da jurema sagrada passa ser omôloco, que é o misticismo difundido, misturado.Na Jurema Sagrada não tem a existência de Exu, Pomba Gira, e pouco menos de Orixá.
_____________________Tambor de MinaOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de Negro Mina de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina jejes e mina nagôs.O tambor de Mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão. No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.A discrição no transe e no comportamento em geral é uma características marcante do tambor de mina, considerado por muitos como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Nos recintos mais sagrados do culto (peji em nagô, ou côme em jeje), penetram apenas os iniciados mais graduados.Veja mais sobre o Tambor de Mina Nago na fonte de pesquisa.(http://pt.wikipedia.org/wiki/Tambor_de_Mina )
Na Encantaria do Tambor de Mina Nago,tem o elo dos encantados e o Orixá como já falamos, e a Encantaria tal como o mestre, Luiz, Simbamba, Rita Preta, Rei da Turquia e suas filhas Princesa Mariana, Jarina e Erondina entre tantos outros.Uns Mestre do Tambor de Mina Nagô migraram para a jurema Sagrada, Raimundão da Jurema, Nego Gérson, Mestre Luiz e Chiquinho do Maranhão por isso que o mestre louva em seu lírio a Oxum, mais uma vez afirmando que faz parte da encantaria do Grão Para.
___ Minha Mãe Oxum sua bandeira e forte, meus inimigos eu arrebento e no chicote.
___________________Jurema Sagrada Catimbó___________________Sua História e seu Legado
É o que se deixa ou se transmite a qualquer sucessor.
______________Princípio do Catimbo é a PajelançaOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ritual místico realizado por um pajé indígena, com o objetivo de curar, prever o futuro, etc.Podemos dizer que a pajelança é uma forma de benzedura.É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote.O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânica dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não indígenas) mais comuns no Norte e Nordeste brasileiro.
____________Afinal…Quem são Os Pajés ?
Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto. Um aspecto curioso quando se fala em Pajelança, no Brasil, aqui Pajé é sempre somente do sexo masculino – primeira geração, que passa de pai para filho.Para ser um Pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, deve ter muitas força mental (paranormalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas bio cósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade.Entre as diversas tribos, como os Yanomamis, os Waiúkas (aldeia no meio da Mata Amazônia que nasceu o Príncipe das Águas Claras Rio Verde que foi um Pajé em vida), Kraôs, Caiapós e Gaviões, Tupis, Tupinambas, varia muito o conceito de pajelança, mas eles tem alguma coisa em comum:
O misticismo e o segredo.
Você as vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento) .O pajé penetra na área da encantaria, uma outra vertente da grande magia que pouca gente conhece, que é passar para uma outra dimensão e e muitos dele quando retornam dessa experiência, voltam curados.A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazônia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal.É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena .Pelas suas ações, o Pajés tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outros atos com objetivos diversos.
____________Pajelança Indígena :
PAJELANÇA (do Tupi Pajé, curador, sacerdote) é um termo genérico aplicado às diversas manifestações dos povos indígenas Brasileiros. Refere-se aos rituais nos quais um especialista entra em contato com entidades não-humanas (espíritos de mortos, de animais etc.) com o fim de resolver problemas que acometem pessoas ou coletividades.
_____________Pajelança Cabocla_______________ ou Catimbo
(caboco é o homem do sertão que lida com o Gado)
A Jurema de Caboclo que é o Primeiro Reinado da Jurema Sagrada que nasceu dentro da aldeia dos Índios Tupinambas, Tupi é a Jurema onde eu sou Consagrado.Dai o surgimento de mais 11 reinados que faz ao todo 12 Reinos.A Pajelança cabocla (também chamada de cura, linha de pena e maracá, linha de sacaca e diversos outros nomes) é uma manifestação religiosa não-indígena, difundida pela Amazônia e parte do Nordeste do Brasil (Maranhão e Piauí).Combina elementos do catolicismo popular, das culturas indígenas, da Jurema Sagrada e do Tambor de Mina e da Encantaria, da medicina rústica e de outros componentes da cultura e da religiosidade popular.Caracteriza-se, entre outros aspectos, pela ênfase no tratamento de doenças e aflições, por um transe de possessão característico, com “passagem” de diversas entidades espirituais em uma mesma sessão, e pela presença de certas práticas como o uso de tabaco e outras substâncias para defumação.Esses elementos associam a pajelança cabocla a outras manifestações religiosas populares encontradas no Norte e no Nordeste brasileiros, como o Catimbó Jurema, o Toré e o Candomblé de Caboclo.A Jurema é encontrada no Amazonas, Nordeste, uma religião autóctone, que foi gerada por elementos exclusivamente ameríndios.As curas e rituais são realizados pelo PAJÉ, com danças, cantos, e o instrumento sagrado, o MARACÁ, um chocalho e o uso de alcaloides vegetais, que possibilitam o transe.Cada região tem entidades distintas que são invocadas, porém sempre são espíritos da natureza, de animais ou de antepassados mortos. No Piauí, a Encanteira mescla a pajelança amazônica com o catolicismo popular.
________________Jurema é uma Árvore
Da família das Acácias tem:
  • Jurema-preta,
  • Jurema-branca,
  • Jurema Mimosa,
  • Angico também e da família das Acácias
  • ->->-> As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo:
  • Os Egípcios e Hebreus, Veneravam a “Acácia nilotica“ (Sant Shittim); Os Hindus, a “Acácia suma” (Sami);
  • Os Árabes, a “Acácia arabica” (Al-uzzah);
  • América do sul, Os povos indígenas do oeste da veneravam a “Acácia cebil“ (vilca); Jurema Angico
  • Jurema do Egito, (Acácia nilotica )
  • Índia, “Acácia suma” (Sami)
  • E os índios Brasileiros principalmente do Norte e Nordeste cultuam a “Jurema Preta” (Mimosa hostilis),
_______Influência Católica 
No processo de “Evangelização” imposto aos indígenas Brasileiros pelos Jesuítas, a figura do Messias Civilizador Yurupari não foi transformada em decalque do “Cristo”, mas sim aproximada ao “Diabo” dos Católicos.Ou seja os Jesuítas não enfatizava a presença de Cristo para os índios mais sim que os seus atos de Pajelança era culto ao demônio, dai surgimento que todo os espíritas pratica culto ao Diabo.Embora os Jesuítas tenham adotado pessoalmente a sua erva sagrada “Petun” (Tabaco), o qual era usado para provocar transe mediúnico nos indígenas (Pajés), transformando o uso dessa “erva sagrada” em um vício profano que, ao longo do tempo, tornou-se uma praga social universal.Os índios, com os primeiros aportes isolados da religiosidade e dos negros Bantus, quase sempre escravos fugitivos que encontraram guarida e proteção na Pajelança e no culto dos Encantados, que esboçaram o Culto da Jurema Sagrada, no qual, agora, as cerimônias perdiam o sentido de função social da coletividade para transformarem-se em cultos individuais de satisfação de necessidades pessoais quer de Índios, Negros ou Mestiços, ainda que de natureza espiritual, curativa ou de ligação com os antepassados de todas as etnias.Os escravos fugitivos se escondiam na Mata, muitas vezes em aldeias indígenas.Rei Malunguinho, origem Banto, que quer dizer amigo ou companheiro dos líderes Quilombolas Malunguinhos, cujo último líder destes Quilombos foi morto em combate nas Matas do Catucá (Quilombo que se estendia desde as matas de Beberibe, na divisa Recife com Olinda até Goiana), em setembro de 1835.(Veja no Link deste site - http://juremeironeto.wordpress.com/mestre/quilombo-do-catuca/ )
As variações, miscigenados Indígenas – cristãos – africanos, tais como :
  • Toré, de Índio,
  • Tambor de Minas, e um culto a Encantaria no Norte,
  • Jurema Sagrada, Nordeste
  • Entre outras atividades de festas que foi a sociedades faz são de origem indígena.
_____________Os Colonos Brancos e Misticos
Assimilaram as soluções indígenas que, na prática, provavam ser eficientes nesta nova terra: trocaram o trigo pela mandioca, o leito pela rede, o vinho pelo cauim; aprenderam a fumar e começaram a gostar dos frutos e das filhas desta terra, iniciando a primeira miscigenação racial deste país, gerando filhos mestiços que foram muito apreciados como elos das alianças com as tribos indígenas, alianças estas que os colonos precisavam estabelecer para sobreviver aos ataques das tribos de nações indígenas inimigas. 
____________E os Branco com Negro e Mulatos
Surgiu assim o Mulato (Vem de Mula) não carrega o nome do Pai Branco.Da fusão destes novos cultos de Caboclos e Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade dos negros Bantos, foi que se esboçou o segundo sincretizamo religioso brasileiro – o Culto do Catimbó Jurema.
___________________O Catimbó____________Feitiçaria Européia Á Pajelança
Jurema Sagrada como tradição “mágica” religiosa ainda é um assunto pouco estudado.É uma tradição nordestina que, em suas múltiplas formas atuais, revela influências as mais variadas, e que vão desde a feitiçaria Européia até a Pajelança indígena, passando pelas religiões Africanas, pelo Catolicismo popular, e até mesmo pelo Esoterismo moderno e pelo cristianismo esotérico, além de, em certos casos, estabelecer a diferença principal entre as práticas do catimbó, A Jurema já era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos Tupis e o dos Cariris também chamados de Tapuias.
________Primeira Casa Aberta do Catimbó
_________ Jurema foi de uma Índia

Os Tupis se dividiam em Tabajaras e Potiguares, que eram inimigos entre si.Na época da fundação da Paraíba, os Tabajaras formavam um grupo de aproximadamente cinco mil índios. Eles ocupavam o litoral e fundaram as aldeias “Alhandra e a de Taquara”.Tudo teria começado com a índia Maria Gonçalves de Barros, conhecida por Maria Índia ou Maria do Acaís I, que teria recebido do Imperador Dom Pedro II as terras do Açaís, em Alhandra PB, onde teria assentado moradia.Maria Índia ou Maria do Acais I teria dado inicio a primeira casa de Catimbó oficial no Brasil, usando da Jurema Sagrada para curar os mais variados males.Como Maria Índia ou Maria do Acais I não teve filhos, a sua sobrinha, Maria Eugênia Gonçalves Guimarães, recebeu a herança da Tia, e logo ficaria famosa como sendo a “Madrinha Mestra de Todos os Juremeiros” Maria do Açaís, passando a manifestar dai orientações espirituais do Mestre do Cruzeiro de Luz Mestre José Galo Preto, conforme uns dos Lírios da Mestra diz:
Galo Preto Urunanisco,Que Cantou no Meu Terreiro,Cantou no pé da Jurema oh Meu Jesus,Lá no Pé do Meu Cruzeiro,Quando eu passo nesta mesa eu passo para trabalhar…..
E o Mestre Zé Pelintra que e o Mestre considerado Padrinho da Jurema o Rei do Catimbó, Lembrando que ele não é um Exu e sim mestre na Jurema. no Catimbó, não tem Exu e não se cultua o Orixá.A Jurema Sagrada era denominada originalmente de CAATIMBÓ (Fumaça do Cachimbo).Hoje em dia, não se usa, pois, o termo foi deturpado, e é generalizado como Feitiçaria e Bruxaria de Malefício, que se originam dos mestiços da Caatinga “Catingueiros” , que as pessoas falava cuidados com o catimbó ou seja a fumaça do cachimbó, que na grande realidade a força do Juremeiro tá no seu cachimbó.
__________São Sagrados para
_________Os Juremeiros ou Catimbozeiros:
 
  • O chão, – Os Rios, – Os Lagos,
  • As Fontes de Águas, – As Matas,
  • Os Animais, – As Chuvas, – O Vento,
  • O Mar, – O Ar que respira,
  • Os Alimentos que ingere,
  • Os Antepassados, e As pessoas Vivas.

    ____________Cerimônias
    ____________Para um Iniciados
    ____________Juremeiro ou Catimbozeiro.
Do Reino do Juremal , Reino de Tupã (Rei Tanaruê) ou Jurema de Caboclo que é a minha Rama.É uma Religião fechadas tendo todas as Cerimônias fechas somente aos que são consagrados e os que estão sendo iniciados.O Discípulos Apontados, após entrar na Gira permanece 01 para ser Batizado e cada Renovação da Jurema Sagrada da minha Rama, São realizada de ano em ano até o setímino ano, sendo consagrado Juremeiro Mestre após passar pelos atos do Cruzeiro de Luz que e por determinação do Dono das Correntes após Sete ano de Consagrados.Clico Do Iniciados na Jurema Sagrada do Reino do Juremal ou Jurema de Tupã.
  1. Iniciado – Pessoa que faz parte da casa mais ainda não passou por nenhum preceito do catimbo, frequenta a casa 01 ano para entrar na giras.
  2. Discípulo Apontado. – O Iniciado após passar pelas cerimônias de descarrego, e banhos de ciência para puxar as correntes são autorizado pelo o encantados Mestre da Jurema a entrar nas Gira a fim da dar início ao desenvolvimento, A Religião dos encantados sendo o primeiro a ser invocado é o caboclo; após 01 ano que esta na Gira é for autorizado segue para o próximo passo.
  3. Batizado. – E Quem recebe o Batizado passando ser Juremeiro, sendo a consagração o iniciado e um Juremeiro Batizado, período em media de 5 dias para a realização em Atos, é são totalmente internos; após 01 ano.
  4. Firmar As Correntes – É o Juremeiro consagrado o primeiro Elo das Correntes do Discípulos; , esse Elo e um Encantado que é invocado para a Croa do Juremeiro Leva em media entre buscar na natureza os artefatos do encantados, e atos internos são 10 dias.
  5. Mesa de Consagração; É quando O Juremeiro passa pela mesa da Jurema e esse ato na minha rama e fechado somente aos consagrados, realizados grande parte na natureza, e outros fechados para o discípulo chegar a ser consagrado na mesa do Reino do Juremal leva em media 3 a 4 anos após ser íniciado, realizados em 2 semanas.
  6. Renovação da Jurema, são todos anos entra mais um elo na corrente ou seja mais um encantado e consagrado para o Juremeiro, ou seja mais uma Encantado e Consagração da Corrente do Juremeiro.
  7. Consagração do Cruzeiro de Luz, Mestre Divino o Cruzeiro de Luz, É realizado após fechar o clico das correntes que leva de 7 a 9 anos depende do dono das correntes acha que o Juremeiro já esta preparado para a recebe o Titulo de Juremeiro Mestre.
  8. Consagração a Mestre, É quando o Juremeiro Mestre tem a sua terceira descendência, ou seja o seu Neto consagrado tem o seu Primeiro Discípulo batizado.
O Mestre de Jurema e de sua Obrigação esta presente em todos os Batizados e firmeza de corrente, e mesa de consagração de seus Discípulos Neto.É quando o seu Discípulos Netos tem o seu Primeiro Discípulos Batizado, o Juremeiro Mestre passa a ser Padrinho Bisavô, Nas suas Oferendas Anuais a sua corrente e lhe dado o título de Mestre de Jurema Catimbó.Que um Mestre Vivo, temos alguns mestres vivos respeitados no Nordeste.
___________As Correntes Dos Encantados do Catimbó 
 Por ordem do primeiros ao ultimo que chega nas correntes do Discípulo, mas e quase impossível um discípulo ter todas as linhas.E não é mais ou menos importante que e consagrado a caboclo ou a mestre ou a um Príncipe etc.A Grande força da Jurema e o Discípulo ser consagrado corretamente para que o dono de sua corrente possa lhe passar a Ciência do catimbó, se não vai ser mais um rama sem frutos. 
_______________ As Correntes de Encantados
 Por Ordem, mais conforme cada discípulos muda a ordem de consagração uns o dono das correntes são Mestres, outros Mestras ou Boiadeiros etc.
______________Os Reis e Rainhas São Espíritos Encantados Milenares que por sua Antiguidade e de Grande importância e feito para a Humanidade, podem atuar nos fenômenos naturais em beneficio da humanidade, como Rei Salomão e Rei Malunguinho, Rei Tertuliano, Reis Tupinambás, Reis Canindé etc.Reino das Águas Claras ou Reino de Rio Verde tendo a sua Rainha Aurora e seus Príncipes Rio Verde, Rio Negro, Rio Mar ou Maresia, Princesa Flora, Príncipe Boto, Marujos, Serreias, esse reinado só são de encantados. Mais cultuados no Tambor de Mina Nago.
____________Os Príncipes e Princesas
São Parecidos com os Encantados, com a diferença de que estão ligados à Natureza em si, como o Príncipe das Águas Claras Rio Verde, e a Mestra Maria Luziara e encantada na Flor da Jurema Preta, há quem se encantaram em plantas nem animais e tem que ser virgens, ou serem encantados pela sua correntes, e quando e encantado com Príncipe e Princesa e de merecimento pelo grande feito na Terra.

____________Os Caboclos (a)
São os índios que em vida foi consagrado ou encantado pelos Pajés, no Catimbó a maior força da Jurema é a linha de caboclo. 

  • Os Pajés Espíritos de Antigos Indígenas das terras Brasileiras, que são responsáveis pela cura através das ervas e encantar os seus principais guerreiros, são os feiticeiros das matas, os pajés são os sacerdotes com poderes entre os vivos e os encantados. São eles os responsáveis pela consagração na jurema sagrada dos membros das aldeias. E quando os homem branco, negro, mestiço buscou abrigo eles tiveram orientação paranormal de seus mentores espirituais para consagrar tais pessoas para que levar para outras terras um parte da cultura indígena afim de evolução espiritualidade.
  • Os Cacique São Os chefes das Aldeias
  • Índios Guerreiros São os Preparados para a guerra entre aldeias e proteção de seu povo.
  • Índios Caçadores São os Preparados para buscar a caça afim de alimentar os anciãos e mulheres da aldeia.
  • Caboclos Crianças ou Mirins São os meninos índios das aldeias uma deles são: O Caboclo Tupi Mirim, Cabocla Jacira, Canindezinho entre tantos outros.
____________Os Caboco,Espíritos Sertanejos Ligados ao interior, são ligados a Vaquejar Gado. Os Tangerinos, Vaqueiro e Boiadeiros geralmente são todos oriundos do Norte e Nordeste do Brasil tais como:
  • Tangerinos: Tange o Gado geralmente a Pé pelo sertão levando a boiada de um estado para o outro. Profissão já extinta era da pré História do Brasil.
  • Boiadeiros: Peão que cuida do Gado e animais da fazenda e toca o gado a cavalo de uma fazenda para outra, utilizando o berrante.
  • Vaqueiros: São Homens Valentes que busca o Gado Criado na Brabeza
Os Encantados São espíritos elementares ou sendo espíritos ligados à natureza que no momento da morte se encantaram em animais e plantas. Os Caboclos e Cabocó também são em geral Encantados.Temos Alguns Mestres que são de catimbó e são encantados somente na mesa da jurema não são encantados como os reis a cabocó.
______Os Mestres e Mestras
São espíritos dos antepassados, pessoas que quando vivas cultuavam a Jurema e que depois de passar, trabalham nas sessões de jurema.
Os Mestres são conhecedores da ciência das ervas, benzedores, umas parteiras, ou mesmo teve uma vida mundana mais na sua vida intima ajudava muito as pessoas com a sua jurema isso e no caso de algumas mestras que se prostituía para viver.Os Mestres e as Mestras veem em diversas linhas ou chamadas, as principais são:São espíritos de pessoas do nordestina e nortista, em geral era consagradas em vida era juremeiros, ou índios que passou a viver no meio do homem foi cateterizados, são de dois tipos:
  • Os Mestres (as) da Direita:
    São Os Encantados que tem uma evolução espiritual mais elevada e tem mestria de decernir o Bem e o Mal, agindo conforme a necessidade da situação, tem grande conhecimentos das ervas, garrafadas e magias, geralmente são mais sérios, mais calmos e muitos serenos .
     
  • Os Mestres(as) da Esquerda:
    São Os Mestre Esquerdeiro, alegres despojados, em linha geral tem uma comunicação e identificação maior com os discípulos, na gira da Jurema os discípulos aguarda com ansiedade para a sua chegada. Trabalhadores de Descarrego pesado faz e desfaz conforme a necessidade de seus afilhados.
_____Os Pretos (a) velhos (a)Antigos Rezadores do Brasil de descendência africana, mas não são todos os pretos velhos de umbanda que foi consagrados em vida e sou mestres da Jurema. Pai Joaquim, Pai João entre outros são Mestres Pretos Velhos, e na Jurema tem uma desenvoltura maior dança e se movimenta mais agiu. 
_____Ciganos(as):São geralmente os que chegaram nas embarcações três marias em Maceió, se alojaram na grata do Jacintino veja a Historia da Mestra Paulina que era filha de Ciganos e seus Pais morreu no caminho ate o brasil e foi criada pela Zefa 6 dedos. Muito Ciganos entrou por Maceió e seguiu para o interior do nordeste e se alojaram em aldeias indígena e foram consagrados.
______Bruxas(os) e EsquerdeiroSão mandingueiros, benzedores, fazia garrafadas para curar e para matar, rezava para o bem e para o mal. Caracteriza-se como uma corrente mais pesada, porem são muito queridos e quando eles tem afeição por um discípulos. Nada de mal lhe ocorre.
______________Cargos do Catimbo ______________Reino do Juremal e ou Tupã
  • Discípulos Apontado;
  • Discípulos Batizado são os Juremeiros.
  • Juremeiro Mestre – São os Juremeiros que adquire sete anos, e de todas as renovações completas no seu tempo exato.
  • Mestre – São os que passar ter a terceira geração e tenha acompanhados todos de perto.
  • Padrinho ou Madrinha de Jurema – Os que faz o encantamento e consagrada os iniciados
  • Padrinho ou Madrinha de Vela o Batismo – São os que ajuda o iniciado é responsáveis por zelar das correntes e esta sempre ao lado do Juremeiro.
  • Guardiões, – Guardiões ou Guardiãs São Os que não tem incorporação, não manifesta com os encantados, já nasce Mestres, porem tem que passar por todos os preceitos a ser considerados mestres ou seja os 7 anos, Funções :
 Guardião do Tambor – Toca qualquer instrumento do catimbo. Guardiã de Sala – Responsável pelo bom andamento da sala. Guardião do Peji – cuida e Zela do Peji da casa e firmezas Guardião ou (ã) de Mesa - São Responsável pela o bom andamento dos cultos internos tais como batizado ao tudo que esta ligado ao catimbó.
_>>>
Guardião da Jurema do Padrinho Mestre:
- 
O maior cargo dentro da Jurema dos Guardiões e o, é de alta responsabilidade e de total confiança, ele pode estar presente em qualquer atividade da casa e o braço direito do Mestre. Podemo realizar varias atividades dentro do Catimbó, na minha rama esse Guardião e o Juremeiro Ronan Junior consagrado ao Caboclo Rei Sultão das Matas.
________________Abertura da Gira de Jurema 
A abertura da mesa é uma liturgia simples, mas significativa e bonita.Lidamos com uma pratica ritual pouco elaborada de forma que algumas poucas coisas podem ser destacadas como de beleza própria.Antigamente, os mestiços ficavam abaixados no meio dos Matos escondidos da policia. Se fossem flagrados, eram todos mortos ali mesmo, e não podiam ser enterrados nos cemitérios da cidades.Enterrava-os no meio da caatinga, debaixo de um Pé de Jurema Preta, ou de Uma árvore de seu encantamento.Anterior ao Século XX, os Índios, e uns Afro-ameríndios, eram analfabetos e perseguidos pela igreja e governantes como feiticeiros e bruxos.Esse fato impossibilitou o não relato escrito de sua religião.Por esse motivo, os conhecimentos da Jurema Sagrada – Catimbó vieram através dos espíritos dos Caboclos Mestres, e Mestres(as), mediante falas / verbalizações, o que chamamos de Ciência dada pelos Mestres.
O SEGREDO DA JUREMA TODO MUNDO QUER SABER E COMO SEGREDO DA ABELHA TRABALHA SEM NINGUÉM SABER.

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SARAVA O REINO DAS ÁGUAS CLARAS DO PRÍNCIPE DAS ÁGUAS CLARAS RIO VERDE”
Salve a Jurema Sagrada
Saravá Tupã,
Oke, Oke! Caboclo,
Saravá Os Senhores Mestres,
Salve a Senhoras Mestras,
A sua benção a Todos Os Encantados da Jurema Sagrada,
A Benção de Todos os meus Irmãos Juremeiros
A Benção aos meus Padrinhos Espirituais,
Cidade do Tronco da Jurema Sagrada Príncipe das Águas Claras Rio Verde “


Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei





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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.