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sábado, 30 de novembro de 2013

Os Guias nos Veem Como Realmente Somos

 
Olá queridos!
Sabe aquela pessoa que dá a impressão de fazer tudo errado?
Ela é folgada, preguiçosa, fala mal de todo mundo, falta no trabalho à toa, só vê o lado ruim das coisas, enfim, aquele irmão que a maioria faz questão de se afastar.
Bom, um belo dia você chega no terreiro, recebe seu guia, sente aquela energia maravilhosa e, quando menos espera, seu primeiro consulente é aquele irmão de quem você prefere ficar afastado.
Se você for inconsciente não há problema algum, afinal vc não vai se lembrar, agora se for consciente, ou semi-consciente, vai sentir aquele “ai senhor, justo comigo?!”.
Sim meus queridos, apesar de estarmos ali, na força do guia, totalmente voltados pra caridade, nos policiando para sermos melhores, ainda somos humanos e, muitas vezes, julgamos sem perceber.
Bom, daí o filho chega e o guia dá aquele abraço apertado e gostoso nele. Nisso você sente que o filho está cheirando a bebida e lá vai você julgando de novo.
O passe corre tranquilo. O guia, na sua infinita sabedoria, ama aquele filho. Não importa se ele já roubou, se trata mal todo mundo ou se chuta o cachorro.

 
Aquele filho, que pra você é o exemplo do que não fazer e, ao invés de tentar aprender com os erros do seu irmão, você simplesmente se afasta dele, é o filho mais lindo pro seu guia.
Sabe por quê? Porque enquanto ele estiver ali, na frente do guia, procurando ajuda, é porque lá no fundo existe amor. Um amor escondido, que leva esse filho até o seu guia a pedir ajuda sem nem ele mesmo saber o que está fazendo ali.
Os guias não enxergam aquilo que somos por fora, eles enxergam aquilo que está dentro de nós. E apesar de muitas vezes acharmos que esse ou aquele irmão já se perdeu, os guias nunca desistem da gente. Porque eles são a face de Deus mais próxima de nós. E Deus nunca abandona.
Então, da próxima vez que você achar que pode julgar alguém que pede ajuda, lembre-se de que cada um está num estágio de evolução. Cada um de nós, inclusive você, precisa aprender a evoluir a cada dia. E Deus nos concede essa evolução, esse aprendizado, através de caminhos que nos parecem tortos porque não são os caminhos convencionais, mas sim caminhos de extrema provação e dificuldade.
E vocês podem ter absoluta certeza que o Guia do filho que você julgou está sempre com ele. Mesmo quando o guia não pode mover uma palha em prol do filho, porque a caridade só pode ser feita quando a pessoa se deixa ser ajudada, o Guia está ali, pra chorar conosco, do nosso lado, dando seu ombro amigo, seu abraço de luz pra nos consolar.
E de repente, quando menos esperamos, a vida começa a ficar colorida, as coisas começam a dar certo, as provações começam a ser mais brandas. Aquele irmão “torto” começa a ter benefícios na vida, apesar de toda a grosseria, de todos os erros. E você pode pensar “puxa, eu aqui, fazendo a caridade e ele, que só trata todo mundo mal, consegue um emprego melhor, mais dinheiro, mais tranquilidade”. É meus amigos, aquele irmão tão “torto”, através do amor do guia que você incorpora, vai se deixando levar, sem perceber, para a luz. E a melhoria na vida dele é só um estímulo pra que ele consiga cumprir suas provações até o fim e não desista de tentar se melhorar.
Os guias, apesar de todas as máscaras que usamos no dia a dia, nos enxergam como somos. Não adianta se disfarçar de bonzinho, caridoso, gentil, se lá no fundo você for diferente. Assim como não adianta usar máscaras de  “malvados” pra ocultar o amor que existe em nossos corações, e que os guias, na sua infinita sabedoria, sabem procurar e achar lá no fundo.
 
Ana Lídia
Dirigente da Casa da Vó Maria Rosa e Povo do Oriente
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O “erro” é dos Homens e não da Umbanda



Axé a todos! Sem nenhuma conotação de superioridade me sinto uma pessoa muito privilegiada. Vivencio com centenas e centenas de pessoas, espíritos e situações diariamente, fato que me proporciona um intenso aprendizado, que exige muita disciplina e muita capacidade de discernir.
Algumas vezes consigo lidar bem com as situações, outras, ainda me perco dentro de tantos deveres, obrigações, saberes e conduta.
No entanto, procuro refletir sobre o porque de não conseguir ‘lidar com tal situação’ e na maioria das vezes chego a mesma conclusão: o erro está no “olhar”.
No Olhar para com o outro, com o intangível, com o Além e com as possibilidades.
Percebo que muitas vezes o Limite do Olhar nos enraíza em determinadas situações deixando-nos às avessas e cheios de indagações e inquietações.
Outro dia ouvi uma Entidade Espiritual dizer que, metaforicamente, algumas vezes parecemos “cães pulguentos, sarnentos e perebentos” de tanto que nos maltratamos e nos cutucamos compulsivamente, de tanto que as pessoas se afastam de nós, de tanto que contagiamos mal as outras pessoas.
Uma metáfora provocante, não é mesmo?
Pois bem, também ouço afirmativas do tipo: “a Umbanda não resolveu (ou não resolve) meu problema”, “o Guia não ajudou em nada”, “o Guia prometeu, afirmou e não aconteceu, o Guia errou!”, “faço tudo que me pedem e nada melhora”, “o que os Guias falam nunca acontece” e assim por diante. Mas será que as pessoas que fazem tais afirmativas não estão sendo como “cães pulguentos, sarnentos e perebentos”? Será que sabem quem são? Que enxergam suas próprias condutas? Que entendem o que é a Umbanda? Uma Entidade Espiritual? E quais suas funções, obrigações e missões? Ou apenas ficam a espera do outro numa posição em que se misturam vitimismo, agressividade, falta de reconhecimento e pouco Olhar.
Sim, são muitas as situações. Mas percebo que as pessoas não compreendem a complexidade que é o trabalho de uma Entidade Espiritual, a responsabilidade que os envolvem e as inúmeras consequências que acarreta um “simples” ato, seja no plano astral ou material. Não percebem as inesperadas reações que as Entidades sofrem depois de uma ação adversa da própria pessoa que está sendo auxiliada. Não entendem que muitas vezes as Entidades têm que mudarem de plano, de estratégia ou mesmo, têm que recuarem demonstrando um verdadeiro ‘jogo de cintura’ devido às atitudes incoerentes, erradas e inoportunas do próprio necessitado que julgam o fracasso da Umbanda ou das Entidades.
Pior ainda é perceber que muitas pessoas acham que a Umbanda ou os Guias Espirituais têm obrigações perante aquela pessoa ou sofrimento, portanto devem, a todo custo, resolver o problema e ponto final. Confundem drasticamente caridade com troca e obrigação; amor com soluções mágicas e egoísmo; fraternidade com abuso e comodismo; ou ainda a pessoa ou  Entidade Espiritual bondosa com um ser tolo e ignorante que é “levado” facilmente por qualquer situação, fala, choro ou chantagem emocional.
Enfim, reflexões, olhares, mudanças e muita persistência faz da Umbanda uma religião grandiosa e realizadora.
A fé, a dedicação, o trabalho e a disciplina fazem do umbandista uma pessoa de crença e propícia às curas, sejam elas do espirito, da matéria, do coração ou da vida.
Agora… o Olhar Além, o Olhar do Bem, o Olhar para si e o Olhar das possibilidades da vida é que fazem bem, que curam a alma e que nos permitem entendermos as metáforas, simbologias, necessidades e os merecimentos da Vida.
Portanto, a questão primordial aqui é entender que, quando a “Umbanda não resolve” ou quando o “Guia não ajuda” estamos tendo uma grande oportunidade para MELHORAR NOSSO OLHAR SOBRE A VIDA.
Axééé…
Imagem: peça do Entalhador Cláudio
arte nascida nas ruas de Olinda
Escrito por Monica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Salve Ogum!


Ogun deus da metalurgia e tudo que está ligado ao ferro
Ogun deus da metalurgia e tudo que está ligado ao ferro
Ogum é o orixá da guerra, da coragem, o protetor dos templos, das casas, dos caminhos.
Ogum precede os outros orixás, vindo logo após Exú, e recebe também parte dos sacrifícios dos outros orixás pois foi quem que forjou o obé (faca usada nos rituais para oferendas de sacrifícios).
Era um guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos.
Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros estados e apossou-se da cidade de Irê, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, “Rei de Irê”.

Características dos filhos do orixá Ogum

Os filhos de Ogum são o tipo das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos.
São do tipo de pessoas impetuosas e arrogantes, mas que devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.

Dias, cores, comidas e saudações a Ogum

  • Dia da semana consagrado a Ogum: Terça-feira
  • Cores: azul escuro, azul marinho, azul cobalto, vermelho;
  • Símbolo: idá (espada de ferro);
  • Contas: azul escuro, vermelho;
  • Oferendas: bodes e galos, inhame, feijoada, cerveja branca.
  • Saudação: “Ogunhê!”
Participe da Obrigação Anual para Ogum no dia 23 de Abril. Faça oferendas para Ogum neste dia e receba seu axé para mais um ano de proteção. Dia mais propício para os filhos do orixá fazerem suas oferendas ao santo que os protege.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Só com muita umbanda no coração…

Axé pessoal. É tão gostoso falar da Umbanda, vivenciar suas manifestações, comungar com os Guias Espirituais… Enfim, é tudo tão Grandioso!

No post anterior – “A UMBANDA CHEGOU… Cativeiro acabou!”- tive a intenção de provocar algumas reflexões e entre elas, uma era a vontade de que a Umbanda fosse vista e percebida agindo e interagindo com o “povo”.

Outra era ainda que fosse percebido que, devido às relações simbólicas dos negros escravos e dos índios brasileiros com os Pretos Velhos e Caboclos, Guias Espirituais que se manifestam em nossa Umbanda, essas entidades representam resistência, enfrentamento, combate e sobretudo, Fé, mesmo porque, esses atributos foram vivenciados e sentidos pelos negros e índios na época da escravidão e colonização.

Portanto, pode-se constatar que uma das funções da Umbanda é agir nas resistências, nos enfrentamentos, nos combates e na Fé das pessoas e da vida.

Mas, não são apenas os arquétipos de Preto Velho e de Caboclo que representam esses atributos, a Linha dos Marinheiros, os marujos que se apresentam em nossos terreiros sempre com sorriso no rosto, por exemplo, também têm sua história de luta, de dor, de resistência, de enfrentamento, de combate e de Fé.

Acredito que muitos conhecem as características desta Linha e sabem que trabalham na capacidade do movimento, na maleabilidade, na cura emocional e principalmente nas grandes demandas, mas não é “só” isso.

Esse “povo do mar” expressa também a forte simbologia de um povo que briga por seus direitos, que luta por liberdade e que resiste a qualquer tipo de violência.

A Revolta da Chibata que aconteceu na baía de Guanabara, RJ, em 1910, nos permite entender essa simbologia.

Esse momento histórico – aliás essa foi uma das poucas revoltas populares que atingiu seus objetivos no Brasil – teve como líder João Cândido Felisberto, o “Almirante Negro”, e a intenção de acabar com os humilhantes castigos físicos praticados na época pela Marinha do Brasil: “Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo”.

O movimento eclodiu quando o marinheiro Marcelino Menezes foi chicoteado como um escravo por oficiais, à frente de toda a tripulação. Segundo jornais da época, ele recebeu 250 chibatadas, chegando a desmaiar.

Nesse dia então, 22 de novembro de 1910, os marinheiros tomam posse de vários navios, manobram a frota exemplarmente, hasteiam bandeiras vermelhas pedindo “Ordem e Liberdade” e apontam cerca de 80 canhões para a capital do Rio de Janeiro e para o próprio palácio de governo. Alguns tiros de aviso são disparados e as exigências são apresentadas ao governo. Os marujos querem o fim efetivo dos castigos corporais; o perdão por sua ação e que melhorem suas condições de trabalho.

O governo cede, as chibatas cessam, os navios são entregues e depois de cinco dias a revolta termina vitoriosa, porém o governo trai a anistia e os marinheiros são brutalmente perseguidos.

Cerca de 100 marinheiros são presos e mandados para trabalhos forçados na Comissão Rondon ou são abandonados na Floresta Amazônica. Outros ainda são fuzilados e jogados ao mar.

Já João Cândido foi preso e enviado para a prisão subterrânea da Ilha das Cobras com mais 17 companheiros. Todos os 18 marinheiros são jogados em uma cela fechada por uma grossa porta de madeira, com minúscula saída de ar e recém-lavada com água e cal.

A falta de ventilação, a poeira do cal, o calor e a sede sufocaram os marinheiros e no dia seguinte, só dois sobreviviam, João Cândido e o soldado naval João Avelino.

Aos poucos, João Cândido se restabelece, é solto e expulso da Marinha. Os navios mercantes também não o aceitam – nenhum comandante quer por perto um ex-presidiário, agitador, negro, pobre e talvez doido. Contudo, continuará perto do mar como simples vendedor de peixe até morrer em 1969 aos 89 anos de idade.

Só em agosto de 2003 o Congresso brasileiro restabeleceu os direitos de todos os marinheiros envolvidos na chamada ”Revolta da Chibata”.

Enfim, é importante entender que as Linhas de Trabalho de nossa Umbanda, Pretos Velhos, Caboclos, Marinheiros, Ciganos, Baianos e todas as outras, são símbolos, arquétipos, que “querem dizer algo”, que representam momentos importantes na vida do povo, momentos de reflexão, de atitude, de resistência, de enfrentamento, de combate e de Fé.

Com isso, espero que com esse contexto histórico que acontece 2 anos depois da Umbanda ser oficializada, os Marinheiros que se manifestam em nossos Terreiros não sejam mais vistos como uma Linha desnecessária ou de beberrões, e sim como expressão do equilíbrio, da força, da luta, da resistência, da coragem e da determinação.

Espero também, que a Umbanda seja cada vez mais vista da forma que merece, ou seja, DIVINAMENTE. Mesmo porque, como não se emocionar diante de tamanha SIMPLICIDADE e GRANDIOSIDADE???

-

Ouçam o belíssimo samba “O Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, composto nos anos 70, que imortalizou João Cândido e a Revolta da Chibata. Aliás, essa música foi censurada na época da ditadura e teve sua letra modificada. Vejam o relato do compositor Aldir Blanc sobre esse momento terrível de nossa história:

“Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas a um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (…) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o “bonzinho”, disse mais ou menos o seguinte:
- Vocês não estão entendendo… Estão trocando as palavras como revolta, sangue etc. e não é aí que a coisa tá pegando…
Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um “telefone” nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:
- O problema é essa história de negro, negro, negro…

Ufa… Com certeza é muita reflexão…

Só com muita umbanda no coração, com muita pré-disposição a mudar tanta história de dor e com o aconchego, amorosidade e benevolência dos Guias Espirituais para entender o privilégio que nós, médiuns umbandistas, temos ao manifestar essa religião que tanto bem faz, que tanto ajuda o povo, que tanto enxuga lágrimas.

Salve a marujada!

Salve todo povo da Umbanda!

Salve a Umbanda!!!

-

E para quem quiser saber mais sobre esse movimento histórico e ver algumas imagens marcantes assista o documentário produzido pela Globo News em comemoração aos 100 anos da Revolta da Chibata que está disponível mais abaixo.

Fonte pesquisa: História do Negro Brasileiro, Clóvis Moura,
São Paulo: Editora Ática S.A., 1992 | CEFET (SP)

O Mestre Sala dos Mares - João Bosco / Aldir Blanc

*letra original sem censura com as palavras modificadas entre parênteses
* vídeo de Ana Bia Musical
* cantor desconhecido

Há muito tempo nas águas da Guanabara

O dragão do mar reapareceu

Na figura de um bravo marinheiro (feiticeiro)

A quem a história não esqueceu

Conhecido como o almirante negro (navegante)

Tinha a dignidade de um mestre sala

E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas (E ao acenar pelo mar na alegria das regatas)

Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas

Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas jorravam das costas

dos negros pelas pontas das chibatas (santos entre cantos e chibatas)

Inundando o coração de toda tripulação (do pessoal do porão)

Que a exemplo do marinheiro gritava então (feiticeiro)

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias

Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias

Que através da nossa história

Não esquecemos jamais

Salve o almirante negro (navegante)

Que tem por monumento

As pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo

Escrito por Mãe Mônica Caraccio

quarta-feira, 4 de maio de 2011

ELA FAZ o que ninguém consegue fazer



Arreda homem que aí vem Mulher…
Arreda homem que aí vem Mulher…
Esse pequeno trecho do ponto que tão comumente cantamos em nossos terreiros é um dos mais significativos e expressivos quando penso em Pombagira.
Todos nós já ouvimos e lemos muitos textos sobre Exu e suas qualidades tão ativas e duais, no entanto, pouco falamos de Pombagira e pior, quase sempre quando ouvimos falar dessas Entidades de Luz a referência é com a prostituição, desejo, sexo, amarração, separação ou ainda, com a desgraça emocional e familiar.
Penso que seria muito interessante e importante para todos nós se, quando pensássemos em Pombagira, pensássemos no arquétipo Mulher, afinal, além dela ser pura expressão do feminino ela também atua e ativa a pura essência do feminino, seja nos homens ou nas mulheres.
Falando sobre o arquétipo Mulher, que é fundamental em todas as religiões historicamente firmadas, entende-se por arquétipos as tendências estruturais invisíveis dos símbolos e que criam imagens especificas. Já o sentido “Mulher” refere-se ao principio feminino que está ligado a sensibilidade, a criatividade, a lua, ao ciclo, a capacidade de viver o tempo com ritmo diferente, de receber, de acolher, de enfeitar, de proteger, de lutar pelo bem amado e a capacidade de se transformar em onça, leoa e materna. Esse princípio ainda estimula nos seres humanos o lado espiritual e a busca pelo encontro do sentido religioso, fato constatado quando percebemos a quantidade de mulheres nas instituições religiosas. Além disso, não podemos deixar de refletir sobre o contexto de liberdade, de comunidade e de força de expressão que os espaços religiosos permitem. Nesse sentido Nancy Cardoso Pereira em seu livro: Malditas, Gozosas e Devotas – Mulher e Religião (1996), afirma: “É no campo das expressões religiosas que as mulheres encontram espaços para a resistência e sobrevivência”.
Com essa linha de raciocínio conseguiremos afirmar o quanto as Pombagiras são importantes e fundamentais para nós e para a própria estrutura da Umbanda.
Elas mexem com nossas emoções, elas geram em nós todos esses princípios femininos e ainda quebram o paradigma patriarcal instituído em nossa sociedade por alguns povos e religiões milenares como o judaísmo e o catolicismo.
O medo, o desconforto, a maledicência sobre as Pombagiras deve-se pelo fato de elas atuarem nas partes ocultas e nas questões oprimidas da mulher, a exemplo, temos o desejo que ainda é um grande tabu para a maioria das pessoas, principalmente para os homens e para os mais tradicionalistas. Para muitos, “Ter Desejo” é proibido e o fato é que as Pombagiras moram na casa dos desejos, entenda desejo tudo aquilo que realmente desejamos.
Elas estão ligadas ao belo, ao que seduz e àquela que se apaixona, ao mesmo tempo remete ao que se deve ser evitado.
A própria figura da Pombagira assume toda a sensualidade subversiva e agressiva da sexualidade feminina, em contraste com a ideia do feminino passivo e submisso tão enfatizado por algumas tradições, fato refletido nas suas imagens, onde na maioria das vezes são representadas por mulheres seminuas enquanto as imagens das santas católicas estão sempre bem cobertas (vestidas) e com semblante amenizador.
É referência como propiciadora de abertura de caminhos, da renovação, da vida e da liberdade. E na sua condição de libertina, ou de quem é livre para ir e vir, fala o que pensa e o que quer, ela se comanda.
É estímulo, alegria, beleza, poder e movimento, o qual alimenta seu ‘cavalo’ e seus adoradores.
Manifestam-se tanto na lavadeira como na advogada – condições sociais para Elas não é importante; manifestam-se em mulheres fora dos padrões de beleza ditados pela sociedade e ainda assim exercem sobre os homens um estimulante fascínio e sobre as mulheres a auto-estima; manifestam-se nos Terreiros e rompem com quaisquer diferenças, pois são “apenas” Pombagiras.
A Pombagira está relacionada a tudo que é feminino, adora jóias, perfumes, batom, ouro, rosas, principalmente as vermelhas por ser a cor da paixão, do calor, do fogo. Gosta de cigarrilha e champanhe, pois traduz estímulo e alegria.
Como princípio feminino é considerada por muitos um “EXU FEMININO”, mesmo porque na África, local de origem dos Orixás, na tradição banto, o nome Exu é Bongbogirá, o que nos leva a deduzir que o termo pombagira é uma corruptela de Bongbogirá. E como princípio feminino atua de forma muito diferente do princípio masculino Exu.
Ela mexe com aquilo que Exu não consegue mexer.
Ela transforma aquilo que o vigor masculino de Exu não modifica.
Ela cria aquilo que o mando de Exu não consegue estabelecer.
Ela fala aquilo que Exu não consegue dizer.
Ela dá aquilo que todos querem, mas que ninguém é dono.
Ela faz sorrir de uma forma que homem nenhum entende.
Ela faz viver aquela mulher que toda mulher quer ser e que todo o homem quer ter.

Ela é POMBAGIRA e é melhor arredar o pé, homem,

pois aí VEM MULHER…



Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

Salve os Erês !!!

As Entidades Espirituais que incorporam em nossos terreiros de Umbanda com o arquétipo infantil e que formam a Linhas das Crianças, Erês ou Ibejada são representantes da alegria, da sinceridade, da inocência e de tudo que é puro, no entanto, essa Linha, e toda sua potência, é pouco conhecida pelos próprios umbandistas que, na maioria das vezes, só as veem como crianças peraltas ou submissas. Consequentemente os trabalhos religiosos com essa Linha ficam cada vez mais distantes dos terreiros ou ainda ligadas somente ao sentido da festa, das guloseimas, da bagunça e da extravagância em todos os sentidos.

Na realidade essas Entidades são Seres Espirituais mestres nos conceitos do Bem e do Puro e muito ajudam para evolução moral dos médiuns ensinando que a única forma de se levar vantagem é sendo puro, como é a criança, também não admitem a mentira nem a maldade. Os filhos de Ogum, como também são conhecidos, têm a presença mais alegre da Umbanda, trazendo sempre renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas pelo ar inocente que traz na face do médium.

Saiba que é brincando e rindo que efetuam maravilhosos trabalhos de descarga fluídica, aliás, é no sacudir dos braços e pernas que atiram seus fluidos naturais afastando, assim, espíritos de baixa vibração que estejam prejudicando as pessoas. Com esses movimentos também desagregam energias densas enraizadas no corpo astral e áurico que proporcionam doenças no corpo e na alma.

A fala com as ‘Crianças’ é sempre cheia de brincadeiras e de “ingenuidade”, no entanto são profundas, sábias e altamente reveladoras, mesmo porque o que mais estimulam em nós é o autoconhecimento. Além disso, uma das suas maiores capacidades é nos fazer rir e é nesse riso contagiante que “eles” curam nossas amarguras.

As ‘Crianças’ gostam de sentar no chão, junto à terra, fonte de energia transmutadora e curadora, suas preces são cantadas em melodias alegres fazendo referência a Papai e Mamãe do Céu e em mantos sagrados. Seus pontos riscados são curtos e bastante cruzados pela Flecha, Coração, Chave e Raiz … são verdadeiros Magos Naturais. Quem já não ouviu a frase: “O que os Filhos das Trevas fazem, qualquer criança desfaz. O que a criança faz (no sentido do Bem, é claro) ninguém desfaz ou interfere”.

A festa das Crianças na Umbanda, conhecida como Festa de São Cosme, Damião e Doun, tem duração de um mês, iniciando em 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando em 25 de outubro (Crispim e Crispiniano).

Aproveite o dia, a energia, a vibração e todo o entusiasmo dessas maravilhosas Entidades, de uma pausa para pensar, abrir o coração e entenda, embora de forma simples e pura, as profundas e sábias mensagens desses verdadeiros SÁBIOS – Senhores da Pureza Cósmica. Aproveite também e determine algo especial para você. Determine que seu lado infantil e puro sempre influencie suas decisões e seus relacionamentos.

E, se for à uma festa de Cosme e Damião em um Terreiro de Umbanda, aproveite ao maximo a oportunidade e todos os ensinamentos e leve para casa, além dos doces e bolos, o exemplo de alegria dessa encantadora falange de Yori!

Salve as Crianças! Salve os Erês!

Salve Cosme e Damião!

Salve Oni beijada!

YORI: um dos raros termos sagrados que se manteve sem nenhuma alteração. Esse termo, assim como Yorimá, era de pleno conhecimento da pura Raça Vermelha, só se apagando do mental do Ser humano após a catástrofe da Atlântida. Ele ressurgiu através do Movimento Umbandista, em sua mais alta pureza e expressão. Traduzindo este vocábulo através do alfabeto Adâmico, temos: A Potência Divina Manifestando-se; A Potência dos Puros.

BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJIS

IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.

DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; os santos Cosme e Damião; o Orixá africano IBEJI e a falange das crianças na Umbanda.

ERÊ: Vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou Entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.

Mãe Mônica Caraccio

A árvore da vitalidade: o guaraná

Aguiri, menino da tribo Sateré-Maué da área cultural do Tapajós-Madeira, tinha os olhos mais lindos e espertos que jamais se vira naquela região. Os pais agradeciam frequentemente ao Grande Espírito por essa graça singular. Muitas mães pediam ao céu que fizesse nascer também para elas um filho com olhos tão bonitos.

Aguiri se alimentava de frutas que colhia da floresta em cestos que sua mãe lhe fazia e gostava de partilhá-las com outros coleguinhas de jogos.

Certa feita, o menino dos olhos lindos distraiu-se na colheita das frutas, indo de árvore em árvore até afastar-se muito da maloca. Aí percebeu, com tristeza, que o sol já transmontara e que se fazia escuro na floresta.

Não achando mais o caminho de volta, decidiu então dormir no oco de uma grande árvore, protegido dos animais noturnos e perigosos. Mas não estava a salvo do temido Jurupari, um espírito malfazejo que vaga pela floresta, ameaçando quem anda sozinho. Ele também se alimenta de frutas. Mas tem o corpo peludo de morcego e o bico adunco de coruja.

Jurupari sentiu a presença de Aguiri e, sem maiores dificuldades, o localizou no oco da grande árvore. Atacou-o de pronto, sem permitir que pudesse esboçar qualquer defesa.

De noite, os pais e todas as mães que admiravam Aguiri ficaram cheios de preocupação. Ninguém conseguiu pregar o olho. Mal o sol raiou, os homens saíram pela mata afora em busca do menino. Depois de muito vaguear daqui e dali, finalmente encontraram seu cesto, cheio de frutas que ficaram intocadas. E no oco da grande árvore deram com o corpo já frio de Aguiri. Havia sido morto pelo terrível Jurupari, o espírito malfazejo.

Foi um lamento só. Especialmente choravam os curumins, seus colegas de folguedos. Ficaram inconsoláveis. Eis que se ouviu no céu um grande trovão e um raio iluminou o corpo de Aguiri. Todos gritaram: – É Tupã que se apiedou de nós. Ele vai nos devolver o menino.

Nisso se ouviu uma voz do céu, que dizia suavemente: – Tomem os olhos de Aguiri e os plantem ao pé de uma árvore seca. Reguem esses olhos com as lágrimas dos coleguinhas. Elas farão germinar uma planta que trará felicidade a todos. Quem provar o seu suco, sentirá as energias renovadas e se encherá de entusiasmo para manter-se desperto e poder trabalhar incansavelmente. E assim foi feito.

Tempos depois, nasceu uma árvore, cujos frutos tinham forma dos olhos bonitos e espertos de Aguiri. Fazendo do fruto um suco delicioso, todos da tribo sentiram grande energia e excitação.

Deram, então, àquela fruta, em homenagem ao curumim Aguiri, o nome de Guaraná, que em língua tupi significa “árvore da vida e da vitalidade”.

E até os dias de hoje se toma Guaraná em muitos lugares do mundo, comprovando ser um dos mais saborosos sucos extraídos de sementes que existem na natureza e um revitalizador incomparável das energias vitais.

Retirado do livro “O Casamento entre o céu e a terra” de Leonardo Boff

Escrito por Mãe Mônica Caraccio

Fonte: Minha Umbanda

Salve o Povo Cigano !

Liberdade e Alegria, reconhecimento da Vida em Comunidade, do Teto e do Espaço Sagrado, d o Encanto e da Força da Natureza, da Magia e da Reza são sentidos e atributos ensinados pelos “Ciganos” que se manifestam através do dom mediúnico em nossa querida Umbanda. E com o encanto de suas danças, seus cantos e seus movimentos é que envolvem cada vez mais fieis para dentro de suas “tendas” e para dentro do coração pulsante da Umbanda.

É encantador cada movimento, cada palma e cada olhar sentido por esse “Povo”!

É encantador cada fala poética, cada discurso direto, cada provérbio sábio pronunciado por esse “Povo”!

É encantador cada reza e cada gesto manifestado por esse “Povo” tão misterioso e que ao mesmo tempo é tão claro, simples e transparente, bastando apenas que nosso olhar também se transforme em olhar libertador, ou seja, em “Olhar Cigano”.

Sei que ainda poucos conhecem e manifestam essa Linha com total compreensão, mas sei também que o amor e a sapiência desses espíritos que se manifestam como Ciganos na Umbanda transcendem nossas ações e, com certeza, nos inspiram ainda mais nesse caminhar junto à nossa comunidade, grupo, corrente, aldeia… enfim… família!

É isso mesmo, acredito que uma das grandes lições que a Linha Cigana tem para nos ensinar é o viver em família, em grupo, unidos na alegria e na paz entre espíritos e espírito. O gostoso é saber que uma das funções da religião é exatamente essa, ou seja, é nos ensinar a viver em grupo ungidos de alegria e paz.

Portanto, vivenciar essa Linha dentro de nossos terreiros e corações é vivenciar o próximo, é vivenciar o respeito, é vivenciar os limites dentro do contexto da Liberdade e da Fé.

Sabemos que os espíritos ciganos gostam de festas, que gostam de ser recebidos em meio à fartura e a seus companheiros de caminhada, mas isso é só para confirmar seu arquétipo próspero, alegre e familiar. Isso é só para facilitar seu “trabalho” dando a melhor das lições: o Exemplo. Mesmo porque eles repartem toda fartura, eles dão tudo que possuem em troca da Liberdade.

É fato que algumas pessoas erroneamente procuram essa linha para pedidos obscuros e quase sempre dominantes, no entanto, estão indo em sentido totalmente contrário à função dos Guias Ciganos, estão totalmente equivocados pois Eles agem no astral justamente Libertando e nunca prendendo, seja em que sentido for, seja no sentido religioso, amoroso, profissional… os Ciganos Libertam, Amam e Transformam em nome da vida em alegria e da alegria em espírito.

Portanto, vale a pena, viver, vivenciar, louvar e se emocionar diante desses espíritos tão iluminados que com o olhar lêem nossa vida e com o sorriso falam em nossa Alma.

“O céu é meu teto, a terra minha pátria e a Liberdade é minha Religião”

O Núcleo de Danças Fabrina Mahin tem em seu site este texto sobre a dança cigana que nos mostra o quanto cada elemento é representativo e o quanto a tradição deste povo está próxima de nós e da nossa Umbanda. Vale a pena ler, compreender, se envolver e relacionar.

A Dança Cigana

“Por ser a dança cigana mágica, reflete a alegria de um povo, que traz consigo o mistério através dos passos e dos movimentos que saúdam, invocam e fazem fluir a mais bela e elevada vibração energética.

  • Dança do leque: Dança do elemento ar que representa o amor, a sensualidade e a limpeza, representa sedução, romantismo e poder. O leque passeia há séculos nas mãos das mulheres, mas seu uso prático pouco tem a ver com os aspectos valorizados pela cigana ao dançar. Da maneira que se abre pode representar as fases da lua e da mulher, seus reais desejos ou apenas o que quiser demonstrar; é um poderoso instrumento de limpeza energética, magia para a cura e sedução. Sendo assim, está constantemente nas mãos espertas de uma cigana, atraindo a atenção para seu mistério e poder. O leque é mais característico nas danças “kalóns”, mas pelo seu encanto as mulheres que gostam, usam-no sempre que podem na sua dança.
  • Dança da rosa: Elemento terra. Representa o amor, a beleza, a conquista, sedução e a sensualidade. A rosa é a beleza interior e a beleza exterior. A rosa vermelha na boca que os ciganos costumam levar em suas danças – presa entre os dentes – levam para presentear a mulher que está envolvida na dança. As alianças para os ciganos são simbolizadas por duas rosas vermelhas, em seus casamentos.
  • Dança das fitas coloridas: Elemento água representa as lágrimas de alegria e tristeza derrubadas pelo povo Cigano. Não o lamento, mas também a comemoração. Representa a limpeza, alegria e infantilidade. Dançar com fitas é quase uma brincadeira de criança, alegra qualquer tipo de ambiente, festeja os nascimentos e casamentos, os movimentos das fitas rodopiantes manifestam o ritmo da vida e a alegria de fazer parte dela. As fitas são mais utilizadas nos ritmos “rons”, porém conforme o que se quer passar a dança se adéqua a qualquer ritmo alegre.
  • Dança do véu: representa o elemento ar e expressa a leveza do corpo e a sensualidade.
  • Dança das tochas: Mostra a fúria e o poder do fogo através das tochas acesas que reverenciam este elemento. Representa a purificação e a limpeza pelo fogo. Neste caso específico, pode também ser utilizado um candelabro pela dançarina.
  • Dança do pandeiro: Dança dos quatro elementos, denota a alegria e sugere uma festa. Serve também para purificar o ambiente. O pandeiro traz a alegria do sol, saudando-o com inúmeras fitas coloridas, representando seus raios protetores e vivos. Como todo instrumento que faz barulho, ele tem como função expulsar os maus espíritos ou energias negativas, abrindo caminho para o povo festejar. Sua mensagem é mover, transformar o que está parado em ritmo, revigorar o nosso corpo com a alegria e o calor da dança, assim como o sol faz conosco. O uso das fitas, pode ter nascido como um calendário para marcar eventos importantes e a idade; para saudar a chegada da primavera; para representar através das cores das fitas pedidos ou bênçãos. É mais utilizado nas danças do grupo Rom, acompanhando violinos e outras percussões, é preciso habilidade e conhecimento dos ritmos utilizados.
  • Dança dos sete véus: Para os ciganos essa dança representa uma despedida de solteiro. E os véus coloridos representam as sete cores do arco-íris, simbolizando o amor e a sensualidade. As cores dos véus representam os quatro elementos.
  • Dança do punhal: Elementos ar e terra. Significa lutas, disputas, fúria e pode simbolizar a limpeza do ambiente e do corpo. Representa o corte, a força e a limpeza.
  • Dança dos quatro elementos: Feita com representações dos quatro elementos como: Vela, incenso, jarro d’água e sal. Significa magia e limpeza do ambiente. Normalmente é dançada contando com 04 dançarinas. As vestes lembram os nômades do deserto.
  • Dança da Espada: Elemento ar e terra. Representa luta, guerreira, batalhadora. Usa-se movimentos semelhantes aos movimentos do punhal.
  • Dança com echarpe ou lenço: Representa união, casamento e amor. O lenço também é utilizado para a prova da virgindade. O lenço é encantador seguro delicadamente nos dedos da cigana, envolvendo-a de mistério e aos poucos revelando sua beleza e poder. Ao dançar com o lenço, seus desejos, sentimentos e sonhos são movidos pelo deslizar do lenço pelo ar, no transe da música, livre como o vento e infinito como o céu. O lenço também transforma e limpa o ambiente, pode representar pedidos ou coisas da vida que queremos mudar ao dançar. É uma das danças ciganas femininas mais belas, por isso pode ser encontrada de várias formas nas danças de todos os grupos ciganos. Também neste caso podem ser utilizados lenços decorados com moedas douradas ou fitilhos, dando um ar de prosperidade aos movimentos executados.
  • Dança do xale: representa o mistério e a magia do elemento fogo. Dançar com o xale representa agradecer todas as dádivas ao criador, a sua força, o poder de ser mãe, o poder de seduzir o seu amor e também proteção e família. É usar toda poesia, força e magia. Nunca deixe outra pessoa pegar o xale, não derrubar, pois ele é a sua essência feminina. Enfim, dançar com o xale é agradecer, exibir e proteger suas estrelas.”

Abaixo, segue ainda um texto de Luciana do Rocio Mallon sobre os gestos da dança flamenca que estão incorporados na Dança Cigana.

Segredos Sobrenaturais da Dança Flamenca

“O dicionário define flamenco como: dança cigana praticada, tradicionalmente, na Espanha, mas, sabemos que dança flamenca vai muito mais além do que esta simples definição.

Origens da Dança Flamenca: Um povo nômade saiu da Índia , passou por algumas regiões árabes e depois visitou a Europa . Estes nômades foram batizados de ciganos e eles absorveram a dança de cada região por onde passaram e desta mistura nasceu a dança Flamenca .

Significados de Alguns Gestos da Dança Flamenca:

  • Movimentos Circulares Com os Braços: Os movimentos suaves e circulares com os braços fazem-nos lembrar das danças das deusas indianas, que com seus gestos ritmados com estes membros, davam a impressão de que tinham vários braços. Para estes povos os movimentos circulares dos braços significam: a feminilidade; a Busca dos elementais do ar; a força feminina que agradece os benefícios do ar; gratidão pelo oxigênio que respiramos; ritual de purificação de nossa aura e diálogo místico com outra dimensão.
  • Braços que Apontam Para o Céu e Para a Terra: Este movimento tem uma razão significativa, quer dizer que a mesma força que está em cima , também permanece embaixo. É como diz o famoso mago Hermes Trimegisto: “a força que move em cima, também move embaixo”. Este gesto da dança Flamenca afirma que há uma energia superior celestial que comanda tudo que está na parte inferior. É um pedido de oração para as forças superiores.
  • Mãos que Se Abrem e Se Fecham: Significam a troca de energia entre o ar e o corpo da bailarina. Porque segundo a tradição dos ciganos, a mulher precisa absorver a energia do ar para se inspirar em seus trabalhos manuais.
  • Sapateado: Para o Flamenco sapatear é muito mais do que fazer ruídos com o calçado acompanhando o ritmo da musica. Sapatear é invocar os espíritos dos antepassados contra o preconceito e o desprezo, pois diante de uma injustiça é necessário bater os pés no chão exigindo os seus direitos perante a sociedade. Afinal, os ciganos foram um povo perseguido tanto por religiões, quanto por interesses políticos. Na Idade Média, vários ciganos morreram na fogueira acusados injustamente de bruxaria.
  • Bater Palmas: Bater palmas é um ato para saudar as alegrias da vida e chamar os espíritos dos antepassados, sempre com o ritmo da música.
  • Dobrar os Joelhos no Ar: É sinal de respeito com os elementais do ar e da terra através da graciosidade. Quando se dobra o joelho de uma perna no ar e esta perna volta para o chão, significa a ligação dos elementais do ar com os elementais da terra.”

Um final de semana libertador e de muita alegria a todos! Axé!

Escrito por Mãe Mônica Caraccio

Fonte: Minha Umbanda

EXU É ÚNICO E ESPETACULAR!

Axé pessoal, pensando em postar algo didático hoje me lembrei desse texto que é simplesmente EXCELENTE para quem quer saber um pouco mais sobre Exu e suas atribuições. Sei que há pouco tempo publiquei esse texto no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, mas não dá para deixar de aproveitar todas as oportunidades que tenho para estimular um melhor entendimento sobre Exu, não é mesmo?

São trechos do livro Exu Pede Passagem – uma análise da Divindade africana à luz da psicologia de Carl Jung de Mara Martins Passos, psicóloga com mestrado em Ciências da Religião pela PUC.

Sem dúvida é uma bela e inspiradora leitura na qual, Mara Passos faz uma abordagem original e instigante sobre Exu. Ela mostra com bons argumentos e belas pesquisas o quando Exu é Único.

Com certeza é um olhar e um pensar um tanto provocativo sobre as ações desse que é tão indecifrável, temido e ao mesmo tempo amado. Aproveitem!

O Riso

É muito comum que as imagens de Exu estejam gargalhando. Algumas têm expressões sérias ou que sugerem maldade. Mas a maioria está rindo abertamente. O riso largo e solto, embora não pareça, é algo meio tabu dentro do campo religioso. Se observarmos as imagens dos santos nas igrejas, veremos que nenhum está rindo. A maior parte tem a expressão séria e piedosa e só alguns sorriem, apenas ligeiramente.

Exu, no entanto, gosta de rir. Ouvimos, desde crianças, a expressão: “Muito riso, pouco siso”. Em ocasiões pomposas e solenes, não se deve rir. O riso, todavia, faz parte do ser humano. Ele “desopila o fígado”, ameniza as tensões e provoca bem estar.

Nas incorporações dos guias da esquerda é normal os exus e pomba-giras darem sonoras gargalhadas, enquanto dançam e falam.

Embora a obra de Umberto Eco, “O Nome da Rosa”, seja ficção, ela nos traz importantes aspectos do Catolicismo na Idade Média, dos quais eu gostaria de destacar, aqui, a forma interessante como é tratada, no livro e posteriormente no filme, a questão do riso. Trata-se da relutância do velho frade franciscano em permitir o acesso ao Segundo Livro da Poética, de Aristóteles, sobre a Comédia. O horror dele à Comédia e ao riso é tão grande, que envenena as folhas do livro para que, todo aquele que o folheie, morra em seguida. William de Baskerville, o franciscano convidado a fazer uma investigação sobre as mortes que estão ocorrendo no convento, aos poucos vai percebendo a trama. Ao final do filme ele (William de Baskerville), acaba descobrindo onde se encontra o livro. A conversa que ocorre então entre ele, seu discípulo Adso e o velho frade que ocultara o livro, esclarece um pouco porque o riso e a comédia poderiam ser tão perigosos. Quando Adso pergunta por que esconderiam livros como esse, se havia algo errado, o Mestre lhe responde: “Não, Adso, é porque eles contém uma sabedoria diferente da nossa. E idéias que nos fariam pôr em duvida a infalibilidade da palavra de Deus. E a dúvida, Adso, é inimiga da fé. O riso mata o temor e sem temor não pode haver fé. E, se não se teme o demônio, não há mais necessidade de Deus”.

As imagens das Pomba-Giras estão quase sempre gargalhando e quando exus “incorporam-se” em médiuns masculinos, uma de suas principais características é o riso livre e debochado.

A Sexualidade

Os primeiros viajantes europeus a fazerem incursões pelo continente africano – o que já ocorria antes da descoberta do Brasil – encontraram, em observações feitas a templos religiosos, várias imagens diferentes de Exu. Como ele foi sempre considerado o guardião do limiar, era comum encontrar imagens suas às entradas dos templos, cidades, casas ou palácios. Com muita frequência a divindade Exu era representada com um falo mais comprido que o normal e em estado de ereção, por ser o senhor do movimento, aquele que tudo transforma e individualiza, associado portanto ao ato de procriação. Esta qualidade fálica de Exu aparece principalmente entre os daomeanos (Rodrigues, 1988). Em quase toda a África, é muito importante que os indivíduos tenham filhos. Nada de pior pode acontecer a um homem do que tornar-se impotente e à mulher, nada pior do que ser estéril, porque serão os filhos que cultuarão os pais como seus ancestrais. Se alguém não tiver a bênção de ter filhos, quem os cultuará depois de morto? Ninguém. Um individuo com o pênis ereto, pronto a fecundar uma mulher e dar origem a outro ser, é algo muito positivo. Exu, sendo o deus da procriação, um deus fálico, era assim representado, iconograficamente.

Creio não ser difícil imaginar o impacto causado nos viajantes europeus, brancos e cristãos, ao se depararem com essas imagens de Exus fálicos. No cristianismo, bem como em outras religiões, é dada uma ênfase muito grande à castidade (tanto masculina quanto feminina). É fácil supor o choque causado pelas imagens representando a divindade com o falo ereto. Era algo frontalmente diverso dos valores tradicionais cristãos. Desconhecendo completamente a cosmovisão africana e tendo como única medida apenas os seus próprios valores, Exu foi facilmente identificado como algo diabólico. Só o demônio poderia estar ali, com aquele comprido falo ereto, coisa tão terrível para o referencial cristão, que guarda ciosamente sua sexualidade e toda a decorrente exuberância advinda dela.

A ligação com demônio, portanto, já existia desde essa época. A tese de que a África era uma terra da maldição, perdição e perversidade já era defendida por muitos teólogos da Igreja Católica, entre os quais o Padre Antonio Vieira.

Quando os escravos africanos chegaram ao Brasil, tão desvinculados de seu universo cultural, em terras tão estranhas e em condições tão difíceis, apegaram-se profundamente, como “nicho de resistências”, no dizer de Trindade (1985), ao seu orixá mais importante, Exu.

Os senhores brancos certamente perceberam isto. Começou então um processo gradativo que objetivava a total degradação de Exu. Era preciso compará-lo frequentemente ao diabo, o inimigo número um de Deus, na cultura ocidental. Não é tão difícil lançar uma idéia. Por mais absurda que seja, se ela encontra terreno fértil, espalha-se como as ervas daninhas.

Era preciso fazer com que os escravos fossem, aos poucos, acreditando que a única coisa boa que ainda tinham, na verdade era uma coisa má, diabólica e maldita.

A sexualidade, no sapiens, transcende em muito a dos outros animais. Assume um caráter excepcional, para o sapiens, muitíssimo mais complexo do que o é para qualquer outro ser da escala animal.

Não se restringe a cópulas periódicas e à perpetuação da espécie, ao contrário, ela ultrapassa em muito esses limites. Permeia toda a vida dos homens e das mulheres, transcende nos gestos e nas palavras que pronunciam, nos seus atos mais cheios de ternura mas também nos mais vis. Envereda por caminhos estranhos e perversos e por desvios histéricos e fanáticos. A sexualidade pode tornar-se perigosa na mente de um psicopata, assim como pode parecer inocente numa poesia pueril.

Lembrando Morin, a própria institucionalização da família e a consequente regulamentação da sexualidade gerarão uma série de problemas internos, geralmente esquecidos pela Antropologia, mas muito bem desvendados pela Psicanálise, que tornarão a vida afetiva dos indivíduos e suas relações interpessoais extraordinariamente complexas.

Para ele: Vidas vão ser fulminadas, martirizadas, transfiguradas por desejos insensatos, amores dementes, encontros furtivos e, a partir de então, cada vida será dupla, com sua parte imersa, cada sociedade viverá sua vida dupla, sua vida oficial e sua vida crônica.(Morin, 1975)

Desnecessário seria dizer, mas Exu, segundo sua mitologia, com toda a certeza, apropriar-se-á (ou farão com ele se aproprie?) dessa parte imersa do indivíduo, dessa sua sexualidade subterrânea, que Morin descreve tão bem.

Exu, em muitas de suas formas, avatares, nomes, roupas, expressões faciais, representa claramente essa sexualidade tão desvairada. E o chamado “exu feminino”, a Pomba-Gira (uma corruptela da palavra Bombojiro, que é como os Bantu chamam Exu), é a própria expressão da mulher encarnando um tipo de sexualidade pervertida.

Como a sexualidade feminina foi sempre muito reprimida no Ocidente, a Pomba-Gira representa justamente essa “sombra” da mulher. Esse lado ciosamente escondido. O lado exuberante, sensual, debochado, não é bem visto numa mulher. A Pomba-Gira assimila-o e o expõe sem receios.

A Morte

A consciência da morte é, para o homem, o mais cruel e terrível de todos os enigmas. O ser e não-ser, ao mesmo tempo, é algo inimaginável. Os ritos funerários, o cerimonial feito pelos parentes da pessoa morta, sempre foram e são até hoje, objeto de estudo de antropólogos, sociólogos e psicólogos. É, certamente, o objeto maior da atenção de religiões e religiosos de todas as culturas. O homem não aceita a morte como fato consumado. Já alguns primatas, como o chimpanzé por exemplo, parecem não aceitá-la da mesma forma que os outros animais.

Essa questão do “reconhecimento” da morte como algo inevitável e irreparável, que acontecerá fatalmente a todos e a não aceitação dessa mesma morte, é tratada na obra de Edgar Morin. Ele observa que os mais antigos túmulos conhecidos são do homem de Neandertal, que já era sapiens. Algumas destas sepulturas apresentam vestígios de pólen sobre o cadáver, o que sugere que o morto teria sido colocado sobre uma “cama” de flores. Outras mostram que ao lado dos despojos eram colocados utensílios domésticos, armas e comida. Ora, tudo isso nos mostra claramente que já havia aí, não indícios de espiritualidade, mas uma não aceitação da morte como fato consumado e crenças numa transmortalidade, seja na forma de sobrevivência da alma ou de reencarnação. (Morin, 1975:101,102,103)

Existem muitos nomes e significações ligados a Exu e a Pombo-Gira, mas a maior parte desses nomes está, sem dúvida, associada à morte. Alguns autores citam Omolu (ou Obaluaiê), juntamente com Exu, como os senhores da Morte e do Mal. Temos então: Exu Caveira, Exu Tata Caveira, Exu Omolu, Exu do Cemitério, Exu Calunga, (calunga pequena – cemitério, calunga grande – o mar), Exu Sete Cruzes, Exu Sete Covas, Exu Catacumba, Exu Sete Sombras, Exu Seu João Caveira, Exu Calunguinha do Mar. Pomba-Gira das Almas, Pomba-Gira da Calunga, Pomba-Gira do Cruzeiro. Todos estes nomes e muitos outros, referem-se sempre a cemitérios, morte, túmulos e covas.

Sendo a morte sempre algo em que não se gosta de pensar, dói demais, nada melhor do que ter alguém para carregá-la e talvez conseguir até afastá-la o mais possível, pois Exu tem também poder sobre ela. Assim como ele é o Grande Senhor da Vida e do Movimento ele também é o da Morte (Ikù), que é a cessação de todo o movimento. Como guardião dos limiares, ele é também o “dono” do portão do cemitério.

Como vimos o grande e angustiante conflito existencial do ser humano, que é a morte, encontra em Exu um fantástico representante.

Acredito que, com este estudo sobre as várias representações de Exu, não fica difícil perceber que ele, na verdade, assimilou e catalisa, hoje, alguns dos mais importantes aspectos dos lados sombrios, apavorantes e inaceitáveis da criatura humana.

O Espaço

Seus nomes comumente afirmam que ele é o “controlador dos destinos”, o “senhor dos caminhos” e, por conseguinte, é o dono da encruzilhada e o dono do limiar. Estes títulos – ou atribuições – apesar de terem suas origens nos tempos míticos da velha África, são atributos que ele mantém até hoje na Umbanda e mesmo na imaginação popular. Monique Augras (1985), refere-se com pormenores acerca da periculosidade do conflito existencial que é o espaço, para os seres humanos. Aliás, não só para estes, como também para a grande maioria das outras espécies animais. O espaço transcende os limites impostos pela nossa própria pele. Nosso espaço não é só aquele ocupado pelo nosso próprio corpo. Ele vai muito além. Ele é também nossa casa, particularmente nosso quarto, nosso escritório ou consultório, nosso carro, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade. É em virtude de questões vinculadas à posse de espaços territoriais que são travadas a maior parte das batalhas e guerras nas quais se envolvem países, nações e agrupamentos humanos.

Exu rege os caminhos e os espaços. Como vimos, através das citações de Monique Augras, não é difícil constatar a importância da questão do espaço. Assim, não será também estranho que, dentro da filosofia do Candomblé, somente um orixá tão importante quanto Exu fosse capaz de reger algo tão complexo quanto o espaço. A encruzilhada é dele, pois é o lugar onde dois espaços se cruzam. Ela não precisa, apesar do nome, ser necessariamente em forma de cruz, ou seja, abrindo a possibilidade de quatro escolhas. Pode ser em forma de ‘T’ ou, como nas antigas cidades gregas, de ‘Y’. Aí, as opções ou escolhas podem ser em número de três. Ou pode ser uma “encruzilhada” que permita uma, entre duas possibilidades.

(…) e lembramos a associação que se faz de Esù e as encruzilhadas, representação por excelência da multiplicidade de caminhos e da geração e da imposição de alternativas e possibilidades. Destino e encruzilhadas estão, sem dúvida, intimamente ligados. Como Inspetor Geral de Olodunmare, ao mesmo tempo em que está em todos os lugares e em todas as formas criadas, Esù está simbolicamente representado na encruzilhada, onde assiste e acompanha todas as escolhas feitas pelos homens na sua caminhada pela vida. (Ribas, 1997)

A soleira da porta é guardada por ele também, pois o portão ou porta de uma casa é justamente o lugar onde termina um espaço coletivo – o “espaço da rua” – e começa um espaço pessoal. Ou vice-versa. O espaço da rua é um espaço de todos, teoricamente um lugar mais perigoso. O espaço pessoal é menos perigoso, fecha-se a porta e se estará ao abrigo de ladrões e pessoas perversas. Ao abrigo das intempéries e dos olhares alheios. O limiar guarda simbolismos existenciais profundos e complexos.

Nada mais justo que uma divindade importante como Exu, tome conta dele. Tanto em várias lendas e mitos quanto em contos de fadas encontramos momentos em que os guardiões dos limiares são criaturas perigosas e ferozes.

Mircea Eliade (1992) fala-nos acerca dos achilpa, uma tribo Arunta (Austrália). Segundo suas tradições um ser divino, Numbakula, nos tempos míticos havia sacralizado o tronco de uma árvore da goma (kauwa-auwa). Este tronco tornou-se um poste sagrado e os achilpa levavam-no sempre consigo, pois escolhiam a direção que deviam seguir dependendo da inclinação do poste. Tendo este uma vez se quebrado, toda a tribo foi tomada de grande angústia; vaguearam durante algum tempo e finalmente sentaram-se no chão e deixaram-se morrer.

Creio que este exemplo é extremamente notável para demonstrar a importância, para o ser humano, em demarcar o seu espaço. Hoje, em nossa cultura, “marcamos” nossos espaços, através de escrituras de compra e venda, por exemplo. Assim, esta casa é minha, pois eu a comprei. Eu tenho a escritura que comprova que ela é minha. Todavia, em outras culturas, não é assim tão simples a legitimação do espaço. Como vimos, para os achilpa, é um poste sagrado que, dependendo do lado para onde ele se inclina ou pertence estático, torna aquele determinado local como sendo legitimamente habitável para eles e seus rebanhos.

Para os povos indígenas das Américas, sempre pareceu muito estranho que os europeus quisessem provar-lhes através de um simples papel, que aquela terra era deles e não dos índios.

O espaço sagrado é sempre diferenciado do espaço profano.

Assim, os templos e as Igrejas são lugares sagrados. Na Umbanda, o conga é o “eixo cósmico”, pois é ali que, durante as giras, as entidades vão descer e incorporar-se nos médiuns.

Geralmente, há rituais que demarcam as fronteiras entre o espaço sagrado e o profano. Nas Igrejas Católicas, ajoelhamos e fazemos o sinal da cruz, antes de entrar. Nas mesquitas muçulmanas, os homens tiram os sapatos antes de entrar no templo. Nas Tendas Umbandistas, pede-se que os fiéis, antes de tomar passes ou fazer consultas, tirem os sapatos, o relógios, jóias e óculos.

No Candomblé, Exu rege os espaços mas, essa característica, de certa forma passou para a Umbanda de modo muito enfático. Ele rege o limiar, conforme já foi dito antes. Mesmo nos centros umbandistas mais “puxados” para o Kardecismo, no portão de entrada, se não houver uma imagem de Exu, há pelo menos uma oferenda a ele: um copo de aguardente, um charuto aceso e uma vela preta (ou vermelha) acesa.

Ao pensar em todas as batalhas, guerras e conflitos políticos que já abalaram o mundo, vê-se que, quase sempre, eles acontecem em virtude da posse de determinados territórios.

Assim, Exu torna-se, então, Exu Vira Mundo, Exu Tranca Ruas, Exu Sete Encruzas, Exu Sete Porteiras, Pomba-Gira Rainha do Cruzeiro, Pomba-Gira da Praia, Exu da Encruzilhada.

Escrito por Mãe Mônica Caraccio

Fonte: Minha Umbanda

Para sentir Esperança, Brisa e Alegria!


Percebo que poucas pessoas e poucos Terreiros conhecem a agradável e grandiosa energia e capacidade dos marinheiros, entidades espirituais que se manifestam durante os trabalhos espirituais de nossa Umbanda.
Uma grande maioria ainda acha que essas entidades “vêm” bêbadas ou que precisam beber para incorporarem em seus médiuns e trabalharem no auxilio dos mais necessitados. No entanto, Eles não precisam da bebida alcoólica e sua maneira peculiar de “chegar” é, nada mais e nada menos, a reprodução do mareado que o balanço do mar causa.
Eles só “chegam” em nosso Terreiro depois de passarem pela calunga grande e pedirem a benção de Iemanjá, chegam cheios de alegria e descontração, no balançar da embarcação vêem prontos para realizarem maravilhosos trabalhos.
Esses encantadores marinheiros e fortes marujos de nossa Umbanda quando chegam com suas gargalhadas, abraços, apertos de mão e todo aquele singular e insuperável molejo, fazem de nossas giras algo único. Alimentam nossas giras de esperança e sabedoria. Auxiliam-nos a encontrar os caminhos mais seguros e a percorrê-los com segurança e sabedoria.
São Guias que nos ensinam a enfrentar ambientes de calmaria ou mares tortuosos, tempos de grande paz ou de penosas guerras.
São Guias que, juntos com Iemanjá e Exu, trazem sempre uma mensagem de esperança e muita força, nos trazem a certeza de que podemos lutar e desbravar o desconhecido do nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança e amor. Nos inspiram à união, ao trabalho e ao esforço coletivo para alcançarmos o porto seguro de nossa evolução.
Eles são sorridentes e animados, não tem tempo ruim para esta falange. Com palavras macias e diretas e com um mergulho profundo, eles enxergam o fundo de nossa alma e tentam trazer para tona as mais belas pérolas de nosso ser.
Essa marujada quando colocam seus bonés, trabalham, cantam, riem, rezam e ensinam verdadeiras mandingas. São sinceros e ligeiramente românticos, sentimentais e muito amigos. Gostam de ajudar àqueles e àquelas que estão à procura de um “porto seguro”, afinal, simbolicamente já descobriram muitas ilhas, continentes e terras.
Quando chegam no final de nossa gira ajudam na limpeza pesada do Terreiro. Uma vez efetuada essa limpeza, toda a carga, todos os fluidos e energias negativas são “levados” ao fundo do mar onde se dissiparão.
Este povo recebe oferendas na orla do mar, sobre a areia seca, mas não devemos oferecer a eles estrelas do mar, conchas ou outros elementos do mar, pois como “Marinheiros” que são, consideram que os mesmos trazem má sorte, somente aceitam os búzios pois os consideram símbolo de paga.
Ter esse povo por perto é sentir a esperança, é sentir a brisa e é sentir alegria.
Ter esse povo por perto é de agradecer.
Aprender a ter sua maleabilidade e seu molejo na vida é para agradecer.
Não ser esquecido/a por espíritos tão iluminados é “de” e é “para” agradecer!!!

Salve a Marujada!
Salve os Marinheiros!
Salve o Povo d’água!



Suíte dos Pescadores – De Dorival Caymmi – Voz Flávia Tonalezi
Escrito por Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Aprendendo Sobre O Seu Guia



Caros Irmãos, eu estou na internet desde de 1998, mas tem aproximadamente 5 anos que venho tentando falar de Umbanda na internet, mas logo assim que eu comecei procurava feito um louco, história do cigano que eu trabalho, do Exú e do Caboclo, nada encontrei e um dia o cigano que trabalho, falou que a história dele estava começando naquele exato momento e seria aquela que eu teria que aprender, seria aquela que eu teria que propagar, dentro das Leis da Umbanda.

Eu nem mesmo um ponto cantado tinha para cantar para o Caboclo, Exú e para o Cigano, nem uma linha encontrei sobre eles aqui na internet, mas com muito trabalho, perseverança e doutrinação, eu fui compreendendo aquela mensagem do amigo Cigano, hoje sei que cada Guia/Espírito é Uno, tal como nós somos, estes podem ter o mesmo nome, mas não são os mesmos de forma alguma ninguém irá trabalhar com ele após seu desencarne, poderá sim trabalhar com um espírito com o mesmo nome que chega na mesma Falange ou Legião. 



Exemplo:

Eu posso trabalhar com Tranca Ruas das Almas e você também, podemos até ter os mesmos Pais e Mães de cabeça, mas o Tranca Ruas das Almas que você trabalha, não é e nunca será o mesmo que eu trabalho, mas ambos chegam na mesma vibração, na mesma energia, são das mesmas Falanges. 



PERCEBA O QUE DIZ ESTE TEXTO ABAIXO:

Existem basicamente 3 fatores que fazem com que a apresentação do guia varie:

1 – São espíritos diferentes.
2 – Trabalham em Médiuns diferentes.
3 – Trabalham em Terreiros Diferentes.

1 – São espíritos diferentes.

Antes de tudo cada guia que incorpora é único, cada um é um espírito em particular, com seu jeito de agir e pensar. O nome de que se utilizam é apenas um indicativo da forma que trabalham de sua linha e irradiação. Por isso podemos ter vários espíritos trabalhando com o mesmo nome, sem que sejam por isso um só espírito.

É como ser um médico, engenheiro, etc… Todos possuem um conhecimento comum, além do conhecimento individual. E isso faz com que trabalhem de forma diferente, mas seguindo a mesma linha geral. A mesma coisa acontece com nossos guias.



2 – O médium, mesmo os inconscientes interferem animicamente na incorporação.

Entenda-se que não é uma atitude deliberada do médium, mas algo que “vaza” da personalidade do médium na incorporação. Desde que esta interferência não atrapalhe o trabalho do guia, isto é perfeitamente aceitável.



3 – Trabalham em Terreiros Diferentes.

Se um médium continua trabalhando com o mesmo espírito, mas mude para um terreiro em que o ritual seja diferente, também é comum observarmos pequenas mudanças na apresentação e n trabalho do guia, trata-se da adaptação do guia ao novo local de trabalho.

Por isso há muitas variações na apresentação e método de trabalho dos guias. E perguntas como:

Alguém Conhece o Preto-Velho X ?
Como se apresenta o Caboclo Y ?
Informações sobre o Exu Z ?

Além de não atenderem a uma descrição fiel do guia a que quem pergunta se refere, podem aumentar o animismo ou causar insegurança.

Aumentar o animismo: A pessoa lê uma descrição de que o Caboclo Y não fuma charuto, e quando incorpora, fica com aquilo na cabeça, assim mesmo que o Caboclo queira pedir um charuto, pode encontrar dificuldades de romper esta barreira anímica criada pelo médium.

Causar Insegurança: O médium lê que o Exu Z quando incorpora ajoelha no chão, aí pensa, “nossa o que eu incorporo não ajoelha!!!” e começa a se sentir inseguro quanto a manifestação do seu guia, podendo com isso atrapalhar o seu desenvolvimento.



Resumindo, a melhor forma de conhecer seu guia e através do tempo, do desenvolvimento e do trabalho com ele, assim pouco a pouco você vai se interando de como ele é, como gosta de trabalhar, etc. E vai conhecê-lo como ele verdadeiramente é!



Caros Irmãos, quem me dera eu naquela ocasião tivesse essas explicações, teria evitado muito tempo perdido, foi tudo em vão a minha procura, perguntava ao vento, perguntava o que só eu poderia responder, o que só os Guias que eu trabalhava poderia informar.

Só para demonstrar como foi difícil darei o nome do Caboclo e do Exú que trabalho, tente achar algo sobre Eles aqui na internet.

Caboclo Bugre – irá encontrar um ou dois Pontos Cantados e mais nada

Exú Quebra Osso – Talvez encontre apenas uma frase que ele era irmão de Tatá Caveira, talvez ainda um Ponto Cantado.

Graças ao bom Deus esta dificuldade só aumentou minha Fé nesses, estejam tranqüilos que tudo será revelado no momento que vocês estiverem preparados, estude, estude e estude, assim estará ajudando seus Guias e sua espiritualidade.

Estejam sempre em paz e que a alegria dos Espíritos de Luz sejam uma constante em vossas Caminhadas!



Por: Alex de Oxóssi

Fonte: http://povodearuanda.wordpress.com/



Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

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“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho.”


SIGNIFICADOS QUANTO AO FORMATO DA VELA



 
Cones ou Triangulares: equilíbrio, elevação.
Quadradas: estabilidade, matéria.
Estrela: espiritual, carma.
Pirâmide: realizações matérias.
Cilíndricas: servem para tudo.
Animais: para o seu animal protetor.
Lua: para acentuar sua energia intuitiva.
Gnomo: para seu elemental da terra.
Cone ou Triangulares: simbolizam o equilíbrio. Tem três planos: físico, emocional e espiritual.
Velas Cônicas: são voltadas para cima e significam o desejo de elevação do homem, sua comunicação com o cosmos.
Velas Quadradas: Simbolizam estabilidade na matéria. Seus lados iguais representam os quatro elementos: Terra, Água, Fogo, Ar.
Velas em Formato de Estrela de Cinco Pontas: É o símbolo do homem preso na matéria. Representa o carma.
Velas Redondas: Simbolizam mudança. E a energia mais pura do astral que só a mente superior alcança.